Capítulo 2

— Isadora?

Bruno encontrou a esposa na cozinha conversando com uma das moças do buffet. Helena estava inquieta pelos parabéns e com os brinquedos, e Bruno teve que tentar acalmar a filha várias vezes.

— Meu amor, estava explicando algumas coisas no buffet, mas já resolvi. Helena ficou com quem? — Isadora perguntou ao marido, saindo abraçada com Bruno, de volta à área onde estava a decoração e a mesa do bolo e doces.

— Deixei-a com a minha mãe e a sua. Elisa me disse que dona Iara te chamou aqui dentro. Espero que não tenha nada de errado.

— Tudo tranquilo lá dentro. Dona Iara que sempre quer tudo perfeito, sem nada faltando.

O casal chegou até a mesa da família. Helena pediu o colo do pai assim que Bruno se aproximou da filha.

Carolina e Madeleine enviaram os presentes para a menina. Naquele ano as duas não poderiam comparecer por conta da boate, mas Carol prometeu que visitaria a amiga em alguns dias.

— Dona Iara já está voltando, e vamos cantar os parabéns. — Isadora falou indo sentar-se ao lado da sogra.

Bruno foi com a filha até a mesa decorada, mostrando as princesas que estavam na mesa como decoração, e Isadora viu o sorriso no rosto da filha.

— No próximo ano vou colocar Helena no maternal. Conversei com Bruno sobre isso, e ele achou uma boa ideia. Apesar das amizades com as crianças do condomínio, acho que é hora da nossa filha começar a escola.

— Isso é bom, Isadora. Assim, Helena já começa a ter uma certa independência, mesmo com tão pouca idade.

— Sim, dona Tereza e Bruno andam chegando cada vez mais tarde em casa. Esse novo programa do banco como cooperativa para os agricultores anda tomando muito do tempo dele.

Iara voltou para a festa. Assim que a senhora chegou, Isadora se levantou e foi até o marido, para assim cantarem os parabéns.

Helena batia palmas no colo do pai enquanto acompanhava os convidados cantarem; o sorriso no rosto da filha era a maior felicidade do casal.

Depois dos parabéns e com o bolo cortado, Bruno se sentou com a filha em uma das mesas, ajudando a menina a comer o bolo e doces — com a supervisão da esposa, para que a filha não comesse demais.

Os convidados foram indo embora, mas antes elogiaram tudo na festa. Desde a decoração, até a comida e os doces servidos. Isadora agradecia, mas sempre falando que os méritos eram da funcionária e amiga, que sempre ajudava ela com os preparativos.

Era começo da noite quando o casal se despediu da família de Isadora. Os pais de Bruno estavam hospedados na casa do filho, como todas as vezes que vinham para a cidade, e Beatriz e a esposa também. Todos seguiram para o condomínio onde o casal morava.

— Bruno, nosso irmão ligou, dizendo que vem te visitar em alguns dias. — Beatriz falou para o irmão mais velho assim que chegaram em casa, indo sentar-se na sala.

— Beatriz, vou ajudar Isadora com Helena e já volto.

Marina, a cunhada de Bruno, foi com Isadora para o quarto de Helena, enquanto Tereza e Francisco avisaram que iriam descansar. Os dois estavam velhos demais para tanta diversão, como Tereza disse no caminho.

— Irmão, como a festa foi linda. E Helena, meu deus, como essa menina está crescendo tão rápido. — Beatriz e Bruno conversavam sobre a festa. Ela contou sobre o processo de adoção.

— Isadora me contou que vocês estão lidando com isso. Tenho certeza de que vocês duas serão ótimas mães, já mostraram isso sendo tias maravilhosas. — Bruno respondeu para irmã, que sorriu ao ouvir o elogio do irmão.

Marina apareceu na sala, chamando pelo cunhado e avisando que Helena não queria dormir. Isadora pediu que ela chamasse o marido para tentar colocar a filha na cama.

