- SALA DE AULA NÃO É LUGAR PARA NAMORO, PODEM FAZER O FAVOR DE IREM PARA SEUS LUGARES? — o professor berra e eu e o Lucas nos viramos para ele espantados
— quem disse que somos namorados? — eu e o Lucas dissemos em unisom
— não me importa, vão e se sentem! — eu olho para o Lucas que ri e vai para seu lugar, eu também vou para o meu
— ei, você! — o professor chama, me viro para ver se é comigo
eu? — pergunto apontando pra mim, ele ignora e entra em outro assunto, mas era comigo
— você é nova aqui, não é? — jura que só percebeu isso agora?! Aé, estava oculpado demais sendo grosso com a filha do chef
— sim. — respondo apenas o que sai
— venha aqui — caminho até a sua mesa
— pois não?
— qual é o seu nome? — pergunta ele me olhando nos olhos
— Júlia Almeida.
— Júlia Almeida.. — ele repete baixinho e me perco ali, naquele cara arrogante de olhos negros, cabelos arrepiados e seu peitoral absolutamente definido em baixo daquele camiseta social branca. Ele era um ator de novela grega, disfarçado de professor. — a que derrubou mais cedo não foi? — ele me chama de volta a realidade, quebrando o encanto e me lembrando do ogro que realmente era.
— na verdade foi ao contrário.. — sai um cochicho dentre meus lábios, ele arqueia a sobrancelha tentando entender o que eu tinha dito. — m.me desculpe. — digo, mas a voz quase não sai
— tranquilo. vou na secretaria pegar seus documentos — ele levanta e eu me contenho para não olhá-lo de cima a baixo. — pode ir sentar lá.
Assinto e volto para o meu lugar e o observo sair da sala, o Lucas vem correndo para cá.
— eai, oque o mané queria? — ele pergunta após se agaixar ao meu lado
— relembrar que eu o derrubei..
— kkkkkkk você o derrubou? Como? Quando? Onde?
— não exatamente, ele estava saindo da sala e eu entrando, fiquei um tempão conversando com a sua mãe e acabei ficando atrasada pra aula, então meio que vim correndo e acabamos nos bicando e caindo.
— kkkkk queria ter sido você, para derrubar esse mané metido a besta. Ele é assim só porque é amigo do dono, inclusive está se gabando porque vai jantar na casa dele...
— O QUE???! — arregalo o olho, e ele ao perceber oque havia dito também arregalou.
— ele vai pra sua casa, e agora?
— me ajuda Lucas, isso não pode acontecer. Oque eu faço?
— porra Juh, pior é que não sei como te ajudar. Não sabemos nem quando ele vai pra lá..
— eu tô ferrada, me ajuda a pensar em algo
— me passa seu número. Te mando uma mensagem se souber de alguma coisa a mais — passo meu número a ele e continuamos tentando pensar em algo enquanto ele não volta — estamos ferrados..
— estou né..
— se você está, eu também estou, não estou? Somos amigos e irei te ajudar
— certo, obrigada. — ele me dá um abraço e eu retribuo. O professor entra na hora
— Lucass, fora do lugar de novo Lucas? — eu e o Lucas separamos o abraço e ele volta pra seu lugar — então classe, como temos uma aluna nova. Vamos voltar um pouquinho no assunto dos semestres atrás para ela nos acompanhar..
— com licença, prof• — levanto a mão
— sim? — o professor me dá atenção
— não precisa mudar o assunto por minha causa, estive estudando em casa antes de vir para cá — na verdade eu já sei de quase tudo, pois meu pai me ensinou desde os 6 anos e por isso eu já sei do assunto é não quero atrasar o resto da classe.
— sabe, é?
— sim.
— e quem é que te falou do assunto?
— o Lucas. — minto, e ele me dá um olhar fuzilador, o Lucas também.
— o Lucas né?.._ ele repete oque eu acabara de dizer
— sim, ele esteve me enviando um resumo da matéria enquanto eu não chegava — desculpa Lucas, mas não posso revelar minha identidade.
— hmm, sei, sei. A cabeça se divide em quantas partes? — ahh, fala sério. Ele está mesmo me perguntando isso?
— duas — respondo o óbvio.
— e quais são elas?
— face e crânio. — reviro os olhos
— quantos ossos tem o crânio?
