Capítulo 2

714/10/16, Reino de Alveberia.

Stephanie Bellucci:

Eu me retiro discretamente da mesa e vou até o meu escritório, fazer minhas obrigações como Imperatriz. Acabei me distraindo com o Luigi e nem percebi o tempo passando. Com isso, acabei esbarrando com Leon. Não acredito que isso aconteceu. Estou evitando estes encontros desnecessários já faz um tempo. 

— Bom dia, Imperatriz Stephanie. Hoje a senhora não terá que fazer muitas coisas. — uma garota de cabelos pretos longos lisos, com roupas de guarda segurando alguns papéis começa a falar antes mesmo de eu entrar na sala. 

— Ah, que ótima notícia! Posso passar mais tempo com o Luigi. — falo animada. É maravilhoso o dia em que eu não tenho que fazer muita coisa. 

Vou em direção a minha mesa e me sento. Logo pego a pena e a molho um pouco no tinteiro, e começo a escrever. 

— Mais uma coisa, imperatriz. Concede a permissão para falar? — ela pergunta passando seu olhar sobre alguns papéis.

— Sim, concebo. Comece a falar. — falo ainda mantendo a minha atenção no que estou fazendo. 

— O Imperador, deseja ter uma audiência com a Vossa Majestade. — Ao ouvir aquilo eu fiquei um pouco descontrolada. Acabei borrando o papel de tinta. Quando percebi o que fiz, lamentei. Não acredito que terei que escrever de novo! Culpa do Leon!

— Avise para o Imperador, que eu estou muito ocupada. Não poderei ter uma audiência com ele. — ordeno. Naw se curva e em seguida ela se retira da sala, me deixando sozinha. 

Amasso o papel que eu estraguei e o jogo no lixo. Pego um novo e começo a escrever do início. 

Queria muito saber o que diabos, Leon está pensando em pedir uma audiência comigo. É muito repentino. Ele raramente faz estes movimentos audaciosos. Mas parece que agora está criando asas. O que será que deu nele?

Leon Barueri:

Com a retirada de Stephanie e Luigi da mesa, ficou somente eu nela. Fiz minha refeição e me dirigi até o meu escritório. Preciso rapidamente terminar de assinar estes documentos. Todo dia é uma pilha. Acabo exausto no fim do dia.

No começo quando eu me casei com a Stephanie, eu terminava meus trabalhos esperando sair dos lábios dela “Obrigada pelo trabalho duro.” Mas depois de um tempo, nós ficamos tão distantes que nem ao menos trocamos as saudações mais comuns.

Entro em minha sala, e me sento rapidamente. Começo a fazer o meu trabalho. Logo, após um tempo ouço batidas na porta. 

— Entre. — falo. A porta, logo é aberta e revelando um homem de cabelos pretos, altura mediana, com uniforme de guarda.

— Saudações, Majestade. O que devo fazer? — ele vai direto ao ponto.

— Quero que você diga à assistente da Imperatriz, que desejo uma audiência. — paro um instante de escrever, e olho para o homem na minha frente. Que após ouvir minhas ordens apenas assenti, se curva e se retira. 

Fico novamente sozinho em minha sala. Pensando bem, eu queria muito ver a cara da Stephanie quando ela ouvir que desejo uma audiência. E estou muito ansioso pela sua resposta. Riu em vão quando imagino. 

Stephanie Bellucci:

Ah, mais que inferno! Eu não consigo parar de pensar, o que diabos aquele homem queria comigo. E se foi um assunto importante de estado? Foi burrice a minha ter recusado assim por impulso e sem pensar muito. Sou uma Imperatriz e devo agir como tal! 

Não devo misturar minha relação pessoal e profissional. Eu sou a Imperatriz e Leon é o Imperador. Isso nunca irá mudar. Se bem, que pensando melhor meus instintos me dizem não haver nada de muita importância. Então acho, que tudo bem. Mas eu queria muito ver a cara dele quando recebeu a minha resposta! Dou tanta risada só de imaginar. 

Ah, Leon Barueri você é um homem um tanto imprevisível. Nunca passou pela minha cabeça que você iria pedir uma audiência comigo.

