Capa do Romance Um Jeito Estranho de Amar

Um Jeito Estranho de Amar

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Após celebrarem seis anos de casados com uma noite especial, Apolo e Jacob despertam em meio a carícias e intimidade. O clima romântico da manhã é interrompido quando o celular de Jacob toca. O hospital convoca o médico com urgência devido a um grave acidente envolvendo um ônibus e uma van escolar. Mesmo em seu dia de folga, Jacob precisa partir para salvar as vítimas, deixando Apolo preocupado com o destino das crianças e o sofrimento das famílias envolvidas.

Um Jeito Estranho de Amar Capítulo 1

— Oi, meu dorminhoco lindo – escutei enquanto gradativamente ia

despertando com uma sensação gostosa de beijinhos em minha nuca, à

medida que uma mão descia pela minha barriga, rumo ao meu pau.

— Bom dia, amor. Adoro quando você me acorda assim – falei

abrindo os olhos, já sorrindo, então me virei, deitando-me de costas para

facilitar uma masturbação mútua entre nós dois.

Tínhamos dormido pelados, o que não era muito comum, mas ontem

havia sido um dia especial, pois havíamos comemorado seis anos de

casados, então sair fora da rotina estava liberado. Estava indo tudo bem

naquela manhã. Nossas mãos em quase total sincronia, massageando-nos

simultaneamente.

Carícias trocadas. E o nosso beijo, que a cada segundo nos

incendiava mais e mais, porém fomos interrompidos pelo som de chamada

de um dos celulares, que pelo toque, logo deduzi ser o do meu companheiro.

— Deixa tocar, Jacob – resmunguei, mas ele me deu um selinho e

disse que precisava atender, antes de rolar para o lado dele na cama e pegar

o telefone sobre a mesinha de cabeceira – Era do hospital? – indaguei

segundos depois quando o mesmo desligou o celular.

— Sim, querido.

— Mas você não estava de folga hoje?

— Sim, Apolo, mas teve um acidente grave envolvendo um ônibus e

uma van escolar e estão precisando de mim lá no hospital.

— Espero que as crianças estejam bem – comentei, já ficando

preocupado e pensando no sofrimento dos pais daqueles anjinhos.

— Também queria pensar assim, mas provavelmente algumas estarão

bem graves – ele disse me encarando.

— Vai lá, amor. E salva aqueles anjinhos – murmurei e nos beijamos

antes dele se levantar da cama e ir para o banheiro.

O dia seguiu tranquilo para mim. De manhã, fui para o meu estúdio

de fotografia e a tarde, eu tinha uma sessão de fotos para fazer como modelo.

Quando voltei para casa, lá pelas cinco e meia, passei no mercado e fiz

algumas compras, pois iria preparar um dos pratos preferidos do Jacob, para

quando o mesmo chegasse do hospital comesse. Entretanto, quando

estacionei o meu carro na garagem, vi o dele ali.

— Amor? – o chamei à medida que ia para a cozinha, com as mãos

cheia de sacolas e o encontrei sentado à mesa, mexendo em seu notebook,

lindo, vestido apenas com a calça-moletom cinza que ele usava para dormir

– Pensei que ficaria o dia todo lá no hospital.

— Cheguei umas duas da tarde. Vim descansar um pouco, porque vou

ter que voltar às sete. E o porquê dessas compras todas? – ouvi ele perguntar

enquanto eu começava a guardar as coisas.

— Se esqueceu que hoje é o meu dia de fazer o jantar, querido? E

adivinha quem vai comer risoto de camarão com salsichas empanadas? –

indaguei colocando os ingredientes sobre a bancada.

— Sério? Não acredito, Apolo. O que será que eu fiz para ganhar um

mimo desse?

Sorri revirando os olhos, me aproximei dele, que ainda permanecia

sentado à mesa, e o abracei por sobre os ombros.

— Eu poderia dizer que foi pela noite maravilhosa ontem, mas o

motivo é por você ter dito “Sim” quando eu lhe pedi em casamento, naquela

gôndola lá em Veneza – sussurrei em seu ouvido, então ele virou um pouco o

rosto para nos beijarmos – Vou lá fazer o nosso jantar, e deixar você

trabalhando sossegado – comentei, aprumando-me, já me desvencilhando de

Jacob.

O mesmo me olhou confuso, porém fazendo um beicinho, então

apontei para a tela do notebook dele, que se encontrava com várias guias

abertas sobre uma doença infantil. Ficamos conversando sobre o nosso dia a

dia, pois adorávamos saber o que cada um fazia quando estávamos longe um

do outro, à medida que eu ia preparando a comida e ele fazia algumas

anotações de sua pesquisa.

Já fazia um bom tempo que estávamos na cozinha, quando escutamos

a campainha tocar, Jacob então disse que ia ver quem era e se levantou, indo

primeiro até a área de serviço para pegar uma blusa, vestindo-a antes de ir

atender a porta da frente.

— Quem é, amor!? – gritei segundos depois, mas ele não me

respondeu então abaixei o fogo da panela e me dirigi até o hall da entrada.

Encontrei Jacob encarando um jovem de no máximo dezessete anos,

de cabelos pretos, todo repicado, usando roupas bem maltrapilhas, além de

estar de óculos escuros. O que era bem estranho, porque estava quase de

noite e não tinha sol forte o suficiente para justificar o uso daqueles óculos.

— Pois não, rapaz? – inquiri, chamando a atenção do mesmo, que

mirou seu olhar para mim, virando a cabeça em minha direção.

— É uma moça, querido. Ela disse que viu o nosso anúncio do jornal

e veio nos fazer uma proposta.

