Capítulo 2

SAMILA

Desde criança, eu sempre li em histórias sobre casamentos arranjados e o quão eram belos o amor que ambos nutriam um pelo outro com passar do tempo. Mas, eu nunca me imaginei vivendo essa emoção.

Algumas horas antes da noite de nupcias.

Eu tive o que se pode chamar de dia de princesa. Um pouco antes eu havia enviado um email para minha irmã, avisando que estava indo para o a batedouro - vulgo casamento - me preparando em um quarto na parte de trás da casa. Um pouco mais a minha frente havia um vestido branco que faria qualquer mulher suspirar. Mas não a mim. era um casamento de contrato.Mamãe entrou no cómodo e fechou a porta em seguida, pediu que as meninas que estavam finalizando minha maquiagem.

— Por favor, me deixem a sós com a minha filha.

Eu direcionei meu olhe para ela, e vi em seus olhos a preocupação estampada, mas ela tentou disfarçar com um belo sorriso.

— Minha princesa, você está tão bonita.

— Eu devo estar — Falei em um tom triste, mas também forçando um sorriso — Eu posso lhe perguntar algo?

— Sim, eu descobri algumas coisas sobre ele.

— E como ele é?

Ela começou a conversar comigo, pondo as mãos sobre as minhas. suas mãos maltratadas de trabalho estavam frias, e ela apertou minhas mãos entrelaçando seus dedos, suas palavras escorriam da boca com temor ela procurava sempre usar dialetos fáceis para que eu não temesse.

— Ele é um trabalhador do Dom. Algumas empregadas disseram-me que ele é muito forte e alto, e que nunca ouviu alguma namorada dele se queixar.

— Então será que... — Eu tinha que perguntar — ele respeitaria eu não o querer na noite de núpcias?

— Eu pedi ao dom permissão que eu conversasse com ele mas ele não permitiu. Não quis que eu conversasse.

— Céus mamãe — Escorreram lágrimas de meus olhos e não pude evitar — E se ele quiser me forçar?

— Dará tudo certo — Ela dizia em um tom acolhedor apertando mais as minhas mãos — eu sei que dará.

Eu apeguei-me a um pouco de esperança, uma linha tão fina quanto um fio de cabelo e quando fui levada para a capela de casamento, com aquele embrulho no estômago e nó na garganta a ansiedade passou a me dominar. Eu pude vê-lo A premissa é inegavelmente verdadeira? de longe, um pouco antes de entrar na igreja. O homem alto, de cabelos grandes e pele bronzeada usava um terno elegante que com certeza cobria toas suas tatuagens — sim eu sabia que ele tinha, já havia o visto antes — e abaixei o meu olhar enquanto juntava forças para caminhar, pois, por conta do medo que me dominava parecia ter rochas presas a minhas pernas. A cada passo eu me sentia caminhar a ida de um poço de lava, mas eu sabia que a vida de minha irmã estava em jogo pois graças a ela que um mal maior não me aconteceu. Porém, me pergunto se eu não estava me entregando a outro mal.

Gregory, esse era o nome dele. um dos cães da família de Dante, ele era conhecido como um dos mais ferozes por ser o filho bastardo do Dom, e também o que sentia prazer em matar todos que ele dava a ordem. ele era um homem cruel, ele quem sujava as mãos quando os mais ricos queriam um serviço exclusivo, por isso era bem tratado, a pão de ló. Mas, socialmente todos os ignoravam e esse evento de casamento a maioria que estavam eram os empregados. haviam poucos membros de família presente. Nem mesmo o Dom veio assistir a cerimónia, Pelo que me foi dito ele havia pedido que fosse gravada pois queria assistir. Era estranho, de fato. durante minha adolescência que convivi entre essas pessoas eu pude ver que eram muito egoístas e tinham o ego cheio além de serem super perigosos.

Ele podia ter feito qualquer coisa comigo, ter prado mim como sua amante, me colocado em um de seus negócios ilegais para trabalhar de graça pelo resto da vida. Mas, ele preferiu me entregar a seu filho bastardo como esposa, pois segundo ele ''Gostaria de dar algo decente, como uma esposa após anos de serviço''. Gregory tinha os seus vinte e seis anos enquanto eu havia completado dezoito a pouco tempo e tudo que eu sabia a respeito dele era as histórias sobre o poderoso bastardo. Enquanto o filho se casava com uma jovem de família poderosa, ele colocou o bastardo para casar com uma jovem que o devia.

