Marcos andava pelo shopping era quarta um dia tranquilo para procurar por livros que precisava para a faculdade, aproveitou a folga no estágio da faculdade para dar uma volta precisava tirar aquela bela garota da cabeça, seus instintos diziam que poderia magoá-la, mas o que não esperava era ver o motivo de sua preocupação andando pelo shopping vindo na sua direção sem ao menos notar sua presença.
Beatriz andava distraída pelo seu corredor preferido o das lojas de livros, poucos sabiam de sua paixão por literatura e que se sentia muito atraída pela prática da leitura de romances só percebeu a presença de Marcos no mesmo corredor quando quase esbarrou nele, ela se desequilibrou nós próprios pés enquanto era amparada por aqueles braços fortes, ele a olhou nos olhos com uma expressão divertida.
-Olá! - disse ele, pondo-a ereta no chão.
-Oi estava distraída, não teve aula hoje? - perguntou Beatriz tentando ser amigável.
Que maravilha, por que ele tinha que tocar nela? Isso foi um gatilho para o sonho que teve com ele na noite em que se conheceram.
********************************Sonho*******************************
Estou em uma cabana em uma ilha visto um biquíni rosa que contrasta com a minha pele, ao longe vejo a silhueta daquele homem lindo e másculo parado na beira da praia, caminho em sua direção e o abraço por trás, ele sorri para mm.
-Está gostando daqui? - ele me pergunta, me pondo de frente para ele na areia quentinha.
-Estou no céu Marcos, está viagem é a melhor que já fiz. - Beijo a ponta do seu nariz ficando na ponta dos pés.
Ele aproveita esse momento para enlaçar minha cintura e roçar seus lábios nos meus, como não sou boba nem nada enlaço seu pescoço com os braços e aprofundo o beijo, sinto-o me puxar para mais perto, moldando meu corpo ao dele fazendo minha pele arrepiar.
Aquilo era paixão, era fogo nossas mãos passeavam por nossos corpos, eu ofegava em seus braços, ele gemia cada vez que eu segurava firme em seus cabelos, Marcos me pega no colo e sem separar sua boca da minha me leva para a cabana.
***************************************************************************************
Beatriz fica pensando em como Marco reagiria se soubesse desse sonho quente que ela teve com ele em uma ilha deserta, só os dois de forma tão intima e tão real que fica difícil olhar para ele e não sentir nada.
-Não, tive o dia de folga e vim procurar um livro e você não tem trabalho? -perguntou ele, sabia que Beatriz trabalhava em uma lanchonete meio período.
-Pode ser coincidência mais hoje é minha folga, tenho uma folga durante semana em cada mês - disse ela sem graça com a situação. Queria ter dinheiro para poder bancar o apartamento que ganhou da sua madrinha rica por isso trabalhava meio período.
-Mais à noite tem aula?! - Marcos sabia que ela estudava a noite.
-Sim, mas aproveitei para me distrair um pouco antes de aturar o professor de química. - respondeu ela.
-Que tal, um sorvete? - convida ele já que estavam ali era melhor aproveitar a companhia.
Passaram o resto da tarde conversando sobre amenidades nenhum dos dois quis se aprofunda muito sobre a vida um do outro, para ele era difícil demais estar perto demais de uma garota a qual tinha se sentido atraído assim que conheceu, e para ela, ele era um estranho por qual se sentia atraída e isso nunca havia acontecido antes, não com essa intensidade e isso a assustava muito, quando deu sua hora de ir para escola ela se despediu e rumou de volta a sua vida normal.
Beatriz passou a aula toda pensando em Marcos, só não entendia o porquê? Afinal sempre teve dificuldade para se envolver até mesmo se apaixonar por alguém, mas também sabia que sentia algo diferente por Marcos, algo que os conectava, que puxava um para o outro, quem sabe finalmente tinha encontrado alguém para preencher esse vazio que apertava seu peito. Ao mesmo tempo tudo era muito confuso, ela já havia namorado, mas nunca ninguém teve um apelo sexual tão grande assim, e olha que só o conhecia há alguns dias.
Marcos não sabia o motivo, mas estava parado do lado de fora da escola secundária esperando Beatriz sair, na verdade tinha encontrado Roger que estava preocupado, pois ele nem o irmão poderiam buscá-la no colégio e ela saia muito tarde, então, contra todos os seus instintos ele disse que a buscaria e a levaria para casa em segurança.
Beatriz sabia que não teria companhia seus amigos estavam em um jantar de família na casa dos tios de Felipe, então apertou o passo não gostava de ir sozinha a noite para casa, mas teve certeza de ouvir alguém chamar seu nome enquanto saia pelo corredor da escola secundária.
-Beatriz! - gritou Marcos, ele teve que correr para alcançá-la.
-Que susto! - disse ela ao se virar quando o viu se aproximar.
-Sinto muito, soube que não teria companhia hoje, e este bairro está cada vez mais perigoso para uma moça ficar andando sozinha por aí - disse ele
-Obrigada! - "O que era isso? Mais tempo aí lado desse homem? E a vontade que estou de pular no colo dele, como resolvo?"- Pensou Beatriz.
