Camilla
O imbecil nem sequer desviou o olhar depois que me cobri com a toalha. Continuou me encarando, percorrendo meu corpo com os olhos como se estivesse me despindo mentalmente, imaginando arrancar a toalha de mim com as próprias mãos. Aff!
Levantei a cabeça, constrangida, e o encontrei sorrindo como se nada tivesse acontecido.
"Ah, espera, acho que me lembro de você agora." Ele disse, e eu congelei. Meu constrangimento se transformou instantaneamente em medo. Ele me pegou tão facilmente.
"Ah, não..." pensei, enquanto ele inclinava a cabeça para o meu lado, chegando a dar um passo à frente.
"Estudamos na mesma escola, né?" Ele perguntou. Soltei o ar aliviada antes de acenar com a cabeça.
"Sabia. Bom, então te vejo amanhã. Por favor, não saia contando pra escola toda que moramos juntos. Prefiro que isso fique entre a gente. Entendeu?" Não era uma pergunta, era uma ordem. Ele se achava demais, e claramente me via como insignificante. Imagina o escândalo quando as ficantes dele descobrissem que ele divide o teto comigo. Ele teria que dar um monte de explicações - estaria poupando ele de muito estresse se só ficasse quieta. Uma partezinha de mim queria muito espalhar, só para provocá-lo, e quem sabe me divertir um pouco, talvez ganhar alguma atenção. Sei lá.
Só revirei os olhos em resposta, levantando o dedo do meio para ele.
"Pode acreditar, eu adoraria. É mais fácil agora que moramos juntos - estou a poucos quartos de distância, sempre que você estiver a fim." Ele respondeu antes de se virar.
"Ah, quase esqueci - belo rabo, por sinal." Ele estalou a língua. Eu suspirei irritada, peguei um travesseiro e joguei na direção dele, mas ele fechou a porta na hora, fazendo com que o travesseiro batesse na madeira em vez de nele. Resmunguei, cruzei os braços e deixei meu corpo cair na cama. Fiquei brincando com o cabelo enquanto refletia sobre minhas escolhas de vida. São só algumas semanas, depois caio fora desse buraco, deixo ele pra trás.
"Tanto esforço para evitá-lo..." murmurei. Levantei, dei alguns passos até a porta para trancá-la, e então me livrei da toalha.
Verifiquei o armário - gente rica sempre tem robes por aqui - e havia algumas roupas, mas pareciam masculinas; esse quarto devia ter sido ocupado antes. Sem opção, peguei algumas, jogando-as na cama para escolher. Terria que me virar com elas por essa noite. Vesti uma camiseta básica que chegava até meus joelhos. Como cobria metade do meu corpo, nem precisava de shorts.
Deitada na cama, os pensamentos sobre o incêndio invadiram minha mente. Virei de um lado para o outro, incapaz de me livrar da culpa ou pelo menos pegar no sono.
"Desculpe, pai..." sussurrei, quase derramando lágrimas. Já não tinha mais nenhuma para chorar.
"Além do incêndio, havia outro fator na minha cabeça. Dylan Emerton. Ele pode não lembrar, mas eu lembro. Vividamente. Isso só complica tudo. Não posso brincar com fogo, nem literalmente e nem figurativamente. Vou ter que evitá-lo a todo custo, não importa o que aconteça. Se ele descobrir a verdade, estou perdida." Pensei, soltando um suspiro profundo.
Espero que as coisas não mudem. Só quero continuar minha vida entediante como a garota invisível da escola. "Você é ingênua." Minha consciência zombou de mim, e eu sabia que ela estava certa. Minha vida tinha mudado e talvez nunca mais fosse a mesma. Só me restava tentar salvar o que sobrava e torcer pelo melhor.
NA MANHÃ SEGUINTE
Os raios de sol foram meu despertador natural, e assim que tocaram minha pele, comecei a acordar aos poucos com um longo bocejo. Não me entenda mal, eu adoro dormir, mas não consegui muito na noite passada. Dormi feito uma pedra e agora estava cheia de energia para o dia. Normalmente, eu já teria separado as roupas para lavar, mas as coisas mudaram. Saí da cama apressada, peguei minhas roupas sujas e as deixei no banheiro para depois.