— Bruno, ela está inquieta no quarto, e Isadora está sem saber o que fazer. — Marina riu da expressão do cunhando indo para o lado da esposa.

— Vou tentar colocar aquela mocinha na cama e volto para terminarmos nossa conversa.

Bruno foi para o quarto de Helena, encontrando Isadora sentada na cama com a filha, enquanto tentava colocar a menina para dormir.

— Papai!

Helena se levantou da cama, correndo até o pai assim que Bruno entrou no quarto, que estava repleto de brinquedos que a menina havia ganhado no aniversário. Iara tinha ido primeiro que todos, levando os presentes e, com ajuda de um dos funcionários do buffet, deixou todos em um canto.

Helena tinha aberto alguns e, na cama, segurava uma boneca feita de pano que Carolina mandou de presente por saber que a afilhada amava bonecas.

— Hora de dormir, mocinha. Você já viu quase todos os presentes que ganhou, mas é tarde e sua mãe precisa descansar.

— Eu quero brincar e não quelo dormir. — Helena respondeu para Bruno, que colocou a filha na cama. Isadora se levantou, e Bruno disse que ela poderia ir pro quarto do casal, trocar de roupa e se deitar, que ele faria a filha dormir.

— Tem certeza? Ela não vai querer dormir tão cedo com esses brinquedos.

— Tenho certeza sim. Meus pais já foram dormir. Marina e Beatriz estão na sala, mas acredito que logo devem dormir também. Você se cansou demais hoje. Vai pro quarto, que assim que essa mocinha pegar no sono, eu vou.

Isadora deu um beijo no marido e outro na filha, pedindo que a menina descansasse cedo. Saiu, deixando pai e filha sozinhos.

Bruno se deitou ao lado da filha, que abraçou o pai com seus bracinhos agarrados ao pescoço de Bruno. Ele começou a contar uma historinha para filha que, minutos depois, dormia abraçada a ele.

***

Isadora despiu sua roupa, indo para o banheiro depois de desejar boa noite para as cunhadas na sala.

O dia foi cansativo, mas ela estava feliz por tudo ter saído como o planejado. A água quente escorrendo pelo seu corpo relaxava os músculos cansados depois de uma tarde toda de comemoração. A alegria no rosto da filha era o mais importante para Isadora naquele momento.

Saiu do banho e encontrou o marido tirando a roupa, pegando sua toalha para entrar no banheiro.

— Cheguei tarde para me juntar ao banho com minha mulher. — Bruno disse abraçando Isadora, que sorriu para ele e perguntou sobre a filha.

— Está dormindo como o anjinho que ela é. Agora vou tomar banho para tirar o cansaço do corpo, mas espero encontrar minha esposa esperando por mim em nossa cama.

Isadora foi até a penteadeira de cosméticos, pegando um dos seus cremes e passando pelo corpo. Desfez o coque penteando os cabelos, que agora estavam longos como o marido gostava, e da cor natural que eram.

Minutos depois, Bruno voltou, encontrando Isadora sentada de frente para o espelho.

— Está pensando em quê? — Bruno perguntou, ficando atrás de Isadora e massageando seus ombros, que estavam tensos devido ao cansaço.

— Apenas lembrando da festa mais cedo, do sorriso da nossa filha, essas coisas. — Isadora se levantou, ficando de frente para o esposo e tirando a toalha que estava na cintura dele.

— Hoje temos visitas em nossa casa. Você sabe o que precisamos fazer, certo? — Isadora perguntou do marido, que beijou seus lábios, pegando a esposa no colo de surpresa e caminhando com ela em seus braços até a cama.

Capítulo 3

Bruno se preparava para a reunião com os empresários do Estado. Naquele dia ele conheceria um dos presidentes da cooperativa da Região.

A reunião seria seguida de um almoço no hotel em que aconteceria o encontro. Bruno avisou à esposa que chegaria tarde naquela noite , claro, Isadora reclamou sobre isso, mas Bruno disse que era um trabalho importante.

