Capítulo 2

*Acordo sobre uma maca, todo o ambiente em volta é branco, estou seminua, apenas bandagens em alguns locais me cobrem, um dos meus olhos parece não estar bem, não enxergo através dele, toco em minha face para tentar entender, e logo sinto um tampão o vedando, bandagens em um dos meus braços e noto que ele não é de carne e sim um braço biônico, meu braço direito é todo composto por circuitos.

Os ligamentos são feitos em aço e até mesmo consigo sentir a densidade dos fios que conectam minha mão também biônica juntamente com meu cotovelo modificado com uma articulação mais rígida, meu braço coberto com placas parecendo uma blindagem, parece feito de um material fosco, creio ser algo como alumínio.

Estou me situando ainda quando vejo uma figura se aproximar, é um homem de pele levemente bronzeada, cabelos lisos e bem penteados, olhos cromados que brilham em tom prateado usando um terno preto, camisa branca e gravata num tom cinza grisalho.

Como se uma fúria irrompesse em meu peito, eu me levanto rapidamente e me lanço num ataque furioso contra tal homem, porém ao lado do mesmo tem dois seguranças, que prontamente abrem fogo, as balas me atingem, e com o choque em meu corpo se amassam e algumas até estilhaçam.

Nesse momento me posiciono em combate, arranco o tapa-olho que impede minha visão do olho direito. São segundos entre sentir meu corpo ativar algo por dentro, sinto uma tensão me atingir e meu corpo prontamente fica mais rápido e forte. E com essa velocidade meu corpo se lança contra os dois seguranças.

O homem arregala os olhos, quando vê que o coração de um dos homens está batendo do lado de fora de seu corpo, e minha mão o segura, saindo por detrás em suas costas. Solto o coração e invisto contra o outro que começa recarregar a arma e tentar recuar estrategicamente, num movimento rápido eu tiro a arma dele, lançando-a ao chão enquanto agarro sua traquéia com a outra mão (a mão biônica) e ao fechar os punhos em volta da mesma a esmago e o homem cai no chão sem vida.

Mais seguranças surgem enquanto o homem que é meu alvo recua assustado e totalmente em choque com meu acesso de fúria, o olhar de confusão como se não entendesse porque o estou visando como alvo. Em desespero o homem grita:

"- Pare Amanda, eu te salvei, você está viva graças a mim. Meu amor, eu estou aqui. Estamos bem, você está bem, por favor pare."

Os outros seguranças se posicionam porém não adianta, em minha fúria cega, avanço contra eles, o primeiro que pego, arremesso contra outros dois que se desequilibram, os tiros contra mim recomeçam, de algumas rajadas consigo ate mesmo correr e de forma acrobática uso a parede como apoio em uma manobra, pulando a pequena barreira que tentaram fazer com escudos de corpo, pego um escudo e uso como arma, usando-o contra o pescoço de um dos que caiu após o chute rodado que dei após a manobra na parede, sangue, muito sangue, estou banhada nele, e o cheiro disso, o calor da batalha fomenta meu espírito que quer mais e mais, e assim o faço, um a um, ao final todos os 10 seguranças estão mortos.

O meu alvo está encolhido no canto, olhos arregalados porem um sorriso estranho, beira o sadismo, a insanidade de quem vislumbrou a própria morte e a quer para si, mas para domar e a subjugar, em instantes estou próximo a ele, o encarando sem nenhum tipo de expressão ou sentimento lógico, apenas a fome de matar, como se o espírito da vingança estivesse pairando sobre mim.

De repente adentra pelo local dois humanóides porem eles são totalmente feitos em metal, parecem andróides de combate, o embate recomeça, socos, chutes, sinto meu maxilar trincar, dor, dor e mais dor, sou atingida várias vezes e onde sou atingida sofro dano considerável, em instantes estou no chão, sangrando e sentindo vários ossos trincados, quando abruptamente sinto uma onda de choque, surgindo da minha região lombar, passando por toda minha coluna vertebral e subindo ate minha nuca, meu corpo aquece, meus pêlos se arrepiam, minhas veias ficam saltadas.

Sinto como se uma droga fosse injetada diretamente na minha corrente sanguínea-pura adrenalina, incendiando cada célula do meu ser. Meu coração dispara, meus sentidos se aguçam, e até o ar roçando minha pele provoca sensações elétricas. O som metálico ressoa contra o chão-os dois andróides voltam a se mover, avançando em sincronia para me atacar.

