O céu já estava escuro lá fora. Quando viu Edwin sair do escritório, Valerie se levantou.
As outras secretárias lhe lançaram olhares de compaixão.
Assim que se sentou no carro, Edwin fechou os olhos para descansar e perguntou: "Fui informado pelo RH que você verificou o contrato de trabalho há dois dias."
O coração de Valerie acelerou, mas ela manteve a compostura ao responder: "Não me lembro da data exata em que comecei a trabalhar aqui. Preciso dela para atualizar meu status de residência."
Edwin abriu os olhos e olhou para o perfil dela, sorrindo levemente. "Pensei que você não gostasse mais de trabalhar para mim e estivesse pensando em pedir demissão."
"Não. Foi uma honra ser sua secretária."
Valerie lutava para manter a calma, mas sua mente estava uma bagunça.
Edwin não disse mais nada, mas o coração dela continuava acelerado.
Na verdade, ela estava planejando pedir demissão e ir embora. Recentemente, trabalhar para Edwin havia se tornado tão desafiador que ela decidiu que o melhor a fazer era pedir demissão o mais rápido possível.
Há cinco anos, ela não queria nada além de ser sua esposa, mas agora sabia que isso nunca aconteceria.
"Chegamos, senhor Layfield."
Valerie foi tirada de seus pensamentos quando o carro parou em frente ao Hotel Grandness.
A pedido do gerente do hotel, alguns funcionários já os aguardavam do lado de fora do estabelecimento para recebê-los assim que chegassem.
Após se recompor, Valerie acompanhou Edwin até o elevador. Ela apertou o botão do último andar, de onde podiam ver a paisagem noturna através das enormes janelas francesas.
Quando as portas do elevador se abriram, Valerie foi imediatamente atingida pelo cheiro enjoativo do perfume de alguém.
Brent tinha cabelos castanhos claros, olhos verdes e o colarinho da camisa desabotoado. Ele se aproximou de Edwin para lhe dar um abraço, mas Edwin se afastou para evitar seus braços.
A atenção de Brent se voltou para Valerie, e seus olhos brilharam instantaneamente. Segurando a mão dela, ele comentou: "Edwin, que mulher linda você trouxe aqui."
Em seguida, sua mão deslizou até o braço de Valerie.
Valerie resistiu à vontade de fugir, cerrando os dentes e suportando a situação nauseante.
Edwin não demonstrou nenhuma reação além de uma leve carranca antes de entrar, como se não tivesse visto o que Brent estava fazendo com ela.
Brent interpretou isso como um incentivo e passou o braço em volta do ombro de Valerie.
Com um sorriso no rosto, Valerie tentou se afastar dele, mas não conseguiu.
Ela tentou chamar a atenção de Edwin várias vezes, mas ele a ignorava todas as vezes. De vez em quando, ele respondia aos elogios entusiasmados dos executivos que acompanhavam Brent.
Todos se sentaram, e Brent se acomodou em frente a Edwin com o braço ainda em volta de Valerie. "Edwin, quero sua secretária. Quanto devo oferecer para tirá-la de você?"
O clima ficou um pouco estranho. Os executivos na mesa observavam o rosto de Edwin, temendo que ele se ofendesse.
As mãos de Valerie começaram a se cerrar inconscientemente.
"Ela?", perguntou Edwin, arqueando uma sobrancelha enquanto olhava para Valerie. "Ela trabalha para mim há cinco anos. Não acho que bastará uma quantia pequena."
A compreensão surgiu nos rostos de todos.
Provavelmente, Edwin estava cansado dela.
De repente, todos começaram a sorrir maliciosamente.
Valerie respirou fundo antes de encontrar o olhar frio de Edwin.
Quando Brent se inclinou para beijá-la, ela virou a cabeça para o lado.
As sobrancelhas de Edwin se arquearam.
"Vamos beber primeiro, senhor Clark."
Forçando um sorriso, Valerie colocou vinho numa taça e a entregou a Brent.
Intrigados, todos os observavam em silêncio.
Brent riu com satisfação e pegou a taça de vinho, ronronando: "Você é uma gracinha, não é?"
Sob o olhar intenso de Edwin, o sorriso de Valerie se alargou. Quando Brent esvaziou a taça, ela a encheu novamente.
"Por favor, beba mais."
Os homens ao redor deles gritavam em comemoração enquanto Brent virava a taça sem hesitar.
Valerie, então, derramou vinho na roupa dele de propósito.
"Ah! Sinto muito! Sinto muito mesmo!"
Valerie continuou se desculpando, com o rosto corado de vergonha.
Em vez de ficar com raiva, Brent segurou o pulso dela e disse: "Tudo bem, querida. É só uma camisa. Vou me trocar no lounge. Por que não vem comigo?"
Valerie fez isso para distraí-lo, mas não fazia ideia de que ele iria pedir para ela ir ao lounge com ele.
Em pânico, ela olhou para Edwin.
"Ah, você precisa da permissão do seu superior primeiro?" Brent segurou o queixo de Valerie antes de olhar para Edwin com um brilho brincalhão nos olhos.
Sem piscar, Edwin se recostou na cadeira e tomou um gole.
"Você sujou a camisa de Brent, então deveria ir ajudá-lo", declarou o homem, sem hesitar.