Ouvi uma batida suave na porta. Dylan nunca bateria, bateria? Esquece o Dylan. Devia ser minha mãe ou meu pai. Fui até a porta, destrancando e girando a maçaneta, só para encontrar Dylan com um sorriso maroto. Eu estava errada, ele estava sendo educado...? E até batendo na porta. Será que acordei num universo paralelo?
Seus olhos percorreram meu corpo quando percebi que estava só de camiseta. "Deixei umas roupas aqui, mas ficam bem melhores em você. Duvido que precise delas." Ele levantou uma sacola e eu estendi a mão para pegá-la, fazendo com que a camiseta subisse, enquanto Dylan olhava descaradamente para minhas pernas. Arranquei a sacola da mão dele, fechando a porta na cara dele enquanto pressionava a mão contra meu coração acelerado, tentando me acalmar. "Ficar perto dele não me faz bem, preciso manter distância," murmurei, abrindo a sacola para escolher as roupas do dia.
Depois do banho, vesti um vestido floral e desci para a sala de jantar. Todos estavam na mesa, menos meus pais. Será que saíram? Ou ainda estavam descansando depois do dia exaustivo de ontem. A Sra. Emerton percebeu minha confusão e suspirou.
"Seus pais tiveram uma emergência, precisaram sair do país, mas voltam logo." Ela finalizou com um sorriso tranquilizador.
"Eles foram embora sem me avisar?" Fiquei um pouco magoada. Na verdade, muito magoada. Nem um bilhetinho?
"Sinto muito, querida. Eles deixaram uma bolsa e um dinheiro. Prometeram ligar mais tarde, mas tiveram que sair correndo." Disse o Sr. Emerton enquanto eu pegava o que precisava. Isso era horrível. Horrível mesmo.
Deixei a maioria dos meus livros no armário, o que foi um alívio.
"Não tô com fome, vou comer alguma coisa no recreio." Ofereci um sorriso triste, para não parecer mal-educada.
"Dylan, querido, seja gentil e leve a Camilla para a escola." Ordenou a mãe dele.
Ele resmungou algo ao se levantar, mas não teve escolha enquanto saíamos de casa.
Para completar a imagem de 'bad boy', ele recusava ter carro e só tinha uma moto. Ele me entregou um capacete enquanto eu subia, abraçando-o com força e sentindo o cheiro dele antes de partirmos. E aquele papo de não sermos vistos juntos? Mas não tô reclamando.
Minha alegria durou pouco. Gostei de abraçá-lo e sentir o cheiro dele o caminho todo, mas o Dylan tinha outra cartada na manga.
Ele parou a moto a alguns metros da escola. Desci. Claro, ele me deixa longe de olhares curiosos.
"Eu sei, ninguém pode saber que moramos juntos," repeti, revirando os olhos.
"Ótimo." Ele sorriu enquanto eu começava a me afastar.
Assim que cheguei à escola, fui direto ao meu armário pegar os livros para as aulas. Senti duas mãos quentes envolverem minha cintura e uma voz perto do meu ouvido.
"Oi, amor." Ele sussurrou. Conhecia bem aquela voz. A presença dele me fez lembrar do incidente mais uma vez.
"Oi, querido." Respondi, me virando e colocando as mãos em seu pescoço.
Esse é o Kyle. Talvez você já tenha suspeitado, mas vou confirmar: ele é meu namorado. Dois anos juntos e ainda firmes, ou algo assim.
"Desculpe por ontem." Ele se desculpou, e eu suspirei. Ele não precisava tocar no assunto, eu estava tentando esquecer.
"Não foi sua culpa."
Estávamos trocando mensagens quando a casa pegou fogo, você sabe o resto...
"Você arrumou algum lugar pra ficar?" Ele perguntou carinhosamente. Engoli em seco, encarando seu olhar intenso. O que eu faço? Não posso falar sobre o Dylan, não por medo, mas porque o Kyle não entenderia.