Leon Barueri:

— O quê?! Pode repetir, por favor? — Altero um pouco um tom após ter ouvido uma coisa totalmente absurda. — Pode repetir a resposta dela? 

— Vo-Vossa Majestade, a Imperatriz diz que está muito ocupada para ter uma audiência com o senhor. — Alguns dos meus assistentes falam tremendo a mandíbula. Devo ter ficado assustado quando me levantei e bati meu punho contra a mesa. Foi uma reação natural do meu corpo. Faz tanto tempo que nunca mais fiz isso, que cheguei a pensar que já havia parado com esta mania. 

— Me desculpe, por ter o assustado. — me desculpo, me sentando novamente e suspiro derrotado em seguida. — Pode se retirar. — falo para o homem e ele se retira após se curvar.

Stephanie Bellucci, você ainda não me escapará!

Coloco os cotovelos sobre a mesa e fico pensando, mas não por muito tempo. Porque lembrei das minhas obrigações. Bom, por hora não posso fazer nada. Mas ela não pode escapar de mim por muito tempo. Moramos sob o mesmo teto. 

Stephanie Bellucci:

Largo a pena da minha mão, e olho para a janela. Percebo que o sol já está desaparecendo. Estou sentada na cadeira. Finalmente terminei os meus deveres. Ah, que coisa boa. Agora poderei ver Luigi. 

Antes mesmo de eu me levantar, ouço batidas na porta. 

— Entre. — falo em tom sério e um pouco com raiva. Já que pensei, que era outro assunto chato para ligar. Mas estive enganada. Logo aparece um pequeno travesso correndo para a minha direção. 

— Como prometido, eu estou aqui! — ele pega na minha mão e sorri com as bochechas avermelhadas. Ah, que fofo.

— E como prometido, eu darei o seu prêmio e ficarei com você o resto da tarde. — falo me agachando para ficar à altura do meu filho. Acaricio a sua cabeça, e em gesto natural ele fecha os olhos. Pego ele no braço, e olho para a servente parada na porta. — Por favor, mande preparar um chá, alguns doces e leve depois para o jardim. Estarei no aguardo com o meu filho. 

— Entendido, senhora. — ela se curva e sai da sala. Em seguida eu também saio e vou direto para o jardim. 

Segurando ainda Luigi, em meus braços eu já estou caminhando sobre a trilha do jardim. O ar fresco e o perfume das plantas é tudo o que eu precisava agora. Chegando na construção que fica bem no meio do jardim. Eu subo alguns degraus, e coloco o Luigi na cadeira. Em seguida, eu me sento.

Bom, como eu estou muito cansada eu espero que eu não caia no sono enquanto converso com o meu filho. Seria vergonhoso. 

— Mama, hoje o professor disse que fui muito bem na lição. — Luigi começa a falar animado e balançando as pernas.

— Vejo que se divertiu muito. — falo sorrindo. 

— E a senhora? — Luigi pergunta curioso. 

— Hum, deixa eu ver. — eu finjo que estou pensando. — Só coisas chatas, que não valem a pena levar a um assunto. — falo e ele dá risada. 

— E o papai, o que ele faz? — Oh, isso me pegou de surpresa. Nunca pensei que ele fosse perguntar do pai.

— Bem, seu pai faz quase as mesmas coisas que eu. Entretanto, as dele são muito mais chatas e ele costuma ficar mais cansado que eu. — eu o explico e ele suspirou, parecendo não estar muito satisfeito. 

Quando eu vou lhe explicar, de uma maneira mais convincente. Luigi toma a minha frente e pergunta:

— É por isso, que é raro ver vocês dois juntos? — eu arregalei um pouco meus olhos. Não pensei que Luigi havia percebido a distância entre mim e Leon. Será que isso o afetou de alguma maneira? Não, não, penso que não.

— Sim, isso mesmo. Nossos horários tendem a não se cruzar. — pigarrei disfarçando o meu nervosismo. 

Luigi parece satisfeito com a minha resposta de agora, e sem esperar muito o nosso chá chegou. 

Mas o pensamento de pensar que minha má relação com Leon, pode ter afetado o meu filho de alguma maneira não sai da minha cabeça. Mas mesmo que fosse o caso, eu não iria mudar. Tentaria ser uma mãe melhor do que sou agora e assim poderia cobrir a ausência do pai.

