Capítulo 2

Imediatamente, as garotas saíram nervosas da sala, e o restante dos alunos tentavam acordar a professora irene á todo custo, talvez eu tenha passado um pouco dos limites, mas o que posso fazer se encrenca é meu sobrenome? Eu até tentei dessa vez não causar tantos danos, mas é aquilo? o desastre me persegue.

Não demorou muito, Helen retornou com suas amigas, Jessica e Ana e o Professor Ricardo veio junto, conclusão, estou ferrada!

__ O que está acontecendo aqui? - sua voz grave e autoritária atingiu meus tímpanos.

__A professora desmaiou, após a Lorena querer dar uma de mulher da vida no meio da sala.

__ É Melhor você calar sua boquinha garota! - fui para cima dela como uma Leoa e parei após dois braços me segurarem.

__ Lorena o que é isso? O que houve com seu uniforme? - me olhou indignado.

__ Está rasgado, não está vendo? Dei um sorrisinho cínico.

___ Vamos agora para direção! - bradou gesticulando e passei por ele de cabeça erguida e olhar inatingível. Antes de sair, desviei o olhar e percebo a professora sentada tomando água se recuperando do choque, ela me olhou e voltou a se engasgar passando mal. Cada doido com sua loucura.

__ Vamos Lorena! - segurou meu braço me apressando.

__Não me toque! Eu sei muito bem o caminho.

Chegamos próximos a diretoria, mas o Ricardo não me deixou continuar, entrou na minha frente não permitindo minha entrada.

__ E agora? O que foi? - balancei a cabeça confusa.

__ O diretor está conversando com uma família, sente-se e aguarde quietinha aí na poltrona.

__Era o que faltava! - bufei me jogando no sofá e cruzando os braços enquanto encarava o teto entediada.

Devido a distância em que eu me encontrava, e as paredes finas, dava para escutar nitidamente a conversa do outro lado.

__Droga! Pai, Eu já disse que não quero entrar nesse colégio de mauricinhos.

__ Chega Peter! eu já disse que vai estudar aqui e pronto, foi para isso que te eduquei para ser alguém na vida! - esbravejou o senhor fora de si.

__Não, você me educou para ser um mauricinho, igual esses merdinhas que estudam aqui. Uma cópia barata do Senhor- Dei uma risadinha. Que rebelde! Gostei.

__Senhor, vamos acalmar os ânimos, rapaz tenho a absoluta certeza que logo você vai amar esse colégio, temos tudo da melhor qualidade. O que? Eu ouvi mesmo isso? É Lorena, você vai ter que entrar em ação. Aproveitei que Ricardo estava distraído e levantei rapidamente correndo e abrindo a porta de uma única vez.

__Lorena volta aqui! - gritou, tarde demais. Todos pararam de conversar no exato momento que a porta se abriu, e ficaram me encarando como se eu fosse uma louca que saiu do hospício. Senti o olhar do garoto queimar sobre mim, mas não ousei encara-lo.

__ Lorena o que significa isso? - o diretor cerrou os dentes dando um olhar sem graça para os presentes.

___Não sabia que tinha mendigos estudando aqui! - escutei uma voz rouca falar de forma irônica, e me virei para encara-lo! Ele era lindo, cabelos escuros, olhos castanhos, jaqueta preta, tatuagens e usava calças rasgadas.

__ Mendiga é sua mãe, seu babaca! - retruquei tentando ir para cima dele e Ricardo me impediu.

__De qual raça ela é? esse animal parece selvagem. - falou rindo e rosnei querendo arrancar sua joia do pescoço com os dentes.

___Eu não vim aqui para brigar, eu vim reclamar da má qualidade dos seus uniformes, olha isso aqui? Como pode deixar seus alunos se vestirem dessa forma? - expliquei da maneira mais profissional possível.

__ O que tem a dizer sobre isso senhor diretor? - o pai do garoto o olhou de maneira perspicaz.

___Desculpe, com certeza deve haver algum engano. - Tentou se justificar.

__Engano Coisíssima nenhuma! eu fui lavar o tecido e meu uniforme se desmanchou como papel, e acredite, eu não fui a única. - Engoliu seco.

__Tudo bem senhorita, iremos verificar e providenciar novos uniformes a todos... já iriamos fazer isso.

__Claro, vou ficar aguardando. - Antes de sair me virei para olhar o gibi humano, e estava com os braços cruzados e um sorriso sutil nos lábios, seu olhar era penetrante e meu rosto esquentou.

__Seja bem-vindo ao hospício. - falei e mostrei o dedo do meio para ele, que deu uma risada balançando a cabeça. E me retirei sorrindo.

No corredor, encontrei minhas amigas me aguardando ansiosamente, fui até elas e as abracei por trás sorrindo.

