Capítulo 2

Parei em frente  a uma boate, a mais descolada da cidade. Algumas garotas entravam com seus jeitos robustos e sua maquiagem nada haver para aquela noite. Sorri disfarçadamente e me mantive em pé esperando a minha amiga chegar.  Lá vem ela com a sua sandália dourada que brilhava até no escuro.  Cles é divertida, ao contrário de mim. Por ser uma garota que está prestes a completar trinta, pareço uma velha de oitenta anos.  A boate estava cheia de todos os tipos de mundanos, alguns bebiam como se não houvesse o amanhã. Gostaria de ser radical e beber sem se importar com a diabetes.  Como não gosto de ficar doente e preservo a minha vida, prefiro curtir com um suco de uva. A minha amiga e eu fomos até o bar pedir uma bebida sem álcool, enquanto pedia Clécia foi até o banheiro. Observava todos naquele lugar tão lotado. De repente um senhor muito charmoso e lindo sentou ao meu lado e pediu um Whisky. O homem virou para mim e perguntou se eu queria beber com ele, voltei para ele e disse:— Já me servi, senhor. Muito obrigada, por me oferecer.  Para mim eu já tinha visto esse homem e não sei de onde. Clécia voltou do banheiro e percebeu que o homem não parava de me encarar. — Amiga, porque este homem não para de te olhar? Perguntou Cless. 

— Eu não sei, desde a hora que eu cheguei aqui nesse bar, este homem veio e me perguntou se eu queria uma bebida.

— E aceitou?

— Claro que não né? Clecia não parece que é adulta, se fosse você aceitaria sem pensar. Está parecendo uma criança. 

— Aquele partidaço? Eu não perco nada. Disse Tess. 

 Revirei os olhos e dei de ombros para ela. E voltei ao bar. A minha amiga é diferente de mim, não pode ver um homem em sua frente que vai para o abate. O carinha se aproximou de mim mais uma vez e disse :— Posso dançar com você? 

— Está bem, assim me deixará em paz. 

O homem bonitão sorriu para mim, mostrando os seus dentes brancos, a sua boca eram largos e as covinhas nas suas bochechas.  Por ser um homem alto, pele branca e de cabelos negros , me apaixonaria fácil. Mas eu não sei nada daquele homem e muito menos o nome dele. Aceitei dançar e senti o seu perfume importado, os músculos do seu pescoço estavam torneados e me fez sentir algo estranho por ele. O meu corpo ferveu por um instante, imaginei que era o calor daquela boate e dei de ombros e voltei a observá-los.  Um garoto que estava com a minha amiga Cless acenou para o bonitão. Talvez era conhecido. Aquela dança foi interrompida por um instante, pela chamada de celular. O garoto atendeu e saiu sem dizer nada, me deixando sozinha e a minha amiga saiu e me deixou na boate também. Saí da festa, para voltar para casa, não fazia sentido curtir sozinha. A única amiga que eu tinha para curtir, saiu  e não disse nada. Chamei um táxi. Não demorou muito para um táxi estacionar. Em todo o caminho estava tão cansada de tudo, que para mim foi perdendo a graça. 

 Ao chegar em casa. Estava tranquilo e sem barulho. Fui para o meu quarto, olhar o notebook para saber se fui aceita na empresa. Estava ansiosa e com medo também. Assim que abri, lá estava o email enviado com a resposta.  Depois de ler, pulei de felicidades , por ser aceita. Começaria no dia seguinte. Deitei na cama de felicidades que eu não liguei para tirar o meu vestido. Pela exaustão, acabou adormecendo.  

  No dia seguinte, minha mãe entrou no meu quarto de manhã cedo, para ir à padaria comprar os pães. E ela iria à igreja. Não recomendava acordar tão cedo, até que eu lembrei do meu novo emprego. Olhei para a mamãe e disse antes que ela saísse do quarto:— Mamãe?

— Sim, filha?

— Irei para o meu novo trabalho, na outra cidade mamãe. 

— E onde ficará?

— Não sei ainda, verei quando eu chegar. 

— Cuidado, Tessa. Não confie em ninguém. 

— Está bem, mamãe.  Me dê a sua benção.