Levo a xícara de chá, até a boca e antes de tomar aprecio o cheiro do chá. Inspiro e finalmente sinto o gosto do chá. 

Ah, mais que relaxante. A melhor hora do meu dia.

Leon Barueri:

Ah, hoje o dia rendeu. Fiz tudo e acredito que ficarei mais leve a semana toda. Adiantei os trabalhos de amanhã. Só sobrará pouquíssimo papéis para revisar. 

Olho para a janela, e percebo que o dia já estava acabando. Não entendo, mas sempre que a noite chega eu tenho um terrível medo de que algo acontecerá e eu perderei alguém ou algo precioso para mim. Desde aquela época, eu detesto a noite. Apesar dela ser tão linda.

Levanto-me, e me retiro da oficina. Passando pelo corredor, lembrei-me do jardim. Apreciar o final da tarde com o vento fresco é uma ótima ideia. 

Mudo o meu curso e me dirijo ao jardim. Chegando lá, percebo a presença de vozes. E se eu não me engano são de Stephanie e Luigi. 

Oh, estou chocado em poder encontrá-la agora. Estava pensando em conversar com ela só no nosso quarto, mas já que a encontrei aqui isso facilita as coisas. 

Aproximo-me do local e vejo lentamente o sorriso de Stephanie desaparecer e ela fica me encarando. Eu não desvio o olhar, apenas fico prolongando o nosso contato. Além, de que estou sorrindo agora. 

— Que coincidência, minha Imperatriz. — falo me aproximando e me juntando à mesa. Tiro minha atenção de Stephanie e olho para Luigi. — Como foi às aulas, Luigi? — pergunto.

— Foi maravilhosa, pai! Diverti-me bastante! — me responde alegre. 

— Isso é uma notícia. Amanhã quando eu tiver tempo irei lhe visitar em sua aula. — falo

— Leon, querido, pensei que você estaria a caminho dos nossos aposentos. — Stephanie fala para mim, em tom doce. Oh, ela sabe muito bem minha rotina. 

— Sim. Era para eu estar em nossos aposentos, contudo tive vontade de tomar um ar. Tem algum problema com isso? — concordo a fala dela e pergunto. 

— Não. Claro que não. — responde tomando mais um gole de chá. Ela parece um pouco nervosa. 

Ah, Stephanie, hoje você me paga. Irei lhe dar um pequeno surto. Isto só é o começo. Não pense que darei muito espaço para você me controlar. Farei as coisas do meu modo agora! 

Stephanie Bellucci: 

Penso que este maldito está brincando comigo! Como eu posso ter o encontrado mais vezes do que normalmente! E não quero ouvir, amanhã minha assistente me falando ser o destino! 

Eu olho-lhe, que agora está sorrindo cinicamente. Ah, ele está se divertindo bastante sobre as minhas custas. Mas que desgraçado! 

Calma, Stephanie! Onde já se viu uma imperatriz falando palavras tão desagradáveis. Manter a calma e a cabeça no lugar! 

— Luigi, já está ficando tarde. E a hora do jantar se aproxima e antes você precisa se aprontar para ele. — falo para Luigi e ele fica cabisbaixo. — Mas amanhã, quero ter a sua companhia. — completo para consolá-lo. Ele fica brilhante novamente e em um sinal eu ordeno a sua dama o acompanhar. 

Ele me dá a mão, e o observo até sair das minhas vistas. E Leon, parece fazer o mesmo. 

— O que você quer? — eu sou direta na pergunta. 

— Querendo ou não, este palácio também me pertence. E é claro, que nós vamos nos encontrar. — Leon fala indiferente, mas sinto sarcasmo em sua voz. Além de que, não se deu o trabalho de olhar para mim. Estará evitando contato? 

— Sim, eu sei disso. — respondo e bocejo em seguida. Ah, que sono. 

— Sabe? E por que você fica evitando se encontrar comigo? — agora ele olha-me. Um olhar furioso. — Então, o que tem para falar sobre isso, Stephanie? 

Eu fico surpresa com isso, ele nunca até agora me olhou desse jeito. Eu ouvi os rumores, sobre que ele era terrível quando estava com raiva. Mas isso é mais aterrador do que eu pensei. 

