Capítulo 2

Abro os olhos e me vejo numa cama de hospital. Olho para o lado, Alessandro está cantarolando enquanto mexe em um tablet.

— O… O que houve comigo? — Sinto minha cabeça latejar.

— A princesa acordou? — Ele sorri e me dá um copo com água. Bebo a água e o agradeço. — Descansa um pouco que depois eu conto tudo.

Alguém bate na porta e em seguida entra. É a Paola. Sorrio, mas ela não sorri para mim.

— Quero conversar com você, Paola.

— Eu… — Ela dá um passo para trás e olha para o Alê.

Alessandro toca no meu ombro e diz:

— Você abraçou minha residente sem mais nem menos e agora quer que ela converse com você? Acha que ela se sentirá confortável? Além disso, você acha que a mãe dela vai deixar? Uma paulada não foi o suficiente? Janaína vai ter que dar outra?

— O quê? — Toco na minha cabeça. Sinto a textura de um tecido nela, está enfaixada.

Dona Janaína envelheceu e virou um espírito obsessor. Velha doente!

— Você não lembra de mim, Paola? — Sento na cama.

— Eu nunca te vi antes, senhor. 

— Sou eu, o Evandro. Seu amigo de infância.

— Senhor, isso é loucura. — Ela encolhe os ombros. 

Janaína abre a porta do quarto causando um grande barulho e pega Paola pelo braço. 

— O que veio fazer aqui, sua desmiolada? — Ela olha para mim enquanto retira Paola do quarto. 

Levanto-me da maca e vou atrás delas. Minha visão escurece e me sinto tonto. Apoio-me na parede e grito pela Paola.

Aperto meus olhos e respiro fundo. Aos poucos sinto a tontura ir embora e abro os olhos, vendo Paola na minha frente.

— Sinto muito, senhor, mas eu não sou a Paola que você procura. Não é, mãe? — Ela olha para o lado.

— Isso mesmo. — Ela me lança um olhar feroz. — Paola nunca teve um amigo chamado Evan ou Evandro. 

— Senhor, minha mãe não mentiria, muito menos eu. Peço perdão pela forma que ela agiu e espero que possamos esquecer esse ocorrido.

Elas vão embora, mais uma vez, e Alê me diz enquanto me leva de volta para o quarto:

— Sinto muito, amigo, mas essa não é a Paola que você procura.

— Elas só não se lembram de mim. — Sento na cama.

Ele suspira. Deveria acreditar em mim. Já contei sobre toda a história da minha infância com a Paola. Como ele não me contou antes que a Paola estava aqui?

— Queria me esconder a Paola?

— De forma alguma. Mas repito que a minha residente não é a sua amiga Paola. Olha, eu até cheguei a pensar que era quando ela chegou aqui, investiguei um pouco mais sobre ela e descobri que minha Paola…

— Sua Paola? — Arqueio uma sobrancelha.

— Minha RESIDENTE, Paola, é filha de um advogado. Sua amiga não tinha pai, certo?

— Sei lá. Nunca vi homem naquela casa. — Passo a mão no rosto e bufo. Não tem como eu lembrar de tudo o que acontecia quando ia para a casa dela.

— Bom, Paola Silveira tem um pai e ele é presente na vida dela. Já vi até fotos dos dois juntos na infância dela. 

— Seu idiota… É coincidência demais ela se chamar Paola e ter uma mãe chamada Janaína.

Deito novamente na maca e fecho os olhos. É a Paola, eu tenho certeza disso, e ela se tornou uma mulher tão linda. Paola, Paola, Paola… Você faz meu coração palpitar como nenhuma mulher já fez e eu praticamente nem te conheço, afinal, a Paola menina e a Paola Mulher são duas pessoas completamente diferentes…

Abro os olhos. Ainda estou no hospital. Pela janela, vejo que já está de noite. Tiro a roupa hospitalar e coloco a minha. Pego o resto dos meus pertences, coloco nos meus bolsos e saio do quarto indo em direção à sala do Alessandro.

Cumprimento todos enquanto ando pelos corredores e bato na porta com o nome do Alê. Ele não me atende, mas sei que está aí ao ouvir um barulho.

Abro a porta e me deparo com papéis, canetas… Quase tudo da sua mesa está no chão. Aproximo-me mais da mesa e vejo um celular aberto em cima. É uma conversa entre ele e a Paola. Pego o celular e leio as mensagens:

"Quero te ver. Tenho uma surpresa para você. Posso ir aí?", ela perguntou.