-Me permite. - disse Marcos estendendo a mão para mochila dela, ela sorriu e agradeceu e foram caminhando em silêncio.
-Você mora mesmo ao lado da casa de Roger e Felipe. - Observou Marcos, quando chegaram a porta da casa de Beatriz.
-Sim moramos aqui minha família e eu há uns 15 anos. - Ela respondeu.
-Está entregue, até outro dia. - disse devolvendo a mochila a ela, lhe deu um abraço sem jeito e foi embora. Beatriz entrou em casa e foi direto para seu quarto, ela queria entender por que ficava tão nervosa quando estava na presença de Marcos.
Marcos andou tentando entender como pode ser tão bobo em pensar que só estava fazendo isso por amizade, muito inocente, ele tinha sido nocauteado por Beatriz em apenas uma noite, e agora não sabia como agir, como ficar mais próximo sem ser assassinado pelos irmãos Muller. Queria ter conversado com ela, ter puxado assunto, saber do que gostava de fazer, mas ficou ali paralisado e para piorar veio aquele abraço, de onde ele tirou isso???
Beatriz entrou correndo na casa ao lado já estava acostumada a fazer isso só à chata da Melissa noiva de Felipe que não gostava disso, na verdade a bruxa não gostava de nada, quase caiu quando chegou à parte de trás do quintal e viu Marcos sentado estudando com Roger.
-Onde é o incêndio? - perguntou Roger.
-Ai caramba! Desculpa, é que recebi a carta da faculdade e fiquei animada. -disse ela atropelando as palavras.
-Respira fundo senta aqui e me conta, Marcos não vai se incomodar se pararmos uns minutos, vai? – perguntou Roger ao amigo.
-Claro que não. - respondeu Marcos.
-Está bem, passei, passei para a faculdade de direito! - disse Beatriz se jogando nos braços de Roger.
-Jura, não pode ser verdade. – disse Roger sério -claro que você passou não estou surpreso você estuda com meu irmão horas a fio e é muito inteligente, então é obvio que passaria você tem que ter mais confiança em si mesma menina - disse Roger.
-Eu poderia não passar, tem tanta gente boa e eu estudo a noite sabe como é?! - sorriu ela.
-Meus parabéns - disse Marcos, ele estava feliz pela conquista dela, mas preferiu não fazer muito alarde.
A noite foi de festa pela boa notícia recebida por Beatriz, é claro que Melissa não gostou muito da atenção dada aquela menina, se não fosse ter percebido a química entre ela e Marcos, já teria dado uma lição nela. A noiva de Felipe tinha um ciúme sem precedentes e Beatriz tinha um alvo nas costas por ser tão ligada ao noivo de Melissa.
Naquela noite Beatriz se deixou levar para casa por Marcos era só sair de um portão e entrar no outro, mas estariam a sós ela aproveitou o momento e deixou a atração existente dar vazão, na despedida sem jeito ela o abraçou e colou sua boca na dele, e por fim se beijaram nada muito longo e ambos ficaram constrangidos depois.
Marcos não se divertia assim há muito tempo, a três anos seu pai havia sido preso injustamente e tudo o que ele e a mãe faziam era tentar tirá-lo da prisão, mas Beatriz o havia dado um refrigério em toda situação que estava vivendo naqueles últimos anos.
Beatriz estava no corredor da escola no dia seguinte quando foi quase que jogada no chão por Andréa, que queria saber tudo sobre a noite anterior, depois que Beatriz foi embora.
-Calma, por que tanto alvoroço? – perguntou Beatriz rindo da afobação de sua melhor amiga.
-Soube que foi embora com Marcos, por favor, mate minha curiosidade - Implorou Andréa que foi para casa antes da amiga sair com o rapaz.
-Tenho aula agora, na saída conversamos. – Informou a amiga.
-Eu não vou aguentar tanto tempo de espera - Choramingou ela, mas Beatriz já estava entrando na sala de aula, sem dar tempo de a amiga continuar o interrogatório.
As aulas daquele dia haviam acabado e Beatriz não tinha mais desculpa para não conversar com Andréa, para conter a empolgação da amiga nos corredores da escola ambas foram para casa de Beatriz.
-Então o que tanto você quer saber? - Questionou Beatriz jogando a mochila no canto do quarto enquanto se sentava na cama de pernas cruzadas.
-Como foi? Eu soube que o Marcos te trouxe em casa? - perguntou Andréa que praticamente saltava de ansiedade no meio do quarto.
-Então você já sabe o que aconteceu, ele me trouxe em casa. - Riu Beatriz, sabia que estava provocando a amiga mais era divertido.
-Não brinca assim com meu pobre coração amiga. - disse a amiga apertando as mãos abertas contra o peito de modo dramático.
-Tudo bem quando chegamos ao meu portão eu o beijei. - Andréa gritava de alegria o que deixou Beatriz quase surda.
-Vocês estão namorando? – perguntou Andréa entre gritinhos.
-Foi um beijo, só isso. – respondeu Bea.
-Por favor! Foi tão ruim assim? – a melhor amiga perguntou murchando.