Valerie cerrou os dentes com força.
Antes que ela pudesse assimilar completamente a resposta de Edwin, Brent passou um braço em volta da cintura dela e a puxou da cadeira.
Ela estava cercada por homens, todos a olhando com desprezo nos olhos e nenhum deles demonstrando qualquer intenção de ajudá-la.
Uma onda de náusea tomou conta de Valerie antes de ser puxada para fora da sala.
"Vamos lá, querida. Relaxe. Não vou machucar uma beldade como você."
Com a mão na cintura de Valerie, Brent a arrastou para o lounge.
O garçom que estava lá saiu correndo.
Brent a empurrou para dentro e foi atrás dela com um grande sorriso.
Ele aproximou o rosto do de Valerie, mirando nos lábios dela, mas ela habilmente desviou o rosto.
Após deixar um beijo desleixado na bochecha de Valerie, Brent resmungou impacientemente e segurou as mãos dela. Olhando para ela, ele disse roucamente: "Finalmente vou te ter."
Valerie lutou para se afastar dele, mas ele era forte demais para ela.
"Pare... Estamos... estamos no lounge..."
"Isso não é um problema. Ninguém ousará nos incomodar, está bem?"
Brent lhe lançou um sorriso tranquilizador, como se esse fosse o problema dela. Com um sorriso malicioso, ele lançou-se sobre ela novamente.
Valerie gritou e se afastou para evitá-lo.
Como Edwin pôde fazer isso com ela? Entregá-la a esse homem nojento como se ela fosse um objeto.
Valerie congelou, seus pensamentos fugindo de sua mente quando sentiu uma mão fria na...
Ah, não! Ele desprendeu a camisa dela sem que ela sequer percebesse.
"Serei gentil, está bem? Você vai gostar."
"Não! Isso não pode acontecer!"
Valerie gritou em sua mente e imediatamente cravou os dentes no ombro do homem.
Brent ofegou em choque e dor. Ele instintivamente recuou e xingou: "Sua... Como ousa?!"
Com uma mão no ombro dolorido, Brent foi chutá-la, mas ela não se esquivou e só ficou sentada no chão, murmurando um único nome: "Ivanna."
Brent parou abruptamente. Então, se agachou ao nível dela, agarrou o pescoço dela com força e puxou o rosto dela para perto do seu.
"O que você disse?"
"Você gosta de Ivanna Layfield, não gosta?" Valerie deixou o medo de lado e tentou agir com ousadia. Ela endireitou os ombros e sorriu para o homem que lhe dava arrepios desde o momento em que o conheceu.
Brent a encarou fixamente por um momento e, de repente, começou a rir. "O que isso tem a ver com alguma coisa?"
De repente, seu rosto ficou frio como pedra. "Ela era igual a você. Sabe, resistindo e tudo mais. Mas, assim como ela, você precisa ser domada."
Valerie deu um sorriso irônico e olhou sem medo nos olhos de Brent. "Mas tudo o que você quer é dormir com ela, não é? Você não quer nada que tenha a ver com amor, quer?"
Brent inclinou a cabeça ligeiramente, começando a achar Valerie mais interessante. "O que está dizendo? Você pode conseguir isso para mim?"
Valerie ainda estava com medo, mas empurrou o medo para o fundo de sua mente e disse com ousadia: "Ela voltará para Roseiron em breve, e tenho cem por cento de certeza de que ela passará pelo Grupo Layfield. Quando ela passar, eu a receberei..."
"E eu deveria simplesmente confiar em você?" Brent arqueou uma sobrancelha.
"Ela é tia do meu chefe, a menina dos olhos de todos os Layfield." Valerie deu de ombros e disse inocentemente: "Você não acha que o prêmio vale o risco de confiar em mim?"
"Estou confuso. Você não tem medo do que Edwin fará com você quando descobrir isso?" Brent a observou atentamente, esperando ver algum medo no rosto dela.
Valerie não se esquivou do olhar dele. "É tudo culpa dele eu estar aqui agora, não é?"
Após um breve momento de silêncio, Brent caiu na gargalhada e bateu palmas.
"Tudo bem, então! Vou deixar você ir. Mas, escute bem, você não terá outra chance."
Ao ouvir isso, Valerie soltou o ar que estava segurando.
De repente, Brent a agarrou novamente e a puxou para seus braços, fazendo com que outra onda de medo percorresse o corpo dela. Com uma voz ameaçadora, ele sussurrou: "Se estiver mentindo, prometo que vou fazer você se arrepender."
No veículo comercial preto do lado de fora do hotel, o motorista olhava para Edwin, que estava quase bêbado, pelo retrovisor. A atmosfera no carro estava opressiva.
"Senhor, a senhorita Reese..."
"Ela não vai aparecer!", Edwin retrucou, ríspido, olhando para o motorista com seu olhar frio.
"Então, uh... devemos..."
"Dê a partida no carro!" Não era do feitio de Edwin levantar a voz, mas ele o fez.
Assustado, o motorista obedeceu e estava prestes a dar a partida. De rabo de olho, ele viu uma figura esbelta sair do hotel.
"Senhor, é a senhorita Reese."
Edwin olhou pela janela, surpreso, e viu que, de fato, era Valerie.