Capítulo 2

VIOLETA AVILAR

_ Violeta, Violeta, você precisa engomar essa camisa para mim!

Geraldo fala entrando no meu quarto como um desesperado e joga uma camisa azul de mangas em cima da minha cama e volta a falar:

_ Eu não posso ir para o casamento do Galvão todo amassado ou nenhuma mulher vai olhar para mim.

_ Violeta! Meu sapato está sujo, precisa ser engraxado antes do casamento.

Gaspar fala surgindo no meu quarto e colocando um par de sapatos social no chão ao meu lado.

_ Violeta, a bonequinha foi para o salão com a Kelly e não teve tempo de separar minha roupa para o casamento, preciso de sua ajuda.

Gerônimo fala já emburacano no meu quarto, inspiro e respiro, olho para os três marmanjos parados na minha frente e me passa um filme em minha cabeça, quando eu fiz alguma coisa para mim de verdade? Quando eu me preocupei em cuidar de mim? Hoje meu irmão casa e nem nesse dia eu posso descansar, estou sempre a cuidar dos meus irmãos tenho quase vinte anos e se continuar assim terei 30, 40, 50 anos e ainda estarei aqui para eles, e quem estará para mim? Me levanto e pego a camisa e depois o sapato, ando até o Geraldo e falo:

_ Você consegue passar sua camisa sozinho, afinal você tem duas mãos enormes e saudáveis!

Digo e jogo a camisa no seu ombro.

_ Você consegue engraxar seu sapato sozinho Gaspar ou você quer que eu passe o dia do casamento do Galvão com as mãos pretas de graxas?

Então vou até Gerônimo e falo:

_ você não é uma criança, não tem mais três anos, consegue escolher por conta própria uma roupa para vestir, e caso não consiga vista qualquer uma, só não apareça no casamento pelado!

Falo e me sinto leve e olho para eles que estão a me olhar sem esboçar reação alguma com cara de bocós:

_ estou indo ao salão, hoje é o casamento do meu irmão e de minha amiga, como qualquer um de vocês eu também tenho o direito de estar bonita e descansada!

Falo e pego minha bolsinha feita de fuxico, que são vários panos coloridos remendados um no outro e saio do quarto batendo a porta.

_ será que exagerei?

Me pergunto com a consciência pesada, mas logo esqueço esses pensamentos e pego a charrete e dirijo até o centro, eu também tenho o direito de cuidar de mim ao menos hoje.

Não tem muitos salão de beleza no centro e eu sei qual Eduarda costuma ir, a encontro escovando e cabelo e a Kelly pitando a unha, meu sobrinho está dormindo no seu carrinho.

_ olha lá a tia Vi, tia Vi!

Minha pequena é a primeira me ver e faz uma festa.

_ Oi princesa!

_ eu to pitando a unha de brilho tia!

Ela mostra a unha pintada de dourado com brilho.

_ Violeta você veio!

Eduarda fala feliz e espantada, ela sempre me chama para acompanha-la ao salão e eu sempre arrumo uma desculpa para não ir.

_ resolvi me arrumar um pouco para o casamento, nada em especial.

Digo me sentindo envergonhada e não sei se fiz bem em ter vindo.

_ Você fez mais que bem em vim.

Eduarda diz como se lê-se  meus pensamentos.

_ Minha amiga vai querer tratamento completo, hidratação, corte, escova, mãos e pés!

Eduarda fala e eu acho exagero, a moça do salão lava meus cabelos, faz hidratação completa, corta as pontinhas e escova.

_ Meu Deus!

Falo surpresa com meus cabelos, nunca os vi tão macios e brilhantes, os fios se movem com facilidade e deslizam por entre meus dedos.

_ Nossa Violeta, você está linda demais.

Eduarda fala e sei que ela está sendo sincera.

Depois faço as unhas das mãos e dos pés e eu nunca fui de fazer unha no salão e confesso que gostei, pinte de rosa claro e estão lindas, fiz até maquiagem.

_ Deixa que eu pago Violeta, afinal estou com o cartão do seu irmão.

Eduarda fala piscando o olho.

_ Precisamos comprar um vestido novo para você.

_ eu tenho uns vestidos...

_ roupa velha nem pensar, esses cabelos negros maravilhosos pedem um vestido novinho em folha.

_ eba, eu quero roupa nova, eu gosto de comprar roupa.

Kelly fala eu sorriu, tão pequena e tão vaidosa, Gerônimo terá vários cabelos brancos na adolescência da filha.

_ você já tem roupas de mais Kelly, seu guarda roupa vai explodir qualquer dia desses.

Eduarda fala e saímos para comprar roupas, entramos de lojas em lojas.