"Vem rápido!", ele respondeu e mandou a foto do seu pau duro.

Olho as mensagens antigas e vejo uma foto dela de roupa íntima. Sutiã e calcinha vermelha, de renda. O mais impressionante é que ela tirou essa foto no hospital, vestida com o jaleco.

Sinto um volume se formar na minha cueca ao começar a ouvir gemidos na porta ao lado, onde fica o banheiro dele. Ela geme sem pudor, mostrando o quanto está gostando.

Imagino ela comigo, usando aquela lingerie vermelha. Eu só afastaria aquela calcinha para o lado e meteria nela com força, sem dó, sem camisinha, ouvindo os seus gemidos sem pudor.

Olho mais as mensagens e encontro um vídeo dela se masturbando com os dedos. Sua buceta é uma delícia, faz meu pau pulsar e minha boca salivar. Paola, Paola… Agora nem a doida da sua mãe vai me impedir de ter você só para mim.

— Você vai me querer — sussurro e olho para a porta do banheiro, ainda pensando na nossa futura foda. — Aproveita agora o Alessandro, porque, depois de hoje, você vai me desejar como nunca desejou ninguém.

Sorrio de lado e deixo o celular como havia o encontrado. Saio do hospital e vou para a minha casa. Retiro a roupa, vou para o banheiro e me olho no espelho. Começo a me masturbar pensando nela com a boca no meu pau, chupando com vontade, com desejo e engolindo meu gozo.

Arfo ao sentir o líquido escorrer pela minha mão e sorrio pensando no rosto safado dela lambendo a ponta do meu pau, passando a língua pelo meu abdômen até alcançar meu pescoço, mordê-lo e sussurrar no meu ouvido pedindo para eu fazê-la gozar também.

— Paola, vou ter mesmo que te roubar do meu amigo? — Sorrio de lado e dou um riso. Não vou sentir culpa alguma ao fazer isso.

Capítulo 3

Paola

Beijo o Alessandro após mais uma noite de sexo quente e sussurro no seu ouvido:

— Na próxima vez, eu que vou te deixar destruído.

— É mais fácil eu fazer isso. — Ele dá um riso e morde meu lábio. Passa uma mão no meu seio e com a outra me dá um tapa na bunda. Ele sobe sua calça e sai do banheiro.

Isso é decepcionante. Eu queria mais, queria ficar com ele a noite toda. Seria maravilhoso.

Visto minha roupa e saio do banheiro da sua sala. Fizemos uma pequena bagunça aqui.

Ele me beija por trás, causando arrepios no meu corpo, e sussurra elogios safados no meu ouvido. Fecho os olhos enquanto ele beija o meu pescoço e a vontade de tê-lo por mais tempo só aumenta, mas a vida não é mil flores e eu não posso ter tudo o que quero.

— Meu turno já acabou. Minha mãe vem me buscar, preciso descer.

— Não. Continua aqui. Deixa sua mãe esperando. — Ele agarra minha cintura. — Eu queria tanto que você dormisse na minha casa.

— Mesmo? — Sorrio. Ele nunca havia dito isso antes. — Eu também queria, mas sabe que minha mãe infarta se eu dormir fora de casa.

— É… — Ele me solta e começa a recolher os papéis que estão no chão.

Não gosto dessa situação tanto quanto ele, mas faz anos que minha mãe deixou de viver sua vida para viver por mim. Ela já não sabe fazer outra coisa que não seja cuidar de mim, então não consigo sair dessa situação. Temo que ela acabe numa depressão severa da qual não consiga sair. Por isso faço suas vontades e a deixo feliz.

— Amanhã é minha folga — diz. — Não pode pedir para uma amiga ficar no seu turno e assim você poder ir para o meu apartamento?

— Claro! — Sorrio, mesmo com o coração apertado. Se minha mãe acaba descobrindo isso, não será uma situação agradável de lidar.

— Ótimo! — Ele me dá um selinho.

— Até amanhã! — Saio da sala…

Entro no carro da minha mãe e dou um beijo na sua bochecha. Ela sorri e começa a dirigir.

— A senhora já está mais calma?

— Meu anjo, eu tenho tudo, menos calma. Aquele homem já foi embora do hospital?