Mamãe me abraçou, e me abraçou. 

— Quando chegar na cidade de Antares me avise. Leve algumas roupas, não ande desprevenida.Tem dinheiro?

— Sim, mamãe tem algumas economias. Não se preocupe  comigo.

— Se preocupo, eu sou mãe.

A minha mãe saiu, me deixando sozinha. Estava com nó na garganta, com vontade de chorar. Tenho que ir em busca de trabalho para dar mais felicidades e conforto a minha mãe. Peguei uma roupa adequada para o primeiro dia de trabalho ou uma entrevista. Não tinha muitas opções no meu guarda roupa e peguei uma saia e blusa de manga longa. Me olhei no espelho e não me valorizei naquela estampa dos tecidos. Não tinha opção eram essas roupas que eu ia. Depois de estar pronta, desci e fui para a rua comprar os pães. O meu pai nem ligou para a minha saída, não entendo a falta de atenção dele. 

O dia estava radiante naquele sábado. Caminhei pela estrada de barro e os vizinhos observando a minha roupa e o meu cabelo rabo de cavalo.  Sorria para ela e dava um bom dia. Comprei o pão para o café da manhã e voltei para casa o mais rápido possível.  Um carro estava estacionado na frente da minha casa, um rapaz estava parado e encostado no carro. Me aproximei e percebi que era o homem da boate da noite anterior.  Soltei um gatinho e pensei “puta que pariu” o que esse homem faz aqui? Me aproximei para mais perto e perguntei :— O que o senhor faz aqui?

— Estou em busca de Tessa Virtue.

— Sou eu, Tessa Virtue. 

— Vim buscá-la para a empresa e a senhorita não voltará para casa hoje, iremos a um evento.  

— Senhor eu não tenho…Fui interrompida. – Não me chame de senhor, me chame Aaron Miller. Não se preocupe com a roupa, pedirei que a minha assistente compre uma roupa adequada para você. Vamos?

— Deixe levar esse pacote e voltarei logo.

Capítulo 3

— Não demore, senhorita, estamos atrasados.  Sussurrou Aaron. 

— Está bem. Respondi revirando os olhos. Por Deus, estava com o coração partido, em deixar a minha mãe. Prometo que daqui a um mês venho buscá-la.Peguei uma mala pequena com poucas roupas que eu tinha. Ia me despedir do meu pai, infelizmente não me deu muita bola. Meu irmão foi viajar a trabalho e eu estou saindo de casa também, o que será da mamãe? Quando estava mais íntima daquele homem com cara de mau, fechei a porta antes de sair e me aproximei do carro.Aaron abriu a porta para mim, e eu estava me sentindo uma princesa.  Eu sei que sonho demais acordada, se eu não fizer isso eu não sou eu. Abri um sorriso largo e entrei imediatamente. O garoto abriu novamente a porta e disse:— Sai e senta na frente.  Ordenou ele. 

Sem entender a decisão repentina, apenas sai e fui para o banco da frente. Ao assumir o volante, o homem arrogante ficou em silêncio durante toda a viagem. Até receber uma chamada, Aaron atendeu:— Diga Eduardo?

— Sonia e Otto convocaram uma reunião e quer você em cinco minutos.

— Em cinco minutos não chegarei, o trânsito está um caos. Avisa a mamãe que eu chego daqui uma hora. Disse ele. — Está bem meu amigo . 

—Felippe chegou?

— Não, os seus pais estão furiosos, Felippe é muito arrogante.Deve está com a Dora. 

— Está bem, amigo, quando eu chegar eu resolvo e eu mesmo irei buscar o abusado do meu irmão. Terminou ele ao desligar. — Tessa?

— Sim, senhor?

— Não se aproxime do meu irmão Felippe. E não confie nele, entendeu?

— Claro que sim, não se preocupe. Prometeu ela. 

— Lembrando mais uma vez, não me chame de senhor. Chame-me apenas de Aaron, ok?

— Hum, está bem Aaron. 

