"Vou ser direta com você! Naquela noite, coloquei algo no seu vinho, e por pura diversão, arrumei dois homens para você satisfazer seu desejo. Quem diria que você seria tão imprevisível? Acabou entrando no quarto de um desconhecido e, sem cerimônia alguma..." Melissa falou com desdém, o olhar carregado de malícia. "E Lorenzo Anbrósio foi gentil demais! Temia que você não suportasse a verdade, então disse que era ele naquela noite!"
Amara sentiu o sangue ferver, cada palavra de Melissa atingindo-a como uma lâmina afiada. Sem conseguir mais se conter, ela agarrou o pulso da mulher, o rosto fervendo de indignação:
"Por que você fez isso comigo? Por quê? Já não causou sofrimento o suficiente?"
Melissa, em um primeiro momento, levantou a sobrancelha com raiva, mas logo avistou Asllan atrás de Amara. Com a precisão de uma atriz ensaiada, suavizou o tom, assumindo uma expressão delicada e falsamente arrependida:
"Irmã mais velha, eu sei que errei. Se você quer bater ou gritar, faça comigo. Mas, por favor, não culpe o Lorenzo Anbrósio..."
Amara congelou ao ouvir aquele nome. Seu corpo ficou tenso, e seus olhos, ainda marejados, encontraram os de Asllan. Antes que pudesse reagir, Melissa se jogou no chão com um movimento teatral, a pose perfeita de quem havia sido empurrada.
"Asllan! O que você está fazendo aqui?" Melissa gritou com a voz chorosa, as lágrimas estrategicamente escorrendo pelo rosto.
Amara ficou paralisada quando ouviu a voz fria e reprovadora de Asllan atrás de si:
"Amara, o que você fez?"
Sem conseguir acreditar no que ouvia, Amara assistiu Asllan passar por ela para ajudar Melissa a se levantar. Ele a segurou com cuidado, protegendo-a como se ela fosse um tesouro frágil.
"Melissa, você está bem?" ele perguntou, ignorando completamente o estado de Amara.
"Sim, estou bem... Só me preocupo com minha irmã. Eu sei que fui impulsiva, mas só queria ajudá-la a encontrar seu caminho..." Melissa murmurou com um tom doce, encostando-se no peito de Asllan.
A raiva e a frustração de Amara chegaram ao limite. Ela sabia que havia algo errado, mas nunca imaginou que Melissa fosse capaz de tamanha crueldade.
"Asllan, você sabia disso o tempo todo?" Amara perguntou, sua voz quebrada.
Asllan suspirou antes de começar a falar. Ele falou sobre como cresceu com Amara, sobre como se apaixonou por Melissa e como lutou contra seus sentimentos. Falou sobre o choque de descobrir a gravidez de Amara e sobre como se sentia culpado.
"Amara, sinto muito. Não posso me casar com você. Não é por causa daquela noite ou dessa criança, mas porque não posso decepcionar Melissa. E não quero enganar meus próprios sentimentos."
Aquelas palavras soaram como a sentença final. Amara tentou argumentar, mas percebeu que não havia mais nada a dizer. Melissa havia roubado tudo dela: sua família, sua identidade e, agora, até o homem que ela amava.
Ela deu as costas para os dois, caminhando em direção à rua, o coração apertado e a mente em um turbilhão de emoções. Quando estava no meio da faixa de pedestres, um som estridente de freios encheu o ar.
O impacto a jogou no ar, e o mundo girou ao seu redor. Enquanto a dor intensa irradiava de seu corpo, tudo parecia ficar distante. Ela viu rostos conhecidos, mas não sentiu conforto algum.
O sangue quente escorria de sua testa, e sua visão ficou turva. No meio da confusão, Amara ouviu vozes gritando por ajuda antes de sua consciência desaparecer na escuridão profunda.
Cinco anos se passaram.
No bar Eton, em um corredor isolado no último andar, Amara estava com a cabeça latejando após horas acompanhando alguns investidores. Procurando um lugar tranquilo para se recompor, ela encontrou um canto discreto. Porém, antes que pudesse relaxar, ouviu os passos determinados de Pillar, sua empresária, que a seguira até ali.