— Senhor Bruno, suas coisas estão todas organizadas e o carro também.

— Certo, Júlia. Vou só fazer uma ligação para minha esposa primeiro, antes de sair. — A secretária saiu, deixando o chefe sozinho. Ele pegou o celular, discando o número da esposa.

***

— Mari, no final de semana temos um dia de noiva no Spa. Então avise as meninas que não façam nenhuma reserva pra esse Sábado, porque é uma cliente muito importante para o espaço.

Isadora conversava com a irmã sobre as clientes marcadas no restante da semana. Helena estava com Iara em casa, a família do marido já estava de volta a São Paulo e tudo voltou ao normal na vida do casal.

— Certo, irmã. Vou falar para Cristina que nada de unhas para o Sábado. Você sabe como ela é a mais procurada pelas madames aqui. — Mariana falou para a irmã, que riu da forma que a garota chamava as clientes exclusivas do lugar.

O celular dela tocou e, ao ver o nome do marido no visor, fez sinal para a irmã, que entendeu o recado, saindo do escritório deixando-a sozinha

— Já sei do que se trata a sua ligação. — Isadora falou, se levantando da cadeira e indo até a janela, observando as pessoas passando na rua.

— É uma reunião importante hoje, mas vou fazer o possível para não precisar dormir em Goiânia essa noite. — Bruno respondeu para a esposa, que disse que tentaria entender, mas não concordava com ele passando a noite fora de casa.

Isadora confiava no marido, sabia que ele era fiel a ela em todos os sentidos. Mas a insegurança às vezes era maior, mesmo com Bruno sempre demonstrando o amor que sentia por ela.

— A reunião começa em uma hora, depois vou almoçar com os empresários e espero que tudo ocorra bem hoje. Você sabe que no próximo mês temos a festa de lançamento, e quero minha esposa ao meu lado nessa noite.

Isadora não gostava muito de comparecer às festas para as quais — muitas vezes — Bruno era convidado, por medo de reencontrar pessoas que ela conheceu na época da boate e acabar envergonhando o marido. Principalmente de reencontrar Felipe, que há anos ela não via. Depois que se mudou de vez para Goiás, chegou a ver o nome dele em alguns jornais. Sabia que ele continuava casado com a mesma mulher.

Isadora não sentia nada ao ver as fotos dele, que estava mais velho e, pelo que ela entendeu de algumas reportagens, tinha um nome de respeito no meio empresarial do Estado.

— Vou começar a procurar meu vestido de festa para acompanhar meu esposo. — Isadora respondeu sorrindo para o marido.

— Preciso desligar agora. Amo você, vou tentar chegar cedo em casa e depois ligo para dona Iara para conversar com Helena.

Bruno desligou, e Isadora continuou em pé, vendo as pessoas transitando na rua. O marido falava dessa festa há vários dias. Isadora não queria comparecer, mas sabia que era necessário, principalmente pela importância que o marido tinha dentro do banco. Um sentimento estranho dizia que ela não deveria ir, mas tentou tirar esse pensamento da cabeça. Terminaria suas coisas no trabalho, chegaria mais cedo em casa e esperaria pelo marido.

***

Bruno estacionou o carro em frente ao hotel, um dos mais luxuosos de Goiânia. Assim que desceu do carro, um dos responsáveis pelo encontro aguardava por ele.

— Senhor Miranda, sua presença estava sendo esperada. Todos aguardam pelo senhor na sala de reuniões. — Bruno acompanhou o rapaz, indo até a sala onde aconteciam eventos políticos e reuniões de negócios.

Ao entrar, cumprimentou a todos presentes, alguns homens eram conhecidos de Bruno. Até que o rapaz o levou até o presidente da cooperativa.

Um homem um pouco mais novo que ele, alto e de cabelos escuros estava de costas para Bruno, conversando com um senhor mais velho que ele e mais dois empresários. Até que o jovem disse o nome do homem que, ao se virar, ficou surpreso ao reencontrar Bruno parado à sua frente.

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