Em uma sala escura. Ela estava ansiosa deitada na cama, e outras três mulheres esperavam apreensivas ao seu redor.
"Ai meu Deus!!!" A grávida gritou, enquanto seus olhos foram ficando extremamente apertados de agonia.
Suas pernas estavam dobradas e bem abertas, garantindo acesso suficiente às parteiras.
"Mais forte, Nosheba! Já posso ver a cabeça do bebê!" Mas diante de sua fraqueza a parteira chefe lhe deu uma luz de esperança, e quando ela mordeu os lábios empurrou com mais força do que podia. Mordendo suas bochechas internas também.
Por que é tão difícil desta vez?
"Mais uma vez...!" A esposa gritou.
Mais um empurrão: "Aiiiii...!"
Respirou fundo. E apareceu a cabeça redonda do bebê.
Um suspiro escapou das outras três mulheres enquanto puxavam com cuidado a cabeça, até as pequenas pernas do bebê aparecerem. Um pequeno grito agudo ecoou na sala imediatamente.
Ao contrário de todos os outros nascimentos, as parteiras não comemoravam sua alegria antes de confirmarem mais uma coisa.
A parteira chefe era quem fazia todo o trabalho, e nervosa, olhou para as pernas do bebê, bem no meio. E seu coração saltou fortemente quando ela viu a região pélvica.
Medo e decepção transpareciam em seu rosto.
"Ahiga, o que é?" Uma das duas mulheres perguntou, com os olhos arregalados de curiosidade e ansiedade.
Ahiga era a parteira chefe, e olhou terrivelmente para o bebê antes de olhar para sua colega de trabalho.
"É uma menina", ela finalmente revelou junto com o medo e a decepção em seu rosto.
"Oh! Abençoada Selene!" A segunda mulher exclamou.
O bebê ainda chorava e a parteira olhava para a mãe que parecia estar desmaiada.
'Isso não é nada bom!' Ela pensou.
"Kimi, você deveria contar ao rei sobre isso. Pois ele está esperando lá fora e já não ouve os gemidos da Rainha, mas um bebê chorando ele definitivamente sabe o que significa." A parteira disse enquanto colocava o bebê chorando no chão.
"O quê?? E por que eu deveria fazer isso, Ahiga? Se você é nossa líder." "A notícia deve ser dada por você!" Kimi, a segunda parteira, exclamou.
"Mas é você a responsável em informar aos casais sobre o sexo dos bebês, Kimi." "O que você está dizendo?" Ahiga perguntou com seu rosto preocupado e uma voz inconformada.
"Sim, mas eu faço isso com casais normais, não... com alguém como o rei." Kimi respondeu.
"Vamos, Kimi. Não é hora para isso..."
"Talvez Louise devesse fazer isso", ela apontou para a última parteira ao lado dela.
"Afinal ela é a mais jovem de nós."
"O quê?" Louise gritou e balançou a cabeça com firmeza.
"Por favor, nem pense em fazer isso comigo. Meu noivo virá me ver, daqui a nove dias. E se tudo correr como planejado, vamos nos casar depois da 5ª lua cheia."
Ahiga suspirou e balançou a cabeça enquanto suas colegas de trabalho discutiam quem daria a notícia ao rei. Ela olhou para o bebê no chão. Então, quem teria tal coragem? Pois era um risco muito grande.
Mas elas sabiam que não demoraria muito para que o rei entrasse nervoso querendo saber o sexo do bebê. E definitivamente algo pior podia acontecer caso ele descobrisse por si mesmo."
"Está bem. Eu vou", sua voz se elevou e as duas senhoras olharam para ela aliviadas.
"Muito obrigada, Ahiga. Tenho certeza que você vai ficar bem." Kimi tentou ser amigável mas Ahiga não disse nada enquanto caminhava até a porta.
*
*
Preocupado num corredor longo e largo, o rei podia ser visto andando de um lado para o outro.
Não era comum outros reis fazerem isso, mas o Rei Dakota era sempre diferente.
Sim, ele estava ansioso e andava de um lado para outro tentando acalmar seus nervos.
Suas mãos estavam cruzadas atrás das costas, sua coroa na cabeça e seu manto real varrendo o chão enquanto ele andava.
Dois guardas estavam na entrada do corredor e dois à sua frente, para sua proteção. Não que o rei precisasse de proteção.
Entretanto, seus olhos estavam fixados na porta, aguardando notícias. Por que estavam demorando tanto? Ele tinha certeza de que a Rainha havia parado de gritar e o bebê de chorar. Por que nenhuma das parteiras saíra para contar sobre o sexo do bebê?
Então, pediu mais um pouco de paciência a si mesmo, e logo ouviu a porta se abrindo.
Ele virou-se rapidamente para dar uma olhada e viu a parteira-chefe saindo. Porém, parou logo de caminhar e aguardou que ela fosse ao encontro dele.
Desconfiado, notou que a parteira estava diminuindo os passos, pois estava demorando muito para chegar até ele.
"Como foi, Ahiga?" Ele perguntou respeitosamente.
"Qual é o sexo do bebê?"
Sem rodeios ele exigiu uma resposta.
Mas ela respirou fundo antes de prosseguir.
"M... M... Meu Rei", ela gaguejou impotente com a cabeça baixa.
"Sauda.... Saudações, Meu Rei."
"Diga-me exatamente o que eu quero ouvir, Ahiga." Sua voz estava rouca, e ela engoliu em seco.