Eu engulo a seco, e tento organizar meus pensamentos. O que irei falar agora? 

— Vamos, Stephanie. Estou ansioso para ver qual será a sua desculpa, dessa vez. — Leon, fala me pressionando mais ainda. 

Eu respiro fundo e mantenho o meu olhar firme. 

— Eu lhe devo explicações? Não tenho nada a dizer sobre este assunto. Não estou o evitando, deve ser apenas coisa da sua cabeça. — falo em meu tom normal. Ah, glória! Pensei que não iria sair. 

Não sei o que eu falei foi uma boa ideia ou não, mas julgo que é a segunda opção. Porque estou sentindo o olhar afiado de Leon sobre mim e aparece que ele quer me matar. Será que isso o irritou muito?

Capítulo 3

Leon Barueri:

Ah então irá ser assim? Vai dizer-me que não me deve explicações? Acredito que está enganada querida. Você deve-me muitas explicações. Eu lanço um olhar penetrante e percebo que Stephanie engoliu a seco.

Eu levanto-me e em passos curtos eu aproximo-me um pouco mais de Stephanie. Apoio-me na mesa com um único braço e inclino-me um pouco. 

— Essa foi uma ótima desculpa, Stephanie. — falo calmo tentando esconder a minha raiva e continuo. — Bem, mas ainda não me convenci. Exijo que me explique melhor. 

Ao falar isso, percebo as aveias

de Stephanie ficarem um pouco à mostra. Oh, parece que eu consegui atiçar a raiva extrema da Imperatriz. Que pecador que eu sou!

— Leon, querido, parece que o senhor entendeu algo errada. — ela inspira e expira. — Aqui, agora eu sou a imperatriz e você o imperador. Nós só somos marido e mulher dentro do nosso quarto. Não ouse passar da linha! — ela levanta um pouco de voz. Eu arregalei os olhos. É sério isso? Ela está realmente me dizendo isso? Então, eu sou apenas uma ferramenta para ela? Escolheu-me como imperador, apenas para os nobres pararem de aborrecer dela e esqueceu de perguntar a minha opinião e sentimentos. Que egoísta é, Stephanie! 

— Com a sua licença, imperador. Preciso arrumar-me para o jantar e você também. — ela levanta-se. Passa por mim e olha-me de canto. Novamente me deixando sozinho. Mas isso ainda não acabou. 

— Ah! mais uma coisa. Hoje irei-me arrumar no salão de roupas. Então, o quarto é todo o seu. Nós vemos no jantar. — ela fala antes de ir embora. 

— Sim. Estarei ciente disso, imperatriz. — assinto. 

Stephanie Bellucci: 

Bom, penso que fui muito dura com o Leon. Mas sinto que ele pediu por isso, já que estava-me provocando. Excluindo todo o pensamento que possa envolver Leon, eu dirijo-me até o salão de roupas. 

— Por favor, prepare uma roupa um pouco mais leve. Sapatilhas em vez de saltos e um prendedor de cabelos. — eu ordeno para a dama ao meu lado. Ela assente e começa preparar o que eu pedi. 

Ainda passando no corredor, eu esbarro-me com a minha doce assistente Naw. Fico confusa. O que ela estará a fazer aqui a essa hora? 

— Naw, querida, o que está a fazer aqui até essa hora? Já não passou do horário de você se retirar? — pergunto curiosa. 

Ela virou-se surpresa ao ouvir a minha voz. Rapidamente ela abaixa a cabeça. 

— Sua Majestade, eu estava a arrumar os últimos papéis e nem vi a hora passar. — ela explica-me. E continua. — A senhora pode-me achar intrometida, mas a senhora irá sair? 

— Por que, está a perguntar isso? — eu pergunto e ela desvia o olhar. 

— Bom, ouvi que a senhora pediu roupas leves. E conhecendo bem a senhora, sei que pede sempre que isso a senhora sai a noite. Mas não sei para onde. — ela explica-me rápido e elevado um pouco o tom de tom. Deve estar com medo de ser decapitada por se intrometer nos assuntos da imperatriz. Mas claro, eu nunca iria fazer uma coisa dessas. Amo a minha assistente, além dela ser uma nobre.

