A minha cabeça estava a ponto de explodir.. Flashs do que aconteceu, vinham e iam com facilidade. Era só eu abrir os meus olhos e era tomada de assalto por vários coisas que aconteceram na noite.. Já era de manhã? Não havia claridade nenhuma no quarto.. Quarto? Merda.. O que foi que eu fiz? Será que eu estava tão louca assim para ir para a cama de um estranho.. Um estranho muito gostoso afinal.
É pelo visto eu fui sim.. Sentei na cama, o deus italiano dormia profundamente ao meu lado.. Peguei o meu celular que estava em minha bolsa, já era quase seis da manhã.. Aquilo significava que eu só havia dormido por um hora, desde que chegamos a esse quarto de hotel.. Tudo o que fizemos foi matar o nosso desejo de maneira desenfreada e enlouquecedora. Ele se mexeu na cama, me lembrando que eu tinha que dar o fora dali o mais rápido possível.. Tudo tinha sido muito incrível, mas apenas uma loucura que não vai voltar a se repetir, eu nem se quer sei o nome dele e ele o meu.. Assim é bem melhor!
Catei as minhas coisas espalhadas pelo lugar.. Caminhei lentamente até a porta, mas não sem olhar pra trás mais uma vez e ver dormindo a melhor transa da minha vida.. E a certeza de que nunca mais nos veríamos novamente, o cara deveria ser um turista.. Ou algo do tipo, não costumávamos ter espécimes tão belos como esse por aqui.
Assim que eu cheguei em casa, corri diretamente para o meu quarto.. Eu com certeza iria dormir a manhã inteira, eu estava completamente quebrada.. Meu corpo doía em lugares que eu nem sabia ser possível, mas só de lembrar o porquê de ele estar dolorido.. Me fazia gemer instantaneamente, lembrar dos beijos do meu deus italiano, das suas mãos, sua veneração.. Me deixava quente e cheia de desejo novamente.
—Meu Deus.. Gabi, nem acredito que você chegou —o meu quarto foi invadido por Julia, ela tinha uma expressão de alívio em seu rosto —meu Deus.. Você não é irresponsável sempre, mas quando decide ser. Você praticamente testa o meu coração —ela falou.. Estava com o rosto todo amassado, mas o que me chamou mais atenção foi a camisa de Diogo em seu corpo.
—O que está fazendo aqui? Ou melhor onde você dormiu e por que está com a camisa de Diogo? – perguntei e vi o seu rosto ser tingido por um vermelho carmim, aí meus Deus.. Aí meu Deus, pelo visto não era só eu que tinha irresponsabilidades a confessar.
—Eu... É.. Primeiro me diga que irresponsabilidade foi essa Gabi —ela pediu, claramente mudando de assunto e prolongando mais o seu tempo.. Para inventar qualquer desculpa. —Você vai no banheiro.. Demora hora e eu só recebo uma mensagem sua dizendo que tinha saído com alguém, que eu não precisava me preocupar —ela falou.. Colocando daquele jeito, eu realmente parecia uma irresponsável agora.
—Tudo bem... Eu sei que eu agi muito errado tá, mas caramba eu tive a melhor noite da minha vida nos braços de um desconhecido —falei e ela abriu a boca em choque, percebi que ela tentou verbalizar os seus pensamentos.. Mas nenhuma palavra saiu. —eu prometo te contar tudo.. Mas depois que eu dormi, eu não preguei os olhos —falei.
—É... Eu acho que nós teremos muito o que conversar depois —ela falou e eu levantei a sobrancelha em sua direção, senti que Julia não estava falando aquilo apenas por minha causa. – Eu também preciso dormir.. Posso dormir com você? – perguntou e eu balancei a cabeça oferecendo um sorriso singelo a ela.
Abri espaço na minha cama, para uma Julia que se jogou ali no meu habitat.. Como ela sempre fazia, desde que eu me lembrava. Assim que ela se acomodou, eu coloquei a cabeça no meu travesseiro.. As imagens da noite anterior me invadiram com força total. Enquanto Julia dormiu assim que se deitou, eu fiquei rodando de um lado a outro.. Olhos azuis escuros, sotaque italiano, beijos quentes e sexo selvagem povoavam a minha mente.
