JAYLAH
— Você não pode estar falando sério, Jaylah!
Me viro de cara feia para a minha melhor amiga, Josie. Ela está encostada no meu balcão da cozinha, com o rosto amassado, seu lindo narizinho empinado. Eu olho para os braços dela, que estão cruzados com raiva através de seu amplo peito. Ela é pequena, peituda e atrevida. É por isso que eu adoro ela.
— É um trabalho, isso me deixa longe de casa. Se eu estiver longe de casa, eu não serei tão facilmente rastreada, — eu indico, estalando um pedaço de cenoura em minha boca e mastigando ruidosamente. Josie olha pra mim.
— Ele vai encontrar você, não importa onde você esteja!
Eu balancei minha cabeça, abanando o dedo para ela. — Foi apenas alguns dias; eu ainda tenho uma semana ou mais sobrando. Eu não sei se eu vou ter todo o dinheiro antes disso, por isso estar longe é mais seguro.
— Ele vai vir aqui...
— E eu não vou estar aqui.
— E se ele vier atrás de mim? Ou alguém que você gosta?
Dou a ela um olhar de ―sério?‖ — Meus pais moram a seis horas de distância e o sobrenome deles é completamente diferente do meu, uma vez que eu mudei. Ele não iria encontrá-los facilmente. Além disso, eu vou dizer ao meu pai e ele estará pronto. Você vive há duas horas daqui; não creio que ele vai ir atrás de você. A pessoa que ele provavelmente iria atrás é Samuel, e, pessoalmente, eu não vou reclamar se Samuel levar um chute no traseiro.
Ela deixa cair a cabeça em suas mãos e suspira alto. — Mesmo se você se afastar... você está esquecendo uma peça vital de informação. — ela levanta a cabeça. — Você não é a porra de uma babá!
Eu bufo, engasgada com um pedaço de cenoura e me jogo em um acesso de tosse. Quando eu termino, eu me endireito, batendo no meu peito e dizendo, — Quão difícil pode ser? Trocar fraldas, alimentar... é fácil.
— É uma criança... — ela estala. — Você sabe, não um cão!
Eu aceno uma mão. — É pra morar lá, é um bom salário, e é apenas um bebê.
— Os bebês fazem cocô, e choram, e vomitam...
— Assim como cães, — eu indico.
— Jesus, Jay. Tem sempre algo mais.
Dou um passo mais perto. — Eu tenho Gregor atrás da minha bunda. Ele não jogo bonito. Eu preciso de algum lugar que ele não pode me encontrar. Ele não vai me encontrar lá; é longe. Posso pagar ele, e então tudo estará terminado. É mil dólares por semana, incluindo comida e um quarto! Tudo para cuidar de um bebê.
Josie suspira e balança a cabeça. — Eu posso ver que não adianta falar com você. Pelo menos vá e tenha certeza que é o que você quer antes de dizer sim.
Eu sorrio. — Boa notícia, estou indo agora para atender a criança e o pai.
— Oh, Deus, — Josie geme.
— Vai ficar tudo bem. — eu aceno minha mão, pegando minhas chaves com a outra. — Você vai ver.
* * * * * *
Não é bom.
Ah, não. Está longe de ser bom.
Estou de pé na frente do que é possivelmente o homem mais deslumbrante que eu já vi na minha vida. Ele é nativo americano, disso eu tenho certeza. Ele tem esses olhos de chocolate e cabelo escuro, eu não vou mentir, me dá vontade de tocá-lo. Ele é tão bonito. Cabelo longo e grosso, que flui ao redor de seus ombros. Ele é alto e musculoso, vestindo um colete de couro por cima, uma camiseta apertada escura.
Oh cara. Oh cara. Oh cara.
— Ah... é você, hum, Mack?
Ele me olha para cima e para baixo, devagar. — Sim.
Deus. Sua voz. Mel derretido, misturado com creme... oh, cara.
— Ah, bom. Eu sou Jaylah. Estou aqui para o, ah, a vaga de
babá.
Ele ergue sua sobrancelha. — Você é uma babá?
Minha coluna se endireita e eu coloco minhas mãos em meus
quadris. — Com licença, amigo, mas eu vou fazer você saber que eu sou a melhor babá maldita que existe.
Ele olha para mim, sem expressão. Ele é um homem duro; você pode ver isso em seus olhos e sua expressão firme que parece determinado em seu rosto.