— oito ossos professor — respondo, e antes que ele fosse perguntar outra coisa idiota eu completo— e a face 14, 24 costelas, 7 mini ossos no carpo, 2 fêmur, 2 rádios, 2 unas, 2 úmeros, e vários outros totalizando a 208 ossos, tá bom de osseologia né? — ele me olha com uma cara de tacho
— okay, foda-se. — professor pode falar palavrão na classe?! — estava tentando te explicar o básico, mas já que esta querendo dar uma de espertinha já vai participar da prova de hoje com os outros.
— que prova? — todos (menos eu) perguntam em um unico som.
— a que eu descidi passar agora. Guardem o material, é sem consulta. — O pessoal guarda o material e ele distribui a prova para todos. — as provas são diferentes umas das outras, não tentem colar. Vocês tem 45 minutos, e ahh — ele se vira para trás me fitando — as provas estão em um nível avançado. — dou um sorriso para ele e abro a minha prova.
1- de qual lado costumamos fazer a bolsa de vasectomia?_ sério que esse é o nível avançado? Essas provas deveriam ser distribuídas para a turma de enfermagem, não de Medicina. Respondo-a e vou para a próxima rindo do que lia. sério isso? Essas perguntas estão extremamente ridículas nego e sorrio a segunda. A terceira pergunta queria saber a grande e a pequena circulação sanguínea. Eu respondi o óbvio. Que a pequena saia do ventrículo direito pela artéria pulmonar para os pulmões, onde fazia a hematose e voltava para o átrio esquerdo através da veia pulmonar. E que a grande saia da artéria aorta e blá, blá, blá. Enfim, a prova tinha 60 questões e conforme foi aumentando a questão, a dificuldade também aumentava, oque era bom, pois eu achava que continuaria aquela coisa tosca até o final. 25 minutos se passaram e estou na última questão, a qual citava a respeito de uma cirurgia de AVC. Nossa turma iria se especializar em neurocirurgia, então ele meio que já estava tentando nos ensinar a respeito.
— terminei — falo assim que escrevo meu nome no início da Folha.
— certeza? — pergunta o professor com uma cara de espanto, os alunos também fizeram a mesma cara que ele.
— sim. — digo confiante
— pode trazer a folha e sair, por hora está liberada. — Guardo minhas canetas, pego a minha bolsa, caminho até sua mesa e lhe entrego a prova, logo após saio da classe.
Cerca de uns dez minutos caminhando perdida resolvo me sentar em um banco que encontrei no primeiro andar, verifico meu celular e há uma mensagem de um número desconhecido. Abro-a, era o Lucas.
Lucas: acabou rápido.. já foi para casa?
Júlia: queria ter ido, mas estou perdida
Lucas: onde?
Júlia: aqui no campus kkkkk
Lucas: mds kkkkk. Não acredito, me fala onde mais ou menos você está que eu tentarei te encontrar.
Júlia: estou no primeiro andar, em um banco próximo a biblioteca.
Lucas: estarei aí em 5 minutos.. não saia daí Júlia: okay. Guardo meu celular e fico esperando por ele que já está a caminho, minutos depois ele chega próximo a mim
— mentindo com meu nome mocinha? — rio
— foi mal.. não tive outra escolha
— "foi mal".. kkk um dia aqui e já parece malandra — rimos — foi péssimo. O Mattew já não ia com a minha cara, agora ele só quer me matar.
— kkkkkk desculpa.
— Me diz aí, oque achou da prova? Eu achei mediana e você?
— não estava difícil
— Como conseguiu ser a primeira terminar se você não tem a matéria que estudamos?
— é que aprendi isso com 10 anos..
— aé, desculpa aí filhinha do chef_ ele se faz de ofendido em tom de brincadeira e rimos.
— me guia até a cantina por favor? estou perdidassa.
— claro, mas tem que me pagar um hambúrguer — ele me estende a mão
— pagarei — pego sua mão e andamos a caminho da cantina. Já lá, entramos na fila e faço meu pedido.. — vou querer duas coxinhas, um hambúrguer com batatas, 3 pães de queijo e uma Fanta uva de 600 ml por favor — a moça assente e anota meu pedido — e você anjinho, oque vai querer?