A cerimonia havia sido bela, não nego. Apesar de não estar no clima de aproveita-la eu tinha que admitir isso, o Dom não havia poupado dinheiro para decoração e muito menos para festa. A comida, o bufe havia sido bello e com comida farra, acredito que todos os empegados e pessoas de baixa classe estavam ali, até onde eu começava a entender ele queria compensar por algo, Culpa? talvez por ter tido um filho fora do casamento e o transformado em uma arma de matar.

''Vamos''

Foi uma palavra curta, que me fez sentir um intenso nó na garganta pois eu temia esse momento. As horas passaram tão rápido que nem me dei conta que já estava no momento de me entregar e consumar nosso casamento. O que fazer? Eu pensava comigo mesma em várias probabilidades de como impedir sem despertar sua fúria, mas eu não conseguia nem se quer coragem para encara-lo nos olhos e quando dei por mim eu já estava em um cómodo fechado com ele. Fui carregada eu me lembro, mas quando a ficha finalmente caiu eu senti um forte nó na garganta e piorou com uma vontade de gritar quando ele me tocou nos quadris. Vários sentimentos me abalaram naquele momento, em ver como aquele homem era tão grande e seus olhos pelo que conseguia compreender ele estava me desejando. Mão tão firmes e calejadas pondo em minhas costas sob minhas costelas e me puxando para perto de si, e eu finalmente tive coragem de rejeita-lo.

Quando me dei conta do que fiz, ele estava sentado na cama se despindo.

— Você não pretende me puxar a força?

Minha pergunta pareceu encher sua cabeça de possibilidades pois a velocidade qual ele se levantou da cama e veio até perto de meu corpo, pondo-me contra a parede com os braços ao lado de meu corpo me mantendo presa ali, Era como uma gazela diante de um lobo feroz.

— Você quer que eu te pegue a força?

Acenei com a cabeça que não.

— Então é como eu te disse: Não quero começar um casamento com seu ódio. meu fogo é seu, eu te desejei a partir do momento que entrou naquela igreja. Mas se você não quer eu não vou fazer isso. Essa família respeita suas esposas, e esperamos que elas nos respeite de volta.

Ele falava mesmo como um membro daquela família.

— Eu agradeço a sua paciência.

— Quero pedir algo em troca dessa paciência que você admira.

Céus, o que esperar vindo daquele homem?

— O que quer?

Ele apontou para cama, e vagarosamente eu fui e me sentei na borda, já ele se sentou um pouco mais longe — Eu sempre vi casais fazerem algo na praça, e senti um pouco de inveja. Quero que acaricie minha cabeça.

Ele estava falando mesmo sério? Antes que pudesse pensar em questionar aquele pedido, ele se deitou e repousou a cabeça sobre minhas pernas que estavam cobertas por aquela longa saia branca e ficou me olhando, dessa vez eu não conseguia dizer se ele estava feliz.

— Você quer que eu...te acaricie?

— Não vou pedir duas vezes.

Ergui a cabeça e com as mãos leves eu comecei a toca-lo nos cabelos e suavemente na testa, ele estava querendo carinho?

— Isso é bom — Ele responde fechando os olhos — Eu gosto do seu cheiro, não mude de perfume.

Eu estava cada vez mais perdida naquele casamento, além de estar sujeita a um homem perigoso eu tive a total certeza que ele era imprevisível e não sabia o que poderia espere vindo dele, além do tom de voz ardil aquele pedido fora do meu imaginário me quebrou totalmente.

Ele pareceu ter ganhado sono durante as carícias de minhas mãos, aproveitei quando ele se arrumou no lado esquerdo da cama e fui até uma de minhas malas, pegando um vestido para que eu fosse dormir. Bem, eu não acreditava que dormiria naquela noite mas ao menos desejava estar confortável, tempo de mais com aquele vestido estava sendo uma tortura. Droga, eu queria sair e ir conversar com minha mãe, eu pensava nela enquanto me despia e finalmente colocava um pijama azul para dormir, era claro e de tecido leve que escorregava pelo meu corpo esbelto. Tirei todos os enfeites do meu cabelo e finalmente virei de frente para a cama e tive a surpresa desagradável de vê-lo sentado olhando para mim.