— Fique calma, não irei achar isso um comportamento inapropriado. — suspiro e começo a caminhar novamente. — Obrigada pela preocupação. — agradeço enquanto passo por ela. Ela levanta a cabeça assustada e eu lanço um sorriso. Observo ela soltando um suspiro de alívio.

Paro no em frente ao salão de roupas, e abro a porta. Já começo a tirar as minhas roupas. A jogo na cabine que havia ali e entrei de imediato no banho. Ah, que bom. Estava a precisar muito dessa água quente. Deixo os meus músculos relaxar e continuo os meus pensamentos.

O que aconteceu antes, eu não sei explicar. Quando eu me retirei, a expressão de Leon estava um pouco perturbada. Será o que feri? 

Eu olho para o teto pensativa e para me livrar deles eu prendo a respiração e mergulho naquela banheira, que parecia mais uma piscina. 

Ah, o que eu fiz! Há muito tempo eu escolhi o caminho de não me importar com os sentimentos dos outros, porque eu supus que eram insignificantes. Eu precisava ser um líder perfeito. As pessoas não iriam aceitar-me por eu ser mulher. 

Após uns vinte minutos de banho, eu saio. As damas começam a arrumar-me. Penteei os meus cabelos e os prendi num rabo de cavalo, vesti o meu vestido e eu mesmo calço os meus sapatos. Me retiro apressadamente. 

Leon Barueri: 

Eu cerrei com força meus punhos e saí irado do jardim. E também com uma frustração enorme. Quero gritar e quebrar os ossos de alguém. Sério como ela pode falar uma coisa daquelas?! 

Passo pelo corredor e vou direto até os nossos aposentos. Abro bruscamente a porta e rapidamente tiro as minhas roupas. As, jogo em cima da cama. Já que logo chegará o meu mordomo e vai colocá-las no seu devido lugar. Pode soar grosseiro da minha parte, mas no momento não estou muito a fim de fazer nada. 

— O banho já está pronto? — pergunto com certa pressa. 

— Sim, está. — uma das damas respondem curvada. 

Eu entro e aproveito a água quente. Está ótima e sinto-me um pouco mais relaxado. Até onde Stephanie quer ir com essa palhaçada? Como eu já havia dito antes, eu não fiz nada para ela me odiar desse modo. Será que alguma vez ela já gostou de mim? Tudo foi apenas política? Não consigo tirar essas perguntas da minha mente. 

Suspiro pesadamente e fecho um pouco os meus olhos. Estou tão cansado e o cochilo cairia muito bem. 

Após um tempo, abro os olhos e mesmo um pouco atordoado saio do banho. Uma das damas cobre-me com o roupão. Visto a roupa que o mordomo separou-me e dirijo-me para o salão sem muita vontade. 

Stephanie Bellucci: 

Passando pelo corredor iluminado pela luz da lua, eu paro para apreciá-la. Suspiro e continuou em frente. Descendo as escadas, novamente todos os soldados se curvam. 

— Saudamos, Vossas Majestades, a Imperatriz e o imperador. — Parece que eu não ouvi bem. Imperador? 

Eu olho para a frente e vejo Leon no outro lado da escada. Oh, ele é rápido se vestindo. Não esperava que iríamos aparecer na mesma hora. 

Ele para em certo ponto, e dá o braço como um bom cavalheiro. E como uma boa dama eu aceito. Descemos juntos aquelas escadas. Chegando na mesa, ele puxa a cadeira para eu sentar. Eu sento e logo em seguida ele também. 

— Obrigada, meu imperador. — agradeço tatilmente. 

— De nada, minha imperatriz. — ele fala gentil, mas sinto frieza no seu tom. Será que ele está bravo? Mas foi ele que começou! Eu estou na minha razão! Eu não irei pedir desculpas, por mais que o senhor fique com raiva! 

— Onde está, Luigi? — pergunto a perceber que ele ainda não está na mesa. — Não era-lhe já está aqui? 

— Senhora, o príncipe Luigi já comeu e retirou-se. — novamente Donatello responde-me. 

— Eu disse-lhe apenas para se aprontar e não para se adiantar. Será que ele compreendeu mal? — falo chocada com o que acabou de ouvir. — Bom, a irrelevância é subjetiva. Crianças não devem comer tardiamente mesmo e hoje eu atrasei-me um pouco. 