— O que você esperava? — eu dou um passo a frente. — Senhora Doubtfire?
Seus lábios se contorcem, mas ele não sorri.
— Você está disponível durante todo o dia, todos os dias?
Eu inclino minha cabeça para o lado. — Eu não recebo nenhum dia de folga?
— Não.
Eu arqueio a minha sobrancelha. — Você quer que eu seja babá... todos os dias?
Ele olha para mim, como que já fosse óbvio.
— O que você é, um homem de negócios sexuais ou algo assim?
Eu já sei que é uma piada antes que isso saia de meus lábios, mas eu digo isso de qualquer maneira. Ele me dá um olhar de ―sério?‖ e eu percebo que realmente era uma pergunta estúpida.
— Ok, bem, é evidente que você não é um homem de negócios. — eu rio timidamente. — Mas o que poderia te manter tão ocupado que precisa de mim para cuidar de seu filho sete dias por semana?
— Não é da sua maldita conta, — ele se encaixa.
— Vá com calma, — eu me irrito. — Eu só estava perguntando.
— Ou você quer o trabalho, — diz ele, com a voz baixa e profunda,
— ou você não quer.
— Eu quero, — eu indico. — Mas eu tenho uma vida, você sabe.
Amigos e outras coisas.
— Você pode visitá-los, com o bebê.
— Sério?
Ele faz isso olhando firme novamente.
— Só mil dólares por semana? Para ser basicamente a mãe... da criança?
— Um e meio se você começar agora.
— Mil e quinhentos? — eu respiro.
— Mil e quinhentos fodidos dólares. Oh, um espertalhão. Ótimo.
— E eu moro... aqui?
Ele balança a cabeça bruscamente.
— E... Você mora aqui?
Parece que ele quer dar um tapa em minha estupidez para longe de mim.
— Ok, eu aceito.
Ele balança a cabeça. — Entre.
— Espere, você não vai me fazer algumas perguntas de babá? Assim como, o que você vai fazer se o seu filho correr para a rua e for atropelado por um carro?
Ele me dá uma expressão estranha. — Ele é um bebê. Entre.
— Que tal se ele engasgar?
— Bebês... — ele range. — Bebem fodido leite.
— Subir em uma janela? — eu digo, seguindo-o para dentro. Ele resmunga.
— Brincar com o seu secador de cabelo?
Ele para, gira, e me dá uma expressão mortificada.
— O quê? — eu digo, encolhendo os ombros. — Você tem um cabelo bonito... é apenas uma suposição.
Ok, agora parece que ele quer me dar um soco, ou me estrangular.
— Quero dizer, sério... você não vai me perguntar alguma coisa? Ele rosna. — Você é uma assassina?
— O quê? Não.
— Estupradora?
Eu bocejo. — Eca. Não.
— Você cozinha?
— Isso depende.
Ele aperta os olhos. — Sim ou não?
— Ah, mais ou menos.
Ele balança a cabeça e continua, como se isso fosse uma resposta aceitável. — Você é capaz de aquecer uma mamadeira?
— Sim.
— Se levantar quando ele chorar? Concordo com a cabeça.
— Então você está contratada. Agora se mova. Mandão.
Nós entramos em um lugar realmente agradável, realmente moderno. O piso frio é agradável contra os meus pés enquanto eu o sigo até a sala de estar. Eu derrapo a um impasse quando vejo todas as pessoas na sala. Há algumas garotas realmente bonitas, mas o resto são do sexo masculino. Grandes homens corpulentos que parecem ter caído do céu e enrolados em couro. Eles são lindos.
Eles também são... oh, não.
Oh não, não, não.
Mack acena para uma das meninas e ela se levanta, caminhando para mim, um bebê embrulhado em seus braços. Ela o estende para mim com um sorriso. Deus, ela é bonita, como uma mini Pocahontas ou algo assim. Seus olhos brilham com humor com a minha expressão. Eu estendo a mão, pego o bebê e o mantenho perto. Eu nunca segurei um bebê... merda... onde está a cabeça dele?
— Eu sou Santana. — ela sorri, calorosamente. — Bem-vinda.
Me viro de volta para o grupo, que estão todos olhando para mim, e eu tenho certeza que estou prestes a desmaiar.
Eu sei quem são. Eu vi a notícia. Moto clube. O maior na cidade. Joker‘s Wrath.