Deitei virada para o tento.. Levei a mão abaixo da cabeça, eu tinha que parar com aqueles pensamentos e focar no fato de eu estar cansada.. Foi só deitar e o meu sono se espalhou, eu dava aquele acontecimento como único e irresponsável.. Depois que o efeito do deus italiano passasse eu voltaria ao normal! Eu tinha a plena e absoluta certeza daquilo.
Eu não me lembro exatamente o momento em que eu consegui pegar no sono finalmente, mas em algum momento entre tentar me livrar dos pensamentos sobre o deus italiano e o meu cansaço.. Eu consegui enfim. Quando eu acordei, não tinha a noção mínima de tempo e nem que dia era aquele.. Tudo o que sei era que eu estava sozinha na cama, não sabia se Julia ainda estava em casa, ou se ela já havia ido embora.. O que eu apostava a que não tinha acontecido.
Levantei e joguei apenas uma água no rosto, ao olhar no espelho do banheiro eu quase cai para trás.. O meu rosto estava horrível, mas a minha barriga roncando de fome estava bem pior. Não foi surpresa nenhuma encontrar Julia na cozinha comendo um sanduíche natural.. Aprendemos aquele sanduíche com a avó dela e era ótimo para substituir por um hambúrguer.. O que era mais gorduroso e não ajudava em nada a manter o nosso corpo.
—A bela adormecida acordou – na hora que eu entrei na cozinha Julia falou me paralisando, a palavra “Bella” me lembrava um certo italiano... Me lembrava de quantos vezes eu fui chamada de Bella em menos de vinte e quatro horas. De cada contexto que aquela palavra “Bella” foi colocada. —Eu estou falando com você.. Esta tudo bem? —ela perguntou franzido o cenho e levando o suco de laranja a boca.
—Está... Está sim! – falei, mas ela não desviou os olhos de mim —eu demorei a dormir.. Que hora é essa? – perguntei.
—Quase três da tarde.. Senta aí, ainda tem sanduíche – ela falou – nós precisamos conversar —ela tinha razão, por isso eu cortei a distância da porta, onde eu me encontrava, me sentei na mesa da cozinha de frente a ela.
Contei a ela cada detalhe.. Do que eu senti desde a boate, quando o deus italiano colocou as mãos em mim. Julia ficou irritada por eu não ter lhe contando isso lá mesmo, mas também me entendeu.. Contei da loucura que foi sair da boate com ele, mesmo assim eu não me arrependia de nada.. O homem era maravilhoso, ele me venerou literalmente.. Cada parte do meu corpo, cada célula minha se sentia vibrar... Assim que ele punha as mãos em mim, não só as mão a boca e o pau.
Contei que eu nunca me senti tão bem com um homem.. Bem antes dele eu só tive um idiota na minha vida. Quer dizer ele não era um idiota.. Era só um filhinho de papai que tinha vergonha da namorada pobre, pensando bem ele era um idiota sim. Como eu me arrependia de ter dedicado tanto tempo de mim aquele babaca.. Ele nunca me fez sentir um terço do que eu senti na noite passada.. E nada madrugada também.
—Eu fico feliz por você Gabi.. Mas merda, você quase me matou —ela falou – se esse cara fosse um psicopata.. Você pensou nisso? —ela perguntou e eu ri balançando a minha cabeça.
—Eu seria uma morta feliz agora —ela abriu a boca em ultraje. —Agora a senhora pode me dizer tudo o que me esconde também —falei e vi ela engasgar, agora que eu tinha certeza que havia algo acontecendo com toda a certeza.
—Eu.. É – levantei a sobrancelha quando ela começou a enrolar nas palavras. —Eu e Diogo estamos juntos —ela falou de uma vez.. Me deixando de boca aberta, eu tinha uma certa desconfiança, mas ouvir as palavras da boca dela era.. Outra coisa.
—Está bem.. Você, minha melhor amiga e o meu irmão – falei e repeti aquilo na minha cabeça, não era estranho era só Estranho para caralho. Eu não sabia como colocar aquilo em palavras.. Não que eu tivesse alguma coisa contra, amava Diogo e Julia na mesma proporção.. Só não entendia o fato de eles esconderem isso de mim.. Até agora.
