Capa do Romance Um divórcio que ele lamenta

Um divórcio que ele lamenta

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O parto dos gêmeos de Raina tornou-se um trauma quando Alexander exigiu o divórcio e a guarda do pequeno Liam. Anos após fugir com sua filha Ava, ela é confrontada pelo ex-marido, que ressurge implorando ajuda para salvar o filho doente. Raina agora é uma mulher poderosa e rica, bem distante da jovem subestimada do passado. Diante do desespero dele, ela deve decidir se reabre velhas feridas por Liam ou se mantém Alexander fora de sua nova vida para sempre.

Um divórcio que ele lamenta Capítulo 1

Raina

Após horas de um trabalho de parto exaustivo, meu corpo estava encharcado de suor e cada músculo tremia de puro cansaço.

Por mais que eu tivesse passado nove longos meses me preparando para esse momento, nada poderia ter me preparado para a realidade que me aguardava.

"Sou mãe agora", pensei, com o corpo ainda dolorido e o coração em êxtase. Deitada na cama do hospital, olhei para os dois pequenos milagres ao meu lado — meus gêmeos, meu menino e minha menina. O auge da minha vida.

Por um instante tudo pareceu perfeito, mas, como uma sombra fria atravessando a luz, uma inquietação antiga se infiltrou entre a alegria quente e intensa que transbordava em mim.

Apesar do ar-condicionado, o quarto me pareceu sufocante. E então percebi o motivo: ele estava ali.

Meu marido.

Encostado próximo à janela, observava-me com o mesmo olhar impassível de sempre — uma beleza cruel moldada em pedra. Ombros tensos, maxilar rígido, nenhum traço de ternura ou orgulho.

Eu tinha acabado de trazer ao mundo os nossos filhos, e ele sequer esboçou um sorriso. Nenhuma palavra de carinho. Nem mesmo um "estou orgulhoso de você".

Ah, como eu desejava ouvir isso.

Permaneci em silêncio, esperando que algo, qualquer coisa, quebrasse essa distância insuportável, mas o que veio a seguir me arrancou o fôlego.

Quando ele se aproximou, não foi para me abraçar ou tocar nossos bebês. Em vez disso, ele atirou uma pilha de papéis sobre o meu colo.

"Assine", ele ordenou, sua voz fria e distante.

Demorei alguns segundos para compreender, pois minha mente, entorpecida pela dor e pelo cansaço, se recusava a processar. Alternando meus olhares entre o rosto dele e os papéis, eu perguntei: "O quê?"

"Os papéis do divórcio", ele respondeu, seco, como se fosse a coisa mais natural do mundo.

Senti o chão desaparecer sob mim, e meu coração se quebrou.

"Rápido", ele acrescentou, arremessando uma caneta em minha direção. Sua impaciência era palpável — para ele, isso era apenas um incômodo passageiro, não a provação de horas que eu acabara de atravessar.

"O quê..." Minha incredulidade era tão grande que eu estava sem ar. O que estava acontecendo? Eu havia acabado de dar à luz os filhos dele, ele não podia estar falando sério.

Um divórcio?

"Eu... eu não entendo. Acabei de dar à luz...", minha voz se quebrou no meio da frase.

"Considere-se com sorte por esses filhos serem mesmo meus! Ordenei que os médicos fizessem o teste de DNA assim que nasceram. Se o resultado fosse outro, eu teria acabado com a sua vida e a do seu amante", ele disparou.

Ao ouvir essa acusação, meu corpo inteiro se contraiu. Amante? Por um instante, achei que não tinha ouvido direito. Meu cérebro se recusava a processar as palavras enquanto eu tentava respirar, com o pulso martelando em meus ouvidos.

"Alex, o que... Que amante?"

Mesmo após ter dedicado minha vida tentando provar meu amor por esse homem, ele ainda achava que estava sendo traído.

"Você não engana ninguém, Raina. Agora, assine", Alexander ordenou enquanto se aproximava.

As lágrimas começaram a escorrer antes que eu percebesse.

"Isso só pode ser uma piada. Eu não sei do que..."

"Ah, não comece com o teatro! Todo mundo já sabe o que você fez. Então para de fingir, porra!", Vanessa, a irmã dele, disse, emergindo das sombras com um sorriso debochado.

Meu corpo ficou paralisado. Eu queria acreditar que era um delírio pós-parto, um pesadelo. Mas tudo era real demais.

"Eu não...", tentei falar, mas ela me interrompeu, atirando um maço de fotografias sobre mim, que se espalharam pela cama e pelo chão, deslizando como lâminas.

Ainda dolorida, lutei para me sentar na cama e, com as mãos trêmulas, peguei uma das fotos. Era difícil enxergar através do véu de lágrimas, e eu já não conseguia mais respirar direito. "Alexander, escute..."

"Chega! Pare de desperdiçar o meu tempo e assine a porcaria desses papéis, sua vadia!", ele latiu, me impedindo de conseguir focar nas imagens.

O xingamento me atingiu como uma bofetada. Ele estava chamando a própria esposa de vadia.

De onde vinha isso? O que estava acontecendo?

Nesse momento, era como se mil facas perfurassem meu peito.

Meu Deus, ele estava mesmo falando sério sobre acabar com tudo? Conosco?

O pânico me sufocou, subindo pela garganta, enquanto meu corpo tremia e o quarto girava ao meu redor.

Através das lágrimas, meus olhos vasculharam o rosto de Alexander em busca de qualquer sinal de emoção. Mas não havia compaixão, preocupação, nem amor.