_ Esse está perfeito!

Eduarda fala e eu não sei se gosto.

_ você acha? Ele é tão aberto aqui!

Falo mostrando as costas, o vestido é verde turquesa e lindo, ele é leve, tem a saia longa e esvoaçante, mas as costas é toda aberta.

_ você está linda Violeta, parece até uma fada, o meu vestido também é aberto nas costas e para mim está tudo bem, mas se você não se sentir confortável podemos escolher outro. 

Ela fala e eu acho que ela está certa, o vestido é lindo e não á nada demais.

_ eu vou ficar com esse!

Falo e levamos o vestido, Eduarda insiste e eu acabo comprando um sapato com um salto quadrado e pequeno, uma bolsa e um perfume. Já em casa vou direto para meu quarto e tranco a porta, em mais ou menos duas horas é o casamento, visto meu vestido, calço o sapato, borrifo meu perfume novo e coloco minha bolsa, me olho no espelho e fico encantada.

_ pareço outra pessoa!

Falo e olho minha imagem refletida no espelho, o vestido parece ter sido costurado no meu corpo, justo na cintura e a saia cai suavemente nos meus quadris indo até os pés, meu rosto com uma maquiagem natural mas que deu um aspecto elegante que nem pensei ser possível, estou parecendo com a Eduarda, com aquelas garotas de capa de revista eu não pensei que seria possível ficar tão bonita assim, sinto vontade de chorar, se minha mãe fosse viva ela cuidaria de mim? ela me arrumaria igual a Eduarda arruma a Kelly? Eu nunca vou saber, mas me sinto bem e bonita, e sorriu, não me lembro de ter tirado um dia só para cuidar de mim.

A festa está linda, eu amo essas terras que eu moro, amo tudo aqui e acho linda todas as flores, toda arrumação está perfeita, são poucas pessoas convidadas, algumas amigas da Angélica da escola, pessoas que trabalham na fazenda , meus já irmãos estão todos aqui.

_ Violeta quase não reconheci, me permita dizer mas você está linda.

_ Obrigada 

Mathias um peão que trabalha com meus irmãos fala, ele trabalha aqui desde sempre, mas nunca foi de falar comigo além de bom dia, boa tarde ou boa noite e até estranho.

_ Mathias vai circulando!

Gaspar a aprece com sua cara séria de sempre.

_ só estava cumprimentando a Violeta Gaspar.

Ele fala e eu acho um absurdo a grosseria do Gaspar.

_ Já olhou? Agora circula!

Mathias vai e eu fecho a cara.

_ não tenho medo da sua cara feia, é melhor não dá abertura a esses peões e essa arrumação toda ai achei muito exagerada, to de olho em você Violeta!

Gaspar fala e eu acho um absurdo tudo, para evitar uma discussão dou as costas e saio de perto dele, a cerimonia começa e me sento na frente para ver tudo, me emociono a cerimonia inteira, ver a Angélica casando com meu irmão, ela está linda com um vestido todo rendado, uma coroa de flores, parece um anjo de verdade, meu irmão a esperando com um sorriso de apaixonado no rosto e eu me imagino casando, imagino meu dia, e penso no Diego, sempre que penso essas coisas eu lembro do Di, eu sei que é bobagem ele já deve até ser casado, eu nem sei mais como ele é hoje, só lembro que ele tinha um olhar marcante, não sei se vou casar um dia, afinal o Gaspar e meus irmãos não me deixam se aproximar de nenhum rapazes, mas eu gostaria do fundo do meu coração de viver esse momento com alguém bom e que me amasse muito.

Na hora de jogar o buquê eu acaba indo para o meio da roda e para minha surpresa eu pego o buquê.

_ você vai ser a próxima a casar!

Alguém fala eu nego com a cabeça, não acredito nessa historia, então derepente parece que todo mundo é congelado, um homem alto começa andar em nossa direção, quanto mais ele se aproxima mais alto ele parecer ser, ele veste uma roupa que parece ser de um príncipe, os cabelos dele se movimentam indo para frente do rosto e ele passa a mão os colocando para trás, ele para e coloca uma das mãos nos quadris e com o dedo mindinho coça a sobrancelha, igual o Diego fazia.

__ Não pode ser!

Falo me sentindo nervosa e então eu vejo aquele olhar que eu nunca esquecei, um olhar doce e carinhoso que só ele tinha, o garoto mais doce que conheci, sim é ele:

__ Diego...

Continua...

Olá meninas a largada foi dada e postei o capítulo 01, deixem sua estrelinha e comentários se estão gostando, volto logo.