—Não faz essas caretas Gabi – ela pediu e eu nem sabia que estava fazendo careta. —Simplesmente aconteceu – ela falou com a voz um pouco baixa
—Desde quando? – perguntei, olhando diretamente em seus olhos. Ela balançou a cabeça, aquilo significava que tinha algum tempo que eles.. Era a minha melhor amiga e o meu irmão tudo bem.. Tudo bem! Aquilo não era nenhuma bicho de sete cabeças, ninguém iria morrer por aquilo.. Eu dava graças a Deus por estar tão relaxada, caso contrário eu poderia ter um pequeno surto.
—Tem um mês – ela falou e eu arregalei os olhos.. Um mês, tem um mês que eu viajei para fazer um trabalho com a minha turma de administração – foi quando você viajou – ela percebeu que eu tinha pensando exatamente naquilo. —Eu tenho tanto medo de perder a sua amizade.. Por isso eu nunca te contei – franzi o cenho.. Nunca me contou? Se só tinha um mês.. Como assim nunca? —Escuta.. Só escuta por favor – pediu e eu Puxei uma respiração forte. —Eu sempre gostei dele, mas eu sempre prezei a nossa amizade.. Nunca quis ter que dividir isso, e eu estava indo bem.. Até o dia que você viajou e eu me esqueci, vim aqui e bem.. – ema parou
—Você não pode mais se segurar? – perguntei e vi lágrimas brilhar nos olhos dela.
—Não.. Não pude, mas não foi uma coisa carnal. Quando eu lembrei que você tinha ido viajar eu estava saindo e ele pediu que eu ficasse – ela falou – tem noção do que é isso.. A pessoa que você pedindo para você não ir, no começo achei que a conversa iria ser sobre você —fez uma pausa – mas ele começou a contar uma história.. Uma história que resumia bem o que sentíamos, mas por medo de magoar você.. Sempre reprimimos e também pela diferença de idade —ela falou e a questão da idade fazia mais sentido, eu jamais colocaria barreira entre eles. Levei a minha mão até a dela por cima da mesa.
—Você sabe que eu jamais os condenaria.. Ou ficaria chateada – falei e ela abriu um sorriso. Seus olhos voltaram a brilhar, dessa vez pelo motivo certo.
—Você é minha melhor amiga.. É a família de Diogo, a prudência fez mais sentido – ela falou e eu me senti mal por saber que pensaram em mim ao invés de se entregarem ao que sentia a tempos. Levantei do meu lugar e me joguei no colo de Julia.
—Agora além de minha melhor amiga.. Você também é minha cunhada é da família – falei e ela gargalhou com vontade.
—Eu achei que já fosse da família – ela falou enquanto eu a apertava em abraço. Balancei a minha cabeça em falsa negativa e ela riu ainda mais.
—Meu Deus.. Acho que eu nunca te vi tão dramática – falei e ela fez um biquinho que me fez retorcer o rosto em uma careta, voltei para o meu lugar rapidamente —por que vocês dois não me contaram isso juntos? —perguntei.
—Eu convenci o seu irmão que era melhor assim.. E eu também precisava conversar com você sobre a noite passada, não foi nada fácil inventar uma desculpa pra ele —ela falou me fazendo levantar a sobrancelha em sua direção. Confesso que estava curiosa para saber o que ela falou.. Julia percebeu a curiosidade estampada em minha cara. – eu disse a ele que você tinha dormido no taxi e acabou indo com uma colega para a casa dela – ela falou dando de ombros, eu só me espantava era de Diogo ter acreditado naquilo.
—O que me espanta é o Diogo ter acreditado nisso – falei balançando a minha cabeça de um lado a outro, de repente a gargalha de Julia invadiu o lugar.. Eu levantei a minha sobrancelha em direção a ela, esperando saber o que eu havia dito de tão engraçado.
—Na verdade.. Ele não acreditou, mas eu o convenci de outra forma —arregalei os meus olhos, horrorizada com o que ela estava dando a entender. Eu quase senti a minha bile vir a boca.. Era o meu irmão, ela não podia me falar aquelas coisas... Com aquelas insinuações.
—Julia.. Por favor, guarde essas insinuações para você – falei e vi ela rir mais ainda, achei que ela estivesse ficando louca.. Ou talvez eu estivesse.