"Sim, na casa de um amigo do meu pai." Bom, isso não era totalmente mentira, mais uma meia-verdade.
"Mas sinto muito, vamos pra aula." Fechei meu armário e seguimos de mãos dadas para a sala. Fiquei aliviada que ele deixou o assunto pra lá - crise evitada, por enquanto. Conhecendo o Kyle, ele vai querer saber mais em breve. Muito em breve.
"Camilla..." O Dylan chamou atrás de mim. Como assim?
Juro que a voz dele me fez congelar, fiquei completamente paralisada, sem reação. Ele está falando comigo? Chamando meu nome, ainda por cima?
A gente estuda na mesma escola desde o fundamental, ele mal diz oi, mesmo a gente tendo três aulas juntos, e agora resolve gritar meu nome no corredor? Me enterrem. A ideia era não chamar atenção, não era? Mentalmente, me dei um tapa na cara antes de me virar para encarar o Kyle. Claro, ele estava com as sobrancelhas franzidas, com aquele olhar de " explica agora". Tô perdida.
"Quem é ele?" Kyle perguntou, me puxando para perto. Ele sabia muito bem quem era o Dylan. Todo mundo sabia. Ele queria dizer "Quem é esse cara pra te chamar assim?" A mesma pergunta que eu estava me fazendo. Devíamos perguntar ao Dylan.
"Eu não sou ninguém, mas sou o cara que a viu pelada ontem. Ainda assim, não sou ninguém." Ele respondeu com um sorriso malicioso. Meu queixo caiu. Ele não acabou de falar essa merda. Queria que o chão engolisse na hora. Kyle ficou com um olhar matador, sem contar o brilho de traição nos olhos. Como é que eu vou explicar isso?
CAMILLA
Fiquei completamente paralisada com o que ele disse, a boca mal conseguia formar uma resposta. Mesmo que conseguisse, para quem eu devia responder primeiro? O Dylan gritou meu nome descaradamente no corredor, chamando a atenção de todos que se importavam em olhar - e eram muitos, graças à popularidade dele. Ou devia responder ao meu namorado? Ele está claramente querendo saber por que o Dylan Emerton me viu completamente nua.
Só queria que o chão me engolisse. Estou tão perdida.
As mãos do Kyle se soltaram das minhas, me forçando a tomar uma decisão. Ele está magoado. Virei e vi a dor e a decepção estampadas no rosto dele. Então me virei de novo e lancei um olhar mortal para o Dylan, que respondeu com um sorriso sardônico antes de se afastar. Esse é o plano dele? Criar caos? Perturbar minha vida tranquila? Ele não quer nem precisa de nada - só me fazer parecer uma idosa completa na frente do meu namorado. Agora deixou essa bagunça toda, mas o Dylan não está nem aí. Para ele, é só diversão e jogos. Nada mais.
"Diz que ele está mentindo."
A voz dele me fez estremecer, tirando-me da minha fúria interna e dos pensamentos de vingança. Nunca quis magoar o Kyle. Foi um erro genuíno, mas ele não vai simplesmente esquecer isso. Ele não acreditaria em mim mesmo se eu contasse só a verdade, sem mencionar que está prestes a explodir.
Nunca o vi tão bravo. Em dois anos, essa foi a primeira vez que ele não conseguiu me olhar nos olhos. Doeu mais do que eu imaginava.
"Kyle, por favor, posso explicar," disse, soando incrivelmente clichê, mas não consegui pensar em nada além de tentar acalmá-lo. A estratégia saiu pela culatra - ele soltou uma risada amarga, e minhas palavras só pareceram irritá-lo mais.
"Diz. Que ele está. Mentindo."
Ele elevou o tom de voz e eu estremeci.
"Camilla." Ele chamou, os olhos brilhando de lágrimas contidas, as mãos tremendo ao lado do corpo. Soltou outro riso de descrença, passou os dedos pelo cabelo e saiu. Eu estava prestes a perdê-lo. Iria perdê-lo se não dissesse alguma coisa.
