Capítulo 2

A casa do Caleb estava super cheia, ele amava uma festa. Robert pegou na minha mão e seguimos até o dono da casa. Esse é o momento que mantemos as aparências.

- Até que fim vocês chegaram. – Caleb nos cumprimentou animado.

- Luiza demorou demais para se arrumar. – Robert falou.

Mentiu, eu nem demorei tanto assim! Fui até rápida demais.

- Sei como é as mulheres. – Caleb falou rindo.

Pela sua voz, ele já está bêbado. Logo Giulia apareceu, ficamos conversando enquanto os meninos ficaram conversando entres eles. De longe eu pude ver a Laila e assim que ela me viu fechou a cara.

- Não fica assim, Luh. Laila já está exagerando.

- Talvez ela esteja certa...

- Não! Você queria o bem do seu filho e até ela mesmo sabe que o Robert não presta. Está exagerando demais. – Giu tentava me deixar tranquila.

Eu sinto falta da Laila, ela que me apresentou o Robert. Laila sempre esteve comigo, era uma dando força a outra e agora nem nos falamos mais. Não tinha como ficar bem com nossa situação.

- Por favor, não fique assim amiga. – Ela me abraçou de lado. – Você tem a mim.

Sorri para Giu, ela e os garotos foram os únicos a não virarem as costas para mim. Os meninos no começo não falavam muito comigo, mas por um lado eles me entendiam. Acho que não queria falar no começo por serem mais amigos do Robert.

Depois de algumas horas de festa, rindo e dançando decidi procurar o Robert. Quero consertar as coisas entre a gente. Sei que não será fácil, mas tenho que tentar o máximo possível. Estou confiante e se eu mostrar que realmente quero ele e nossa família, acredito que Robert vai ceder.

Andei pela aquela multidão sorrindo e cumprimentando algumas pessoas já que toda hora alguém falava “ Oi garota do Robert”, “ Oi Sra. Castanheira”, “Como vai tia”... Aposto que nem sabem meu primeiro nome.

Sim, tinha até uns que me chamavam de tia e olha que era gente muito mais velha do que eu. Veja só eu com 20 anos sendo chamada de tia por homens com mais de 27 anos. Eu tinha que rir com essa situação. Não vou reclamar com coisa boba, mas que era engraçado, isso era. Minha risada acabou assim que vi o Robert beijando outra.

Eu não existo mais para ele? Estamos na casa de seus amigos e ele pouco se importa com isso. E porque manter as aparências? Pra que perder tempo fingindo para os outros? Sou apenas um estorvo para ele. Sequei as lágrimas que cismaram em cair e me virei rapidamente saindo dali. Preciso sair daqui, mas por falta de atenção acabei esbarrando em alguém. Laila.

- Não olha para onde anda, não? – Ela gritou.

Deixei as lágrimas caírem sem me importar. Pude ver ela com aquele antigo olhar, aquele que mostrava que estava disposta a me ajudar. Ignorei e sai correndo porta afora. Algumas pessoas me chamaram e eu ignorei todas. Eu precisava sair dali.

Corri tanto, corri até me cansar e percebi que já estava bem longe da casa do Caleb. Respirei fundo e parei um pouco. Sorri pensando como consegui correr tanto de salto alto, tirei minha sandália e caminhei descalço pela calçada. As imagens do Robert com aquela mulher vieram por mais que eu quisesse me esquecer. Eram tantas lágrimas que decidi sentar no meio fio e me acalmar um pouco.

Será que não me ama mais? Será que devo desistir de tentar? Por que ele não pode facilitar as coisas? Pra que fazer eu sofrer tanto? São tantas perguntas e nenhuma resposta. Toda confiança que eu tinha antes não existe mais.

- O que aconteceu para uma garota tão linda como você está chorando?

Sequei minhas lágrimas com a mão e olhei para cima vendo um moreno alto, com um corpo definido e cheios de tatuagens me encarando sorrindo.

- Prazer, sou Oliver. Mas pode me chamar de Levi.

Ele estendeu a mão para me cumprimentar, eu encarei alguns segundos, me levantei e depois a apertei.

- Luiza.

- Fico feliz em te conhecer, Luiza.