Ergo-me do chão, sentindo-me renovada. Aparando um soco que vinha em direção à minha cabeça, agarro a mão metálica e puxo o andróide para perto, colando seu corpo no meu. Uso-o como escudo enquanto o seguro firme e, com toda a força, torço seu pescoço para trás até arrancar sua cabeça do tronco. Quando o corpo cai, sem vida, a cabeça ainda permanece em meus braços-mas não tenho tempo para respirar.

O segundo andróide atinge meu estômago com força brutal. Se fosse alguns instantes atrás, eu teria sucumbido à dor. Mas agora, algo dentro de mim desperta. Meu corpo se aquece ainda mais, uma descarga elétrica atravessa meus músculos, minhas pupilas se dilatam e minha respiração se torna pesada, quente, saindo em jatos pelas narinas. Outro golpe. E outro. Quanto mais apanho, mais meu corpo ferve, suando, pulsando.

É minha vez.

Agarro os dois braços do andróide e, em um movimento feroz, torço-os com violência, usando o peso do meu corpo para arrancá-los. Ele tenta me chutar, expondo-se no processo. Uma brecha. Acerto seu tronco com uma sequência de golpes brutais. Algo estala dentro dele-o núcleo de energia. Em poucos segundos, a máquina para de se mover.

Então, sinto meu próprio corpo esfriar de repente. Meu peito sobe e desce, pesado, minha visão turva por uma súbita fadiga.

Meus olhos encontram o homem à minha frente. Ele me observa, agora de pé, com um sorriso vitorioso-como se tudo tivesse sido apenas um teste. Mesmo exausta, começo a caminhar em sua direção, o olhar cravado nos olhos prateados. Quero arrancar-lhe a alma antes mesmo de despedaçar seu corpo. Mas não percebo a mudança sutil em sua postura-ele já não me teme. Para ele, o jogo chegou ao fim.

E percebo isso tarde demais.

Mãos enormes me agarram pela cabeça e pelo braço. Antes que eu possa reagir, meu braço direito é puxado e arrancado do meu corpo como se não passasse de um galho seco. Pendurada apenas pela cabeça, como uma maldita boneca quebrada, luto para não gritar. Mordo meu lábio inferior até cortá-lo, abafando qualquer som que revele minha dor.

Socos, chutes, esperneios-nada faz diferença. Quem me segura possui uma força além do humano, algo impossível de vencer. A pressão contra minha cabeça aumenta, e então a dor explode: olhos, ouvidos, garganta-tudo queima. O ar se recusa a entrar em meus pulmões.

E, no último momento, antes da escuridão me engolir, os olhos prateados continuam me encarando. Como se esperassem algo de mim. Como se acreditassem que eu poderia suportar.

Ledo engano."

Kira desperta abruptamente. Seus olhos vidrados percorrem o ambiente enquanto sua respiração vem em arfadas curtas. Sua monokatana já está empunhada-um reflexo instintivo, pronta para se defender de algo etéreo. Uma lembrança? Um pesadelo?

Ainda em posição de combate, G.E.S.S a encara e, instintivamente, recua. O olhar dela continua fixo, perdido em um transe profundo.

O garoto hesita antes de se aproximar vagarosamente.

- Ei, moça... tá tudo bem? - Sua voz carrega um misto de preocupação e cautela.

Kira não responde de imediato. Seus dedos continuam apertando o cabo da espada com firmeza. Então, subitamente, ela inspira fundo e, num único movimento preciso, embainha a lâmina.

- Sim. Está tudo bem agora. Estamos chegando.

G.E.S.S assente, mesmo sabendo que aquilo não foi uma pergunta. Ainda mais intrigante é como ela tem tanta certeza de que estão chegando-como se, de alguma forma, soubesse exatamente para onde estava indo.

Capítulo 3

LABORATÓRIO SECRETO DA PEGASUS MED

Missão - Parte I

Invasão

Antes de cruzar o perímetro, Kira se vira para a equipe e dá as últimas instruções:

"- Logan, entre em contato com seu pessoal e descubra o que já estão comentando sobre a ação contra os Marombas."

"- Chang, fale com a Teresa e veja se alguma informação sobre um possível ataque na Zona Leste já circula nas mídias."

"- G.E.S.S., invada os sistemas do laboratório. Priorize os alarmes e câmeras. Provavelmente há dois sistemas de segurança: um conectado à polícia e outro à CorpCop, a segurança privada. Como o laboratório tem uma fachada de um prédio de escritórios, o alerta pode ser acionado por qualquer um deles. Desative tudo que puder."

