Capítulo 2

A porta do elevador se abriu com um ding e a voz tímida de Lesly pôde ser ouvida. "A porta está aberta, senhor Gibson. Sou tímida para essas coisas."

Ruben deixou escapar uma risadinha suave. "Não se preocupe, este andar é restrito e só eu tenho acesso. Do que você tem medo, afinal? Além do mais, essa situação de risco não te faz sentir uma certa emoção?"

No momento seguinte, os dois corpos afoitos se enlaçaram enquanto os gemidos de Lesly preenchiam o ar.

Conforme Colby se aproximava, os seus passos se tornavam mais duros. Ela se deslocava facilmente, já familiarizada com o lugar. Ruben a tinha trazido ali quando namoravam, sussurrando palavras doces semelhantes no ouvido dela. O amor de ambos marcando cada canto da suite.

Mas havia uma diferença crucial. Quando eles se casaram, Ruben registrou as impressões digitais e a íris de Colby no sistema. Assim, ele havia mentido para Lesly ao dizer que era o único a ter acesso ao local. Colby também o tinha.

Em meio aos gemidos, Lesly subitamente soltou um grito e se escondeu atrás de Ruben. "Tem... alguém aqui."

Ruben, até então concentrado no próprio prazer, subitamente ficou petrificado. Ele virou o corpo lentamente, deixando escapar o som dos fluidos íntimos que escapavam conforme saía de dentro dela.

Sem qualquer traço de pudor, ele se voltou, revelando o corpo tão familiar para Colby, e que um dia lhe havia proporcionado imenso prazer.

Nesse momento, a visão de Colby ficou turva, e ela quase desmaiou. Em um reflexo rápido, Ruben a segurou nos braços, mas o calor que emanava do seu corpo fez com que Colby se sentisse enjoada. Ela então o empurrou vigorosamente, resistindo à tentativa dele de se aproximar novamente.

Ruben lançou um olhar gélido para Lesly, a voz soando fria e distante: "O que eu disse que você deveria fazer se aborrecesse a minha esposa?"

Lesly cerrou os dentes e imediatamente se ajoelhou diante de Colby, estapeando o próprio rosto repetidamente. "A culpa é toda minha, senhora. Fui tentada pelo charme do senhor Gibson e o seduzi. Tudo o que ele fez foi apenas cometer um erro comum que muitos homens cometem. Mas ele inegavelmente ainda te ama."

Para Colby, a cena era absolutamente ridícula, mas ela notou Ruben olhando para Lesly com um ar de aprovação, aparentemente satisfeito com a atuação da amante.

Sentindo uma dor surda no ventre, Colby não desejava nada mais do que ignorar os dois cretinos e correr para o hospital imediatamente.

Mas Ruben a segurou para impedi-la de partir, e então se virou para Lesly. "Parece que você não foi sincera o bastante. A minha esposa não está querendo te perdoar."

Ciente do que a aguardava a seguir, Lesly mordeu o lábio e, sob o olhar gelado de Ruben, saiu andando nua, deixando Colby completamente estupefata e com os olhos arregalados de incredulidade.

Já vestido, Ruben se aproximou de Colby, o olhar repleto de afeição genuína, como se não tivesse acabado de ser pego no flagra com outra mulher. "Eu amo apenas você, Colby. Se ela te fizer se sentir infeliz, jamais a perdoarei."

Colby estava tão furiosa que as suas pernas fraquejaram e ela se viu incapaz de andar. Assim, não teve outra alternativa a não ser permitir que Ruben a amparasse.

Isso não a impediu de repreendê-lo. "Foi você quem me traiu, não ela."

"Não sinto absolutamente nada por ela, Colby. Sou o seu marido, meu amor. Somos uma família. Tudo o que eu faço é para evitar te magoar. Quanto à Lesly, o que ela é em comparação a você? Mas se ela te fizer se sentir infeliz, deve enfrentar as consequências."

Enquanto proferia suavemente as palavras, ele beijava o canto dos lábios de Colby, um gesto que ela costumava amar. Sempre que ela fazia birra, essa era uma tática que Ruben utilizava até que ela se acalmasse.

Desta vez, no entanto, a sua boca carregava o cheiro de outra mulher. Isso foi demais para Colby e ela desmaiou, despertando mais tarde em outro local ao ouvir a conversa entre duas enfermeiras.

"Você soube? A senhora Gibson desmaiou ao flagrar o senhor Gibson e a Lesly com a boca na botija. Ela não suportou o choque e acabou perdendo os sentidos."

"Ouvi dizer que a Lesly seduziu o senhor Gibson e que ele a fez ficar nua em público apenas para que a sua esposa pudesse extravasar a raiva. Caramba, quero ver quem vai se atrever a seduzir o cara no futuro."

"Mas o fato é que, no fim das contas, a senhora Gibson é uma tremenda sortuda. Mesmo sem os pais, ela ainda conseguiu encontrar um marido ideal como o senhor Gibson."