Fiquei desconfiado, porque ela poderia ser uma ladra, uma drogada

ou coisa parecida, pois não fazia nem dois dias que tínhamos mandado

publicar o anúncio nos classificados do jornal local, onde expressávamos o

desejo de adotar um bebê ou tentar uma barriga de aluguel para realizar o

nosso sonho de sermos pais.

Eu sabia que em situações assim, poderia se demorar dias ou até

semanas para recebermos algum retorno. Olhei então, meio receoso, para o

meu companheiro, que me encarou de volta e deu de ombros.

— Olha, estou pouco me fudendo se vocês são gays ou não. Vocês

estão querendo adotar, não é? Pois então... – a jovem disse chamando logo

nossa atenção, então ela levantou o blusão que usava e ficou meio de lado,

fazendo com que víssemos o pequeno volume em seu ventre – ...eu estou

grávida. Não quero esse bebê e estou precisando de dinheiro. Vão querer ou

não?

— Entra. Vamos conversar com mais calma – disse Jacob, recebendo

um olhar reprovativo de mim.

— Bonita casa – a garota murmurou, olhando ao redor, admirada.

— E se ela for uma ladra? – cochichei enquanto fechava a porta.

— Sem paranoia, Apolo. Por favor – Jacob sussurrou de volta e se

virou sorrindo para a moça – Obrigado... Como se chama, senhorita?

— Theodora, mas podem me chamar de Thea.

— Ok, Thea. Vamos nos sentar naquele sofá ali. E amor, acho que o

seu risoto já deve estar pronto.

— Se ela te atacar, tu grita – pedi num sussurro e olhei, por cima do

ombro dele, mais uma vez para a garota que nos observava então encarei

Jacob de novo – Não se esqueça de gritar, amor – falei antes de sair rumo a

cozinha para ver o andamento do jantar.

— Então, Thea... Poderia contar mais sobre você, sobre a gravidez e

o motivo de não querer o bebê? – indaguei, percebendo algo de estranho em

seu rosto quando ela olhou para o lado, observando a sala.

“Um olho roxo. Será que é o pai do bebê que bate nela? Por isso

que ela não quer a criança?” pensei intrigado e minha suspeita se

confirmou quando a mesma disse que não gostava de falar sobre a sua vida.

— Não precisa usar os óculos para esconder esse olho roxo. Sou

médico, então convivo com isso, às vezes, lá no hospital. Foi o pai do bebê

que te bateu? Você tem pais?

— Desculpe, eu não deveria ter vindo.

Theodora se levantou e tentou correr para fora da sala, mas eu a

segurei, notando que ela estava prestes a chorar.

— Fica calma. Eu não vou te machucar – pedi e a jovem abraçou

minha cintura, meio desajeitada, afundando seu rosto em meu peito, já

desabando em lágrimas.

— O que está acontecendo aqui? – escutei a voz do Apolo, então

olhei para o lado, pedindo rapidamente que ele trouxesse um copo com água

para a nossa visitante poder se acalmar e assim Apolo o fez, com uma cara

meio desconfiada, mas fez.

— Me desculpe pelo que houve – ela disse, minutos depois, mais

calma.

A mesma se encontrava sentada novamente no sofá, comigo ao seu

lado e com Apolo sentado na mesinha de centro, à sua frente.

— Eu que peço desculpas, Thea. Não foi minha intenção te

aborrecer, mas eu só queria saber se vamos ter que ficar preocupados com

um possível agressor perto do bebê que desejamos adotar – falei e ela me

encarou primeiro, depois olhou para o meu companheiro e em seguida

abaixou o olhar para as mãos sobre seu colo.

— Não precisam se preocupar, porque o Jaime está preso.

— E quem é Jaime? – Apolo indagou e Theodora o olhou.

— Meu namorado, quer dizer, ex-namorado. O pai do bebê.

— Foi ele que te bateu, Thea? – inquiri.

— Sim, senhor. É por isso que preciso do dinheiro. Quero fugir para

bem longe dele.

— Pode nos chamar pelos nossos nomes. Eu sou o Jacob e esse aqui

é o meu companheiro Apolo.

Ela assentiu dando um meio sorriso para nós dois.

— Então você ia pegar o nosso dinheiro e sumir com ele e o bebê?

— Não... Apolo. Jaime vai ficar preso por um ano e alguns meses,

então daria tempo para eu ter o bebê, entregá-lo a vocês, pegar o dinheiro e

ir embora da cidade. Eu posso ser de onde eu sou, mas tenho palavra e não

volto atrás, ao contrário daqueles que se diziam meus amigos, mas que são

só amigos na hora da bandidagem.

Apolo me encarou com uma expressão que dizia: “Viu só? Eu tinha

razão”.

— Você não está tentando passar a perna na gente para nos roubar,

está?

— Amor, por favor, né?

— Eu só estou perguntando, Jacob. Nada demais.

— Não se preocupe. Eu só roubo, ou roubava, lojas de

conveniências, porque lá tem dinheiro e comida. Há três dias roubei uma e

entre os itens, eu peguei um jornal e foi assim que eu vi o anúncio de vocês.

— Você tem onde dormir?

— Tinha, mas quando Jaime foi preso, eu fui expulsa do local onde

ficávamos e desde então vivo pela rua mesmo. E antes que perguntem, eu sou

órfã e é por esse motivo que eu roubava, porque não tenho família para pedir

teto e nem comida.

Senti muito pena daquela jovem, então logo a ideia de acolhê-la em

nossa casa me veio à mente.

— Não se preocupe, Thea. A partir de agora, você tem um lugar para

morar enquanto estiver grávida. Nós cuidaremos de você e do bebê, né

querido?

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