Enquanto se mantinha em silêncio. Observava o quanto o meu chefe era atraente e sua barba bem feita lhe deixava ainda mais lindo e a sua covinha em suas bochechas ficavam com um sorriso perfeito, quando ele ria por algo que via no celular, olhava rapidamente para ele não perceber que eu estava olhando.  Eu ando pensando,o porquê Aaron não lembrou de mim da noite passada? Claro deve estar no efeito do álcool, que boba eu fui achando que eu tinha encontrado o amor da minha vida. Este homem não é pra mim, observando bem ele é perfeito demais. É rico, tem uma vida tranquila e uma família educada e normal.  Mas…A minha família é completamente complicada, meu pai nunca se importou com o que faço, com quem saio para ele estava tudo na mesma, o interesse é brigar e brigar.  

Por um momento que eu estava pensando demais. O carro estava estacionado e ouvi uma voz rouca pedindo para descer. — Senhorita? Disse ele , com uma roupa preta e elegante.  Olhei para ele e sorri, descendo o mais rápido possível.  

— Ruffo está é Tessa, é a minha secretária pessoal, ela irá ficar aqui essa noite. Irei para a empresa e não dará  para levá-la, na verdade está um caos. 

— É verdade senhor, dona Sônia a sua mãe disse que iria convocar uma reunião.  

— Pois leve ela para o quarto de hóspedes, breve irá chegar novas roupas.  Receba e peça para Lírios levá-la no quarto.  

— Está bem, senhor. Deseja mais alguma coisa?

— Não, Ruffo. Tessa esteja pronta às oito. 

— Está bem, Aaron.  

Ruffo e eu ficamos parados, observando o chefe partir. O mordomo parecia frio,o seu rosto estava intacta feito uma pedra. Uma senhora saia até o jardim, provavelmente era Lírios. Me aproximei e cumprimentei :— Dona Lírios como está? Sou Tessa. 

— Bem vinda Tessa. Me acompanhe irei levá-la para o seu quarto. 

— Dona Lírios?

— Sim?

— Eu não entendi o porquê Aaron me trouxe para cá. Hoje mais cedo, disse que eu iria trabalhar em sua empresa.  

A senhorita sorriu e respondeu :— Tessa você irá trabalhar aqui, sendo assistente pessoal dele. No escritório tem a secretária Vanessa, faz tudo os senhores desta casa pedem. O Felippe não faz nada , sobe e anda em festa e gasta o seu dinheiro com as mulheres.  — Há! Por isso que Aaron pediu para manter longe dele. 

— Sim, filha. Disse ela abrindo a porta principal.  

 Ao avistar o luxo daquela casa , ainda me deparei com um quadro enorme de uma mulher linda , no canto da sala perto do piano. Não parava de olhar para aquele quadro  pintado a óleo.  — E quem é essa ? Perguntei à senhora. 

— Melina, a falecida esposa de Aaron.  

Me espantei e fiquei ainda curiosa e perguntei:— Morreu de que ?

— No parto, não resistiu nenhum dos dois.  Faz cinco anos que o meu menino está longe de se apaixonar de novo. 

— Cinco…cinco anos?

— Sim, vamos!.

Ao subir as escadas, havia móveis pelos corredores. Quadros, castiçais de velas com mosaicos dourados . Aquela mansão foi umas das casas mais lindas que eu já vi. Lírios não parava de sorrir, por me achar boba pelas as cara e bocas que fazia ao ver cada espaço daquela mansão. Ao parar na porta do quarto, a senhora abriu e pediu para eu entrar. — Aqui está, descanse que eu irei trazer o seu café da manhã. Provavelmente não tomou ainda.

— Não, dona Lírios. E eu estou faminta.

A senhorita sorriu gentilmente e saiu.

Não demorou muito para ouvir batidas fortes na porta. Abri a porta deparando-me com um homem moreno, de cabelos cacheados. Pelo o porte dele, sem barba , olhos castanhos eram Felippe. Fingi em não saber quem ele era e perguntei sem hesitar:— O que faz aqui no meu quarto? E quem é você?

— Percebo que és uma garota mal educada. Como sou educado, sou Felippe Miller, irmão do chato de Aaron.

— O que faz aqui senhor Miller? Por favor, saia do meu quarto!

— Gostaria de conhecer a secretária pessoal do meu irmão. Pelo menos ele soube escolher, linda e atraente. Senhor Felippe, saia daqui , agora!

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