Depois de efetuarem a troca da garrafa de soro, as enfermeiras saíram. Só então, Colby abriu os olhos lentamente e esboçou um sorriso amargo.

Sortuda, ela?

Bem, ela até costumava pensar assim no passado. Ruben era rico, bonito, romântico e gentil, preenchendo todos os requisitos desejáveis em um homem. De fato, Colby costumava perguntar para ele o que teria feito na sua vida passada para merecer conhecê-lo.

Ruben então a colocava sentada na sua coxa firme e musculosa, a voz soando suave e terna. "Fui eu que certamente fiz algo bom na minha vida passada para ter tido a sorte de me casar com você."

As palavras dele ainda ecoavam nos ouvidos de Colby, mas no momento seguinte, ele apareceu nas postagens de mídia social de Lesly.

"Isso é tão irritante, me fazer chorar e depois vir me confortar. Mas só porque você é tão lindo e atencioso, vou te perdoar..."

Com tal legenda, a imagem mostrava as mãos de Ruben, as mesmas que enxugavam as lágrimas de Colby, que a massageavam, agora estavam descascando camarões para Lesly, o óleo respingando no diamante azul da aliança de casamento deles, maculando-o.

Ela removeu dolorosamente a agulha do soro que perfurava a sua pele e deixou o hospital, a mão segurando a barriga enquanto seguia diretamente para a antiga casa onde os seus pais tinham vivido antes de morrerem.

Parada diante da casa com um ar contemplativo, ela não pôde deixar de pensar em Ruben. Foi desta casa que ele a levou no dia do casamento deles.

Nesse dia, ele disse: "Os seus pais cuidaram de você na primeira metade da sua vida. Me deixe cuidar da segunda metade a partir de agora."

Mas Colby nunca poderia imaginar que a promessa que ele fez de cuidar dela para a vida toda seria cumprida de forma tão breve.

Com esses pensamentos permeando a sua mente, ela subiu devagar a escada estreita e escura e abriu a porta, se deparando com Ruben, que segurava a cintura de Lesly de um jeito bastante íntimo enquanto a beijava apaixonadamente.

Capítulo 3

"Sumam daqui!", Colby gritou, indignada, as lágrimas escorrendo livremente pelo rosto. Essa era a sua casa, um ambiente repleto de lembranças preciosas da sua infância.

Pegando uma almofada do sofá, ela a lançou contra os dois intrusos, mas o homem rapidamente a apanhou no ar.

"Não é hora de fazer cena, Colby. Lesly só está aqui para ajudar a verificar se está tudo certo com a casa", Ruben retrucou.

"Acontece que a minha casa não precisa de zelador. Fora daqui, os dois!", Colby gritou uma vez mais, ignorando a sua barriga de oito meses de gestação enquanto os empurrava em direção à saída.

Alto e forte, Ruben mal se moveu, mas Lesly não era páreo para a altura de Colby. Cambaleando para trás, ela bateu na mesa de jantar e derrubou tudo no chão.

Apesar da dor provocada pela batida, Lesly permaneceu em silêncio, a postura denotando um misto de fragilidade e resiliência, perfurando o coração de Ruben.

Agarrando o pulso de Colby, ele disse friamente: "Lesly já pagou pelos seus erros. Você precisa ser tão implacável com ela?"

Colby congelou por um momento, percebendo rapidamente a crua realidade.

A punição recebida por Lesly naquele dia não serviu para vingar Colby, mas para pavimentar o caminho para a própria Lesly. Afinal, poderia haver punição mais dura do que ser humilhada publicamente daquela forma?

Não, não havia e jamais haveria.

Os olhos de Colby rapidamente passaram do desespero para uma frieza resoluta enquanto ela encarava Ruben fixamente, a voz soando mais firme do que nunca. "Vamos nos divorciar de uma vez, Ruben. Isso permitirá que a sua amante se torne a sua esposa."

Ruben franziu o cenho em uma carranca. "Ah, impossível! No meu mundo, o casamento é para a vida toda e não para ser encerrado por um divórcio."

Colby ouviu as palavras duras dele, as lágrimas rolando livremente pelas bochechas.

Vê-la assim despertou uma ponta de culpa em Ruben e ele se sentiu inclinado a consolá-la, mas pensar que justamente ela, que sempre fora tão gentil e generosa, estava lhe perturbando insistentemente por causa de uma questão tão pequena, serviu apenas para endurecer o seu coração.

"Trate de refletir sobre isso. Vou pedir para o motorista te levar para casa logo mais. E lembre-se de que esta casa está no meu nome e quem toma as decisões sobre ela sou eu", ele disse friamente, então se virou e saiu com Lesly.

No momento em que o corredor ficou novamente em silêncio, Colby se atreveu a passar o olhar pela casa transformada. As antigas lembranças dos seus pais haviam desaparecido, substituídas por uma decoração moderna. Ruben havia permitido que Lesly simplesmente destruísse o seu lar.

