* Miguel Narrando
Não durmo direito a dias, eu e minha equipe estamos em uma investigação contra a maior quadrilha de Nova Iorque, onde quase todos os mafiosos fazem parte, já estou a mais de um ano cassando essa quadrilha, eles trabalham com tráfico de drogas e armas e a uma semana consegui uma pista de um dos mafiosos que está envolvido na quadrilha, conhecido como Ninja, ele vai receber uma carga de armas e drogas e agora estou aqui esperando o melhor momento para pegar ele, depois de pega-lo só vou precisar fazer ele abrir o bico, essa é a parte mais difícil.
- Miguel, ele chegou. – Renata fala pelo rádio.
- Aguardem meu comando, mas fiquem todos atentos a qualquer movimento. – Digo.
Sei que se eu quisesse só ficava esperando por ele na base, mas eu não sou esses investigadores que ficam na base esperando os criminosos, não tenho paciência para ficar sentado esperando, eu adoro a adrenalina das ruas.
Não estamos escondidos, estamos disfarçados como pescadores locais, vejo o suspeito conhecido como Ninja chegando juntamente com seus seguranças na marina onde vão receber o carregamento, eu já poderia entrar agora e o prender, mas quero esperar eles receberem a carga, matar dois coelhos com uma machadada só, mas nosso foco é nele, não posso perder ele de vista de jeito nenhum. Um dos seus seguranças atende o celular e passa ele e escuta atentamente olhando ao redor, ele rapidamente saca sua arma e atira contra um dos policiais disfarçados e corre, mas por sorte o policial foi esperto e conseguiu se esconder, saco minha arma e atiro em um dos seus homens acertando em seu abdômen, atiro novamente e acerto seu peito o matando na hora, corro atrás de Ninja, não posso perder ele de forma alguma, ele é minha única chance de acabar com a quadrilha de mafiosos, corro por toda a marina e vejo ele entrar em um carro, sem perder tempo atiro nas quatro rodas impedindo o carro de andar rápido e dando tempo para os policiais tomar conta do lugar.
- O lugar está cercado, saia do carro com as mãos para o alto. – Falo apontando minha arma para ele enquanto o encaro.
Ele levanta os braços em sinal de rendimento, vou até o carro sem parar de apontar minha arma para ele, abro a porta ele pega sua arma para atirar, mas eu fui mais rápido e atiro nele o matando na hora.
- MERDA. – Grito.
- Não tinha muito o que fazer, Miguel, era você ou ele, fez a escolha certa. – Renata fala.
- Eu sei. – Digo.
- Não foi culpa sua. – Volta a dizer.
- Não, não foi, obrigada Renata. – Falo e saio em direção ao meu carro.
Entro e fico olhando os policiais na cena e penso como deu errado, pois até ele receber a ligação tudo estava dando certo, tudo estava no caminho certo, mas uma coisa eu sei a informação saiu de um dos meus e eu vou descobrir quem é o corrupto. Estava tão concentrado nos meus pensamentos que não percebi nada ao meu redor, mas ouço Renata me gritar e algo atingir meu carro, o impacto fez com que eu batesse com a cabeça no volante e ficar tonto de imediato, sinto outro impacto mais agora na frente do carro, tento abrir os olhos para ver o que está acontecendo, mas a tontura não me deixa abrir, sinto meus pés se encherem de água, fecho meus olhos, respiro fundo na tentativa de acalmar e relaxar para tentar ver o que aconteceu, abro os olhos e vejo que estou dentro da água, meu carro foi jogado no mar da marina, ainda sentado pego minha arma, respiro fundo e seguro o ar, atiro contra o vidro traseiro do carro e viro o rosto contra o banco do carro para não cair vidro e nem senti impacto da água entrar com toda força, saio do carro e nado rapidamente para cima do mar e volto a respirar. Vejo todos envolta me procurando e quando me veem ficam aliviados, nado até lá e sou puxando com uma corda.
Fui examinado, graças a Deus não foi nada demais, queriam me levar para o hospital para fazer uma tomografia, mas falei para dar somente os pontos pois eu estava bem.
- Eu te gritei, mas você não escutava. – Renata diz aliviada por me ver.
- Quando eu escutei foi tarde demais. – Respondo ofegante.