Capítulo 3

DIEGO CRUZ

Como sair de casa fugido só com a roupa do corpo, tiver que fazer uma rápida parada no shopping e comprar algumas coisas, fui em lojas de grifes e escolhi boas peças, comprei sapatos, perfumes e produtos básicos de higiene pessoal, sem poder usar meu cartão paguei com cheque, usei uma identidade falsa e passei um cheque sem fundos e ainda joguei charme para cima da vendedora, tudo saiu melhor que encomenda.

No caminho vou pensando e me lembro de como foi viver na fazenda Avilar, foi uma curta temporada, mas foram sem sombra de dúvidas os melhores anos da minha infância, depois que sair de lá, foi só dificuldades, os rapazes sempre me trataram bem e mesmo sendo os donos de tudo não me faziam sentir menos que eles, o único que tive pouco contato foi com o Galvão, lembro pouco dele, ele era mais reservado, mais na dele e depois foi embora de casa.

Mas agora é diferente, crescemos e nos tornamos adultos, não sei como serei recebidos por eles, não sei se eles continuam sendo pessoas simples e receptivas, não tenho ideia de como serei recebido, meus planos é passar uma temporada aqui até a poeira baixar e depois conseguir sair do país, com todos os golpes que já apliquei tenho dinheiro suficiente para morar em qualquer lugar do mundo, já fiz meu pé de meia e tenho meu futuro garantido.

Chego na estrada que leva a fazenda e desço do carro de aplicativo, pois esses tipos de carro de passeio não são indicados para andar por esse chão de barro e pode atolar com facilidade, pago a corrida e sigo andando e não demora a encontrar um homem montado no cavalo indo para a mesma direção que eu, inicio uma conversa e descubro que ele trabalha na fazenda.

_ eu me chamo Diego e sou amigo dos Avilares, Gerônimo, Gaspar e Galvão.

Falo o nome dos irmãos para ele acreditar em mim e completo:

_ eu sou Doutor!

Digo que sou doutor, porque essas pessoas mais simples tem admiração por doutores e isso me dará a credibilidade que preciso.

__ Doutor de gente?

Respondo suas perguntas e como já sabia ele baixa toda guarda comigo e fica a vontade.

_ Hoje é dia de festa na fazenda.

O homem fala.

_ festa?

_ o patrão que veio de exterior vai casar com a menina Angélica.

_ que patrão do exterior?

_ O Galvão!

_ Galvão voltou?

_ sim, faz um tempo já, ele se enrabichou por Angélica e fincou raízes aqui, mas ele só voltou porque o Genaro morreu, ele ganhou até herança.

_ Herança!

Falo e acho interessante, se o pai morreu, tudo foi dividido entre os irmãos e eu sei que essa fazenda é prospera e eles agora estão muitos ricos.

_ Você se importaria em me levar até o casarão?

_ De forma alguma doutor, levo com muito gosto.

Ele fala e monto no cavalo, logo estamos indo ao casarão, estou com uma mala de mãos com as coisas que comprei no shopping a pouco, o que faz ele ir cavalgando de vagar, mas não demora para eu avistar um lindo lugar cheio de flores, luzes e dá até para ouvir música instrumental, vejo algumas pessoas e parece ser algo bem reservado.

_ Chegamos Doutor!

Ele fala e eu desmonto do cavalo com minha mala.

_ Eu agradeço o favor.

Digo educado.

_ fiz com muito gosto, é muito bom saber que agora temos um doutor por essas bandas, nunca se sabe quando se vai precisar!

_ claro!

Falo e me despeço indo em direção a festa, tem uma mulher linda vestida de branco de costas segurando um buquê, algumas moças ao seu redor almejando um casamento e quando ela lança o buquê eu acompanho com os olhos.

Vejo uma morena estonteante segurar o buquê, mesmo de costas fico babando, os cabelos caem em suas costas nuas devido ao decote do vestido como cascata, uma linda e farta cascata negra, que brilha e se movem conforme seus movimentos, a cintura fina desenhada no vestido que lhe caiu como uma luva.

_ eu caso, com essa eu caso!

Falo sentindo um tesão pela linda mulher que pegou o buquê.

_ posso ajudar?

Saio dos meus desvaneios quando uma mão pousa em meu ombro e me viro para olhar quem é, e seria impossível não o reconhecer, ele tem traços marcantes, uma boca e um olhar que são suas caracteristicas gritantes.

_ Gerônimo!

A principio ele franze as sobrancelhas e me olha confuso.

_ você me conhece?

_ Gerônimo meu amigo, não me diga que esqueceu de mim! As tardes caçando zig zag e grilos saíram de sua memoria?

_ Não pode ser, Diego?

