Capítulo 2

Me recusei a dar um único passo para dentro da mansão de meu dono, então fui de novo levada por ele para dentro, ele pegou em minha cintura de forma grotesca, ele apertou com força para que eu não caísse no chão e saiu andando para dentro da mansão comigo sendo arrastada. Podia ter sido vendida, mas me recusaria até o último minuto de ser dele, fui arremessada no chão da sala, ele me olhou profundamente e jurei que aquele fosse meu último dia viva, pois ele encarava cada parte de mim com um rancor e ódio.

Apenas fiquei pensando o que meu pai havia feito para que ele me vendesse para este homem, qual era a dívida é por que eu fui escolhida como moeda de troca nesta brincadeira. Até onde este homem estava disposto em me manter viva, ele continuava encarando meu rosto e foi no momento que reparei em uma especie de pena vindo de seus olhos que tentei implorar, então olhei para o chão juntei as mãos em uma espécie de súplica e me arrastei para perto de meu agressor, arrastaei olhando para o chão incapaz de encarar seus olhos, agarrei em suas botas escuras com força.

-- Por favor -- implorar jamais havia sido uma alternativa, mas o medo e o desespero falavam mais alto naquele momento eu só queria voltar para casa  -- não tenho culpa da dívida de meu pai, mas não somos ricos me  deixe em paz. Ele pegou em meu cabelo, puxou meu rosto em sua direção é havia uma esperança quando seu olhar se ponderou com minha situação, mas então ele sorriu,  um sorriso atrevido e amedrontador o rosto escureceu e ele apertou com força a minha bochecha com a outra mão livre me deixando incapaz de mover-se para algum  lugar.

-- Eu não vou te devolver -- sussurrou ele mais aflito -- é nem pense em chorar, isto não fará com que eu mude de ideia. Ele se levantou me deixando caída no chão um rápido movimento de cabeça é eu já estava sendo puxada pela governanta da casa, ele virou seu corpo para partir para algum lugar daquele enorme lugar. A governanta me segurava com firmeza, mas eu não podia desistir agora, então lutei com todas as minhas forças para permanecer onde estava até ter alguma esperança de ir embora daquele lugar.

-- Espera -- gritei puxando meu braço para longe da velha que me olhava com um rancor -- é se eu pagar a dívida ? Ele olhou descaradamente para o meu corpo vendo cada curva e cada centímetro demorando em cada parte de mim. Me abracei com força e dei passos para trás com o modo em que ele havia me encarando, seu rosto nublou e seu aspecto ficou ranzinza com o meu movimento.

-- Você não tem nada de valor -- retrucou ele ao meu olhar -- faça apenas o que se pede. Ele virou novamente certo de que eu ainda não tinha entendido a situação que eu me encontrava, ele estava certo, eu não tinha nada de valor, pois nem meu corpo valia a pena, empurrei a governanta para longe de mim me ajolhando novamente no chão.

-- É se eu trabalhar para você -- eu sabia que ele era um empresário um comandante de uma empresa que gerenciava muitas outras em localidades diferentes o que meu pai havia feito com um homem desse ainda era desconhecido para mim, mas eu poderia de alguma forma quitar a sua dívida e ser livre -- posso ser uma de suas secretárias, então quando quitar o que me pai me deve, então poderei ir embora.

