Encerrando aquela noite, Saymon satisfeito levou Allana para casa, ele já tinha se decidido, que era ela que ele quer como sua esposa, com muita coisa em comum e por ele ter se sentido atraído por ela, não era de se duvidar, Allana é uma das mulheres mais bonitas da cidade.
Saymon ficou sumido por alguns dias, ele não entrou em contato com Allana de nenhuma maneira, ela pensava se ele não gostou do jantar, ou se tinha feito algo de errado, porém ela se lembra de que foi tudo perfeito.
Uma semana se passou quando Saymon mandou uma mensagem para Allana
“-Olá Srta. Manzotti.”
Allana ficou empolgada com a mensagem de Saymon, porém achou que não deveria responder de imediato, mas também ficou com medo de ele perder o interesse, então decidiu ser um pouco mais fria.
“-Oi”
“-Nossa apenas um oi?”
“-Pensei que havia se esquecido de mim”
“-Eu estava em uma viagem por isso não entrei em contato antes, podemos nos encontrar?”
“-Podemos”
“-Está com poucas palavras”
“-...”
“-Como você não está com vontade de conversar nesse momento, me encontra nesse endereço que estou enviando, garanto que não vai se arrepender.”
Allana recebeu o endereço, mas não respondeu a mensagem de Saymon, nem confirmando se estaria no local que ele enviou.
Saymon é um homem muito confiante, portanto não se preocupou com a resposta de Allana, ele sabe que ela não vai querer perder uma oportunidade dessas.
Allana correu para o banho, ela queria ficar linda, já que estava com um bom pressentimento, ela não precisava de muito para isso já que sua beleza era inexplicável.
Saymon foi o primeiro a chegar, ele estava ansioso, mas não demonstrava, sempre foi muito bom nisso, a frieza que estava estampada em seu rosto era algo que todos conheciam bem.
A garçonete se aproximou tímida para entregar o cardápio.
-Traga apenas uma taça de vinho.
-Sim Sr.
Após alguns minutos, Allana caminhava em direção de Saymon, como sempre impecável, vestido justo, salto alto, uma bolsa de mão, cabelos soltos e com um sorriso inconfundível.
-Olá.
-Oi Srta.
Está muito bela hoje.
-Você também está muito elegante.
-Sente-se.
Ainda não fiz o pedido, gostaria de escolher algo?
-Claro.
Allana sempre ouviu falar muito bem daquele restaurante, mas nunca teve oportunidade de ir até aquele momento, tudo era muito caro, quando ela olhou no cardápio não acreditou nos valores.
-Se atente apenas ao que deseja escolher.
Allana não havia dito nada, mas só pela expressão que ela fazia, Saymon percebeu que ela se referia aos valores altos.
-Claro, me desculpe.
Allana fez sua escolha e Saymon não desejava comer, ele apenas bebia vinho.
Saymon não era homem de ficar enrolando, ele sempre foi muito direto.
-Allana Manzotti, você deseja se casar comigo?
Allana já esperava por aquilo, mas não imaginou que seria ali que seria o pedido, então quase se engasgou com o que comia.
-Me perdoe.
-Beba água.
-Me desculpe mesmo, eu sou muito desajeitada.
-Eu pensei que você já esperava pelo meu pedido, mesmo porque o intuito do baile foi esse.
Allana se fez de boa moça
-Sim eu sei, mas nem nos conhecemos bem, eu pensei que demoraria um pouco mais.
-Se você não está segura disso, não tem problema eu entendo.
-Não foi isso que eu quis dizer, eu aceito, porém gostaria de ter mais tempo para te conhecer.
-E teremos, o casamento será dentro de um mês.
-Um mês? Você está mesmo disposto a se casar a todo custo!
-Sim, se aceitar, teremos muito tempo para nos conhecer.
Allana não sabia o motivo de Saymon querer se casar com tanta pressa, mas ela apenas quer desfrutar de tudo que seu dinheiro e poder pode lhe proporcionar.
-Eu aceito, e estou disposta a fazer de tudo para ser uma boa esposa.
-Ótimo!
Para Saymon era o mesmo que fazer um negócio, ele estava ansioso, mas foi por apenas alguns minutos, com toda sua confiança esse sentimento logo desapareceu, a frieza que ele carrega é algo mais marcante.