—Não é o que você está pensando Gabi.. Eu juro – ela falou me fazendo suavizar um pouco a minha expressão. – você sabe que quando ele começa a falar do trabalho.. Ele perde horas e horas, eu usei isso como escape —ela falou e foi a minha vez de rir, agora acompanhada por ela. Acho que ela entendeu.. Que eu não queria imagens obscenas do meu irmão com a minha melhor amiga, aquilo seria um pouco demais para mim.
Tivemos um dia apenas para nós duas.. Um dia pós chutar o balde na balada, volta e meia eu não podia de me pagar pensando no deus italiano que me levou as nuvens. Eu mesmo cheguei a pensar nos “e se” e se eu não tivesse saído daquele jeito, e se eu tivesse o conhecido em outro lugar, e tivéssemos mais uma oportunidade. Eu dava um jeito de me livrar daqueles pensamentos rapidamente.
Eu tinha sorte de o cara não ser um traficante internacional de órgão.. Era só isso o que ele iria conseguir de mim, ou se ele fosse um traficante de mulheres para o mercado de escravas sexuais. Balancei a minha cabaça com aquelas possibilidades hediondas. Era tudo a mais pura loucura da minha menta.. E também a ressaca moral, depois de ter meu organismo limpo da bebida eu me via raciocinando e querendo me bater pelas burradas que eu fiz.. Bem, mas tinha sido a melhor burrada da minha vida.
Duas semanas haviam se passado.. Eu me sentia extremamente cansada e dormido bem mais do quê a cama, por duas vezes Diogo teve que me arrastar da cama, quase eu perco as entrevistas de emprego que eu havia conseguido.. Mas no fim uma não deu certo e eu estava esperando apenas a resposta da outra, mas eu já me preparava para começar a procura novamente.. Ninguém gostava de dar empregos a recém formados e aquilo era um saco.
—Eu pedia uma portuguesa e uma de quatro queijos – Júlia falou, enquanto balançava o telefone no ar.. Como passamos o dia resolvendo coisas na rua, ninguém fez o jantar e os pais dela estavam viajando. Pizza era a melhor opção naquele momento, ou morreríamos de fome.
—Por mim.. Parece ótimo —falei, bem eu achei que seria realmente ótimo até que elas chegassem e o meu estômago se revirou completamente ao sentir o cheiro, não podia ser eu amava os dois sabores de pizza.. O que estava acontecendo comigo?
—Você está bem Gabi? – Julia perguntou enquanto segurava o meu cabelo.. Eu estava debruçada no vaso sanitária.
—O que está acontecendo aqui? —ouvi a voz de Diogo.. Aquilo não podia ficar pior. Na verdade podia sim, eu estava enganada se pensava que aquilo era o pior.
—Está tudo bem.. Eu só não comi nada o dia todo, agora que senti o cheiro das pizzas.. O meu estômago não aceitou – falei e levantei o meu rosto, passei uma água do meu rosto até o meu pescoço e escovei os dentes para tirar o gosto ruim. Julia tinha saído com Diogo.. Me dando privacidade ao me ver um pouco melhor, quando eu saí do banheiro os encontrei na cozinha.. Ninguém voltou a abrir as caixas de pizza, mas Diogo tinha uma cara nada boa.
—Pode me contar o que está acontecendo, agora Gabriela! – ele falou em um tom autoritário, que só usava quando preciso.. Ele quase nunca precisou.
—Não está acontecendo nada – falei e ele balançou a cabeça e Julia segurou o braço dele. —eu já falei tudo.. Eu não comi nada durante todo o dia.
—E esse maldito sono? Você sempre acordou cedo para correr na praia, agora mal consegue levantar se eu não arrastá-la —ele falou e eu engoli a seco. —Você está grávida Gabriela? —a sua pergunta me deixou completamente em choque.
—Grávida.. Não, meu Deus é claro que não eu.. – as palavras se perderam ao me lembrar que a minha menstruações estava atrasada a quase nove dias. Ela nunca atrasou tantos dias, nem mesmo nas semanas de maior estresse na faculdade. Senti as minhas vistas escurecer ao me dar conta de que a noite com o deus italiano.. Teve consequências e que eu nunca mais iria esquecê-la, pois eu carregava um fruto daquela minha loucura. —Eu estou grávida! – afirmei quando voltei ao normal.. Ou ao menos quase.