'Não tem necessidade de rodeios, pois ele descobrirá de qualquer jeito', pensou Ahiga.
"Meu.... Meu Rei", ela continuou enquanto o suor transparecia em seu rosto.
"É.... é uma menina linda."
É isso mesmo.
A ansiedade no rosto do Rei Alfa desapareceu instantaneamente enquanto suas sobrancelhas franziam em surpresa. Havia desanimo em suas expectativas.
Imediatamente, lembrou-se das palavras do médico, quando ele o visitou algumas semanas atrás.
"Sua segunda esposa, Rainha Nosheba, carrega uma loba."
Ele ficou muito bravo e duvidou dele antes de partir, mas ele estava certo...! Infelizmente, estava certo.
Ahiga ainda estava abalada na frente dele com a cabeça baixa. Pois não saía uma única palavra de sua boca e isso a estava destruindo. Talvez devesse apenas se virar e ir embora.
Aos poucos ela foi sentindo um aperto firme em seu pescoço, que levantou seus pés do chão e os fez balançar no ar.
Era o Rei...!
Seus olhos dilataram-se de medo e choque quando ele a sufocou, segurando seu pescoço com toda sua ira.
Sua raiva era tão grande que ele poderia destruí-la em segundos.
E com uma voz gelada ele disse:
"Esta será a última vez que você me traz más notícias, Ahiga."
Sem dó e nem piedade ele a jogou com força no chão e marchou para longe.
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O Rei Dakota era conhecido por todos como o Rei Alfa superior das sete montanhas e dos seis covens. Enquanto as montanhas eram um porão para sete matilhas diferentes, os covens pertenciam aos vampiros. Cada matilha tinha seu próprio Alfa, e cada coven tinha seu VampLord, mas o Rei Dakota atuava como governador sobre todos eles. O líder superior de cada autoridade nos dois grupos.
Há muito tempo, os lobisomens, que também eram conhecidos como leões da montanha, os vampiros e as bruxas não se davam muito bem uns com os outros. Eles estavam sempre brigando e possuíam muitas restrições.
A guerra durou um bom tempo até que os lobos e vampiros decidiram que era hora de colocar um fim. Eles decidiram fazer um tratado de paz para que pudessem ter um governo. Mas a principal lei era que não poderia existir mais de um líder, e com isso, eles decidiram fazer uma batalha entre um representante de cada grupo para que o vencedor se tornasse o líder geral. E, enquanto todos os preparativos desse evento estavam acontecendo, as bruxas juraram não se intrometer nisso.
Um representante dos lobos e um dos vampiros saíram para uma batalha e, eventualmente, os lobos venceram a luta. Com isso, o vencedor do grupo dos lobos tornou-se o líder superior. Que era nada mais nada menos que o avô do Rei Dakota.
Os lobos e vampiros formaram novas regras e constituições para si de forma coletiva.
Todos queriam paz e igualdade e, desde aquele momento, não existiram mais brigas entre lobos e vampiros. Mas como as bruxas haviam se recusado a participar no tratado, foram banidas para sempre de pisar naquelas terras, por isso, fizeram um juramento de nunca ter acordo nenhum com os leões da montanha ou sugadores de sangue.
E assim tinha sido por muito e muito tempo.
A liderança superior ficou durante muitos anos com os lobos, desde o avô de Dakota, até seu próprio pai, e agora até ele mesmo, o Rei Dakota.
Mas de toda a história, ele parecia ser o mais diferente de todos, mais poderoso e mais brutal do que seus antepassados.
Todos tinham medo dele, da forma como ele lutava contra os bandidos e outros inimigos. Ele era muito brutal e poderoso, ganhou muito medo e consequentemente respeito de todos.
Mas o todo-poderoso Rei Dakota tinha um, apenas um problema. Bem, talvez ele tivesse outros problemas também, mas aquele era o maior de todos.
Não importava o quanto tentasse, ele não conseguia ter um filho homem, um herdeiro para tomar o trono quando ele partisse.
Esse era o maior problema para ele, pois ele se sentia amaldiçoado. Sim, ele de fato havia sido amaldiçoado - pela deusa da lua.
Ele já havia se casado com três mulheres, e com elas teve um total de 4 bebês, todos eles eram meninas.
Ele sabia que estava amaldiçoado, mas, ele se perguntava o porquê.
Ele chegou até seu quarto não muito depois e se acomodou, sentando-se na cama com a cabeça apoiada nas palmas das mãos. 'Por que meu caso é diferente', ele pensou, se lamentando. 'Por quê?'
Não demorou muito até que seu assistente entrasse.
"Eu não quero ser incomodado, Pishan", o Rei Dakota murmurou ainda com a cabeça nas palmas das mãos.
Ele não precisou olhar antes para saber quem era. Ele estava acostumado com o cheiro que cada pessoa do topo da sua montanha tinha.
O assistente, Pishan, parou na porta. Ele era o único que conhecia o rei tão bem a ponto de poder adivinhar certeiramente o que havia de errado com ele no momento.
"Perdoe-me por interromper, Meu Rei, mas eu só desejo confirmar a ordem para amanhã", ele disse, fazendo o Rei Dakota tirar a cabeça da palma da mão para olhar para ele.
"A ordem ainda está de pé", rosnou.
"Eu não quero que ninguém esteja por perto quando aquilo acontecer. Então, quem quebrar essa lei e sair amanhã, será morto."