Um mês se passou rapidamente, o casamento seria o acontecimento do ano, porém foi uma celebração reservada, Saymon não queria expor aquele momento para muitas pessoas, então foi muito seletivo na escolha dos convidados, mesmo porque ele não tinha muitos amigos, sua mãe era uma mulher muito distante, então não tinha muito quem convidar de sua parte, Allana também não convidou muitas pessoas, porque seu futuro marido queria assim.
Após a cerimônia, não teve festa, apenas um jantar em família em um restaurante muito chique, Allana jamais pensou que seria assim seu casamento, por mais que tenha tido tudo do mais luxuoso, não houve convidados, não teve festa e era tudo que ela queria, contudo aceitou, porque seus interesses são maiores que tudo aquilo, o mais surpreendente é que Aurora não estava ao lado de sua irmã gêmea.
Não iria ter lua de mel, no momento, Saymon alegou ter muito trabalho por isso eles não poderiam viajar, mas ele prometeu compensar.
Um ano depois.
E se passou um ano, um ano que ocorreu aquele casamento que agora Allana julga ser frustrante, ela apenas se sentia uma acompanhante, Saymon prometeu muitas coisas, porém ela estava cansada de ficar de jantar em jantar, apenas como esposa de Saymon, ela estava vivendo no automático, várias vezes na semana ia a jantares de negócios, conhecia pessoas diferentes todos os dias e no fim ficava sozinha.
Saymon não demonstrava sentir nada, nem ao menos pena, e ela estava cansada daquilo, ela que era costumada a se divertir todas as noites, saía para dançar, beber, sempre cercada de muitas pessoas, seus dias agora eram um tormento.
Ao chegar dê mais um jantar cansativo, Allana jogou sua bolsa longe.
-O que houve?
-Saymon, você não está cansado?
-Sim de fato estou, por isso vou tomar banho e me deitar.
-Eu não digo desse tipo de cansaço, estamos casados a um ano, e parecemos dois estranhos, você só sai comigo para jantares de negócios, eu fico o dia todo sozinha e a noite também, não faço mais nada que isso, estou cansada.
-Você está reclamando da vida que tem, você não precisa trabalhar, faz compras o dia todo, tem tudo que deseja, seus pais vivem muito bem, até de casa trocaram, vocês vivem bem porque proporciono essa vida a vocês, por isso preciso trabalhar muito.
-Por que você se casou comigo? Se você não queria uma esposa apenas uma acompanhante poderia muito bem pagar alguém.
Allana estava furiosa.
-Eu tenho meus motivos.
-Eu estou cansada de viver desse jeito.
Eu quero me divorciar de você.
-Eu não irei te dar o divórcio, você vai ficar ao meu lado até quando eu desejar.
-Você só pode estar brincando?
-Allana, você está reclamando de barriga cheia, deveria simplesmente ser grata por eu ser tão
generoso.
Saymon subiu as escadas, deixando Allana mais uma vez frustrada.
Ela não iria deixar que Saymon faça o que desejar dela.
Allana abriu a porta e saiu, pegou um táxi e foi para casa de seus pais.
Daphne levou um susto, já era tarde da noite e a campainha não parava de tocar.
Ao abrir a porta e ver Allana parada chorando, Daphne chamou seu marido.
-Aslan venha aqui.
O pai de Allana rapidamente se levantou e foi ver o que estava acontecendo.
-O que foi minha filha, por que está aqui essa hora e nesse estado?
-Eu não aguento mais mamãe, já se passou um ano e eu não aguento mais ser a esposa de Saymon Carpenteri, ele é um homem desprezível, apenas casou comigo porque quer ter uma acompanhante para seus jantares de negócios.
-Mas filha, ele parece gostar muito de você, você tem a vida que sempre sonhou.
-Não mamãe, eu odeio minha vida, não quero mais ficar casada com ele.
-Mas você não vai se separar, disse Aslan.
-Eu vou sim papai, eu não vou continuar, ao lado dele.
-Allana acabamos de mudar de vida, e não vou deixar que você coloque tudo a perder, eu não vou deixar.
Volte para sua casa, e continue com sua vida do jeito que tem sido durante esse ano.
Aslan se virou e voltou para o quarto, ele não ia admitir mal criação de sua filha, ele sempre teve muita dificuldade para criar suas filhas e agora que ele pode descansar e ter uma vida tranquila, não vai deixar que nada mude isso.