Oh Deus. Eu sou uma babá de um motoqueiro. Isso deve ser interessante.
Capítulo dois
JAYLAH
— Você tem que me levar para conseguir roupas, — eu digo, seguindo Mack em direção à cozinha, seu bebê embrulhado firmemente em meus braços. — Eu não posso cuidar do bebê e pegar as minhas coisas ao mesmo tempo. Eu não tenho lugar. Você vai ter que cuidar dele, enquanto eu vou e....
— Não.
— Sério? — eu choro. — Você queria que eu começasse imediatamente e eu vou, mas eu preciso de todas as minhas coisas e...
Ele vira e olha pra mim. — Então vá e pegue essas porras. Leve o bebê; arranje uma cadeirinha pra bebês. Eu não me importo, apenas faça isso.
O bebê? Nada do nome dele. Não o meu filho. Eu estreito meus olhos e vejo quando ele balança a porta da geladeira aberta e pega uma cerveja, então ele se vira de volta com olhos castanhos queimando através de mim.
— Você é sempre tão mal-humorado? Se for assim, eu acho que nós precisamos de algum tipo de código... então eu saberei quando você não está acessível.
Ele olha para mim, lábios se curvaram em desgosto. — Código?
— Você sabe, como uma chamada de ave. Ka-Kaw! Ka-Kaw2! Ele pisca. — Você é louca porra?
— Não. — eu estreito meus olhos, desconfiada. — Você é?
Ele me dá um olhar insondável, um que diz que não tem ideia de como lidar comigo. — Você é a única a fazer barulhos de pássaros de
2 Aparentemente, nos EUA eles usam muito isso como para dizer algum ―código‖. Não encontrei nenhuma palavra que se igualava ao sentido aqui no Brasil.
merda - não, risque isso. Nenhum fodido pássaro faz barulhos como esse.
— Eles fazem, — eu digo sobre o assunto com naturalidade. — Eu já ouvi.
Ele olha para o teto como se buscando calma.
— Bem... — eu incentivo, batendo o pé contra os azulejos.
Ele murmura algumas maldições e olha de volta para mim. — Eu não faço ruídos de pássaros e nem códigos. Fique longe de mim; eu vou ficar longe de você. Tome cuidado com o bebê. Eu estou no clube metade do tempo, então você não vai precisar se preocupar com nada além disso.
— Será que o bebê tem um nome? — murmuro sarcasticamente.
— Diesel.
— E a mãe dele?
— Não é da sua maldita conta.
— Isso é evidente, — murmuro.
Ele atira adagas em minha direção. — Faça o seu trabalho e nós vamos ficar bem.
Eu rolo meus olhos e olho fixamente para o pacote em meus braços. Ele é definitivamente como seu pai. Todos os cabelos escuros, olhos castanhos e pele morena linda. Meu palpite, ele tem apenas cerca de dois meses. Ele é pequeno, mole e adorável. Eu não sou uma grande fã de bebês ou crianças, mas este... ele é fofo.
— Seu pai é um arrogante, — murmuro, achando que é melhor não xingar na frente de uma criança. — Mas você e eu vamos conviver muito bem.
Mack grunhe. — Eu estou questionando sua sanidade.
Me viro e olho para ele. — Me desculpe, motoqueiro, mas você é a pessoa que me contratou, sem fazer perguntas.
Ele cruza os braços. Eu empurro meu queixo para cima.
— Basta fazer a porra do seu trabalho.
— Jesus, você é um homem mandão. Estou surpresa que alguém decidiu cruzar com você antes. Yeesh.
Um grunhido gutural baixo deixa a garganta dele, mas eu ignoro. Eu ando em direção ao quarto que Santana disse me pertencia ao bebê antes de todos eles nos deixarem sozinhos. — Vamos lá, bonitão. Seu pai precisa de terapia. A culpa não é dele, ele provavelmente nasceu assim...
— Puta merda, — Mack murmura da cozinha. — Eu acabei de contratar uma doida.
Eu sorrio, entrando na sala. Coloco Diesel na mesinha que contém todas as suas fraldas e o desembrulho. Deus, tão pequeno. Suas perninhas chutam o ar. Eu não faço ideia. Nenhuma. Zero. Eu nem sei como usar uma fralda. Pego meu celular e rolo para baixo até encontrar o nome da minha mãe.
— Olá? — ela responde.
