_ Oi, meu amor. _ Aline abre a porta do seu apartamento toda feliz em ver o André e se joga nos braços dele.
André lhe abraça com todo seu coração sabendo que aquele será o último abraço.
Aquela pequena loira de olhos verdes sempre foi sua razão de viver, mas agora precisava dizer adeus.
_ Oi, Aline. _ Diz ele.
Victor conheceu a Aline em um bar. Ela estava saindo da faculdade e ele estava lá por acaso, tomando algumas doses de uísques. Foi amor à primeira vista. Depois de pagar uma bebida a ela, nunca mais se separaram e já tinha mais de três anos.
_ O que você tem? Está estranho. _ Diz ela se afastando dos braços dele, olhando para ele que parecia muito preocupado.
_ Preciso falar com você. _ Diz ele de uma vez antes que perdesse a coragem. Olhar nos olhos dela doía demais ter que dizer adeus.
_ Também preciso falar com você. _ Diz ela toda alegre recolhendo ele em seu apartamento e fechou a porta. _ Tenho uma coisa para te contar. _ Diz ela batendo palminhas, mas olhando para o André percebeu que ele estava tão distante, tão distraído. _ Acho que é melhor você dizer primeiro. O que precisa me falar? _ Perguntou, agora preocupada por vê-lo tão abatido.
André não sabia a maneira certa para dizer, então ele apenas disse.
_ Acabou tudo! Estou terminando com você. _ Diz ele encarando o chão, não tinha coragem de olhar nos olhos dela.
_ Como assim acabou tudo? _ Aline perguntou sem entender, surpresa por suas palavras.
Aquele homem ali a sua frente, não parecia o mesmo André de sempre, o homem que ama. Aqueles olhos castanhos que ela tanto ama, pareciam tão tristes. Até seu cabelo castanho, que estava sempre bem amarrado, estava revolto como se ele tivesse passado as mãos várias e várias vezes no cabelo.
_ Você ouviu bem. Acabou tudo entre a gente. Não quero mais você e, por favor, não me procure mais. _ Diz ele se virando para sair.
_ André! _ Diz ela e ele parou no lugar. _ Diz olhando para mim e vou acreditar que realmente tudo acabou. _ Pediu ela, tentando não chorar vendo ele de costas para ela.
André não conseguia olhar para ela, sabia que seria fraco e desistiria do que veio fazer. Seu coração batia por ela muito mais forte do que qualquer outra coisa, mas ele precisava deixar seu coração de lado. Era para a segurança dela.
_ Aceita isso. Eu preciso dizer adeus. Você vai ficar em segurança longe de mim. _ Diz ele incapaz de olhar nos olhos dela. Ele abriu a porta e saiu dali o mais rápido possível. Ele podia ouvi-la chorando e aquilo doía demais em seu peito.
A única coisa que o mantinha caminhando era o medo de feri-la por ser fraco em não deixá-la. Sabia que estava abrindo mão da mulher da sua vida, mas se sentia confortável, sabendo que ela ficaria viva.
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SETE ANOS DEPOIS.
Aline tinha chegado a poucas horas no hospital para o plantão da noite quando ouviu a gritaria e a barulheira toda.
Sem saber ao certo o que estava acontecendo ela saiu da sala de uma paciente que tinha ido dar os remédios, quando deu de cara com homens empurrando uma maca com alguém deitado desacordado nela.
Ela sabia o que era aquela cena toda, já que aqueles homens que entravam estavam todos armados e ensanguentados.
_ Você é medica? _ Um deles perguntou apontando a arma na cara dela.
Assustada, Aline ergueu as mãos e respondeu.
_ Sou sim! _ Diz ela sem saber o que eles queriam que ela fizesse.
_ Nosso chefe foi gravemente ferido e precisa ser operado. _ O homem diz a ela nervoso, olhando para o homem na maca.
De onde a Aline estava não conseguia ver o rosto do homem que estava deitado.
_ Não é assim que funciona… _ Aline tenta explicar as regras, mas nem teve tempo.