-Faça o que seu pai disse, e volte para casa minha filha.
-Eu não vou continuar vivendo assim.
Allana sai batendo a porta.
Allana estava disposta a não retornar para casa de Saymon, durante esse um ano ela juntou um pouco de dinheiro, sempre guardava uma quantia que Saymon lhe dava, ela nunca imaginou usar para isso, mas era sua única opção.
Allana escreveu um bilhete e jogou por debaixo da porta da casa de seus pais, para Saymon ela não disse nada, ele nem fazia ideia de que ela havia saído.
Ao amanhecer Saymon se levantou e seguiu sua rotina como de costume, se arrumou e saiu sem tomar café.
Ele e Allana não dormiam juntos, como ela acordava tarde, ela preferia dormir em quarto separado, por isso nem notou que sua esposa não havia dormido em casa.
Ao se levantar Daphne encontrou o bilhete deixado por sua filha, ela não podia acreditar no que estava escrito, ela lia e ao mesmo tempo tremia, não era possível que Allana estava sendo tão ingrata, pensava sua mãe.
-O que houve mulher?
Daphne passava o bilhete para Aslan em prantos.
Ao ler Aslan ficou vermelho de raiva.
-Aquela garota, como pode estar fazendo tal coisa conosco, depois de tudo que fizemos por ela, ingrata.
Aurora já havia se levantado pois iria para faculdade, quando se dirigia para a porta da frente achou estranho sua mãe chorando e seu pai olhando para um pedaço de papel.
-O que aconteceu papai?
De repente uma ideia surgiu na mente de Aslan
-Você vai ficar no lugar da sua irmã.
-Como? Não entendi o que o Sr. quer dizer.
-Aslan está louco? Perguntou Daphne
-Claro que não, é genial, elas são gêmeas idênticas, ninguém vai suspeitar de nada, Saymon não faz ideia de que elas são gêmeas, ele nunca nem viu Aurora.
Aurora sem entender nada pegou o pedaço de papel na mão de seu pai, porque ele olhava muito para ele, e ela sabia que a resposta para tudo estava ali.
“Papai e mamãe, eu não posso mais suportar o jeito que Saymon é comigo, estou indo embora, não me procure, eu não faço ideia para onde estou indo, apenas não quero mais ficar presa ao um homem que nem se quer me ama, mesmo porque eu também não o amo.”
-Como irei fazer isso?
Ele vai perceber que não sou Allana
-Ele nunca vai saber de nada, sua irmã mesma nos contou que ela jamais mencionou você para o marido, e você sempre isolada em seu quarto, nem ao menos esteve presente no casamento de sua irmã, é mais que perfeito!
-Eu estava estudando para uma prova importante.
-Contudo isso é muito bom, assim você poderá substituir sua irmã, sem que ninguém perceba.
-Papai, pense em outro jeito de inverter essa situação, eu não vou fazer isso.
-Senão fizer de adeus a sua faculdade e suas aulas particulares, entre outras coisas que sejam relacionadas aos seus estudos, você acha que eu conseguiria pagar tudo senão fosse pela ajuda que Saymon nos dá, e olha que sua faculdade não é barata.
-Agora vão jogar na minha cara?
Eu trabalho.
-E esse seu trabalho pagaria sua faculdade e arcaria com todas as despesas?
-Se eu reajustar meus gastos.
-Se? Você sabe muito bem que deve isso a nós, eu não vou admitir que me contradiga.
-Mas, papai.
-Aurora, já está decidido, a partir de hoje você será Allana.
-Minha irmã não poderia ter feito isso comigo.
-Você sempre foi tão boazinha filha, faça isso pela nossa família, eu sei que é algo muito grande para você assumir, mas pensa que isso vai continuar beneficiando a todos, disse Daphne
-Beneficiando a todos?
Ninguém me pergunta se eu aceito, estão me obrigando a assumir um lugar que não me pertence, sabe o que pode acontecer se o marido da minha irmã descobrir? Os riscos que eu vou correr?
-Não vai acontecer nada, vocês são gêmeas, não há o que temer.
A voz de Aslan é intimidadora demais para que sua filha possa se recusar a fazer o que ele deseja.
Aurora teme porque sua irmã já está casada a um ano, e por mais que seu pai diga que ela vai se sair bem, não sabe nada da vida do casal.