Dei um meio sorriso. Cara ele é um gato! Não pense nisso Luiza! Mas que ele é, ele é. E eu estou tão destruída meu Deus. Minha maquiagem deve estar toda borrada, com certeza estou um trapo de pessoa. Queria está em condições melhores, um pouco de dignidade.

- Acho melhor eu ir embora…

Não adianta nada ficar chorando pela rua. Melhor ir para casa e chorar o quanto quiser sem ser questionada. 

- Ah, por favor deixa eu te levar então… – Ele se ofereceu.

- Não precisa, posso ir sozinha.

Para falar a verdade eu não sabia o certo por quê eu estava recusando. Meus pés estão doendo e sobre ele ser um desconhecido… Bem, já convivi bastante e sei me cuidar. Oliver está sendo muito educado e não parece que vai me fazer algum mal, mas que em ver cara, não vê coração.

- Eu insisto. – Ele deu um meio sorriso. – Você não parece estar muito bem, por favor.

Olhei ao redor e sem chances de pedir um táxi ou até um ônibus e eu não voltaria para a casa do Caleb. O que pode acontecer?

- Tá bom.

P.V. Robert

Como a Luiza resolveu sumir pela festa, decidi ir me divertir um pouco. Eu, Dennis, Caleb e o Biel fizemos uma disputa de quem bebia mais, mas não deu para saber quem ganharia já que um grupo de mulheres resolveram vim até nós.

Confesso que no começo fiquei tentado a me afastar de uma loira que estava me dando mole, mas por que eu estou fazendo isso?

Pergunta sem resposta então tenho que aproveitar a loira, então acabei com o pouco espaço que tinha entre a gente, puxei ela pela cintura e coloquei minha mão na sua nuca a trazendo para mais perto. Assim ficamos por um tempo até que sentir alguém começar bater na minha costas. Quem é a louca?

Ah, que não seja a Luiza se não dou na cara dela aqui mesmo. Me virei dando de cara com a Laila.

- O que foi louca?

Ela colocou as mãos na cintura.

- Você esqueceu que é casado? – Perguntou brava.

- Você esqueceu que não estamos realmente juntos? – falei sarcástico.

Revirei os olhos e voltei a minha atenção para a loira, mas como a Laila tirou a noite para perturbar, me puxou fazendo olhar para ela.

- Mas parece que ela quer tentar ficar bem com você.

- Ah, parece? Legal posso voltar a beijar essa garota que não sei o nome? – apontei para atrás de mim onde está a loira.

Está muito melhor ficar com a loira que não sei o nome em vez de ficar discutindo com a minha irmã.

- Não! Você vai atrás da Luiza...

- Desde quando você resolveu ficar amiguinha dela de novo? – Agora foi minha vez de se estressar.

Laila parou de falar com Luiza depois que ela fugiu com meu filho e desde então nunca voltaram a se falar. Agora quer dar uma de amiguinha? Fala sério! Laila ficou muito mal quando Luiza foi embora com Gustavo. Ela era muito apegada ao sobrinho.

- O que você está fazendo com ela é errado... Robert não finja que não a ama, que não se importa com ela. Luiza saiu daqui chorando.

Prestei atenção no que ela dizia, tudo que a Laila disse é verdade, mas não posso esquecer o que ela fez... Mas também não quero que nada de ruim aconteça com ela. Tenho que parar de me enganar. Se acontecer algo com Luiza…

Droga! Laila sorriu e eu ignorei ela. Sair da casa do Caleb, eu entrei no meu carro e fui à procura dela. Luiza não poderia estar muito longe por aqui não tem ponto de táxi e muito menos de ônibus. Então o único jeito dela ir para a casa seria ir a pé até um certo ponto que aí sim conseguiria um táxi.

Olhei pelo bairro e não achei ela. Decidi voltar para casa na esperança dela estar lá. Minutos que se tornaram segundos por causa da velocidade que eu dirigia, cheguei em casa e corri pela casa na procura dela.

Passei pelo quarto do Gustavo e o mesmo estava dormindo sem sinal da mãe, faltava só o nosso quarto e nessa hora fiz uma pequena oração pedindo que Luiza esteja lá.