-Claro que não, mas só foi isso, ele se despediu e foi embora e pronto. – respondeu Beatriz, na verdade ela achava que tinha passado dos limites na noite anterior.
Marcos estava estudando na biblioteca quando sentiu que alguém se sentava na cadeira a sua frente, eram os irmãos Felipe e Roger e ele já imaginava o que os dois queriam, e definitivamente ele não queria falar sobre algo que ele mesmo ainda não havia definido, eles pareciam ao mesmo tempo cômicos e assustadores, cavaleiros defendendo a honra da mocinha.
-Preciso da sua ajuda. - Disse Felipe. Sem rodeios.
-Para que? – Marcos perguntou encarando o outro.
-Vai haver o baile de formatura e gostaria que a Beatriz fosse, mas ela não vai sozinha, então você podia convidá-la já que ela não te evitou ainda. - disse Felipe olhando seriamente para Marcos.
-Me deixa entender você vai se formar, mas sua amiga só vai se eu a convidar? Por que ela não vai se você chamar? Já que são muito amigos de infância – Questionou o moreno.
-Melissa tem ciúmes da Beatriz isso meio que tem atrapalhado um pouco nossa amizade, ela acha que se estiver sozinha terei que dar atenção a ela, e isso deixara Melissa zangada já que é formatura dela também. - Confessou Felipe, recebendo um olhar de crítica do irmão Roger.
-Hum, sei, então eu convido sua amiga para ir ao baile para você poder comemorar com ela sem magoar Melissa, sua noiva tem sorte de você fazer isso tudo por ela, até mesmo renunciar a uma amizade tão antiga, mas tenho que dizer se eu a for convidar vai ser para ficar comigo e não nos cantos esperando que você enrole sua noiva para falar com ela. – respondeu Marcos.
-Como eu disse caro irmão até o Marcos percebeu que você é pau mandado da Melissa, e está perdendo seus amigos por isso - Disse Roger.
Eles passaram um tempo falando sobre o relacionamento de Felipe e Melissa, e como as coisas para eles iriam mudar após o casamento. Felipe chegou em casa, pensando no que Marcos havia dito sobre sua noiva, na verdade ele tinha percebido a hostilidade dela contra Beatriz logo no início do namoro, e quanto mais ele tentava aproximar as duas Melissa mais zangada ficava.
Era perceptível que era ciúme, mas ele não entendia o porquê se até noivo eles estavam. Na verdade, ele sentia falta das conversas com sua amiga e vizinha, os dias em que ficavam em frente da tv vendo filmes antigos, tinham crescido juntos, suas famílias eram amigas há anos.
Beatriz viu que Marcos a esperava na saída da escola, de início ficou preocupada achando que algo havia acontecido a um dos meninos mais depois relaxou quando o viu sorrir.
-Vamos dar uma volta? - Perguntou ele.
-Claro - Ela sorriu de volta.
Eles foram andar pelo parque nacional, Beatriz sabia que Marcos queria dizer algo mais parecia estar em um grande dilema entre dizer ou não. Marcos queria muito saber o que fazer com seus sentimentos, Beatriz tinha sido algo inesperado, ele queria muito convidá-la para ir ao baile e queria muito mesmo passar mais tempo com ela, porém sua vida andava tão tumultuada que tinha medo do que poderia acontecer entre os dois.
-Tudo bem, vai me dizer ou não o que está te incomodando? - Perguntou Beatriz.
-Muito direta você. – Ele disse virando-se de frente para ela.
-Parece que vai me dizer algo muito ruim ou desagradável. - Beatriz falou preocupada.
-Não é isso, é que estou na dúvida se te chamo para o baile de formatura ou não. – disse ele sorrindo.
-Vou acabar com a sua dúvida, mesmo que você me convidasse eu não iria. – Ela respondeu sem pensar.
-Por quê? Por causa da Melissa? – Questionou o rapaz.
-Claro que não, simplesmente não gosto dessas coisas. - Mentiu ela. É claro que não iria à formatura do seu melhor amigo afinal ele não havia convidado, e nem havia falado sobre o assunto com ela.
-Então você quer ir ao baile comigo? Para me acompanhar e não para comemorar com seu amigo. – Ele perguntou novamente.
Beatriz não conseguia entender como ele sabia exatamente o que ela estava pensando mais acabou perdendo essa batalha e aceitando o convite para o baile, uma noite que foi inesquecível, a noite em que os dois começaram a namorar.
Para ela foi uma novidade e tanto, aproveitaram as férias juntos para viver esse novo relacionamento, o que ela não sabia é que duraria tão pouco, mesmo sendo profundo para ela.
Oito meses depois, Melissa entrou na lanchonete em que Beatriz trabalhava com um enorme sorriso no rosto, foi andando até ela e entregou um envelope, lhe cumprimentou, disse algo no seu ouvido e foi embora, aquilo que havia acabado de receber e o que Melissa disse tinha lhe dado um banho de água fria.
Foi correndo até a casa de Marcos quando saiu do trabalho, mas não encontrou nem ele nem a mãe somente a vizinha que tinha um bilhete endereçado a ela, bem simples que dizia: Tive que ir embora, sinto muito.