Mas nada ali ia sair como esperavam.
Porque a única coisa que realmente me interessava naquela mesa... era Camila.
E no fundo, ela já sabia disso.
Vi quando ela apertou o garfo com mais força. Quando desviou o olhar pela terceira vez. Quando mordeu o lábio de leve. Aquilo não era só timidez. Era medo.
Medo... e curiosidade.
Ela podia ser a filha mais nova, a inocente, a protegida. Mas naquele momento... ela era meu alvo.
E ninguém - nem mesmo Deus - vai me impedir de ir até o fim.
O jantar seguia num ritmo elegante e entediante. Falsas promessas, sorrisos forçados, brindes vazios. Levantei da mesa com a desculpa de atender uma ligação importante. Ninguém questionou. Nem se atreveriam.
Caminhei pelo corredor da mansão, onde os quadros antigos pendiam nas paredes como testemunhas silenciosas de gerações inteiras moldadas por poder e sangue. A luz era baixa, o silêncio quase absoluto. Foi quando ouvi passos leves vindo na direção contrária.
Camila.
Vestido claro, os cabelos soltos caindo sobre os ombros. Ela parou no mesmo instante em que me viu, como se tivesse sido pega num lugar onde não devia estar.
- Perdão... eu não sabia que tinha alguém aqui - disse, a voz baixa, quase sussurrada.
Dei um passo à frente.
- E não tem. Só eu. E agora... você.
Ela abaixou o olhar, envergonhada, mas não deu meia-volta. Ficou ali, entre o impulso de fugir e a coragem de ficar.
- Foi um bom jantar - ela disse, tentando quebrar o silêncio que pesava demais.
- Foi. Mas você não disse quase nada.
Ela deu um sorriso tímido, aquele que me desarma e provoca ao mesmo tempo.
- Acho que eu não sei muito o que dizer quando todos esperam que eu apenas sorria e fique calada.
- Engraçado... - murmurei, me aproximando mais - você parece ter muito a dizer. Só não encontrou quem te escute.
Ela ergueu os olhos devagar, e o olhar que ela me deu... não era mais o de uma menina assustada.
Era o de uma mulher que, mesmo sem saber, estava prestes a cruzar uma linha sem volta.
- E você? Vai me escutar?
- Se você souber sussurrar - respondi, com a voz baixa, rouca.
Ficamos ali, tão próximos que eu podia sentir o perfume leve dela. Um cheiro doce, limpo, nada exagerado. Ela mordeu o lábio de leve e deu um passo para o lado, rompendo o momento como se ainda lutasse contra o óbvio.
- Estão nos esperando na mesa...
- Que bom que a noite ainda não acabou.
Ela se virou e voltou pro salão.
E eu fiquei parado ali, sorrindo como um predador que acabou de marcar sua presa
Camila podia até ser a filha errada...
Mas já era minha.
Voltei pro salão com passos firmes, mas a cabeça... já não estava na conversa. Não conseguia prestar atenção no que diziam. Os rostos à mesa se moviam, sorrisos se abriam, taças se erguiam - mas tudo o que importava era o olhar dela
Camila.
Ela estava sentada ao lado da irmã, com as mãos repousando sobre o colo e o olhar baixo. Fingia não me ver. Mas a respiração acelerada, o leve tremor dos dedos... entregavam tudo.
Quando cruzei a sala, senti. Ela levantou os olhos. Rápido. Discreto. Mas o bastante.
Olhei de volta.
E então começou.
O jogo dos olhos.
Os nossos se cruzaram por segundos longos demais. Aqueles segundos em que o tempo parece segurar o fôlego. Ela desviou primeiro, tentando parecer indiferente, mas mordeu o canto do lábio. Aquele gesto pequeno, mas perigoso, que me fez apertar a taça com mais força.
Durante o brinde do meu pai, eu ainda a observava.
Ela não me olhava diretamente, mas me via. Sentia. Toda vez que alguém ria de uma piada sem graça, Camila aproveitava pra me lançar um olhar rápido, como se estivesse roubando um momento que não lhe pertencia.
E eu deixava.
Deixava ela me olhar.
Deixava ela se perder.
Porque era isso que estava acontecendo.
Ela estava caindo, mesmo sem entender o motivo. E eu? Já estava lá embaixo esperando.
Camila era o proibido. O erro.
Mas quanto mais errada ela era... mais certo eu me sentia perto dela.
Camila narrando
Eu sempre sonhei em me casar.
Sonhava com vestido branco, véu esvoaçante, uma cerimônia no jardim, cheia de flores e promessas sinceras. Sempre fui assim... romântica, sonhadora. O tipo de garota que acredita que o amor verdadeiro existe, mesmo num mundo onde todos parecem rir disso.
Então, quando ouvi a notícia na sala, senti o coração acelerar.
- Catarina vai se casar - minha mãe disse, com um sorriso orgulhoso nos lábios.