— Ei, mamãe, é Jay.
— Jay, — ela canta. — Eu não ouvi de você em semanas. Como você está, querida?
— Eu estou bem, — eu digo, colocando a mão na barriga de Diesel. Eu não sei se ele vai rolar diretamente para fora da mesa. Eu nem sei se ele pode rolar...
— Você parece cansada. O que está acontecendo?
— Bem, — eu hesito, — Eu consegui um emprego.
— Oh, que maravilhoso. O que é? Aqui vai. — Eu sou uma babá. Silêncio.
Silêncio mortal.
— Você está brincando, certo?
— Não, — eu zombo. — É um ótimo trabalho. Dormir na própria casa. Esse pequeno bebê, ele tem cerca de dois meses e o nome dele é Diesel.
Mais silêncio.
— Oh Deus, como você conseguiu um trabalho como esse? Alguém tem de ajudar o bebê, agora mesmo! Você precisa me chamar alguém... a polícia talvez?
— Jesus, mãe, — eu gemo. — Eu não vou matar a criança.
— Você se lembra o que você fez para a sua prima Lucy?
Eu jogo a cabeça para trás e gemo. — Foi um erro, não fui culpada. Na época, parecia que iria funcionar... Ela estava chorando muito.
— Você amarrou uma cesta nas pilhas de roupas e a colocou lá, então você virou e ela caiu para fora.
— Eu tinha doze anos. Meus instintos maternais não tinham aflorado, — eu protesto.
— Coitada da criança, coitada. Ela nunca mais foi a mesma.
— Ela estava bem! — eu choro. — Houve apenas um machucado na cabeça dela.
— Oh, Deus. Você deve parar. Agora mesmo.
— Bem, eu não vou desistir. Então, eu preciso de sua ajuda.
— Você vai para a prisão.
— O quê? Mamãe!
— Você vai fazer coisa pior. Esse pobre bebê. Ele é jovem demais para morrer.
Eu rolo meus olhos e suspiro. Diesel começa a coaxar sobre a mesa, se contorcendo desconfortavelmente. — Mãe, preste atenção. Eu preciso saber como cuidar de um bebê.
— Você não pode simplesmente tomar conta de um bebê! Não há instruções. É, oh Deus é tão difícil... Havia uma época em que você comeu ameixas...
— Mãe, — eu choro. — Foco.
— Certo, — ela diz com firmeza. — Eu não posso acreditar que eu estou ajudando com isso. A morte dele estará em mim.
— Jesus, mãe, eu não vou matar a criança.
Ela fica em silêncio e eu sei que ela está sacudindo a cabeça, não acreditando em uma palavra que eu digo.
— Você disse que ele tem dois meses?
— Em torno disso.
— Então ele vai precisar de uma mamadeira a cada três horas.
— A cada três horas!
Ela suspira. — Faça um favor ao mundo e deixe que outra pessoa faça o trabalho.
Eu adoraria, mas o dinheiro é bom demais para deixar passar e eu preciso dele. Me chame de egoísta, mas eu não posso mudar o que precisa ser feito.
— Não, está tudo bem. Três horas está bem.
Adeus dormir, eu vou sentir sua falta. Foi muito bom conhecer você.
— Ele também vai precisar que sua fralda seja trocada e muito. Você precisa verificar a cada poucas horas. Certifique-se de limpar suas, ah, partes corretamente. Você não quer uma infecção. Ah, e não se esqueça do creme para assadura.
— Creme para assaduras?
— É pra ajudar a prevenir as assaduras nas bundinhas deles, pobres pintinhos.
Deus, minha mãe apenas chamam as crianças de... pintinhos.
— Certo. Mamadeira, fraldas, creme para assadura. O que mais?
— Gases! — ela grita. — Gases vão deixar ele irritado. Você precisa dar um tapinha das costas até que ele arrote depois de comer.
Deus.
— Você precisa mantê-lo quente e agradável; está frio lá fora. Envolva ele à noite, isso vai ajudá-lo a dormir. Não coloque ele em seu estômago. Ele poderia parar de respirar.
Oh, cara. Eu não quero que isso aconteça. Talvez eu não sirva para isso. Diesel começa a chorar ao meu lado e eu olho para ele.
— Oh, — mamãe canta. — É ele?
— Sim, ele está chorando. O que eu faço?