— Você... — minha língua travou por um instante — me viu nua?

— Não vi o quanto eu gostaria.

— Meu Deus! — Não sabia se sentia vergonha ou nojo.

— A senhora minha esposa é tão bonita — Ele olhou para as mãos — Diferente de mim , que tenho mãos calejadas e sou cheio de cicatrizes e marcas, eu não sou digno de toca-la.

— O que?

Ele estava me elogiando a ponto de se insultar? Eu tinha algumas estrias e celulites, não era perfeita.

— Você é perfeita, mais bela do que as putas que paguei para foder.

Céus, ele não tinha freio na língua.

— Isso foi um elogio?

— Sem sombra de dúvidas.

Havia um acordo entre mim e o Dom, ele me garantiria um emprego honesto em uma biblioteca no centro da cidade, então com um tempo eu poderia me mudar junto a meu esposo de sua residência. Era apenas vantagens, assim eu não iria ficar devendo aquele homem mais o que já estava. Naquela noite, a dita noite de núpcias eu não consegui dormir direito, acredito só ter finalmente pego um cochilo quando a janela do quarto já estava aberta e os raios de sol atingiram meu rosto. eu temi, era a primeira vez que ficava sozinha tanto tempo com um homem, mas para minha surpresa estava sendo tudo diferente do que eu imaginei. A minha frente, estava ma bandeja na cama com um prato servido torradas, requeijão, uma xícara de café, um copo de leite e um copo de suco. E, meu então marido sentado na beira. Só agora eu pude notar, o quarto dele não era tão pequeno assim, o Dom gostava de manter seus cachorros perto, com um conforto minimo. Nunca imaginei que eu fosse acabar me tornando uma recompensa.

Ele podia ter feito o que quisesse comigo, mas me trouxe café na cama.

— Não sei do que gosta, então eu peguei todas as opções que tinha.

Havia sido muito atencioso da parte dele, mas mesmo assim fiquei desconfiada. eu me sentei na cama e coloquei a mão na bandeja. me olhei dos pés a cabeça e ainda estava vestida igual, nada havia mudado. Já ele, pelo visto havia tomado banho e colocado uma camisa preta e sua calças social. Peguei uma torrada e em seguida ele pegou uma, pareceu estar esperando para comer comigo.

— a minha mãe, ainda está?

— Sobre isso. — Ele diz de boca cheia e engole antes de falar — Um pouco antes de você acordar, eu peguei um lençol, sujei de sangue e coloquei na varanda.

O que?

— Pra que? Porquê você fez isso?

— Isso é pra confirmar para o Dom que nós dois consumamos nosso casamento Mas...

Ele ficou em silêncio por um instante, e isso me irritou eu queria saber o que ele queria dizer.

— Diga, eu não gosto de suspenses.

— Sua mãe não gostou de saber que nos unimos em uma só carne, então converse com ela em particular.

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Capítulo 3

Então, pela forma que ele comia de seu próprio pão tranquilo e depois tomou o copo de suco eu pude ver que ele não sabia nada sobre mim, Ele não sabia nada sobre meu passado manchado de sangue, o que me restava a curiosidade: é porque não foi dito nada a ele? Pensei que o dom faria questão para que ele me torturasse após passar anos comendo de seu dinheiro.

Eu terminei minha refeição e ele se despediu de mim e disse ter um trabalho a fazer — ou alguém para matar — e eu não dei importância. Resolvi pegar minha mala e arrumar minha parte no grande armário. Ele parecia novo e estava grudado na parede, eu abri e havia um lado totalmente vazio, coloquei minhas roupas já dobradas e três pares de sapatos e ainda sobrou espaço para vestido e o que mais fosse. Então eu pude sentir um pequeno gosto de felicidade.