Sorri ao encontrar minha garota deitada em nossa cama e pelo que parece sem nenhum arranhão. Fui ao banheiro tomar um banho rápido e coloquei só uma cueca e deitei ao seu lado. Abracei ela por trás e afundei meu rosto no seu cabelo sentindo aquele cheiro maravilhoso.

Talvez eu deva dar uma chance para nós dois.

Capítulo 3

P.V. LUIZA

Acordei com um sorriso no rosto. Minha noite não foi das melhores, pelo menos não na festa. Agora tenho um amigo novo. E consegui melhorar um pouco a minha noite, mesmo não sendo uma das melhores companhias naquele momento.

FlashBack On

Praticamente fomos o caminho todo em silêncio, eu apenas falava o caminho para ele. Eu estou meio nervosa como se eu fosse uma adolescente com seu primeiro namoro, mas não.. Sou uma mulher casada e tenho filho. Acabei rindo com o meu pensamento.

- Que foi? – Perguntou risonho.

- Nada não. – Respondi depois de rir.

- Vai falar. – insistiu.

Respirei fundo e parando de rir.

- Não é nada de importante.

Olhei para ele sorrindo e o mesmo estava sorrindo. Que sorriso.

- Então me fala um pouco de você.

Aí merda! Não posso falar muita coisa, ainda mais que sou casada com o Robert, apenas porque ele tem muitos inimigos e eu não conheço Oliver direito. Mas o que falar? Minha vida está resumida a Robert.

- O que você quer saber? – Perguntei.

-  Hum... Quantos anos você tem?

- 20 anos e você?

- 22 anos. E o que faz aqui em São Paulo?

- Eu... Estou a passeio...

Ele riu.

- Tudo bem se não quiser falar. – Menti.

Continuamos o caminho em silêncio. Percebi que estávamos quase chegando na casa do Robert, então pedi para Oliver parar um quarteirão antes. Falei que eu morava por ali mesmo.

- Você menti muito mal. – Riu – Mas tudo bem, não quer falar onde mora? Ok, mas a gente vai se ver de novo, não é?

- Sou casada. – Falei sem pensar.

Oliver riu e pegou na minha mão esquerda e a beijou.

- Eu sei, eu vi o anel.

- Não se importar com isso?

- Você não parece estar feliz no seu casamento. Então por que eu me importaria?

Fiquei sem saber o que falar ou até pensar...

- Me passa seu número?

Sim ou não? Sim ou não? Sim ou não? Sim ou não?...

- Claro.

Trocamos nosso número antes de sair do carro Oliver. Ele me abraçou e deu um beijo no canto da minha boca o que me fez corar um pouco e ele riu por eu estar tímida.

FlashBack OFF

Aquele homem é encrenca! Será mesmo que estou disposta a arriscar?... senti um braço ao meu redor me abraçando, olhei para o lado vendo Robert deitado de barriga para baixo e seu braço em cima de mim.

Era muito difícil eu acordar com uma cena dessa, tipo muito difícil mesmo e confesso que nem sei como reagir com isso. A única coisa que me lembro da noite de ontem é ter chegado e não ter encontrado o Robert em casa, claro ele estava com outra e não voltaria tão cedo.

A porta do quarto foi aberta e eu vi Gustavo entrando correndo, mas parou, olhou para mim e o Robert e sorriu malicioso.

Robert está estragando o meu filho.

- Bom dia, mamãe. – falou e deu um beijo na minha bochecha.

- Bom dia, bebê.

- Mãe. – Gustavo cruzou os bracinhos e fez bico. – Eu não sou mais bebê, eu sou um...

- Homem. – Robert completou a fala do filho.

Robert me puxou juntando nosso corpo um no outro de forma que ficássemos de conchinha e chamou o Gustavo para subir na cama.

- É mamãe, nosso filho está crescendo. – Robert falou no meu ouvido fazendo meu corpo arrepiar.

- Papai vamos no Shopping comigo e com a mamãe?

- Claro e melhor vamos passar a tarde todos juntos.