— Talvez ele esteja com fome. Você precisa tentar dar comida. Se ele não está com fome, você precisa trocar a fralda. Se isso não funcionar, dê uns tapinhas leves nas costas dele. Ele pode ter gases. Se ainda não funcionar, talvez ele esteja cansado. Dê a ele uma chupeta e mamadeira para dormir.
Meu Deus. Essa coisa de bebê é tenso.
— Tudo bem, — eu digo, quando os gritos de Diesel ficam mais
altos.
— Se você está cuidando de um bebê, não fale ao telefone! — uma
voz late.
Me viro para ver Mack em pé na porta. Ele tem seus braços cruzados e ele está olhando para mim.
— Eu estou recebendo conselhos, — eu indico.
— Eu pensei que você fosse uma babá porra?
— Quem é esse? — minha mãe grita. — E diga a ele para parar de usar esse tipo de linguagem vulgar. Esse não é o pai do bebê, não é? Meu Deus, não...
Eu tiro o telefone do meu ouvido.
— Agora você deixou minha mãe preocupada. Eu sou uma babá, eu só estou recebendo conselhos sobre padrões... ah... de sono.
Ele me dá um olhar cético. — Bem, impeça ele de chorar enquanto você está nisso.
— Você sempre pode vir, eu não sei, pegar ele. Ele é o seu filho. Ele se vira e vai embora.
E sai.
— Jaylah!
Eu suspiro e pressiono o telefone de volta para o meu ouvido. —
Desculpe, mãe, está tudo bem.
— O que está acontecendo? Quem é este homem para quem você está trabalhando?
— Está tudo bem, ele é um pai solteiro.
— Isso não é bom. Nunca é bom.
— Eu vou desligar agora, mãe, — eu digo, porque os gritos da Diesel estão ficando mais altos. — Eu te amo.
Eu desligo antes que ela possa responder. Eu levanto o bebê em meus braços e caminho para a cozinha. Existem algumas mamadeiras na pia, e uma lata de leite em pó ao lado deles. Certo, eu posso fazer isso. Eu giro a lata, lendo a parte de trás. Não parece tão difícil. Eu prendo Diesel em uma mão e abro a lata, lançando uma garrafa e escavo um pouco do pó dentro dele. Eu perco metade do conteúdo sobre o balcão, mas não é ruim para a minha primeira tentativa.
Então eu despejo um pouco de água da chaleira, achando que fervida deve ser melhor. Está muito frio. Merda. Me lembro de minha mãe testar a temperatura em seu pulso, mas como diabos ela sabia o ponto? Acho um copo e o encho com água quente, colocando a mamadeira lá dentro. Eu tenho certeza que eu não deveria usar o microondas. Certo?
Após dez minutos de gritos de Diesel, a garrafa está quente. Eu mexo mais uma vez e corro para o sofá, ajustando ele sem jeito quando eu pressiono a garrafa nos lábios dele. Ele se agarra como um soldado e começa a chupar com uma força que eu nunca vi vindo de algo tão pequeno. Suas pequenas mãos estão fechadas em punhos e seus olhos castanhos estão nos meus.
Meu peito se sente alegre... Este pequeno calor se arrasta através de mim.
Ele é bonitinho.
Enquanto ele está se alimentando, eu puxo o meu telefone e o equilibro em uma das mãos, mandando uma mensagem com um dedo.
Jaylah - Hey Jos! Eu preciso de um favor...
Josie - O que você fez? Você matou o bebê? Você foi sequestrada?
Eu rio e respondo.
Jaylah - Não, ainda não, de qualquer maneira. Eu preciso das minhas coisas. Consegui o emprego, Ebaaa. Poderia ser boazinha e arrumar o básico para mim?
Josie - Porque você não pode vir buscar?
Jaylah - Bem, o pai é uma espécie de mal-humorado. É uma longa história; você vai ver quando você vir.
Josie - Eu acho que não tenho uma escolha. Te vejo logo!
Eu mando mensagem para ela com o endereço e uma lista do que eu quero, então eu solto o telefone no sofá ao meu lado. Diesel está quase terminando sua mamadeira e seus olhos estão se inclinando.
— Uh-uh, amiguinho, — eu digo, cutucando seu rosto suavemente. — Não é hora de dormir ainda.