Acabou que ficando apenas eu e Leon na mesa. Comemos em silêncio, já que não tinha muito o que falar mesmo.

Leon Barueri: 

Não pensei que Stephanie comeria em silêncio. É uma atriz de encomenda e gosta de dar uma de gentil para que boatos não corram soltos por aí. Falando em boatos, ouvi que Stephanie estava a ter um caso com o Duque Wallmart Yaneth. Duvido muito que seja verdade. Stephanie é muito concentrada em fazer os seus deveres como Imperatriz, mãe e claro evitando vinte quatro por dia seu marido. Não podemos esquecer este detalhe. Julgo que estes boatos não chegaram aos ouvidos dela, senão ela já dera um jeitinho. Ou será mesmo que ela tem uma caso com o duque? Espero que isso não seja verdade.

A olho de canto enquanto como e só de lembrar o que ela falou mais cedo, uma extrema raiva toma conta de mim. 

Stephanie para de comer e olha para mim. 

— Algum problema com a comida, meu imperador? — Stephanie pergunta-me. 

— Não. Não tem problema algum. Está deliciosa. — a respondo. — Por quê? — a questiono logo seguida. 

— Porque, o senhor não está a fazer uma expressão ótima enquanto come. — a nossa, ela foi bem sincera e direta. 

— Presumo que a senhora saiba bem o motivo que eu não estou com o humor muito agradável. — retruquei enquanto eu levo a comida até a minha boca. 

— Não. Eu receio que não. — ela fala desentendida. 

— Você, minha senhora, uma mulher tão percetiva e ainda sim, não sabe a razão do meu mau-humor? — pergunto a provocando. 

— Por mais que eu seja percetiva, é uma pessoa bastante complicada de entender. — isso é uma bela desculpa. Mas duvido que ela ache isso mesmo de mim. 

— Sinto-me honrado em ouvir isso da sua boca. — sorrio. 

— E porquê? — ela pergunta a parecer confusa. 

— Não sei se eu falei, mas acho você uma mulher excecional. É reconhecida por todos pela sua força e coragem. — respondo sinceramente. Não estou a mentir, eu realmente acho Stephanie uma mulher excecional, mas rude em simultâneo. Tem um génio difícil…

— Também fico feliz em ser reconhecida por um homem como você. — ela sorri e coloca uma mecha do seu cabelo atrás. Raramente vejo ela fazer este gesto. Será que ela gostou do elogio? Ou ela ficou completamente distraída? Impossível! Ela nunca abaixa a guarda quando estou por perto. Já que terá muitas consequências desse ato. Pode falar uns dos seus verdadeiros pensamentos ou até mesmo fazer o movimento errado. 

Após ter essa pequena conversa, nós ficamos em silêncio e foi assim a refeição Inteira. A primeira a se retirar foi a Stephanie. 

— Se me der licença, imperador. — ela retira-se em seguida. Parecia exausta mesmo. Já que nem se deu o trabalho de se arrumar muito. 

Eu fiquei apenas observando de canto enquanto saia do meu campo de visão. Não quero infortuna-lá a noite, mas estou com um grande desejo de mexer um pouco com ela. 

Decidido eu levanto-me da mesa e acompanho Stephanie até os nossos aposentos. 

— Uma boa noite a todos. Estou-me retirando. — eu falo para os guardas e eles devolvem o bom noite. 

Subo as escadas um pouco apressado e depois sigo olho para os lados e vejo Stephanie entrando no nosso quarto. 

Por que ela caminha tão rápido?! 

Stephanie Bellucci: 

Após ter aquela pequena conversa com Leon, eu senti que o ambiente ficou pesado e desconfortável. Queria-me retirar imediatamente, mas como eu poderia fazer algo tão grosseiro?! 

Após ter terminado a minha refeição, eu me retiro. 

Ah, como a minha cabeça dói. Mas ainda quero sair hoje à noite. Preciso esfriar a cabeça e distrair-me um pouco. 

Subo as escadas avulso e passo pelo corredor. Chegando nos meus aposentos eu ouço um som de passos. Quem é? 