****

Quando retornei do trabalho, já com um sorriso nos lábios e animada, havia sido confortável ver tantos jovens interessados na leitura, a maioria era livros de romances tanto adolescentes como romances adultos. Também para aqueles livros de história para trabalhos, a distração da leitura me fez esquecer meu triste destino quando chegasse na hora do jantar. Mas, eu vi o olhar de minha mãe no corredor próximo ao quarto. Seu olhar ao me ver foi de surpresa, correu até mim e segurou meu antebraço, puxou-me até para dentro dele, e quando estávamos dentro do cómodo ela trancou a porta e me olhou dos pés a cabeça, seu olhar de alegria deu lugar a um de preocupação.

— Eu vi o lençol com sangue. Você está bem? como se sente? Quer ir ao médico?

Se Gregory se deu o trabalho de criar uma farsa, era por uma razão: ele queria me proteger ou a si próprio, seja qual for a razão eu tinha que manter o segredo a salvo, então resolvi mentir para minha mãe, mesmo que me parta o coração fazer isso.

— Mamãe, acredite em mim quando eu te disser que ele não me fez nada, quando ele me tocar a senhora será a primeira a saber.

— Eu vi o lençol sujo de sangue e acabei pensando que..

— Mamãe — Eu a olhei no fundo dos olhos, e apesar de temer aquele homem eu disse a verdade — Ele não me fez nenhum mal isso eu garanto a-

O ranger das dobradiças da porta ao ser aberta nos interrompeu e lá estava o meu esposo, tão alto e forte, ele parecia animado, foi direto para o armário, pegou uma muda de roupa e passou por mim.

— Troca de roupa, nós vamos dar uma volta.

Seu tom era autoritário, exigindo que eu me arrumasse.

— Mas, eu não quero sair.

— Eu não tô perguntando se você quer.

Certo nisso eu senti firmeza, então decidi não contrariá-lo, me despedi de minha mãe com um abraço e decidi o acompanhar.

Um vestido rosa-claro e minha sapatilha preta sem salto, passei o perfume adocicado que ele havia dito gostar noite passada, não pensando em agradá-lo e sim temendo discutir com o então meu marido, ele era o dobro do meu tamanho e tudo que eu não queria era provocar dele a ira. Me encontrei com ele no jardim, eu estava com os cabelos presos para trás e bem hidratados, e ele estava encostado em um carro de modelo simples, nõ era luxuoso, mas eu sabia que era dele e ficava na propriedade.

— Pra onde vamos? — Questionei com uma voz gentil.

— Sim.

Sério? aquela era a resposta dele? pensei reclamando em pensamento, ele abriu a porta do passageiro para mim. Eu olhava pela janela enquanto andávamos todo caminho e pude ver estarmos indo a um passeio, o sol estava quase se pondo, e era uma imagem bonita, já que o grande casarão de Dante ficava próximo de uma reserva natural, nós pegamos a uma estrada de terra e comecei a sentir meu estômago gelar, porém, acredito que ele notou a minha mudança de expressão, pois seu olhar veio para mim e pesou por breves segundos, ele foi estacionando o carro abaixo da sombra de uma árvore e era o lugar perfeito para ter a visão do por do sol, ele desligou o carro e ficou a olhar pelo vidro.

— Eu sempre venho aqui após um trabalho, para repensar um pouco na vida. Então, eu queria te trazer aqui para ver a beleza dessas flores.

— Você sabe que eu tenho medo de você, não sabe? — Eu queria que ele soubesse pois estava quase tremendo.

— Não — Ele me olhou — tudo que eu sei é que a senhorita tem uma opinião formada de mim. Eu sei que não é o casamento dos sonhos de toda moça, mas eu quero que dê certo.

— Por quê quer tanto que nosso casamento dê certo?

— E eu tenho motivos para não querer?

— A gente, — dou uma pausa e suspiro — nós não nos conhecemos — Dei uma pausa e gesticulei — e não nos amamos você sabe disso.

Ele deu uma pausa momentânea e depois sorriu sem emoção.

— Então deve ser porque eu sinta que é a primeira vez

Que eu possa ter algo que seja importante para mim, algo com que eu possa realmente me preocupar.

— Está brincando comigo?

— Esse medo todo é de mim?

— Não, eu só não confio em homens no geral.

Essas palavras parecem ter o surpreendido.

— Então por favor, por um instante, esqueça que eu sou um homem, e veja esse por do sol, borboletinha

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