Capa do Romance A Armação do Marido, a Justiça Feroz da Esposa

A Armação do Marido, a Justiça Feroz da Esposa

8.7 / 10.0
Arthur Montenegro era o herói que me resgatou do passado, mas descobri que ele foi o carrasco que me incriminou para salvar sua ex, Catarina. Após três anos de prisão injusta, saí disposta a recomeçar, mas fui humilhada em uma festa cruel pelo casal. Abandonada à própria sorte durante uma hemorragia e vítima de laudos falsos, o amor que sentia morreu. Agora, não busco apenas justiça; pretendo aniquilar a carreira, a reputação e a vida do homem que me traiu.

A Armação do Marido, a Justiça Feroz da Esposa Capítulo 1

Meu marido, Arthur Montenegro, era o promotor estrela de São Paulo, o homem que me salvou de um passado sombrio. Pelo menos, era o que eu pensava.

Ele foi o homem que me mandou para a prisão, me incriminando por um crime que não cometi para proteger sua ex-namorada, Catarina.

Meus três anos na Penitenciária Feminina de Santana foram um borrão de concreto e uniformes cinzas. A mulher que entrou lá, uma designer gráfica de sucesso que amava o marido, morreu ali dentro. Quando finalmente fui solta, esperava vê-lo, mas ele mandou um assistente para "limpar minha energia ruim".

Então eu os vi: Arthur e Catarina, dando uma festa de "boas-vindas" para mim, a mulher que eles colocaram atrás das grades. Eles me exibiram como um troféu, forçando-me a beber espumante até eu ter uma hemorragia interna por uma úlcera perfurada.

Arthur, sempre o protetor devotado, correu para o lado de Catarina, me deixando sangrando no chão. Ele até falsificou meu laudo médico, culpando o álcool pela minha condição.

Deitada naquela cama de hospital, os últimos resquícios de esperança murcharam e morreram. Eu não conseguia chorar. O sentimento era profundo demais para lágrimas. Eu apenas ri, um som selvagem e descontrolado.

Eu queria destruí-lo. Não a cadeia. Eu queria que ele perdesse tudo. Sua carreira. Sua reputação. Sua preciosa Catarina. Eu queria que ele sentisse o que eu senti.

Capítulo 1

Arthur Montenegro era o promotor estrela de São Paulo. Ele colocava os bandidos na cadeia, e a cidade o amava por isso. Na TV, ele era carismático e justo. Em casa, ele era meu marido. Eu achava que ele era o homem que tinha me salvado de um passado sombrio.

Eu estava errada. Ele foi o homem que me mandou para a prisão.

Ele me incriminou por um crime que não cometi. Homicídio culposo no trânsito. Ele ficou no tribunal e usou meus traumas mais profundos e íntimos contra mim, pintando o retrato de uma mulher que surtou e matou o próprio pai abusivo. O júri acreditou nele. Me deram três anos.

A verdadeira assassina era Catarina Rowland, sua ex-namorada da faculdade de direito. Uma advogada corporativa linda e instável, pela qual ele se sentia eternamente responsável. Ele havia feito cinco promessas a ela, e protegê-la de uma acusação de homicídio por dirigir bêbada era uma delas.

Meus três anos na Penitenciária Feminina de Santana foram um borrão de concreto e uniformes cinzas. A mulher que entrou lá, uma designer gráfica de sucesso que amava o marido, morreu ali dentro. No dia em que Arthur veio para sua última visita antes do meu julgamento, ele segurou minhas mãos através do vidro grosso do parlatório.

— Apenas confie em mim, Helena — ele disse, sua voz um zumbido baixo e convincente. — Este é o único jeito. Para nós.

Eu confiei. E isso me destruiu.

Agora, o pesado portão de aço se abriu com um rangido. Liberdade. O ar, denso com o cheiro de chuva e fumaça de escapamento, parecia estranho depois de três anos de ar reciclado da prisão. Eu esperava ver seu sedã preto elegante esperando. Eu esperava vê-lo.

Um carro diferente parou, um sedã prata genérico.

Um jovem de terno que eu não reconheci saiu. Ele parecia nervoso.

— Sra. Montenegro? — ele perguntou, a voz falhando um pouco.

O nome parecia uma fantasia que eu era forçada a usar. Não respondi, apenas olhei para ele com a mesma expressão vazia que aperfeiçoei na minha cela. Meu rosto estava mais fino, meus olhos carregavam um vazio que não existia antes.

O assistente, atrapalhado com meu silêncio, abriu a porta de trás. Antes que eu pudesse entrar, ele tirou um pequeno maço de sálvia do bolso e um isqueiro. Ele acendeu a ponta, e uma nuvem de fumaça densa e enjoativa encheu o ar. Ele a agitou ao redor do meu corpo, um ritual desajeitado e estranho.