— eu? Nada não, estou sem fome
— como assim? Impossível não estar com fome depois daquela lorota toda daquele velho — eu falo revirando os olhos e ele da uma risadinha, minutos depois cochicha em meu ouvido
— é que eu estou meio sem grana.. deixa para um outro dia
— mas quem vai pagar sou eu — cochicho de volta
— de jeito nenhum, já estou acostumado a não comer nada.. em casa eu almoço. Pode ficar tranquila
— para ele é o mesmo que o meu — ele fica fazendo que não com a mão, mas não dou bola
— certo. Deu 140 reais — pego meu cartão e entrego a ela — é débito.
— certo. — após passar o cartão e pegar um cupom, caminhamos para a fila ao lado para aguardar e retirar o pedido
— você não se acha louca? Não precisava se incomodar comigo..
— lógico que precisa, não somos amigos agora?! — ele assente e eu continuo a falar — então, a partir de hoje não irei mais deixar você com fome, meu pai pagará a nossa merenda. — ele abre a boca, mas eu a tapo com a minha mão — e nem adianta retrucar. — Ele por fim se cala. Após pegarmos nosso lanche caminhamos a uma mesa..
— você é muito exagerada, não precisava ter comprado tudo isso
— precisava sim, só iremos sair daqui 16 horas e agora ainda é 13 hrs
— mas eu não vou conseguir comer isso tudo
— não tem problema, coma o quanto conseguir
— certo. — Comemos nosso lanche caminhamos de volta para sala — ainda não acredito que você comeu aquilo tudo sozinha..
— você comeu o seu inteiro também
— mais você é mulher!
— oque tem? Não posso comer porque sou mulher? Sou mulher, mas a minha fome é de Leão.
— kkkkkk por isso que é gorda desse jeito — oque? Não acredito que ele me chamou de gorda
— NÃO ACREDITO QUE VOCÊ ME CHAMOU DE GORDA!!!! — grito enquanto bato nele, ele ri correndo.
— vamos voltar logo, até porque nem deu a hora do intervalo. Era para a gente ficar no corredor esperando os outros acabarem para voltar para a sala.
— sério? — digo surpresa, mas depois lembro que ele não pode fazer nada comigo, porque sou a filha do chefe — não estou nem aí — dou de ombros
— kkkkkk você não vale nada, por isso gosto de você! —
— que horas é o nosso intervalo?
— 14:30
— até lá a minha barriga já muchou, da para gente comer um lanchinho…
— quê? Você acabou de comer a cantina inteira e já está pensando no que vai comer daqui uma hora e meia?
— isso mesmo — eu digo e ele balança a cabeça. Após chegarmos ao 4 andar observamos o corredor vazio — Lucas, ou todo mundo ainda está fazendo a prova, ou..
— estamos fodidos — o Lucas completa para mim batemos na sala e entramos
— com licença — dissemos juntos
— os dois — o prof nos mira com um olhar fuzilador — me esperem lá fora, iremos bater um papo.
Eu e o Lucas não falamos nada, apenas saímos
— escutem aqui.. se pensam que vão estragar meu dia estão muito enganados!! Essa é a minha classe e o Lucas conhece muito bem as minhas regras. Não tem nem um dia que você chegou garotinha — ele aponta para mim — e já está virando minha classe de cabeça para baixo?
— me desculpe professor, juro que não foi essa a minha intenção
— não adianta retrucar, só não deixo vocês aqui fora porque eu não quero esquentar minha cabeça. Justo hoje que tenho um jantar com alguém especial — gelo e olho para Lucas, que parece pensar o mesmo que eu
— vai jantar com quem professor? — pergunta o Lucas com medo
— que menino abusado! Não que seja da sua conta, mas eu vou jantar na casa de um amigo antigo. Senhor Bittencourt — arregalo ainda mais o olho..
— fudeu Lucas.. fudeu_ deixo escapar e acho que foi alto demais porque o Lucas assentiu
— que boca porca é essa menina? Oque fudeu?
— nada professor, eu estava com a cabeça em outro lugar, me desculpe.
— que merda! Devo pagar para que prestem atenção quando eu falo com vocês? — diz ele incomodado
— novamente peço desculpas
— tudo bem, não vou me estressar com vocês, entrem ande! — Voltamos para sala, nos sentamos em nossos lugares e assistimos atentamente a chata aula de anatomia
No intervalo..