- Está bem? – Meu chefe que acaba de chegar, pergunta.
- Sim, estou, viram quem foi? – Questiono.
- Conseguiu fugir, o carro estava sem placa, todo escuro e era blindado, tentamos ir atrás, mas não deu tempo. – Responde irritado. – Agora me explica que porra aconteceu aqui, você matou nossa única esperança. – Fala irritado.
- Não sei o que aconteceu senhor, foi tudo muito rápido, era eu ou ele. – Digo e ele fica me encarando.
- Vá embora, vou limpar a bagunça que você fez aqui. – Diz e sai.
- Ainda não me tornei uma investigadora, mas o que aconteceu aqui foi muito óbvio para você não saber Miguel, alguém avisou Ninja naquela ligação. – Renata fala me encarando.
- Eu sei, e essa pessoa é um dos nossos. – Digo.
- Oiiii!! – Diz incrédula.
- Poucas pessoas sabiam dessa emboscada, somente eu, minha parceira que não pode vir, meu chefe e sua equipe, e nesse momento eu não confio em ninguém para falar nada. – Digo.
- Mas está falando comigo. – Diz.
- Porque eu confio em você. – Falo.
- Obrigado, mas não fale isso na frente do meu marido, você sabe que ele tem ciúmes de você. – Disse.
- Não mandei você se apaixonar por mim. – Falo e ela rir.
- Seu idiota, isso está no passado, sou completamente apaixonada pelo meu marido. – Fala rindo.
- Que bom, pois sabe que eu não quero e nem vou me casar com ninguém e eu não engano ninguém sobre isso. – Falo.
- Isso é porque você não encontrou a pessoa certa, quando encontrar você vai ver que sem ela sua vida não tem sentido. – Diz
- Está rogando praga? Sai pra lá, gosto da minha vida do jeito que está, vai rogar praga pra outro. – Digo.
- Não é praga Miguel, é a vida.
- Renata, eu não vou me apaixonar e nem posso, minha vida é muito perigosa, você sabe, então não eu não vou me apaixonar, meu coração é blindado.
- Se você diz.
- Agora para de ladainha e chama um táxi para mim, porque meu carro agora está de férias no mar. – Falo e ela rir.
- Quase morreu duas vezes hoje e ainda faz piada.
- Aproveitando mais uma oportunidade de viver que Deus me deu. - Falo e ela rir.
Renata é uma ótima detetive, ela era minha parceira antes de me tornar investigador, eu e ela já ficamos várias vezes, ela acabou se apaixonando e eu preferi me afastar, pois não era recíproco, para mim era só sexo, mas para ela não, hoje ela é casada e feliz. Eu não me apego a nada e a ninguém e isso nunca vai mudar.
* Rebeca Narrando
Estou no apartamento de Clara, ela me mandou ficar no outro quarto que ela tem aqui, e nossa é bem aconchegante, muito melhor que aquele quarto minúsculo cheio de mofo que eu dormia, mas também não vou reclamar, aquele quarto me salvou muito. Antes de dormir eu tomei um banho, não usei nada de Clara, eu ainda tinha um pouco das minhas coisas e o cansaço era tanto que nem meu cabelo eu penteie, acabei dormindo com os cabelos enrolados na toalha, faz dias que não descanso direito.
Acordo ouvindo a voz de Clara me chamando, me levanto e vou a procura dela.
- Trouxe o almoço. – Disse me mostrando a sacolas com várias marmitas nas mãos.
- Clara, não precisava eu fazia qualquer coisa e comia. – Digo.
- Não sei o que você ia fazer aqui, não tem nada além de água e refrigerante na geladeira, como é só eu e as vezes meu namorado eu não compro, sempre tomo café onde você trabalhava, almoço no trabalho e a noite em casa eu como qualquer coisa, isso quando minha sogra não me liga para ir jantar com ela, Rebeca, eu sou péssima na cozinha. – Disse colocando as marmitas na mesa.
- Já que vou morar aqui com você por um tempo, a partir de agora você vai fazer suas refeições em casa, eu faço de tudo. – Falo.
- Você vai ficar aqui por muito tempo, eu preciso de uma colega de quarto e não quero que vá embora. – Fala me encarando.