Gustavo começou a pular na cama de tão alegre que estava e se jogou em cima do Robert fazendo ele me soltar para segurar o filho. Preciso falar que minha boca estava em perfeito “O”? O Robert estava calmo e iria passar a tarde em casa e com a família? Isso está realmente acontecendo?

- Vai atrás da sua babá e coloca uma sunga para ficarmos na piscina.

Gustavo obedeceu o pai sem pensar duas vezes, Robert se espreguiçou e foi para o banheiro. Eu ainda estava deitada na cama tentando entender o que estava acontecendo.

Robert saiu minutos depois do banheiro vestindo apenas sunga, ele colocou o cabelo todo para trás e me encarou.

- Vamos?

Hã? Ele quer que eu vá para piscina com ele? Ok, isso é estranho, muito estranho.

- O que você fez com o Robert? O verdadeiro Robert?

Ele abaixou a cabeça suspirando e depois soltou uma risada baixa.

- Que tal, uma trégua? Pelo menos hoje?

Oi? Trégua? Percebi que estava demorando muito para responder.

- Tá bom. – Foi o que eu consegui falar.

[...]

Passamos a tarde toda juntos sem briga, sem indiretas, sem pequenas discussões e sem nenhum problema. Passamos em perfeita harmonia e parece que até o Gustavo notou isso dava para ver o sorriso dele maior.

Era hora de ir para o shopping, coloquei uma roupa fresca e fui arrumar o Gustavo. Eu queria colocar uma roupa fresca e sem exageros nele já que a noite estava meio abafada, mas ele não deixou e falou que tinha que ser muito lindo para pegar as gatinhas. Preferi não discutir se não a gente, não sairia dali tão cedo.

Todos prontos entramos no carro e seguimos para o shopping. Enquanto Gustavo ficou no parque brincando, ele desistiu de ficar chique para as gatinhas e me deu a blusa de frio e os sapatos, quase tirou as calças falando que estava muito calor. Robert e eu fomos para uma lanchonete de frente para o parque de lá dava para ver o Gustavo.

- Por que ele quis vir todo arrumado?

- Diz ele que era para pegar as gatinhas. – ri.

- Ele está aprendendo. – falou todo orgulhoso.

- Robert, você está estragando meu filho.

- Nosso filho. – corrigiu. – hoje foi legal poderíamos fazer isso mais vezes.

- Poderíamos?

- Sim, não ligo de estender a trégua por mais tempo.

Aí. Meu. Deus. Ele quer tentar? Tipo eu e ele? É isso que estou entendendo? O celular do Robert começou a tocar e ele pediu licença e se afastou da mesa. Eu ainda tentava entender o que estava acontecendo, mas meu celular apitou avisando que havia chegado mensagem.

“Boa noite, vamos nos ver?” – Oliver.

Meu Deus as coisas estão acontecendo muito rápido. Olhei para os lados e nenhum sinal do Robert, então aproveitei para responder o Oliver.

“ Boa noite, hoje não vai dar”

“Amanhã? Por favor.” – Oliver.

“Se der eu te aviso”

“Tá bom, beijos” – Oliver.

Não respondi a última mensagem e guardei meu celular. Minutos depois Robert apareceu com uma cara nada boa.

- Está tudo bem?

Ele respirou fundo.

- Luh, preciso falar uma coisa com você.

Luh? Ele me chamou de Luh? Alguém abduziu o Robert só pode, mas minha preocupação só aumentou.

- O que aconteceu? Alguém morreu...?!

- Ei, relaxa. – Riu – É que minha mãe me ligou e quer ver o Gustavo... Mas sem você por perto...

Revirei os olhos, antes eu era uma ótima nora, agora ela me quer bem longe dela. Se possível de toda família, mas claro meu filho ficando com eles.

- Ela está no Brasil?

- Não...

- Robert...

Não gosto nada quando o Robert faz viagens longas e ele leva meu filho junto.

- Ele vai ficar bem, sabe que eu não deixaria nada de ruim acontecer a ele.

- Mas Nova York é longe.

Robert pegou na minha mão e sorriu.

- Quer ir comigo?

- A sua mãe...

- Não precisa ir na casa dela, a gente fica em um hotel.

Pisquei algumas vezes e puxei minha mão.

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Vida no Crime

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