— mano estou fudida — falo para o Lucas que assente enquanto caminhamos a cantina..
— não achei que seria tão rápido esse jantar, oque vamos fazer?
— não faço a mínima idéia..
— fica comigo — o encaro com a sobrancelha arqueada. sério que ele veio me perguntar isso em uma hora dessas? Ele logo nota que entendi no sentido errado e se corrige — assim não idiota, eca.
— eca? Tá querendo me ajudar ou me ofender? — ele ri e me abraça
— me desculpe amiga, é que você só não faz meu tipo..
— rum! — dou de ombros e viro para o lado oposto me soltando do seu abraço
— estou falando para você sair comigo enquanto ele janta com o seu pai..
— graças a Deus uma solução! — volto a olhar para ele com um sorriso de orelha a orelha. — Só tem um problema...
— qual?
— você terá que ir na minha casa e pedir pessoalmente ao meu pai
— que? E.eu falar diretamente com o chefe? — ele gagueja
— o meu pai não é o seu chefe, Lucas! — dou risada da sua cara de pavor
— mas é o da minha mãe
— mesmo assim, ele é legal! Mas só deixa se você pedir, você pede?
— peço — ele assente após pensar por muito tempo. Dou pulinhos de alívio e o abraço — não está muito perto não? Pra quem não gosta de abraços..
— ihh.. acabou com o clima mané
— clima? — Luk arqueia a sobrancelha com um sorriso sapeca no rosto
— É. E isso me deu fome, vamos comer!
— que? Tá brincando né?
— não. porque estaria?
— comer? De novo?
— não é mais lanche né bobão. Vamos tomar sorvete.
— não estou com vontade de tomar, mas vou com você..
— beleza — Nós andamos até a fila do sorvete, o Lucas estava decidido não comer o sorvete até chegar nossa vez e ver o mega combo com açaí e resolveu querer, compro um combo para cada e vamos para o jardim
— sabia que não resistiria.. ninguém nega açaí..
— sentamos no chão apoio minha cabeça em seu ombro.
— concordo.
— vou ligar para o meu pai..
— pra que?
— vou avisar que você vai ir lá hoje..
— já estou me arrependendo, mas vai fundo — Disco o número do meu pai, após encontrá-lo na agenda. Ele atende no segundo toque
— oi anjo, como está sendo seu dia? Está se dando bem com esse novo ambiente? Fez amizades?
— oi papai, estou me dando bem sim. Fiz amizade também, inclusive estou ligando para pedir para sair com o meu novo amigo, posso?
— amiGO?
— humrum — sorrio para o Luk que ri após eu imitar o papai bravo no telefone.
— Sabe que não gosto que saia.. E hoje tenho um jantar com um colega e quero que esteja presente — faço um sinal negativo para o Luk, ele faz cara de choro me dando uma maravilhosa ideia
— mas papai..
— não tem mais, nem menos! — começo a fazer sons de choro usando o dom de atriz que a globo me deu.
— mas eu nunca tive amigos, e agora que tenho v.você não deixa eu me divertir — dou risada e abano a mão, o Lucas me olhava boquiaberto
— não precisa chorar princesa, só quero que entenda que homens tem sempre segundas intenções com garotinhas inocentes, por isso eu não vou permitir.
— o Lucas é gay papai! — o Lucas arregala o olho e cospe todo açaí que estava em sua boca, eu seguro o riso e prossigo com meu drama
— Bom. Assim melhora meu ponto de vista.. Faz assim, mande ele vir aqui hoje falar comigo e se ele for uma boa pessoa, eu permito.
— obrigada, papai. Te amo muito, muito, muito!
— cadê o choro, Júlia?
— ops! ou uma risadinha sinica e digo — bye, bye. — desligo.
— gay? Tá maluca é Júlia? — não consigo mais conter a risada e gargalho da sua cara.
— desculpa, migo. Ele não iria deixar se eu não falasse isso
— papai é muito chato para o meu gosto — ele me zoa por eu chamar eu pai de "papai"
— pode parar besta! — dou-lhe um tapa.
— tá preparada?
— que? Como assim? Preparada pra que? — ele deixa seu açaí de lado e paga o meu da minha mão e deixa na grama. — ei! O que pretende fazer?