__Eu não falei para vocês que iria conseguir uniformes novos?!

__Sério Lorena? Você é um máximo! comemoraram me abraçando apertado, de repente me soltaram olhando para alguma coisa além de mim, suas bocas estavam entreabertas e juro que Yasmin estava quase babando. Rolei os olhos já sabendo o motivo da cara de bobas delas. Girei o meu corpo o vendo se aproximar com as mãos no bolso e a mochila preta, estava mascando um chiclete, ele parou na minha frente me olhando.

__Então, essa frescura toda, era para ganhar novos uniformes? - sorrio para mim, e que sorriso! ele deu um passo ficando mais perto e aproximou os lábios do meu ouvido, fiquei paralisada sem conseguir me mexer.

__ Isso é patético. - Sussurrou e um frio percorreu minha espinha. Se afastou piscando charmoso.

__Meu Deus! Que Deus grego é esse?!- Ingrid perguntou empolgada.

__Eu não acho! - fiz cara desdém, e começaram a checar minha temperatura, e meus pulsos.

__Você está com febre? Está doente? Queimaram seus neurônios. - Começaram me bombardear com perguntas sem sentido.

___Vocês viram o estilo dele? muito massa, não é? - Yasmin parecia empolgada.

___Ele é um bad boy, aqueles caras malvados, que nao obedecem regras, e se colocam em constante perigo. - Sinalizei e elas riram.

___Ou seja, é sua versão masculina baby, e que ele é gato é indiscutível! Ele vai estudar aqui, não vai? - Os olhos da Ingrid brilharam em excitação.

__Sim, aliás, porque estamos falando dele mesmo? Eu hem! Tenho mais o que fazer.

Me retirei retornando para meu quarto e indo trocar de roupa, afinal, não quero matar a professora Irene do coração, e não vou negar, ele era sim bem gato, mas eu jamais ousaria admitir isso em voz alta.

Capítulo 3

Troquei de roupa e voltei para sala como se não tivesse aprontado nada, e devo admitir, que é dessa forma que eu lido com meus erros, eu finjo que eles não existem e sigo em frente, apesar que existem erros que não se podem esquecer, porque deixam marcas profundas que jamais poderão ser apagadas.

Me sentei na mesa ignorando consideravelmente os olhares alheios e julgadores dos demais alunos.

__Agora sim! parece que alguém lembrou para que servem as roupas? - helen exclamou com deboche. .

__ Se não fechar sua boca, vou te lembrar para que servem os meus punhos quando eles forem de encontro a sua cara. - eu sei que parecia uma criança com esse tipo de vocabulário, mas existem um ditado que diz que as melhores respostas vem depois da discussão.

__Você é apenas uma chifruda. - fechou a cara me olhando de cima para baixo.

__ Antes uma chifruda do que uma.. - meu celular apitou no bolso interrompendo meu raciocínio. Retirei o aparelho do bolso e notei que era uma mensagem do Thales.

Eu sei que está fazendo isso para chamar minha atenção. Pois bem, você conseguiu, volta para mim, eu sou um idiota. Sabe de uma coisa? eu não posso te tirar da minha cabeça.

Revirei os olhos, isso era alguma piada?

Primeiro, sim você é um idiota por pensar que eu ainda me preocupo com sua existência, e enquanto sobre não me tirar da sua cabeça, se for esse caso, apenas a arranque, com certeza será mais fácil do que o chifre pesado que colocou na minha, agora me deixa em paz Thales.

O recreio finalmente chegou, para meu alivio, e fui correndo abraçar minhas amigas para sentarmos em algum lugar, aliás,  estavam extremamente empolgadas sobre a chegada dos novos alunos, mas basicamente era porque entrariam nesse colégio, alunos "especiais " meus primos Kauan e Erick finalmente resolveram terminar seus estudos, e o que posso lhe adiantar é que de hoje em diante muita coisa vai mudar.

__Será que eles já chegaram?! - Ingrid perguntou praticamente me arrastando para o pátio.

__Calma garota! desse jeito vai ficar muito obvio seu amor pelo meu primo. - a provoquei e ela girou os olhos em orbita.

___Eu apenas, ainda o acho muito gato, nada demais. E outra, figurinha repetida não completa álbum - estreitei os olhos desconfiada. Estava distraída tentando buscar um vestígio de mentira na expressão sonsa da minha amiga, quando alguém segurou meu braço me obrigando a parar bruscamente.

__Epa! pode ir me soltando. - me virei impaciente na sua direção. __O que você quer Thales?

___Não é obvio? eu quero você de volta Lore.

___É uma pena, porque não podemos ter tudo que queremos. - Puxei meu braço bruscamente o olhando de forma fria.

___Como você não percebe como eu te amo? sabe que eu jamais correria atrás de outra garota.

___É claro que eu percebi como me ama, como não? eu notei isso no exato momento que vi você de beijos com outra garota. - ri irônica __ E Você está atrás de mim por conveniência,  para manter sua imagem de pegador aqui do colégio, e assim continuar alimentando seu ego de merda!