Ele não responde. Os olhos dele se fecham e ele para de chupar. Ótimo. Eu nem sequer dei banho nele. Me levanto, tirando a mamadeira dos lábios dele. Ele faz alguns movimentos de sucção, em seguida, sua boca instala e faz um som chiado. Então, ele está dormindo. Droga. Eu gostaria de poder dormir tão facilmente.
Eu o levo para o banheiro. Hmmm. Isso é uma grande, grande banheira. Vai ser impossível dar banho nele nisso. Me viro e caminho para fora, chegando ao corredor. Eu não tenho certeza que o quarto pertence ao Capitão Mal-humorado, mas só há alguns então não vai ser difícil de encontrar. Estou certa; é no segundo quarto à direita. Ele está sentado em sua cama, tocando seu violão suavemente.
Oh Deus, ele troca a porra de um violão.
Eu acho que acabei de fazer um pouco de xixi nas calças. Isso é quente.
— Ah, — eu começo e ele encaixa a cabeça para cima, olhando para mim. — Onde eu dou banho nele?
Ele parece confuso. — Onde você costuma tomar banho?
— A banheira é muito funda.
Ele aperta os olhos. — Então, segure ele.
— Eu vou quebrar minhas costas se eu me inclinar sobre isso.
Ele ergue uma sobrancelha.
— Sério? — eu estalo. — Alguma ajuda seria bom.
— Quem está sendo pago aqui?
— Jesus, não importa.
Me viro e começo a andar. Quando passo pela lavanderia, eu vejo um tanque não muito grande lá. Isso vai ser perfeito. Sorrindo alegremente, eu pego uma toalha, encontro um pouco de sabonete para bebê e abro. Eu coloco uma toalha sobre a máquina de lavar roupa e abaixo Diesel. Eu começo a despi-lo, mas paro quando eu começo a tentar tirar a pequena camisa sobre a cabeça.
Merda.
Eu começo a puxar, mas não passa da cabeça.
Merda. A cabeça dele é grande demais para este pequeno buraco.
Quem inventou essa roupa?
Eu franzo os lábios e uso os dedos para esticá-la tanto quanto eu posso, deslizando-a sobre a cabeça dele. Ele acorda e começa a chorar, suas pequenas pernas se debatendo. — Sinto muito! — eu grito, erguendo o corpo do bebê nu em meus braços. Ahim, ele é tão pequeno, tão pequenininho. — Eu não tive a intenção de te machucar. É a camisa...
Eu estou falando com um bebê. Perdi a cabeça.
Eu ponho um dedo na água. Está quente, então eu gentilmente abaixo Diesel. Seu corpo rapidamente se torna escorregadio e eu tenho que usar minhas duas mãos para me certificar de que ele não afunde. Eu viro o corpinho dele gentilmente, deixando a água correr. Ele para de chorar e começa a fazer sons para mim. Oh Deus.
— Está tudo bem, homenzinho, — eu digo, sorrindo. — Você vai crescer e ser um super cara.
Ele murmura e meu coração se derrete um pouco mais. Quem iria imaginar que os bebês eram tão fofos? Eu o lavo o melhor que posso e, em seguida, o levanto para fora da água. Os gritos começam de novo; alguém não gosta de ser tirado do banho. Eu rapidamente envolvo ele em uma toalha e o levo em seu quarto, colocando-o sobre essa mesa
novamente. Eu tenho certeza que há um nome para isso; eu só não sei o que é.
Eu coloco a mão em sua barriga e me inclino para baixo, pegando uma fralda e uma roupa quente. Quando me levanto, alguma coisa cai no meu olho... meu Deus... o bebê está fazendo xixi no meu olho! Eu grito bem alto, querendo saltar para trás, mas não querendo que ele caia da mesa. Ele continua a jorrar em mim, e meus gritos se tornam mais altos enquanto a urina quente é espirrada sobre o meu rosto.
— Que porra é essa?
— Ele está fazendo xixi em mim! — eu grito. — Seu filho está fazendo xixi em mim. Segure ele, oh meu Deus, meu olho!
Silêncio.
Em seguida, uma risada alta.
— Você é horrível... horrível... horrível... Ele ri mais alto.
— Você vai segurar ele? Eu estou ficando cega!
— Você tem que aprender. Divirta-se com isso.
Então eu ouço seus passos pesados quando ele sai. Sério? Sério?
— Você vai pagar por isso, — eu grito. — Haverá uma doce, doce vingança."
Mais risos.
— Doce vingança. Oh Deus, me ajude.