-- É uma garota atrevida -- sussurrou ele vindo em minha direção  o barulho da bota era insuportável, ele puxou meu cabelo fazendo  com que meu rosto sentisse a sua pele da bochecha gelada perto da minha, ele parou perto de meu ouvido fazendo com que meu corpo sentisse uma onde de carga elétrica -- não tenho pretensão de negociar o que já foi acertado é a dívida foi paga menina -- disse ele mordendo a ponta de minha orelha -- ele não te quis lhe fiz um favor. Eu o empurrei com toda força que pude, mas sentia que ele se moveu para trás por conta própria, ainda pude sentir a sua risada ecoando por aquele lugar, então não me contive.  Eu pulei para cima dele sem pensar uma única vez no que poderia acontecer comigo. Criei coragem, mas a verdade é que o medo havia dominado a minha reação, pulei para o seu pescoço tentando agarrar com as forças de minhas mãos, mas ele segurava o meu braço me puxando delicadamente para trás minha força era inútil comparada a dele, então com as lágrimas em meus olhos desabei no chão a sua frente. Gritei, esperneia e chutava com toda a minha força suas pernas que não se moviam um centímetro, mas eu continuava em gritos, soluços e chutes e tapas que as vezes dava em mim mesma com os movimentos desgovernados, meu inimigo suspirava olhando para a governanta, que tentou me pegar novamente, mas foi incapaz de me levar para longe.

-- Cala a boca -- gritou ele abaixando em minha direção com os braços cruzados com um certo desconforto em seu rosto -- darei a você o que me pede. Resmungou ele virando o rosto para o outro lado, sequei as lágrimas tentando enxergar seu rosto, mas ele desviava para que não olhasse para mim, eu não tinha certeza de suas palavras e nem se eram verdadeiras, mas esperava que fossem, que ele estava sendo sincero no que dizia, eu tentei chegar mais perto dele, mas ele havia se arrastado para longe ainda mantendo o rosto longe da minha direção.

-- Não vai se arrepender -- disse em seguida  encontrando a minha própria voz presa em soluçõs -- farei um bom trabalho Senhor. Ele se levantou sem olhar diretamente na minha direção mantendo o rosto distante do meu concentrado em olhar para um outro ângulo, parou alguns segundos no meio daquela sala enorme, colocou as mãos em seus jeans, então prosseguiu sem virar seu rosto para mim.

-- Siga a governanta sem fazer barulho.

Capítulo 3

-- Por favor -- implorei puxando o corpo da governanta, ela apenas me empurrou para dentro do quarto e sem dizer uma única palavra me trancou na torre mais alta do castelo do lobo mau -- sua vaca. Gritei para a parede, pois não houve resposta de ninguém, eu não ousei olhar para quarto à minha volta, joguei meu corpo naquele chão frio e duro e decidi ficar naquela posição até que algo acontecesse e fosse me ver por algum motivo, mas meu protesto não durou nem cinco minutos. Levantei virando meu rosto para o quarto duas vezes maior do que a cozinha de minha casa.

Uma cama enorme estava no centro, um guarda roupa gigante estava do lado direito e um espelho que ultrapassa meu tamanho estava grudado na parede. Uma mesinha do lado direito perto da janela continha um notebook, papéis, canetas e muitos outros objetos, uma porta levava para o banheiro era o que eu havia concluído, mas não ousei entrar. Sentei-me na cama, então depois de um silêncio e de ninguém aparecer eu me joguei nela deixando com que meu corpo relaxasse, então só depois percebi que havia dormido. Em meu sonho eu era resgatada por alguém, ele chegava derrubando a porta e me levando para casa, meu pai era meu herói e não o vilão da história.

-- Espero -- disse uma voz rouca puxando meu cabelo delicadamente para o lado -- que esteja sonhando comigo.

Levantei em um salto, mas não havia visto que ele estava bem à minha frente e bati em sua cabeça. Minha testa bateu na sua, mas ele não se moveu, nem parecia ter sofrido nenhum impacto com meu movimento, apenas levantou a mão em minha direção puxando minha testa para o seu rosto, analisando se eu estava bem. Então, eu mesma saí de perto dele engatinhando para longe, pegando o cobertor em seguida e cobrindo cada parte de meu corpo, eu podia ter sido vendida, mas jamais seria usada, ele me olhou de longe tão friamente que se pudesse acredito que já teria me matado.