_ Cala a boca! Não quero saber como funciona. Estou mandando você salvar a vida do nosso chefe. _ Grita o homem furioso. _ Se não vai nos ajudar, não será necessária. _ Diz ele puxando a trava da arma.
_ Tudo bem. Eu posso ajuda-lo. _ Diz ela fechando os olhos, com medo que ele disparasse a arma.
_ Pode ajudar então? _ Perguntou o homem novamente abaixando a arma.
_ Acho que sim! _ Diz ela tremendo mais que vara verde. _ O que aconteceu? _ Perguntou para ver se conseguiria ajudar o homem que eles trouxeram.
_ Fomos emboscados. Ele levou quatro tiros. _ Explica o homem. _ Um foi no ombro, dois no peito e um na cabeça. Ele ainda respira, mas não sabemos a gravidade.
Aline caminhou até o homem para ver mais de perto e quase desmaiou ao ver quem estava deitado na maca.
Ela não conseguia nem se mexer pelo choque em ver o André deitado, todo sujo de sangue. Ele estava desacordado e parecia muito fraco.
_ Pode ajudar? _ O homem perguntou trazendo-a de volta à realidade.
_ Sim. _ Falou imediatamente. _ Preciso que mande alguém atrás da minha equipe e avise que estarei na sala dois. Precisamos conter a hemorragia e ver qual foi a gravidade dos disparos, se pegou órgãos como o coração. _ Diz ela amarrando o cabelo. _ Também preciso de sangue O+, ele perdeu muito sangue e precisamos repor ou ele não vai aguentar a cirurgia.
_ Vocês ouviram a doutora. Anda logo. Alguém busca a equipe dela. _ O homem grita e um outro saiu correndo apressado atrás da equipe dela.
_ Vamos. _ Diz ela e vai correndo com os homens ao seu lado.
Aline estava apavorada, mas tentava respirar calmamente e controlar seu nervosismo. Ela já operou muitas pessoas, poucas ela perdeu na sala de cirurgia, mas agora, quem estava ali a sua frente é o grande amor da sua vida.
Mesmo que tenham passado tantos anos, ela teve a mesma reação quando o via, seu coração bateu acelerado dentro do peito e saber que dependia apenas dela ele viver ou não, era monstruosa a dor que crescia em seu peito.
Apesar da última vez que o viu, ela nunca guardou mágoa e nem rancor, continua amando esse homem de todo seu coração e não queria ser a culpada de perdê-lo para sempre, então faria tudo para ajudá-lo.
A equipe que ela pediu chegou rapidamente, apesar de todos estarem assustados pelo que estava acontecendo, Aline queria que ocorresse da melhor forma a cirurgia, que precisava fazer para salvar a vida do André.
_ Sei que estão com medo e todos estamos apavorados. _ Diz ela respirando fundo. _ Eles não vão nos machucar. _ Fala olhando os homens que permaneciam na sala de cirurgia. _ Somos médicos e nosso legado é salvar vidas. Esse homem precisa de nós e faremos o melhor. _ Fala e todos concordam com ela.
Apesar de toda a correria, Aline conseguiu tirar as três balas que estavam alojadas nele. A que mais precisou de atenção foi a da cabeça que estava muito perto do cérebro, mas que por um milagre ou apenas sorte, não acertou nenhuma parte do cérebro ao lado direito. As duas que estavam em seu peito passaram próximo a órgãos essenciais, mas que mais uma vez não acertou nada, nem mesmo o coração. A ferida do ombro a bala entrou e saiu não tinha nenhuma bala.
_ Ele vai ficar bem. _ Aline fala ao homem, tirando as luvas das mãos. _ Conseguimos tirar todos os projetos de balas e ele vai se recuperar.
_ Obrigado, doutora. _ Agradeceu o homem, agora mais calmo. _ Vamos homens. Vocês ouviram a doutora, peguem a maca e vamos embora. _ Diz o homem e Aline entrou em desespero.
_ Não podem levá-lo daqui. _ Diz ela se pondo em frente aos homens de braços abertos.
_ Você nos disse que ele vai ficar bem. _ O homem falou franzindo a testa, confuso.