"Meu pai não teve escolha a não ser aceitar morar com os Emerton. A gente estava devastado, confuso, assustado e exausto depois do incêndio. Quando o Sr. Emerton ofereceu ajuda, aceitamos. Eu não sabia que era na casa deles até entrarmos no carro - não podia me opor ou colocar meus sentimentos ridículos em primeiro lugar. Tive que aceitar. Cheguei lá, a gente não se viu, eu fui direto pro andar de cima, tirei a roupa para tomar um banho e tirar o cheiro de fumaça. Quando saí, com a toalha amarrada no peito, ele apareceu do nada. Não sabia que ele estava atrás de mim, a toalha escorregou e ele viu... minha bunda. Por uns três segundos, eu juro."
Mais uma vez, contei uma meia-verdade para tampar meu erro e não piorar a situação. Temos tido muitas dessas últimamente. Se o Kyle achar que foi só um mal-entendido, talvez não investigue mais. Espero que não. Sinceramente. Minha cabeça está girando e nem acabou o primeiro período ainda.
"Ele te viu nua." Ele afirmou num tom baixo e controlado. Era só isso que ele tinha ouvido? Não nua nua. Só minha bunda. Com certeza não tinha sido isso que eu disse.
"Eu sei, e isso nunca vai acontecer de novo, eu juro." Acariciei seu rosto e ele gemeu baixo. Por favor, deixa isso pra lá.
"Promete que vai ficar longe dele."
Ele implorou, pegando minha mão e se aproximando. Engoli em seco e hesitei.
"O Dylan e eu não temos nada a ver um com o outro. Assim que arrumarmos a casa, eu caio fora. Você não precisa se preocupar."
Engoli em seco de novo. "Ele pediu pra prometer..." minha consciência sussurrou. Balançei a cabeça, sabendo muito bem o que estava fazendo: evitando e desviando. Não faço promessas que sei que não posso cumprir. Mesmo que tentasse, a verdade é que não consigo ficar longe do Dylan. Só espero que o Kyle não se machuque no meio disso.
"Tá bom." Ele murmurou, encostando os lábios nos meus. O beijo foi rápido, durou só uns segundos, então ele se afastou e passou o braço pelo meu ombro. Talvez por causa da discussão, mas pareceu meio mecânico. Estou com uma dor de cabeça enorme. E nem é segunda-feira.
"Vamos pra aula," sussurrei, segurando a mão dele. Ele pareceu hesitante, mas apertou minha mão enquanto caminhávamos para a sala.
**
As aulas foram tranquilas, exceto pelo fato de que o Kyle exagerou na proteção o dia todo. Entendo que ele é meu namorado e tudo mais, mas depois do encontro com o Dylan, parece que um botão na cabeça dele foi acionado. Tipo, ele estava sendo superprotetor. Eu gosto quando eles marcam território, mas não nesse nível. Não sou um cachorro de estimação.
Ele se recusava a me deixar sair da vista dele por um segundo e estava me enlouquecendo, sem contar os olhares de morte que dava nos caras - a maioria, meus amigos que só queriam dar um oi. Isso estava começando a me irritar profundamente. Tentava entender as inseguranças dele, mas a qualquer momento eu poderia explodir. Simplesmente não dá.
Felizmente, era hora do almoço e fui em direção ao refeitório, com ele colado atrás de mim. Parei de repente, me virando para encará-lo com seriedade. O Kyle quase nunca almoça comigo - noventa por cento das vezes ele está ocupado com treinos ou atividades extracurriculares. Às vezes, ele pode ser sufocante, então o horário do almoço é meu momento de respiro. E agora ele quer tirar isso de mim também.
"Você está sendo impossível," disse, soltando uma risada de frustração. Sim, estou ficando louca.
"O que eu fiz?" Ele fingiu ignorância, e eu o encarei com mais intensidade.
"Você está me vigiando como um falcão, não me deixa nem respirar, está dando olhares mortais pros meus amigos, sem falar que está agindo como um possesso. É insuportável e você sabe disso!"
Resisti à vontade de cutucar o peito dele na frente de todo mundo.
"Quer dizer que estou sendo um bom namorado?"
Ele estava tentando ser fofo. Ótimo.