_ eu mesmo.

Falo e abro os braços na esperança de ser bem recebido.

_ Diego meu irmão que surpresa!

Gerônimo me abraça forte batendo em minhas costas e ficamos tentando um ergue o outro do chão e no fim ninguém consegue.

_ como assim Diego, você foi embora a tantos anos, o que te trouxe aqui?

Ele pergunta quando nos afastamos e agora eu tenho que usar minha maior habilidade, abro um largo sorrido e tento convencer o Gerônimo da minha sinceridade:

_ a verdade é que eu sempre quis voltar aqui para rever os amigos que nunca esqueci, mas sempre por conta da correia do trabalho não conseguia, sempre lembrei de vocês e tive o desejo de rever, tenho vocês como irmãos, enfim conseguir e agora estou aqui para ver vocês, para passarmos uma temporada juntos!

Já jogo tudo de uma só vez para saber se serei expulso ou acolhido.

_ Eu sempre me perguntava como você estava e fico muito contente em te ver tão bem, você foi um dos meus grandes amigo Diego, passamos tantos momentos bons juntos e você sempre será bem vindo em minhas terras!

_ algum problema Gerônimo?

Outros dois rapazes altos e fortes se aproximam e de cara eu os reconheço:

__ Gaspar, Geraldo!

Eles também fazem cara de confuso, mas Gerônimo logo explica tudo.

_ lembra do Diego?

_ aquele menino feio da cara de lata?

Geraldo fala zoando e logo estamos nos abraçando e zoando um com outro.

_ eu podia até ter a cara de lata, mas quem tinha o cabelo cheio de piolho não era eu!

Falo, pois teve uma época que o Geraldo pegou piolho e ninguém quis ficar perto dele, se instala um clima leve e de descontração e sempre sorridente vou levando todos no bico com lembranças boas do passado isso sempre funciona:

_ teve aquela vez que o cachorro possuído do vizinho veio parar aqui na fazenda e correu atrás do Gaspar e de mim...

Gaspar me interrompe e completa a historia:

_ Sim, nos atrepamos num pé de goiabeira e ficamos lá quase até o anoitece, nosso almoço foi goiaba! 

Toco em seu ombro e sorrimos com as recordações de época de moleque, respiro aliviado por saber que tudo saiu melhor do que planejado, nenhuma única desconfiança.

_ vamos cumprimentar os noivos, lembra do Galvão?

Gerônimo fala e vai me levando até os noivos e os felicito.

_ Felicidades aos pombinhos!

_ Obrigada.

A moça com aparência tímida fala, notasse que ela é bem mais nova que o Galvão e muito bonita, filho da puta de sorte.

_ estou supresso com seu retorno Diego, vai ficar por quanto tempo?

Galvão pergunta mais sério.

_ não sei ao certo, mas não muito!

Falo e ele assente, Galvão sempre com seu jeito desconfiado e investigativo, serei cauteloso com ele. Novamente a morena estonteante volta a chamar minha atenção, ela está conversando com uma loira que segura um bebê no colo.

_ deixa eu te apresentar minha mulher!

Gerônimo fala e me leva em direção as duas mulheres, puta que pariu o Gerônimo é casado com a morena gostosa, estou fodido desejando a mulher do meu amigo.

_ essa é a Eduarda minha mulher, bonequinha, esse é o Diego, meu amigo que já te falei lembra?

_ encantado!

Estendo a mão aliviado por sua mulher ser a loira e não a morena que roubou minha atenção.

_ claro que lembro, seu amiguinho de infância. 

Eduarda fala e eu volto a olhar a morena, ela também é linda de rosto, tem uma boquinha que me faria perder o juízo bem fácil.

_ essa é a Violeta, minha irmã, nossa irmã, lembra dela?

O soco vem! Parece que fui acertado bem na boca do estômago, essa morena espetacular é a Violeta minha irmãzinha do coração? Quando ela cresceu assim?

_ Di!

Ela me chama e eu a olho nos olhos e a vejo, seus lindos olhinhos doces, seu rosto suave e lindo, o tempo passou e Violeta cresceu, me recrimino por ter tido pensamentos indevidos com ela, Violeta sempre foi como uma irmã para mim e sempre continuara a ser:

_ irmãzinha!

Falo e ela me abraça, mas o corpo não é o mesmo, não é mais um corpo magro e sem atributos que antes me abraçava, agora eu abraço um corpo cheio de curvas e volumes no lugar certo.

_ Di, que alegria te ver do novo!

Ela me abraça totalmente inconsciente de como sua beleza é fatal, mas Violeta ainda continua sendo minha irmãzinha.

continua...

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