— Não sei. Provavelmente não. — O doutor estava ocupado comigo em vez de dar alta ao paciente. — E ele é o dono do hospital. A senhora não pode agir assim, eu poderia ter sido demitida.

— Ele te agarrou! — Ela estreita os olhos. — Não importa se ele é dono do mundo ou de um cabaré, ninguém toca na minha filha dessa forma.

Ah, se ela soubesse como o doutor Alessandro me toca… Coitada da minha mãe.

— Tenho certeza que ele não irá mais me incomodar. O doutor Alessandro é muito amigo dele, disse que conversou com o senhor Carvalho e que ele entendeu. Também disse que ele não me abraçou com maldade, apenas achou que eu era uma pessoa querida que ele não vê há uns 20 anos.

— A tal da Pequena Paola. — Ela revira os olhos.

— Não faça essa cara, minha mãe. Ele fez um hospital em homenagem a uma menina que provavelmente já está morta devido ao câncer. A senhora deveria entender a dor dele.

— Eu sei, eu sei. — Ela suspira e estaciona o carro na garagem. — Mas eu não precisaria ter dado uma paulada naquele homem se você não tivesse mandado currículo para aquele hospital sem o meu consentimento.

— Mas eles pagam bem. — Faço um biquinho e desço do carro.

As luzes de casa estão acesas, então meu pai já chegou. Abro a porta que dá para a sala e entro em casa. Meu pai está sentado no sofá assistindo Pica-Pau enquanto come pipoca. Dou um beijo na sua bochecha e sento ao seu lado.

— Que infantis! — Minha mãe cruza os braços enquanto se aproxima de nós.

— Boa noite, amor! Senta aqui e assiste com a gente. Quer? — Ele estende o balde com pipoca.

— Vou tomar um banho primeiro e depois a gente assiste algo decente.

Meu pai e eu fazemos um bico ao olharmos um para o outro…

Entro no hospital para fingir que estou pronta para mais um dia de trabalho e ando por ele esperando passar pelo menos uns 5 minutos.

— Eu estava esperando por você.

Levo um susto e olho para trás. É o senhor Carvalho.

— B-bom dia.

— Bom dia, Paola. Você tem um compromisso.

— Tenho? Qual?

— Com o Alessandro.

Arqueio as sobrancelhas. O Alessandro contou a ele por quê? Será que contar para o melhor amigo os planos que tem comigo significa algo? O que será que ele fala sobre mim para o senhor Carvalho?

Sorrio.

— Pois é. Tenho que ir. Com licença. — Começo a andar em direção a saída, mas lembro do que ele disse ao ter me encontrado e olho para trás. — Estava me esperando para quê?

— Te dar isso… — Ele se aproxima de mim e estender o braço com o punho fechado. Coloco minha mão aberta de baixo da dele, ele segura o meu pulso e me dá um beijo molhado na bochecha.

Arregalo os olhos e dou um passo para trás.

— Por que fez isso?

— Você me lembra muito minha amiga. Senti vontade de ser carinhoso. Não fiz por maldade.

Sua atitude foi fofa, mas me pegou desprevenida e ainda me babou. Receber um beijo na bochecha de um homem lindo assim deveria ser romântico, mas o Alessandro também beija minha bochecha. Ele pegará germes de outro homem e ainda ficará sentindo o cheiro de babá dele? Poxa, isso é muita sacanagem…

Despedi-me do senhor Carvalho, lavei meu rosto com sabão no banheiro e fui até o estacionamento me encontrar com o Alessandro.

Entro no carro dele.

— Vamos? — Sorrio.

— Para onde? — o senhor Carvalho pergunta no banco de trás do carro. Arregalo os olhos e coloco a mão no peito. Misericórdia!

— Que susto! — Respiro fundo e olho para o Alessandro. Ele suspira e começa a explicar.

— Ele quer se desculpar pelo jeito grosseiro que agiu. Quer que nós dois vamos com eles para um bar.

— Bar? Eu não bebo álcool, senhor Carvalho.

— Não se preocupe, Paola. Não há apenas bebidas alcoólicas num bar e eu prometo que irá gostar bastante da minha companhia. Eu sou um cara legal. Você vai ver.

Dou um sorriso singelo e olho de lado para o Alessandro. Acho que nenhum de nós dois gostou da ideia, mas não dá para recusar o pedido do dono do hospital, não é?…

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