— vou te mostrar que sou um homem de verdade. — em fração de segundos ele me deita na grama, segura minha mão prendendo acima da minha cabeça e passa por cima de mim. Do nada começa a fazer cócegas em mim.
— HAHAHA para com isso, Lucas! — imploro, já quase fazendo xixi nas calças.
— só depois de você confessar.
— confessar o que? Kkkk.
— que eu sou um puta macho!
— kkkkkk
— vai falar ou não? — assinto já sem fôlego e ele me solta. Respiro fundo pegando o máximo de ar possível. Me levanto, jogo o pote de açaí fora, com o Lucas me seguindo o tempo todo. — anda logo, Júlia!
— vou falar agora, pera. — respiro fundo uma última vez — Lucas, você é um grande filho da puta! — ele fica boquiaberto e antes mesmo que ele possa reagir corro dele em direção à classe, lá ele não iria me atacar. Ele me alcança minutos antes de eu entrar na sala e me agara por trás.
— buh!! Te peguei! — ele sussura em meu ouvido e eu torno a rir sem nem ao menos receber cócegas.
— Lucas nem pense nisso — falo entre os risos me debatendo contra ele para me soltar. Ele me segura mais forte. Dou um passo pra frente, mesmo assim ele me acompanha e não consigo me soltar.
Continuo me arrastando até entrar na sala. Lucas me solta quando seus olhos cruzam com o do professor que nos encarava de cara fechada e braços cruzados. Ele estava parado perto da porta, mas respira fundo e vai para sua mesa se sentando sem dizer nada. Lucas ri e da de ombros e para evitar mais confusão vamos para nossos lugares, aos poucos o pessoal foi voltando e a aula retomou. As aulas prosseguiram até as 16:30 antes de irmos embora.
Caminho com o Lucas para rua de trás do campus, meu motorista me esperava lá como eu havia solicitado mais cedo.
— falta muito ainda? — ele pergunta todo soado
— calma, o Silas tá me esperando na próxima rua
— quem é Silas?
— meu motorista..
— ah é, você é riquinha.. óbvio que teria motorista, mas porque esse folgado não foi buscar a gente no campus?
— quer que eu seja descoberta?
— tinha esquecido kkk — ele ri ao se lembrar da minha situação.
Avisto meu carro e olho em volta para certificar de que não havia mais ninguém no local
— é aquele ali — aponto para o Audi preto que me aguardava
— uauu — ele fica paralisado ao ver o carro
— lindo né? — ele assente — é meu — ele me olha boquiaberto
— seu?
— sim, mas tenho preguiça de dirigir. — Ele continua boquiaberto com o carro e abismado comigo por ter preguiça de dirigir o Audi do ano, mas o puxo para dentro do carro antes que alguém nos veja
— vamos logo, mané! — ele entra e fecha a porta — bom dia, Silas! — falo ao meu motorista
boa tarde senhorita Bittencourt — ele me corrige e dou risada por trocar o fuso — atrapalhada como sempre, né julhinha?
— tô tentando mudar isso.. — ele nega rindo
— você diz isso desde quando nasceu.. — ele olha para o Lucas através do retrovisor — de namorado novo no primeiro dia?
— sim/não — eu e o Lucas falamos ao mesmo tempo.
— não sou sua namorada seu panaca! — dou um tapa na cabeça dele que grita "ai" e passa a mão onde bati, Silas ri da gente.
— não briguem crianças, seu pai quer vocês ainda vivos.. Se eu chegar com vocês mortos ele me mata
— é bom que fazemos uma festa na outra vida kkk — o Lucas fala e leva outro tapa, mas dessa vez do Silas. Eu dou risada disso tudo
— não fala besteira garoto — o Silas o repreende e começa a dirigir. Isso é a última coisa que ele fala eu e o Lucas também não falamos mais nada, a caminho de casa pegamos no sono e o Silas nos acordou no destino. — Acordem! Chegamos. — eu e o Lucas damos um pulo e saímos do carro
— obrigada Silas! — falo ao sair do carro
— valeu coroa — o Lucas fala e toca na mão dele. Caminhamos pelo jardim até chegar a porta — não me falou que morava em um castelo, se tivesse me avisado eu teria vindo mais arrumado — ele fala cheio de tique
— minha casa nem é tudo isso, para de tique! — Entramos e nos deparamos com meu pai sentado em sua poltrona de sempre — papai! — corro e o abraço, ele beija o alto da minha cabeça e eu me sento em seu colo
— oi meu anjo, como foi seu dia?