Viro-me bruscamente e vejo Leon atrás de mim. 

— Ah, é você. — bocejo. — Venha, vamos logo dormir. Estou a morrer de sono. — o chamo para o nosso quarto, enquanto eu já abro a porta. 

— Está doente? — ele parecia muito pasmo.

— Não. Vamos entrar logo! Estou com sono. — eu levanto a voz. — É uma ordem! — mesmo aparecendo assustado ele para ao meu lado e espera eu entrar no quarto. — Muito bem! 

Eu entro e ele em seguida. jogo-me na cama e aperto o meu travesseiro. Ah, como é bom sentir essa maciez. Dei-me conta de que Leon ainda não está na cama. O maldito fugiu de mim? 

— Ei, o que está a fazer que não deita logo? — eu me viro a reclamar e deparo-me com Leon tirando a sua blusa. Ele para do que estava a fazer e olha para mim. 

— Está tão ansiosa assim? — ele pergunta com um sorriso sacana no rosto. — Espere mais um pouco, não demorarei muito. — sinto as minhas bochechas esquentarem. Ah, mais que vergonha. Mas ainda sim, para um instante para apreciar o belo corpo de Leon. Ele percebe o meu olhar e continua. — O que foi? Tem algo na minha cara? — pergunta tombando a sua cabeça. Desgraçado! Não é para a sua cara! É para o seu corpo! Mas eu não posso falar uma coisa dessas. 

— Não tem nada com a sua cara. — pigarreo. — Por favor, continue com o que estava a fazer e venha para a cama após terminar. — viro-me para o outro lado. Não deu para ver a reação de Leon depois do que eu falei, apesar de eu estar muito curiosa. 

Leon Barueri: 

Estou totalmente sem palavras. Que bicho de repente picou a Stephanie?! Que comportamento estranho! Ela deve a estar doente com toda a certeza. Eu lembro que no primeiro ano de casados, teve uns dias que ela ficou doente e totalmente fora de si. E isso explica muito a situação atual. 

Termino de trocar de roupa e aproximo-me devagar. Vai que ela resolva virar o próprio demónio depois de tudo? Não posso descartar todas as possibilidades! 

Deito longe dela, como sempre e não me viro para a direção que ela se encontra. 

— Por que, não chega mais perto? — ela pergunta tão docilmente. Essa mulher definitivamente está louca! Onde ela me pediria isso? 

— Porque pensei que isso a incomodasse. — respondo e quando termino a minha voz falha. Já que é verdade. 

— Sim, incomoda-me. Mas é que eu me sinto inquieta e não sei o que fazer. — espera! Parece que eu perdi algo. O que diabos essa mulher está a falar agora?! Quem é essa mulher ao meu lado que fizeram com Stephanie?!

— Que categoria de inquietação? — pergunto hesitante. Mas estou um tanto nervoso para qual categoria de resposta ela vai dar. 

— Daquelas que começam na barriga e depois para o coração. Não sei explicar, só sei que a única coisa que penso é no seu toque. — ela responde com a voz falhando. Eu instantemente arregalei os olhos e fico pasmo. Essa mulher tá drogada de sono, só pode! Não é possível que seja aquela mulher cautelosa. — Agora você irá se aproximar e olhar-me? 

Bom, eu não sei o que responder. Então apenas irei fazer o que ela deseja, já que se deu o trabalho de responder-me com sinceridade. Eu aproximo-me devagar e viro-me em seguida. Aqueles olhos azuis profundos encaravam-me e analisaram os meus olhos vermelhos. Ela passou gentilmente a mão sobre o meu rosto e ficou mais um tempo me analisando. Estou em transe neste exato momento. Não sei o que devo fazer. Faz muito tempo que não fico tão perto de Stephanie. 

— Ah, como eu amo admirar este vermelho. Sinto-me mais aliada ao vê-los. — ela solta um sorriso puro. Eu sinto-me envergonhado. Ninguém nunca me disse que gosta dos meus olhos. Muito pelo contrário. Diziam odiarem, já que os lembravam do que passaram na guerra. Sangue jogado para todo o lado. O puro carmesim. 

Eu abri a minha boca e hesitei um pouco antes de fazer uma pergunta atrevida. 