"Não, você está agindo como um ciumento doente."
Enfatizei as palavras com um suspiro. Estou tentando não magoá-lo.
"Amor, eu sou sua." Completei, me esticando para dar um beijo nele, já que ele era bem mais alto.
"Sua e de mais ninguém. O que aconteceu com o Dylan foi um acidente e não vai se repetir. Por favor, acredita em mim."
Ele suspirou, derrotado.
"Tá bom." Ele cedeu, colando os lábios nos meus.
"Vamos comer." Sugeri com um pequeno sorriso. Já que estamos aqui.
O refeitório da escola Kingston era razoavelmente grande, com espaço suficiente para todo mundo, embora a galera sempre preferisse sentar em panelinhas. Nunca entendi muito bem isso, talvez porque eu não seja tão social.
Eu sentava com o Kyle de vez em quando. Nunca fiz amizade com muitas meninas porque a maioria só fala de moda e roupa - assuntos que não me interessam -, então o Kyle sempre me bastou.
Comemos em silêncio, até que aconteceu algo extremamente estranho. Um calouro veio até nossa mesa e me entregou um bilhete. Franzi a testa confusa, limpando a boca. O Kyle ficou me observando atentamente enquanto eu abria o papel. Por favor, que não seja o que estou pensando.
"Vem almoçar comigo. Você sabe quem é."
Eu sei quem é. Aquele desgraçado do Dylan. Qual o problema dele? Me ignorou por anos, mandou eu não mudar o comportamento agora que moramos juntos e, do nada, me enche de atenção. Bipolar, talvez?
Amassei o bilhete na mão. Que atrevido. Não me dirigiu a palavra em anos e, de repente, um acidente nos transforma em colegas de casa e ele decide me infernizar. O Kyle percebeu minha mudança de humor - seus olhos pousaram na minha mão, onde o bilhete estava. Guardei-o na bolsa e tentei me concentrar na comida.
"Você tá bem?" Kyle perguntou com carinho.
"Tô," respondi secamente. De repente, perdi a fome. Peguei minhas coisas e saí do refeitório.
Eu sabia que não devia deixá-lo me afetar, mas ele conseguia - e isso me assustava. Sabia que magoara o Kyle, mas simplesmente não conseguia encará-lo; a culpa estava me consumindo. Evitei todo mundo pelo resto do dia e, quando o sinal tocou, peguei meus livros, fechei o armário e me preparei para ir embora. Meu celular vibrou: era uma mensagem do Dylan. Nem tinha dado meu número para ele, e nem queria imaginar como conseguiu.
"Me encontra no mesmo lugar. Te levo de carona." dizia a mensagem. Soltei uma risada de desdém. Ignorei, pensando que preferia andar a pé a deixá-lo brincar comigo. Estava prestes a sair quando avistei o Kyle no fim do corredor - seu rosto estava corado, os olhos, cabisbaixos. Usei toda minha força de vontade para ignorá-lo e seguir em frente. Precisava de um tempo sozinha, senão iria magoá-lo ainda mais.
Meus pés estavam doendo de tanto andar. Fechei a porta atrás de mim e me joguei no sofá, quase pulando quando vi o Dylan sentado ali, me esperando.
"Fiquei te esperando," ele resmungou, irritado.
"Não preciso mais que você me dê carona, posso ir a pé," respondi, claramente indiferente.
"Te chamei para almoçar, você me deu cano, e agora não quer carona. Não sei que jogo você está jogando, mas não me teste," ele advertiu, e eu revirei os olhos.
Me testar? O que eu sou? Uma criança de cinco anos? Não sou uma criança, você não é meu pai. Você não é ninguém, Dylan. Não temos nada juntos nem nos conhecemos direito. Infelizmente somos obrigados a viver sob o mesmo teto, e a conexão termina aí.
Seus olhos se estreitaram. Por que não consigo ficar quieta?
"Por que sinto que tem mais coisa entre a gente do que você está admitindo?"
Ele perguntou, fazendo meu coração acelerar. Falo demais - agora ele vai me encher o saco. Ele não pode descobrir. Ele não pode saber.