"- Ivan, Dragon, vocês ficam no AV. Mantenham o transporte pronto para uma fuga rápida e fiquem atentos a qualquer movimentação."

"- Lucy, só avance quando eu der o sinal de que o caminho está limpo."

Poucos minutos depois, Chang se reporta: nenhuma informação sobre o ataque à Zona Leste foi divulgada por influenciadores ou pela mídia local.

Logo em seguida, Logan traz sua atualização: no submundo, já se fala de uma assassina e um atirador eliminando Marombas. A líder deles colocou uma recompensa por qualquer informação sobre os responsáveis, mas ainda não associaram isso à carga.

Então, G.E.S.S. vibra:

- Os dois sistemas de alarme estão desativados! Mas, se houver um terceiro, não o encontrei. Pode ser manual e não remoto como os outros. Também hackeei as câmeras - copiei três minutos da gravação e estou reproduzindo o mesmo trecho em looping."

Kira respira fundo inclusive admirada com a empolgação repentina do G.E.S.S, ela encara a equipe e declara seu último aviso:

"- É hora da ação. Sigam meus comandos, não hesitem. Vocês estão aqui para me apoiar, não para começar uma revolução. Se morrerem, nem me darei ao trabalho de carregar seus corpos."

Kira se coloca a frente, aguçando seus sentidos, analisando o piso em busca de armadilhas, usando sua visão de UV, depois o sensor termográfico contido em seu ciberóptico direito, após fazer a varredura da entrada da garagem, eles iniciam a ação.

Como o laboratório é no subsolo Nível -8,

Kira acha melhor entrar pela garagem e acessar o fosso do elevador de carga.

No local eles identificam seis guardas, dois drones voadores e um drone de combate humanóide. Além de localizarem o sistema de alarme manual.

Kira então com seu voz de comando e sinais precisos administra de forma sincronizada toda a ação.

Ela irá diretamente nos dois guardas de dentro da guarita onde está o sistema de alarme.

Logan irá utilizar a granada de P.E.M (Pulso eletromagnético) afim de desativar um drone voador e com sorte atordoar um dos guardas que está próximo ao drone.

Chang pegará outros guardas utilizando o fuzil, a ordem é matar quantos guardas. conseguir utilizando rajadas.

G.E.S.S irá hackear o drone de combate humanóide para usarmos como nossa força de combate.

Lucy a medicânica continua escondida.

Kira entende que de todos alem dela mesma, Lucy é a única que não podem perder nessa ação, pois apenas ela sabe como transportar e manter o tanque criogênico funcionando durante o transporte.

Assim começa cada um fazendo o que foi designado.

Como uma sombra mortal Kira rapidamente invade a guarita e usando sua Katana, golpeia o primeiro guarda e decepa sua cabeça num golpe de balanço, enquanto o outro sequer notando o perigo já é trespassado a cabeça com um golpe de ponta, saindo a lâmina diretamente em sua testa e caindo morto, ela consegue se abaixar e ficar silenciosa atrás do painel de controle.

Chang Liu foi o próximo na ação, e consegue eliminar 3 guardas utilizando suas rajadas de 3 tiros contra a cabeça dos alvos, com precisão e maestria.

Logan em seguida, após cozinhar a granada por 3 segundos a lança contra o drone voador, o drone é desativado, mas o guarda próximo consegue resistir à onda P.E.M.

G.E.S.S então hackeia o drone de combate humanóide, e consegue fazer ele atacar o outro guarda. G.E.S.S comemora muito, de forma bem empolgada.

"- Presta atenção garoto, ainda falta um e você ai pulando em comemoração." Kira fala com tom irritadiço pela falta de noção do garoto.

G.E.S.S então nota que puts, acabou de denunciar sua posição. Por sorte o drone usa sonar para se localizar e receber as informações e o alcance era de 200 metros, o que fazia o G.E.S.S estar fora do alcance.

O drone logo se movimenta, escaneando a área, se aproximando de onde estava Kira.

Logo Kira aproveitando a proximidade se lança em uma corrida e um salto golpeando o drone com sua monokatana e cortando o drone e o desabilitando.

"- Atenção, investiguem os corpos e vejam se eles possuem cartões de acesso, chave, munição e o que for útil"

Todos logo começam a vasculhar, eles pegam um cartão que dá acesso ao elevador de carga, algumas munições que podem ser usadas nos fuzis.

"- Quem consegue desativar esse alarme manual, desligar os terminais elétricos, sei lá, só preciso que não funcione por pelo menos 1 hora."