— Concede a permissão para… beijá-la? — a encaro sério e ela no início parece um pouco confusa, mas logo o seu rosto se ruboriza. Será que agora que ela acordou, irá-me rejeitar? 

Stephanie Bellucci: 

Ah, mas que absurdo ele perguntou. Sinto como se o meu coração fosse parar agora mesmo. Mas que vergonha! Estou tão drogada de sono que acabei a soltar meus pensamentos loucos. Deus, se estiver me ouvindo agora, por favor mate essa sua filha pecadora! Eu inspiro e expiro a tentar manter a calma, que está quase impossível com Leon me olhando. O que eu respondo? Tenho que pensar seriamente, senão estarei a caminhar num caminho perigoso…

Mas bem, eu não posso perder essa oportunidade. 

— Sim, eu concedo-lhe. Pode beijar-me... — eu respondo-lhe sem pensar muito e um brilho tomou conta dos olhos de Leon. Parece que dessa vez eu acertei! 

Naquele quarto de pouca iluminação, apenas pela luz da lua. Leon se aproximou com cuidado e um tremendo branco tomou conta da minha mente. O meu coração está a bater tão rápido e eu sinto um enorme frio na barriga. E nem é a primeira vez que eu beijo Leon! Ah, que este momento acabe logo! 

Ele toma os meus lábios gentilmente. Eu involuntariamente prendo a minha respiração, mas logo eu solto-a já que sinto a língua da Leon invadindo a minha boca. Agora ele aprofundou o beijo, o transformando num necessitado. Comecei a sentir que ele estava-me devorando com isso. Se isso não parar sinto que vou entregar-me ao calor do momento. 

Ah, o que ele está a fazer?! Assim eu vou ter um enfarto. Sinto que a minha temperatura está a subir com o momento. Porque, Leon não parou de beijar-me até agora! Eu empurrei-o com força, mas ele puxou-me pela cintura. Aproximando ainda mais os nossos corpos. Estou desesperada! Eu não disse ser um caminho perigoso! Tempo, tempo! Eu dou uns tapinhas nas suas costas, dizendo para parar. 

— Oh, desculpe-me. Parece que eu passei dos limites. — ele desculpa-se e se afasta um pouco de mim.

— Não precisa se desculpar, mas da próxima vez lembre-se que eu preciso respirar! — eu o alerto a arfar. Ainda não passou os efeitos do beijo. 

Ele desvia o olhar e parece cabisbaixo. Mas ainda consigo ver que ele também está sobre os efeitos. O seu peito subindo e descendo e os seus punhos cerrados. Estava se contendo. 

— Agora… eu vou dormir! Tenha uma boa noite! — falo nervosamente. deito-me sem olhar para Leon. 

— Boa noite. — ela devolve-me e volta para a posição de antes. Ficando longe de mim. Ele falou calmamente. Ah, que bom. Mas o que diabos deu em mim hoje?! Estou chocada comigo mesma! Eu vou logo dormir, senão não dormirei a pensar no beijo. 

Eu entrego-me ao sono e ao cansaço, então não foi muito difícil dormir. Como eu vou encarar o Leon, amanhã? Ah, porque eu fui dar a permissão! Agora tudo se complicou! Como eu sou burra!

Leon Barueri:

Eu tomei uma certa distância entre mim e Stephanie. Já que eu sinto que apresento um perigo para ela e não quero forçá-la a fazer nada. Ela deu-me um bom noite e ela não faz isso há muito tempo, então ficarei satisfeito só com isso. 

Estou a sentir que o meu coração vai explodir neste exato momento. Sentir a sua voz, cheiro, respiração tão perto não fez muito bem para mim. Lembrando do beijo agora pouco eu passo meus dedos levemente sobrem meus lábios. Não sei porquê, mas sinto que perdi uma oportunidade. Não é todo o dia que a Stephanie está de bem com a vida.

Mas parando para pensar agora. Como eu irei encará-la amanhã? Não acredito que esquecerei tão fácil o que aconteceu hoje a noite. Mas e ela? Será que irá fingir que nunca aconteceu? Conhecendo bem Stephanie, eu penso que sim. Reconhecendo isso, eu durmo frustrado. Com ânsia para o próximo dia e que ele está a prometer para mim.

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