-- O que você quer ? Perguntei quando o silêncio entre nós dois permaneceu, ele não desviava o rosto de minha direção o que era constrangedor e irritante, mas parecia ser para ele algo muito comum, pois ele estava determinado a manter o olhar sobre minha direção, então fui obrigada a procurar um objeto no quarto para não precisar continuar olhando em seu rosto.

-- Olhe para mim -- disse ele com aquela voz rouca atravessando o quarto eu não virei meu rosto em sua direção, ele parecia controlar a raiva ou tentava -- não lhe dei o que queria, pelo menos devia agir com mais amabilidade para comigo.

-- Não lhe devo nada. Gritei virando meu rosto em sua direção, mas foi exatamente o que ele esperava, pois estava parado a centímetros de distância de mim, levantei a minha mão pronta para atingir seu rosto, mas foi pega no ar, ele aproximou-se de mim e eu sabia o que ele queria, mas não iria ceder meus lábios para ele.

A governanta abriu a porta a tempo de fazer com que ele desse passos para trás. Sem olhar em minha direção ele levantou da cama, enquanto a governanta encarava o chão perplexa por ter nos interrompido, ele pareceu um pouco incomodado com o que havia feito.

Então, me deu mais um olhar e este era atrevido e rancoroso ainda com aquele mesmo rosto nebuloso, que seguiu para longe de mim. A governanta só levantou a cabeça depois que ele havia saído, encarou meu rosto de longe, então veio levando a bandeja com frutas e pão colocando na pequena mesinha que estava próxima a janela.

-- Ele me mantém prisioneira -- disse esticando meu corpo para a sua direção com alguma esperança que ela pudesse vir a me salvar -- por favor -- disse enquanto ela arrumava a mesa para mim -- precisa me ajudar a sair daqui. Ela não virou seu rosto para mim concentrada em continuar seu serviço. Percebendo que não teria respostas suas sentei na cama novamente encarando o cobertor,  estava claro naquele momento que não havia escapatória.

-- Ele não é um homem mau -- disse ela depois de alguns minutos quando já estava saindo do quarto -- apenas obedeça e tudo vai ficar bem.

Eu tentei falar, mas ela parecia saber que eu tentaria convencer ela de alguma forma, então antes de que eu pudesse pronunciar qualquer coisa, ela virou seu rosto, então partiu para longe de mim, eu estava sozinha de novo, mas uma vez. Demorei para sentir fome, pois permaneci naquela posição por um bom tempo fiquei vagando pela minha própria mente até que senti o barulho estranho no começo pensei que fosse um rato se movendo para um lado e para outro. Até perceber que o barulho vinha de mim o meu estômago estava reclamando, então levantei devagar indo na direção do lanche e obriguei a mim mesma a comer tudo que me ofereciam.

Então, o vi de novo, ele estava no jardim falando com alguém no celular. Andava de um lado para o outro reclamando e gritando com uma voz mais autoritária e amedrontadora. Consegui ver algo que não havia visto antes, ele tinha marcas por todo o corpo, mas não era tatuagens, mas sim marcas de alguém que havia recebido uma chicotada bem forte, que ficaria para o resto de sua vida, algumas iam até seu pescoço, mas não poderia dizer se estavam em seu abdômen ou no resto do corpo escondido pelas roupas que usava.

Quando seu rosto virou lentamente em minha direção, corri para ir para baixo da mesa, concentrei-me a permanecer escondida. Meu coração batia, batia aceleradamente e as minhas mãos tremiam imaginando, ele me vendo naquele momento encarando ele. Esperei cinco minutos, então levantei meu rosto devagarinho e lá estava ele, parado, olhando em minha direção me fuzilando com seu olhar, havia sangue, raiva e tudo misturado naquele rosto e sendo jogado diretamente em minha direção. Com alguma ousadia levantei meu rosto encarando o dele e fechando a cortina em sua cara, não ousei olhar novamente para fora, mantive-me naquele mesmo lugar esperando, esperando para o que pudesse vir a acontecer.

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