Minha irmã, a mais velha. A preferida
Ela estava sentada ao lado, com um copo de vinho na mão, e deu de ombros como se aquilo não fosse nada demais.
- Não é exatamente meu sonho, mas... é o que esperam de mim - respondeu ela, casualmente.
Me doeu ouvir aquilo. Porque pra mim, casamento sempre foi um sonho. Pra ela... apenas um acordo. Mais um passo dentro de um plano familiar.
Engoli em seco e sorri, como sempre faço.
O tempo passou rápido desde então. E quando o dia do jantar chegou, eu ainda tentava fingir que era só mais um compromisso.
Mas alguma coisa dentro de mim... estava inquieta.
Vesti um modelo claro, discreto. Como sempre. Não era pra mim que as atenções estariam voltadas. E tudo bem. Eu já tinha me acostumado a ser o fundo da pintura. Aquela que observa.
Mas então... ele chegou.
Jefferson.
O homem que minha irmã ia se casar.
E naquele instante, minha respiração falhou.
Alto. Imponente. De olhar escuro e expressão fria. Ele não parecia caber naquele ambiente engessado. Não sorria com facilidade, nem se curvava pra agradar. Carregava uma presença pesada, firme, quase... perigosa.
E mesmo assim... meus olhos foram direto para ele.
Não consegui evitar. E o pior: ele também me olhou.
Um olhar preso no meu. Um olhar que não era de cunhado. Não era educado. Era um olhar de quem me via de verdade, como mulher.
Senti o coração bater mais forte. O rosto esquentar.
E pela primeira vez... me senti errada.
Errada por querer ser vista por ele.
Errada por imaginar, mesmo por um segundo, que poderia ser eu ao lado dele. Eu, e não Catarina. Eu com aquele olhar preso em mim.
Naquele jantar... eu descobri duas coisas:
Primeiro, que meu sonho de casamento ainda morava aqui dentro.
E segundo... que ele não era mais puro.
Porque agora, ele tinha o rosto - e os olhos - de Jefferson.
O homem da minha irmã.
O homem que eu não podia desejar.
Mas já desejava.
Depois de alguns minutos no jantar, eu precisava respirar.
A sala estava cheia de sorrisos forçados, brindes vazios e expectativas pesadas demais para mim. Catarina parecia à vontade, como se já tivesse aceitado seu destino. E talvez tivesse mesmo. Ela sempre foi forte, decidida, segura de si.
Eu? Eu só queria sair dali.
Levantei da mesa com a desculpa de ir ao banheiro e me permiti andar devagar pelos corredores da mansão. Aqueles quadros antigos nas paredes me observavam como juízes silenciosos, como se soubessem que algo dentro de mim estava errado.
Foi quando virei a esquina... e dei de cara com ele.
Jefferson.
Parado, imponente, como se o corredor fosse dele. Meus pés travaram. Meu coração disparou.
- Perdão... eu não sabia que tinha alguém aqui - murmurei, quase sem ar.
- E não tem. Só eu. E agora... você - ele respondeu, com a voz baixa, firme. Perigosa.
Senti um arrepio subir pelas costas.
Eu deveria ter recuado. Deveria ter sorrido e voltado pra sala. Mas fiquei ali, como se alguma força invisível me mantivesse presa. Os olhos dele estavam nos meus, intensos, fundos, como se me atravessassem. Eu nunca tinha sido olhada assim.
Nunca.
Tentei puxar conversa. Dizer qualquer coisa pra amenizar o clima.
- Foi um bom jantar - comentei, fraca, como se isso pudesse nos salvar daquele silêncio.
- Foi. Mas você não disse quase nada.
Sorri de canto, sem graça.
- Acho que... eu não sei muito o que dizer quando todos esperam que eu apenas sorria e fique calada
Ele deu um passo pra frente. O corredor pareceu encolher.
- Engraçado... você parece ter muito a dizer. Só não encontrou quem te escute.
Ergui os olhos devagar. E foi aí que aconteceu. O mundo parou. E só existia ele. E eu. E aquele olhar de prender a alma.
- E você? Vai me escutar? - perguntei, sem nem pensar.
Ele inclinou levemente a cabeça, e o tom da voz dele desceu como um sussurro direto na minha pele:
- Se você souber sussurrar...
Senti o sangue esquentar. Mordi o lábio. Me obriguei a dar um passo para o lado, quebrando o feitiço. Eu precisava fugir dali antes que cometesse o erro que meu corpo já implorava pra cometer.
- Estão nos esperando na mesa... - sussurrei.
- Que bom que a noite ainda não acabou.
Virei as costas e caminhei de volta, sentindo o peso dos olhos dele nas minhas costas. Meu coração não desacelerava. Minha mente gritava.
Era errado.
Mas era real.
Jefferson era o noivo da minha irmã.
Mas aquele corredor... me fez sentir como se fosse só meu.