- Só se aceitar que eu pague por morar aqui. – Digo.
- Rebeca, graças a Deus esse apartamento está quitado, primeiro eu o aluguei, depois financiei, mas graças ao meu trabalho eu consegui quitar ele bem rápido, cada causa que eu ganhava eu ia até o banco e pagava e hoje ele é totalmente meu, então não tem a necessidade de você pagar para morar aqui. – Diz pegando os pratos e os colocando na mesa.
- Então eu ajudo com a contas, amanhã mesmo eu vou atrás de emprego. – Falo e me sento.
- Então, eu praticamente já consegui um emprego para você? – Fala e sorrir.
- Sério, como assim? – Pergunto.
- Ruan é filho do dono da companhia Carter, já te falei isso? – Pergunta.
- Não. – Respondo.
- Então eu estou te falando agora, mas sem delongas, ele ontem estava fazendo várias entrevistas para recepcionista da companhia e aí eu liguei para ele, perguntei se ele já tinha feito as contratações e ele disse que ainda não, expliquei o que aconteceu eeeeee agora ele está vindo aqui fazer sua entrevista. – Termina de falar e bate palmas alegremente.
- Clara, olha como eu estou, descabelada, com essas roupas horríveis, nem preparada estou e para piorar não tenho experiência como recepcionista. – Falo nervosa.
- Relaxa, eu falei com ele sobre isso e mesmo assim ele quer fazer uma entrevista com você, não precisa ficar nervosa, você o conhece, pouco mais conhece.
- Como não ficar nervosa. – Falo alisando minha testa.
Fui até o quarto e penteie meu cabelo bem rápido, não demorou muito o namorado dela chega para almoçar junto com a gente, ele se sentou ao lado dela e começou a conversar comigo enquanto almoçamos.
- Rebeca, a Clara me contou o que aconteceu hoje com você. – Ele diz.
- Só Deus sabe o quanto eu precisava daquele emprego. – Falo dando uma garfada no almoço.
- Você só ficava na cozinha fazendo as massas? – Questiona.
- Não, eu fazia de tudo, fazia as massas, servia os clientes, ficava no caixa, no atendimento ao cliente com os pedidos da mesa. – Respondo.
- Você fazia tudo isso lá? E sua carga horária? – Volta a perguntar.
- Eu abria e fechava a loja trabalhando.
- Mas são muitas horas de trabalho, ganhava bem então. – Diz.
- Não, eu não ganhava quase nada, porque eu tinha que pagar por morar lá. – Digo e ele confirma com a cabeça.
- Você era uma funcionária ou escrava?
- Uma funcionária escrava. – Clara fala nos fazendo rir.
- Tenho uma vaga de recepcionista disponível para você, tem interesse? – Ele pergunta e eu arregalo os olhos.
- A Clara falou que você iria fazer uma entrevista comigo, não me contratar. – Falo assustada.
- E eu acabei de fazer essa entrevista, e fica calma sei que você não tem experiência como recepcionista, mas sua amiga aqui disse que você é inteligente e esforçada para aprender, te conheço pouco, mas sei que é realmente esforçada e responsável, vai se sair bem. – Diz.
- Sim, eu aceito, nossa obrigado mesmo pela oportunidade, vou dar o meu melhor. – Agradeço.
- Eu sei que vai, amanhã preciso que vá até meu escritório. – Fala e eu concordo com a cabeça.
Terminamos o almoço e ele nem ficou muito tempo, se despediu de Clara e saiu.
- E você também já vai? – Pergunto.
- Não, tirei o resto do dia para fofocar com você– Responde e rir.
- Você e o Ruan se conheceram como? – Pergunto.
- Eu fiz faculdade de Direito junto com Miguel, irmão dele e meu melhor amigo, e aí um dia eu fui à casa dos pais dele fazer um trabalho com Miguel e conheci o Ruan, ficamos e logo depois começamos a namorar, eu segui advocacia e Miguel entrou para a polícia, hoje ele é investigador do FBI. – Explica.
- Eu queria muito ser dentista. – Digo.
- Bom, quem sabe agora com você recebendo melhor não faça faculdade, eu apoio você seguir seu sonho. – Fala e eu sorrio.
Será mesmo que eu consigo fazer faculdade.