Amara respirou fundo, reunindo energia para encará-la.
– Pillar, o que você quer? – perguntou, visivelmente cansada.
– Amara, deixe-me ser direta: você se inscreveu para o teste do papel principal feminino em Se Amar nas Estrelas? – Pillar cruzou os braços, a expressão carregada.
– Sim. E daí? – respondeu Amara, erguendo uma sobrancelha.
– Você não tem permissão para ir amanhã! – Pillar declarou com firmeza.
Embora soubesse que deveria se surpreender, Amara apenas sorriu de leve.
– E qual seria o motivo?
– Agiu pelas minhas costas! Como sua empresária, eu já havia providenciado para Melissa fazer o teste.
– Isso não impede minha inscrição, Pillar. – Amara manteve a calma, inclinando-se contra a parede. – Não me diga que Melissa está com medo de que uma atriz de menor expressão como eu roube o papel dela.
– Você acha que pode roubar o papel de Melissa? Não me faça rir! – Pillar bufou. – A família dela investiu 30 milhões neste filme. Esse papel já é dela!
– Então, por que tanta preocupação? – Amara rebateu, o olhar afiado.
– Você é minha artista e deve seguir meus arranjos! – Pillar respondeu, como se isso encerrasse a discussão.
– Interessante... Você ainda lembra que sou sua artista? – A ironia na voz de Amara era clara.
– Não tenho tempo para discutir. Já que você insiste em desobedecer, não me culpe por tomar medidas mais drásticas! – Pillar afirmou, e antes que Amara pudesse reagir, sentiu uma pressão forte empurrá-la para dentro de um depósito.
Com um estrondo, a porta foi trancada, e seu telefone foi arrancado de suas mãos.
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Encostada na porta, Amara tentou controlar a respiração. Gritar não resolveria nada. Estava sozinha naquele depósito. Escorregou até o chão, exausta, enquanto os passos de Pillar ecoavam ao se afastar.
Desde que ingressara na Stellar Entertainment, Melissa sempre conseguia manipular Pillar para frustrar sua carreira. No começo, eram apenas papéis insignificantes. Agora, sabotagens como essa estavam se tornando comuns.
"Preciso sair daqui. Se perder esse teste, será o fim da linha para mim nesta empresa", pensou Amara, frustrada.
Em meio à escuridão, um som baixo e insistente chamou sua atenção. Amara estreitou os olhos, tentando identificar o ruído.
– Um rato? – murmurou, virando-se na direção do som.
Seu coração deu um salto. Não era um rato. Atrás de uma pilha de caixas, havia uma criança pequena, de uns quatro ou cinco anos. Ele era como uma obra de arte em jade, com pele clara e macia, mas seus olhos brilhavam com desconfiança e medo.
– O que...? – Amara piscou, incrédula.
Era improvável que alguém trouxesse uma criança para um bar, muito menos a deixasse escondida em um depósito. Curiosa, ela se aproximou alguns passos.
– Ei, pequeno rapaz, quem é você? Como veio parar aqui? – perguntou com suavidade.
Nenhuma resposta.
– Você entrou escondido? Ou também foi trancado aqui? – tentou novamente, mas o menino apenas encolheu-se ainda mais.
– Você gosta de doces? – Amara tentou puxar conversa, mas o pequeno permaneceu em silêncio, tremendo como uma folha ao vento.
Diante da falta de resposta, ela desistiu e voltou para o canto oposto do depósito, resignada.
A lâmpada acima começou a piscar e, com um estalo, apagou-se completamente. Na escuridão, Amara ouviu o som distinto de dentes batendo.
– Está com medo do escuro? – perguntou ela, tentando localizar o menino na penumbra.
O som parou por um instante, mas logo voltou, mais forte.
Amara riu baixinho e se levantou.
– Você é mesmo um garotinho assustado, não é?
Ela caminhou até ele, tentando não parecer ameaçadora. Algo naquele garotinho a intrigava profundamente, mas ela sabia que precisaria ganhar sua confiança para entender o que estava acontecendo ali.