— muito bom, aquele é o Lucas. — aponto para o Lucas que ainda estava parado na porta. — e Lucas, esse é o meu pai — Lucas se apróxima sem dde papai e estende a mão — é um prazer ver o Sr, Sr Bittencourt — meu pai aperta sua mão
— igualmente pequeno — ele diz ao Lucas e minutos depois se vira para mim e fala — já pode subir Júlia
— como? — pergunto desentendida
— sobe para o seu quarto. Quero falar com o pequeno Lucas a sós. — Vejo Lucas fazendo que não com o dedo, isso me diverte
— tudo bem, esperarei lá em cima — rindo da cara de desespero do Lucas subo para o meu quarto.
Um tempo depois alguém bate em minha porta, deve ser alguém com alguma resposta pois dois já estão conversando cerca de 20 minutos. Abro a porta era o Lucas, ele me parecia muito aliviado
— entra. — dou espaço para ele e ele entra e se joga na minha cama, nada abusado ele.
— estou pra-cu-lá! — ele rola pela cama com os olhos fechado, fecho a porta e caminho até a beira da cama
— e o que é isso? — ele senta
— não sei, minha mãe fala isso pra quase tudo que eu nem sei mais para oque serve, mas no momento estou usando para barriga cheia — ele coloca a mão na barriga
— quê? Não estou entendendo nada..
— você é muito burra euen, estava comendo sua sonsa!
— para de me xingar seu ridículo, eu não quero saber se estava comendo ou deixou de comer, eu quero saber o que resolveu com o meu pai
— ah, é isso? Porque não me avisou antes… Vai se arrumar, vai, o tio deixou você sair comigo. — meu sorriso vai de orelha a orelha
— sério? AAAAAAAAAAAAAAA — dou um grito empolgada e aliviada por saber que não vão descobrir quem eu sou
— para de ser histérica e vai logo se vestir — ele torna se deitar e pega o celular — qual a senha do Wi-Fi?
— ai, estraga prazeres! — reviro os olhos, pego minha toalha e vou para o banheiro
— ainda vai tomar banho?
— cala a boca e procura uma roupa para mim! — bato a porta e vou tomar meu banho.
— qual a senha??
— vai se foder!! — ligo o chuveiro e tomo meu banho levando cerca de 20 minutos no banheiro.
— não acredito que a senha do Wi-Fi é vai se foder kkkk
— achou que eu estava te chingando ? — ele da de ombros, saindo de perto do guarda-roupa e voltando pra cama
— você faz isso o tempo todo.. tive que confirmar com a empregada kkk
— conseguiu achar algo para eu vestir? — ele nega .
— você só tem trapo amiga, nada digno de balada.
— mas eu tenho tantas..
— mas nenhuma apropriada para hoje, quem vai sair com você usando esses blusões? Eu não vou. — dou risada da cara que ele fez ao me olhar de cima a baixo
— tá legal, já falei que não precisa me humilhar… vamos sair e comprar outra roupa. — ele ri e me joga um macaquinho preto.
— veste isso é vamos às compras! — vou ao banheiro me visto e penteio meu cabelo. Pego tudo o que eu iria precisar para mais tarde
— sabe dirigir Luk?
— sim, ainda me lembro de algumas coisas
— vamos com o meu carro?
— sério isso?
— sim, eu tenho medo de dirigir, mas confio em você.
— não tenho dinheiro para pagar o concerto não hein
— relaxa, bobão!
Descemos, eu pego a chave do meu carro com o Silas e me despeço do papai que estava saindo para uma reunião com alguém do trabalho.