Quando Kira nota que ninguém se manifesta, ela pega o fuzil da mão do Chang e dá uns tiros na caixa de força que liga o tal alarme.

"- Bom, espero que isso funcione." Ela devolve a arma pro Chang.

Todos ficam em silêncio. E a seguem, enquanto a mesma se encaminha até o elevador de carga, o mesmo é enorme, cabem pelo menos dois caminhões dentro.

O elevador é acionado, ele dá acesso ao laboratório Subsolo Nível -8.

Kira novamente sinaliza para ficarem fora da vista e se posicionarem nas laterais do elevador. A única coisa que ficou no meio do elevador fora o drone de combate humanóide, posicionado propositalmente.

Tendo acesso ao sistema de câmeras do androide teriamos visão assim que as portas do elevador se abrissem.

Estranhamente não havia movimentação alguma, sequer havia qualquer tipo de armamento ou ate mesmo câmeras. O que prontamente fez um alarme soar dentro da cabeça de Kira.

Ao saírem no corredor o mesmo era enorme, a iluminação era estranha, parecia piscar em um efeito caleidoscópio, as visões de UV e sensor termográfico não funcionam e estando ofuscadas se tornaram ineficientes.

Kira então sentiu perigo, instintivamente cada célula de seu corpo parecia gritar emboscada.

Calmamente ela foi andando com a guarda alta, sua espada em posição defensiva, chegando praticamente no meio do corredor, ela tinha certeza, estava cercada, quando a movimentação começou pôde ver como se a realidade se alterasse em sua frente.

"- Trajes de invisibilidade ou traje camaleão, as luzes, elas estão confundido nossos sentidos, e facilitando a ação inimiga, mas quando se movem da pra notar a leve tremulação no "ar".

Mal Kira termina de falar e dois investem contra ela, prontamente ela bloqueia um golpe, depois ela bloqueia outro golpe, porem no segundo golpe que ela bloqueou a sua espada se parte, infelizmente monokatanas são armas letais de ataque, mas como suas laminas não são projetadas para suportar a tensão de golpes, mas era isso, ou era a cabeça de Kira rolando no chão agora.

Ela podia sentir que os atacantes eram treinados na arte da espada, mais dois inimigos cercaram Kira, tentaram desferir golpes contra sua cabeça novamente, e ela conseguiu esquivar, várias vezes.

Kira era uma eximia lutadora, sempre mantendo-se alerta, quando as investidas cessam, ela sorri um sorriso sádico e frio. Logo sons de tiros, Chang está atirando em outros alvos, mas erra todos os tiros, a distância infelizmente atrapalha a mirar, a precisão é melhor quando no corpo a corpo devido às camuflagens e o rifle FN – RAL um rifle de assalto pesado, já não tem muita precisão em movimento então, a coisa complica.

Notando isso Chang recarrega e assume uma posição estratégica, parando para mirar nos alvos.

Ao mesmo tempo Logan saca sua pistola Mustang Arms Mark II e cola num dos atacantes, encosta a arma na cabeça do sujeito e atira - menos um - o corpo cai no chão, e podemos ver o sujeito piscando e depois ficando totalmente visível.

O traje é de corpo inteiro e quando danificado acaba falhando todo o conjunto.

Logan ainda com sangue nos olhos, mira a arma na cabeça do outro sujeito logo à sua esquerda e BAM! Mais um tiro na cabeça e mais um corpo no chão, e novamente da mesma forma, agora uma mulher fica visível.

Kira então notando que dois já foram subjugados se concentra nos dois a frente, ela saca mais uma monokatana (sua reserva), e logo decapita os dois que estavam a sua frente num golpe unico em arco.

Quando ela esta saindo da pose de ataque um barulho é ouvido por todos, blam, blam blam - tarde demais - , olhando pra baixo Kira nota uma granada rolando até o meio deles, ela ainda teve reflexo e movimentação para sair da área da explosão.

Infelizmente Logan não teve tanta sorte e foi ferido gravemente, Chang por sorte estava escondido e não foi alcançado pelos estilhaços.

Mas esse é um jogo que pode ser jogado por mais de um, Kira então saca uma granada, é uma granada atordoante, e logo que ela lança a granada e a mesma irrompe numa onda sônica, o barulho de pelo menos cinco corpos caindo pode ser ouvido.

O corredor é comprido, Kira vai andando cortando fora as cabeças dos que estão apenas atordoados, mas não importa, aqui é assim, sem perdão e sem arrependimentos.

Apenas alvos a serem eliminados.

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