_ Eu disse! Mas ele precisa de cuidados ainda. Precisa ser medicado e monitorado, não tem dez minutos que terminei a cirurgia. _ Tenta explicar.
_ Não podemos ficar aqui, doutora. Temos inimigos lá fora.
_ Ainda é madrugada. Fiquem até o dia amanhecer. _ Diz ela com medo que eles fossem embora e sem ter alguém para cuidar do André ele não conseguisse se recuperar. _ Depois disso ele deve estar melhor e já deve ter acordado.
_ Tudo bem, doutora. _ Diz o homem concordando. _ Assim que o dia amanhecer iremos embora.
Não era bem o que Aline queria, mas, poderia cuidar um pouco mais dele e assim, André ficaria um pouco mais forte da cirurgia, antes de ir embora.
_ Vamos levá-lo para o quarto. _ Explica ela e os homens vão seguindo ela.
_ Ninguém vai entrar nessa sala se não for meus homens ou você, doutora. Então melhor avisar todos, não queremos ninguém morrendo por acidente. _ Diz o homem advertindo ela.
_ Vou informar a todos. _ Concordou ela, assustada pela atitude do homem, mas sabia o motivo da sua reação.
O dia estava quase amanhecendo quando Aline viu alguns carros estranhos parando em frente ao hospital e ao ver que os homens estavam armados, ela soube porque eles estavam ali e saiu depressa da recepção, indo em direção aos quartos sem ser percebida.
Assim que entrou no elevador, aquele mesmo medo de antes fez seu coração tremer e precisava ser rápida. Não queria que nada de mal acontecesse ao André e aqueles homens vieram para terminar o que começaram.
A porta do elevador abre no andar e ela sai correndo, ela abre a porta com tudo, apavorada e o homem que mantinha guarda atendendo do Victor apontou a arma pra ela, assustado.
_ Que merda, doutora! Tá querendo morrer? _ Perguntou abaixando a arma, mais calmo em saber que era ela.
_ Eles estão aqui. _ Explica ela e o homem olhou pela janela. _ Eles estão lá embaixo.
_ Droga! Sabia que tínhamos que ter ido embora. _ Pragueja o homem com raiva. _ O que vamos fazer?
_ Se acalme. _ Diz ela tentando pensar em alguma coisa. _ Espere aqui. _ Fala e sai apressada.
O homem fica sem entender nada, mas espera por ela que em menos de um minuto voltou com uma cadeira de rodas.
_ Onde é que você foi? _ Perguntou o homem olhando ela entrar correndo com a cadeira de rodas.
_ Me ajude a colocá-lo na cadeira, rápido. _ Pediu ela pegando o soro, colocando em cima do corpo do Victor.
_ O que vai fazer, doutora? _ Perguntou sem entender o que ela estava fazendo.
_ Preciso tirar vocês dois daqui. _ Diz ela e vai tirando os aparelhos do corpo dele.
_ Se ver alguém que não esteja de jaleco branco, atire. _ Diz o homem pegando o André nos braços, seria mais rápido. Entregou a arma a ela e saíram as pressas.
_ Tudo bem. _ Diz ela pegando a arma do jeito certo e os três saíram, sondando para ver se não tinha ninguém e foram seguindo até conseguirem chegar na garagem. _ Meu carro está ali. _ Falou mostrando seu carro.
_ Vou entrar no porta malas, os vidros são muito claros e podem nos ver. _ Explicou ele.
Aline entrou na guarita e pegou a chave do seu carro, abrindo o porta malas e com cuidado o homem colocou o André e Aline precisou conferir para ver se ele estava bem.
_ Vamos sair daqui. _ Diz ela e o homem entrou, deitando ao lado do André. _ Proteja ele. _ Aline falou entregando a arma a ele novamente. _ Vou sair e encontrar um lugar seguro.
_ Segue até a quinta avenida, vire à direita e depois segue uns dois quilômetros a frente, vai ver um condomínio...
_ Eu sei onde fica. _ Diz ela sabendo exatamente o endereço, já foi muito lá, era a casa do André. _ Então vamos. _ Falou fechando o porta malas.