Não havia simplesmente nada.

Tudo o que encontrei foi a frieza impenetrável de suas feições. Talvez eu tivesse amado o homem errado, e essa constatação me rasgou por dentro.

Durante anos, eu me recusei a enxergar o óbvio. A família dele jamais me aceitou — diziam, sem pudor, que eu não era digna do nome que agora carregava.

Engoli cada insulto, cada humilhação, acreditando que o amor seria suficiente para vencer o preconceito. Houve vezes em que sua mãe me ofereceu dinheiro para desaparecer antes mesmo do casamento, mas eu recusei, pois meu amor por ele era sincero, puro, inegociável, e não estava à venda.

Quando a dor das ofensas se tornava insuportável, eu o procurava em busca de amparo, mas ele sempre reagia da mesma forma — um simples erguer de ombros, uma indiferença que me feria mais do que qualquer palavra.

"Eles são assim mesmo, Raina. Vão se acostumar."

Mas eles nunca se acostumaram. E ele nunca me defendeu.

Nem quando a irmã dele me chamou de interesseira durante o noivado. Nem quando o próprio pai sugeriu que ele anulasse o casamento no nosso primeiro ano juntos.

Ainda assim, permaneci ao lado dele, amando-o mais a cada ofensa e me agarrando à esperança de que um dia ele finalmente me enxergasse, enquanto tolamente aceitava o desprezo, os subornos e as agressões verbais, tentando justificar seu silêncio como apenas o jeito dele de lidar com a família.

Mas agora, enquanto o olhava, entendi o que nunca quis admitir.

A frieza que eu via agora não era algo novo — era simplesmente o que sempre esteve ali, por baixo da fachada.

Ou talvez ele nunca tivesse sido meu de verdade. Talvez eu apenas tivesse me imposto a ele o tempo todo, acreditando em um amor que só existia de um lado.

E, como uma lâmina fria, a verdade se cravou em mim: ele nunca me amou. Pelo menos, não da forma como eu o amava.

"Como eu fui idiota!", murmurei para mim mesma, sentindo a escuridão me cercar, ameaçando me arrastar junto.

A voz de Alexander rompeu o silêncio, áspera e impaciente: "Agora pare de me fazer perder tempo e assine os papéis. Tenho coisas mais importantes a fazer."

Com a voz embargada e tentando encontrar o olhar dele, eu sussurrei: "Alex, por favor, podemos conversar a sós? Isso só pode ser um mal-entendido. Eu... eu te imploro, me escuta."

"Não há nada para conversar. Só voltaremos a nos falar na presença dos nossos advogados. Guarde suas mentiras para eles."

"Alex, você me conhece. Sabe que eu nunca faria uma coisa dessas. Eu sempre amei você, só você. Eu nunca te traí."

Alexander permaneceu impassível, nem sequer me dirigiu um olhar. "Apenas assine os documentos. Acabou."

"Alex...", minha voz falhou, os lábios trêmulos, meu olhar suplicante.

Mas ele apenas me encarou — seu rosto inexpressivo, os olhos frios, e a alma distante.

"Não me obrigue a repetir", ele disse entre os dentes, com um controle que beirava o desprezo.

Com as lágrimas embaçando minha visão e as mãos trêmulas, mal conseguia segurar o papel enquanto minhas forças me abandonavam, mas, ainda assim, assinei. Que outra escolha eu tinha? Ao terminar, ergui os olhos para meus gêmeos e, por um instante, o simples fato de tê-los me deu o único resquício de consolo que ainda me restava.

Mas esse alívio durou pouco, pois, a mãe dele, que até então permanecera nas sombras, se aproximou da cama e, com um tom autoritário, ordenou: "Pegue o menino, e vamos embora."

Ao ouvir isso, ergui a cabeça rapidamente. "O quê?"

"Leia os documentos. Você abriu mão dos seus direitos parentais sobre o meu filho", Alexander explicou friamente.

Sentindo o sangue gelar em minhas veias, eu tentei argumentar: "Alex, não... Ele é só um bebê, você não pode tirá-lo de mim! Não pode!"

"Ele é o meu herdeiro!", ele grunhiu, cerrando os dentes.

Então, inclinando-se, ele continuou, sua voz destilando veneno: "Quanto à menina... pode ficar com ela. Considere isso um favor. Eu poderia levar os dois, mas assim não preciso me preocupar que ela se torne uma vadia como a mãe."

No mesmo instante, engasguei, o choque me empurrando para trás. "Alex! Como pode dizer isso da nossa filha... e de mim?!"

"Ela é sua filha. E, de agora em diante, apenas sua. O médico disse que ela nasceu doente e talvez não sobreviva, não preciso de um peso morto. Especialmente um que pode acabar como você."

Então ele se virou, indiferente, e saiu levando nosso filho nos braços, e metade de mim junto.

Fraca demais para me erguer, gritei o nome dele, minha voz se quebrando em desespero. "Alex! Alex, por favor! Alex, não o leve! Por favor!"

Mas ele sequer olhou para trás.

Desabei sobre a cama, abraçando minha filha com as últimas forças que me restavam, enquanto meu corpo tremia em soluços incontroláveis e a dor se instalava em mim como uma ferida aberta que jamais cicatrizaria.

Rejeitada, humilhada e abandonada, eu estava à deriva, perdida em meio à minha própria ruína.

A solidão era absoluta — e o desamparo, total.

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