— O que você está fazendo? — minha voz estava enferrujada, desacostumada a falar acima de um sussurro.

Ele deu um pulo, assustado. — Ordens do Sr. Montenegro. Ele disse... para limpar a energia ruim. Antes de você voltar para casa.

Me limpar. A humilhação era um peso frio e familiar no meu estômago. Ele nem sequer veio pessoalmente. Mandou um garoto para realizar um rito de purificação em mim, como se eu fosse uma casa mal-assombrada, não sua esposa voltando da prisão em que ele a colocou.

— É assim que ele chama? — perguntei, as palavras afiadas. — Energia ruim?

Não esperei por uma resposta. Deslizei para o banco de trás, o movimento desencadeando uma cascata de memórias.

A noite em que tudo aconteceu. Luzes piscando. O som doentio de metal e osso se quebrando. Catarina, bêbada e histérica, ao volante do meu carro. Meu pai, de quem eu estava afastada, um homem que só me trouxe dor, caído e quebrado no asfalto.

Eu olhei para Arthur, meu marido, o promotor, esperando por justiça. Eu confiei nele.

— Eu cuido disso — ele prometeu, me afastando da cena, seu braço um peso reconfortante ao meu redor.

Sua versão de "cuidar disso" foi ficar diante de um juiz e de um júri e me trair da maneira mais pública possível. Ele detalhou os anos de abuso que sofri nas mãos do meu pai, não como uma tragédia que eu havia superado, mas como um motivo. Ele transformou minha dor em uma arma e a apontou diretamente para o meu coração.

O tribunal ofegou. Os repórteres rabiscavam furiosamente. Senti centenas de olhos em mim, me despindo. Eu não conseguia respirar. O mundo se tornou um rugido abafado, e tudo o que eu via era o rosto de Arthur, bonito e composto, enquanto ele metodicamente desmontava minha vida.

Ele venceu o caso. Fui condenada por patricídio.

Depois do veredito, em uma sala pequena e estéril, finalmente pude perguntar por quê. Seu rosto era uma máscara de arrependimento, mas seus olhos estavam resolutos.

— Eu fiz promessas a ela, Helena. Há muito tempo. Preciso cumpri-las.

Ele falou do trauma de Catarina, uma história da qual ele me contou pedaços, um evento pelo qual ele carregava uma culpa imensa e sufocante. Ele tinha que protegê-la. Ele tinha que salvá-la.

— Quando isso acabar — ele sussurrou, a mão na porta —, quando ela estiver estável, seremos nós de novo. Apenas cumpra sua pena. Seja boa. Estarei esperando.

Uma risada amarga escapou dos meus lábios então, um som cru de descrença e coração partido. Eu dediquei minha vida a ele. Apoiei sua carreira, estive ao seu lado em todas as noites de trabalho e casos de alta pressão. Lembrei das pequenas coisas, do jeito que ele segurava minha mão por baixo da mesa em jantares chiques, da segurança silenciosa em seus olhos quando meu passado me assombrava. Ele tinha sido meu porto seguro.

Agora eu sabia a verdade. Sua prioridade sempre foi Catarina. Minhas feridas mais profundas, aquelas que eu só mostrei a ele, eram apenas ferramentas para ele usar. Danos colaterais em sua busca para ser o salvador dela.

— Não recorra — ele aconselhou, sua voz assumindo o tom profissional de um promotor novamente. — Vai parecer melhor para sua audiência de condicional. Apenas confie na minha estratégia.

Ele ainda usava sua aliança de casamento. — Eu ainda te amo, Helena. Ainda sou seu marido.

Confie nele. As palavras ecoaram no silêncio do carro.

O flashback terminou tão abruptamente quanto começou, me deixando de volta no sedã prata, o cheiro de sálvia ainda pairando no ar. Meus olhos estavam secos. Eu não chorava há muito tempo. Meus dutos lacrimais pareciam queimados, consumidos por dentro.

O carro diminuiu a velocidade. Não estávamos indo para nosso apartamento nos Jardins. Estávamos em um bairro nobre e badalado, parando em frente a um restaurante com grandes janelas de vidro e um pátio externo.

Através da janela, eu o vi.

Arthur.

Ele estava de pé, sorrindo, erguendo uma taça para um grupo de pessoas. E então ele se virou, seu sorriso se alargando quando uma mulher se aproximou dele.

Catarina.

Ela entrelaçou o braço no dele, e ele se inclinou para beijar sua bochecha. O gesto era fácil, familiar.

Meu assistente pigarreou. — O Sr. Montenegro e a Sra. Rowland organizaram uma pequena festa de boas-vindas para você.

Uma festa. Planejada pela mulher que me colocou na prisão. Organizada pelo homem que garantiu que eu ficasse lá.

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