Eu e o Lucas fomos ao shopping do centro. Comprei uma calça moletom linda, tudo bem que era da moda masculina mas era linda. Junto dela comprei mais 5 parecidas e uns 3 blusoes maras. O Lucas não aceitou minhas roupas, disse que era iguaiszinhas as da minha casa, ele escolheu um absurdo de vestido de puta, ainda não sei como me enfiei nisso, o vestido era cinza, e tinha um super decote V que ia até o umbigo, ele é de alcinha e fica uns 2 palmos acima do joelho. Depois de muita luta consegui convencer o Lucas a comprar algo para ele, ele fez questão de escolher o modelo mais simples, disse que não queria me dar gastos, mas percebi que ele havia gostado de outro modelo e que não havia pego por ser caro (para ele). Então peguei o modelo que ele havia gostado e escondi e na hora de pagar fui sozinha ao caixa e passei o simples e oque ele havia gostado. Ele ficou indignado, mas feliz acabou aceitando, comemos um lanche do Mc' depois nos trocamos na casa dele e de lá fomos a uma boate
— ainda não acredito que você conseguiu convencer meu pai — grito pois a música estava muito alta
— eu consigo qualquer coisa que quero bebê — grita ele de volta e me puxa até o bar — você me deu a roupa, agora eu pago a bebida
— bebida?
— não, água.
— ah, tá. — falo aliviada
— que ata o que?! não vim aqui para beber água.. — ele vira ao barmen_ eu quero dois whiskys duplos, por favor!
— não, Lucas. Eu não bebo.
— há uma primeira vez para tudo, não é?! — Resolvo aceitar a bebida, que por sinal é horrível, super amarga não sei como podem gostar disso. Bebo copo todo quase vomitando..
— bom né? — pergunta o Lucas
— humrum — minto.
— quero dois coquetéis com vodka — ele torna a pedir para o garçom.
— não! — grito para o garçom, que para e olha para o Lucas, também olho para ele e falo —Não quero mais beber.
— mas esse quase não vai álcool, é só pra ajudar você se soltar
— tudo bem — ele faz um joinha para o barmen que torna a preparar o drink e nos entrega minutos depois o copo — bonitinho
— obrigado! — Lucas agradece crente de que foi pra ele
— não estou falando de você ridículo, estou falando do copo, olha esse guarda-chuvinha — falo rindo para o pequeno garda-chuva no canto do copo
— ihhh, já tá é doida. Vem, vamos dançar — ele ri e me puxa para a pista. Ficamos ali dançando e bebendo bastante tempo até chegar umas mulheres perto do Lucas e ele sumir por uns 15 minutos e voltar falando — vamos anjo?
— pra onde?
— para casa ué. Já está tarde, vou te deixar em casa pois tenho outro compromisso se é que você me entende.. — ele me oferece um sorriso torto e olha para as duas meninas
— que safado você em.. mas e se o outro ainda estiver lá em casa?
— confia em mim, ele já foi.
— será?
— qual jantar fica até as.. — ele olha o relógio no pulso — 00:21?
— é.. acho que nenhum
— então.. Vamos? — vamos, sim. Ele se afasta e chama duas meninas que vem conosco para fora da boate e caminhamos até o meu carro.
— consegue dirigir? — pergunto apreensiva já que ele havia tomado todas.
— claro amor, confia em mim. — eu realmente confio muito no Luk, mesmo sendo ele meu primeiro amigo e eu ter conhecido ele hoje. Entro no carro e seguimos viajem, ao me deixar em casa, ele pede para eu deixar o carro com ele, eu deixei, mas é claro com promessa de que nada iria acontecer ali.
Caminho cambaleando pelo meu jardim onde paro para vomitar nas plantas do meu pai, amanhã ele me mata kkkkkkk. Entro e vou até a cozinha pra ver se acho algo para comer e encontro um banquete na minha frente, junto dele estava Márcia, uma das empregadas da casa.
— ué, marci por que essa comida toda ainda está aqui?
— bem vinda srt. Júlia, seu pai e o amigo ainda não apareceu para o jantar..
— eita. Sério? — engulo em seco. — será que cancelaram?
— provavelmente sim, já está tarde. Acho melhor desmanchar tudo.
— não, não precisa. Eu comerei tudo
— sério?
— sim, pode ir descansar.
— obrigada! — ela diz e se retira
Me sento e pego um enorme pedaço de coxa de frango e quando eu ia morder a campainha toca
— já vou! — grita a Márcia
— pode deixar que eu abro marci — será que o papai esqueceu as chaves?! Caminho até a porta comendo uma coxa de frango, destranco-a e me surpreendo com quem eu menos esperava, era ele.
— você? — falamos ao mesmo