Depois voltamos pra sala, mas o clima não tava mais o mesmo eu peguei e fui para o quarto um dos quartos que a gente for hospedado na mansão de Marino
Fechei a porta do quarto devagar, como se o silêncio pudesse esconder o caos que eu carregava por dentro.
Apoiei as costas na madeira fria e respirei fundo. Não adiantou. O peito ainda doía. O coração ainda batia acelerado. A imagem dele ainda estava aqui... cravada na minha pele, nos meus olhos, na minha boca que ardeu de vontade.
Jefferson.
O nome ecoava dentro de mim como um pecado.
Passei as mãos pelo rosto, tentando apagar aquele momento do corredor. Aquela voz baixa. O olhar que me prendeu. A presença dele tão perto, tão intensa, tão errada.
Mas era impossível esquecer. Meu corpo inteiro ainda tremia por dentro.
Caminhei até a janela, olhando a noite lá fora. Tudo estava quieto. As luzes da mansão refletiam nas árvores do jardim, e a lua parecia me observar com julgamento. Como se soubesse o que eu estava sentindo.
- Por que ele? - sussurrei para mim mesma.
Por que logo ele?
O noivo da minha irmã. O homem que deveria ser apenas mais um nome em um papel, parte de um acordo entre famílias. Um futuro cunhado. Um estranho.
Mas não era.
Jefferson era diferente de tudo que eu já conheci. Ele me olhou como ninguém nunca me olhou. Me escutou como se eu fosse importante. Me fez sentir... viva. Mulher. Desejada.
E isso me destruiu por dentro.
Eu me sentei na cama, abraçando os joelhos. A cabeça encostada nas pernas, os olhos ardendo.
Eu não podia me apaixonar por ele.
Eu sabia disso.
Mas o coração, esse traidor silencioso, não se importa com regras, promessas ou alianças. Ele só sente. E o que eu senti hoje... foi forte demais pra ignorar.
O problema é que, pela primeira vez, meu sonho de amor tem um rosto.
E esse rosto... tem o nome do homem que minha irmã vai se casar.
Jefferson.
E eu?
Eu estou perdida.
- E você? Vai me escutar? - perguntei, sem nem pensar.
Ele inclinou levemente a cabeça, e o tom da voz dele desceu como um sussurro direto na minha pele:
- Se você souber sussurrar...
Senti o sangue esquentar. Mordi o lábio. Me obriguei a dar um passo para o lado, quebrando o feitiço. Eu precisava fugir dali antes que cometesse o erro que meu corpo já implorava pra cometer.
- Estão nos esperando na mesa... - sussurrei.
- Que bom que a noite ainda não acabou.
Virei as costas e caminhei de volta, sentindo o peso dos olhos dele nas minhas costas. Meu coração não desacelerava. Minha mente gritava.
Era errado.
Mas era real.
Jefferson era o noivo da minha irmã.
Mas aquele corredor... me fez sentir como se fosse só meu.
Depois voltamos pra sala, mas o clima não tava mais o mesmo eu peguei e fui para o quarto um dos quartos que a gente for hospedado na mansão de Marino
Fechei a porta do quarto devagar, como se o silêncio pudesse esconder o caos que eu carregava por dentro.
Apoiei as costas na madeira fria e respirei fundo. Não adiantou. O peito ainda doía. O coração ainda batia acelerado. A imagem dele ainda estava aqui... cravada na minha pele, nos meus olhos, na minha boca que ardeu de vontade.
Jefferson.
O nome ecoava dentro de mim como um pecado.
Passei as mãos pelo rosto, tentando apagar aquele momento do corredor. Aquela voz baixa. O olhar que me prendeu. A presença dele tão perto, tão intensa, tão errada.
Mas era impossível esquecer. Meu corpo inteiro ainda tremia por dentro.
Caminhei até a janela, olhando a noite lá fora. Tudo estava quieto. As luzes da mansão refletiam nas árvores do jardim, e a lua parecia me observar com julgamento. Como se soubesse o que eu estava sentindo.
- Por que ele? - sussurrei para mim mesma.
Por que logo ele?
O noivo da minha irmã. O homem que deveria ser apenas mais um nome em um papel, parte de um acordo entre famílias. Um futuro cunhado. Um estranho.
Mas não era.
Jefferson era diferente de tudo que eu já conheci. Ele me olhou como ninguém nunca me olhou. Me escutou como se eu fosse importante. Me fez sentir... viva. Mulher. Desejada.
E isso me destruiu por dentro.
Eu me sentei na cama, abraçando os joelhos. A cabeça encostada nas pernas, os olhos ardendo.
Eu não podia me apaixonar por ele.
Eu sabia disso.
Mas o coração, esse traidor silencioso, não se importa com regras, promessas ou alianças. Ele só sente. E o que eu senti hoje... foi forte demais pra ignorar.
O problema é que, pela primeira vez, meu sonho de amor tem um rosto.
E esse rosto... tem o nome do homem que minha irmã vai se casar.
Jefferson.
E eu?
Eu estou perdida.