__ Caramba Lorena! eu já te disse que foi ela que me agarrou. - puxou minha cintura me trazendo para si.

__ Eu devo parecer muito otaría! tadinho de você um ser indefeso desses, que foi brutalmente atacado por uma garota que mordeu sua boca propositalmente. - Apertei suas bochechas fazendo uma voz aguda.

__ Tudo bem, mas então me fala que não sente nada por mim, anda! me diz que aquele beijo não te deixou louca de ciúmes? como pode ser tão fria? - segurou minhas mãos no ar me fitando intensamente.

__Eu não sinto nada por você. Eu nunca senti na verdade, então se você pensa que sua traição me machucou está enganado, ela apenas me confirmou o quando patético você é tentando me provocar, ambos usamos um ao outro para ganhar reputação aqui, e a reputação foi a única coisa que você teve e destruiu de mim, por que no meu coração Thales, você se quer teve a oportunidade de estar lá, é uma pena não pode dizer o mesmo, já que claramente percebo que você se apaixonou por mim. Me diga? como é provar do próprio veneno? - dei um sorrisinho o deixando atordoado.

Thales sempre foi o cara mais popular do colégio, e também o mais galinha ele namorou várias garotas e quando enjoava as deixava com o coração partido, essa era a fama dele até eu chegar e quando descobri isso, eu resolvi me vingar por todas essas pobres meninas que se deixam apaixonar por conversas fiadas e promessas não cumpridas, e eu as entendia perfeitamente, afinal eu fui uma delas, por isso comecei a namora-lo e não foi difícil, afinal de contas eu já entrei no colégio sendo popular, meu pai é o prefeito da cidade e isso foi o suficiente para capturar sua atenção, nosso namoro era uma simples vingança para mim, mas confesso que de certa forma me fazia bem, seu jeito engraçado de ser, ele era um cara legal quando pretendia, mas na maior parte do tempo, só era o garoto metido que se achava o gostosão e devo admitir que ele não só se achava, enfim, continuei esse namoro por conveniência, eu sabia que não me apaixonaria por ele, então era um território seguro para mim, até que ele me traiu, e para falar a verdade eu nem me importo com minha reputação, mas foi decepcionante ele ser exatamente o que esperava que ele fosse, um moleque mimado!

Minhas amigas para variar já tinham me abandonado e foram encontrar com meus primos, de longe os avistei sentando na mesa do refeitório e fui a caminho deles.

__Olha só quem chegaram! - comemorei sorrindo e todos me olharam, Erick estava tomando uma lata de coca cola, e Kauan esvaziando uma caixa de chiclete.

__A última das três mosqueteiras. Estava morrendo de saudades. - Kauan terminou sua caixa em um segundo enchendo a boca de gosma de mascar e se levantou me dando um abraço de urso.

___Quem era aquele babaca que estava te cercando? se precisar dar uma correção nele só precisa me informar. - Erick veio até mim e me abraçou assim que o irmão me soltou, como um macho alfa.

__É somente meu ex, nada demais e guarde esses músculos para me ajudar nos serviços diários desse lugar, por que vou precisar. - apertei seus bíceps e sorrio revelando suas covinhas, esse era o Erick, de fora parecia um ser assustador e era um lutador nato, mas bastava sorrir que suas covinhas conquistavam qualquer menina que quisesse, eu particularmente amava essa dualidade.

Sem falar que os dois eram dançarinos de tirarem o folego, mas deixaremos essa conversa para mais tarde.

__Agora as coisas vão começar a torna-se agitadas nesse lugar! - Ingrid comenta sorrindo orgulhosa. ___ A propósito? quando será que teremos o prazer de ver aquela obra de arte novamente? - finjo não compreender de quem ela estava se referindo.

___E será que teremos alunas novas? temos uma cama vazia no nosso quarto. - Yasmin nos lembrou. Essa história é muita engraçada, Helen dormia no nosso quarto, mas, ela exigiu uma mudança depois que eu coloquei um rato morto embaixo do seu travesseiro, juro! foi a cena mais ilária que já vi em toda minha vida, não sei como, acho que ela se mexeu tanto na cama que o Rato acabou grudando no seu cabelo, quando ela acordou e encarou seu reflexo no espelho, e avistou o rato em cima da sua cabeça como se seu cabelo fosse um ninho, ela literalmente berrou para o quarteirão inteiro ouvir e caiu dura no chão.

__Espero que não me troque por uma novata. - cruzei os braços emburrada.

__Larga de ser ciumenta! - Yasmin negou com a cabeça me olhando divertida, e me deu um beijo estalado na bochecha.

___ Vocês duas são muito melosas. Credo vou ficar com diabetes.

__Se está com ciúmes também temos mel para você. - fiz uma voz fofa e fomos para cima dela a agarrando, Ingrid deu um grito esganiçado saindo correndo pelo pátio. Meus primos começaram a rir achando graça da nossa infantilidade. O sinal tocou, era a hora de encerrar a diversão e voltar para realidade, só darei um pequeno spoilers do nosso sofrimento, a próxima aula era de matemática e tínhamos duas aulas em seguida.

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