As lágrimas corriam copiosamente pelo rosto de Colby agora. Anos antes, vitimados por uma morte súbita, os pais dela deixaram para trás a casa com uma hipoteca não paga. Quando o banco veio para tomá-la, Colby implorou desesperadamente para que a deixassem ficar com ela. Foi então que Ruben entrou na sua vida.

Ele se apaixonou por ela à primeira vista, mas respeitou a sua juventude e não tomou atitude alguma. Depois de pagar a hipoteca, ele fingiu comprar a casa para que Colby não se sentisse em dívida. Durante dois anos, ela morou lá sem pagar aluguel até a noite em que atingiu a maioridade, quando Ruben finalmente declarou o seu amor. Nessa mesma noite, ela se apaixonou perdidamente por ele e os dois fizeram amor pela primeira vez. Quando a relação se solidificou, eles passaram a viver na casa de Ruben.

Houve até um momento em que ele se ofereceu para passar a casa para o nome de Colby, mas ela recusou. "Nunca me esquecerei de como você protegeu essa casa para mim. Essa é uma prova irrefutável do seu amor."

No entanto, nunca passou pela cabeça de Colby que, apenas cinco anos depois, Ruben usaria a escritura dessa mesma casa, ainda no nome dele, para permitir que outra mulher a frequentasse e até modificasse a decoração.

O mais doloroso nisso tudo, era que Colby simplesmente não conseguia entender como o coração dele havia mudado tão drasticamente.

Ela notou uma fotografia dos seus pais debaixo do sofá e tentou alcançá-la, mas a dor a fez se lembrar de que a enorme barriga de grávida não permitia que se abaixasse.

Então, sobrecarregada por uma onda de mágoa e tristeza, ela desabou em prantos uma vez mais. O seu marido havia partido, o seu mundo estava desmoronando, e ela não podia perder a única fotografia que os seus pais lhe haviam deixado.

Incapaz de se abaixar, Colby se ajoelhou, e quando os joelhos tocaram o chão, estilhaços de louça quebrada perfuraram a sua pele, fazendo o seu rosto empalidecer de dor instantaneamente. Subitamente, sentindo uma dor aguda na barriga, ela ligou para a emergência, lutando para respirar.

Enquanto esperava pela chegada da ambulância, Colby ligou para Brenda. "Aquela aposta que fizemos antes do casamento ainda está de pé, Brenda?"

Uma risadinha abafada ecoou do outro lado da linha. "Claro que sim, mas agora você está carregando o filho dele e as coisas mudaram um pouco. Assim que você der à luz, garantirei que saia de cena."

Após desligar, Colby se lembrou de como, por ocasião do casamento, Brenda a desafiou para uma aposta, testando a lealdade de Ruben e a duração daquele amor supostamente tão invencível.

Do alto da sua ingenuidade, Colby realmente acreditava que os sentimentos dele jamais mudariam de direção.

Na ocasião, Brenda sorriu, meneando a cabeça e dizendo que os homens tendiam a mudar de ideia com o passar do tempo. Se Ruben permanecesse fiel e todo aquele amor durasse por três anos, ela iria pessoalmente persuadir a família a aceitar Colby.

No entanto, se as coisas não ocorressem dessa forma, era Colby quem teria que ceder, saindo da vida dele para que Brenda pudesse encontrar uma mulher que estivesse à altura do status do seu precioso neto.

Colby concordou sem qualquer hesitação na ocasião. Agora, no entanto, tudo parecia tão irônico. Faltava apenas um mês para o terceiro aniversário deles, e o seu filho estava para nascer por volta dessa data também. Mas apesar de tudo isso, Ruben tinha um caso com outra mulher.

Quando a ambulância finalmente chegou com os paramédicos, Colby estava quase inconsciente de dor. Após um rápido exame, eles perceberam que o bebê já estava a caminho.

Evidentemente, as condições eram menos do que ideais, mas Colby não poderia aguentar até chegar ao hospital. Não havia tempo a perder. Assim, depois de algumas medidas básicas de higienização, ela seguiu a liderança dos paramédicos, e meia hora depois, a sala era preenchida pelo choro estridente de um recém-nascido.

Olhando para o pequeno e enrugado ser nos seus braços, Colby conseguiu sorrir em meio às lágrimas.

"Papai, mamãe, eu nasci nesta casa, e vinte e três anos depois, o meu filho também nasceu aqui. Por favor, mamãe, papai, me abençoem aí de cima para que eu consiga realizar os meus desejos", ela sussurrou a prece, enaltecendo o legado dos seus pais, esperando assim que eles a ajudassem a se afastar de vez da família Gibson com o seu filho.

Tão logo recebeu a notícia, Brenda correu para lá com uma equipe médica que ela considerava mais profissional. Mas a essa altura, o bebê já estava mamando no peito de Colby.

Com um ar repleto de animosidade, Brenda lançou um olhar severo e autoritário para ela. "Quando o bebê completar o primeiro mês de vida, vou organizar a sua partida definitiva e te darei outro cartão com dez milhões. Depois disso, você vai sumir do mapa e nunca mais voltará."

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