Finalmente eles tinham chegado no studio de filmagens da Beauty onde Albert tinha compromissos, ele foi logo direcionado para o set, trataram dele, da maquiagem, do cabelo. Coisas que o modelo ali já estava acostumado, Max sempre estava por perto ficando de olho em qualquer coisa que prejudicasse Albert, aquele era o trabalho dele. Começaram a tirar fotos nele, um pano verde no fundo da cena para eles poderem alterar as coisas no momento da edição, algumas fotos eram formais, outras casuais, e algumas até sensuais. Teve momentos de filmagens onde ele teve que repetir posições e algumas falas anunciando a propaganda da marca e afins.
O trabalho era extenso então ele até nem se deu conta de que já tinha se passado umas duas horas que ele estava ali. Quem o avisou que as sessões daquele dia tinham terminado foi Max que apareceu com um lanche.
— Fui bem então?
— Você foi ótimo. – Ele elogiou e Albert sorriu.
De repente no camarim onde eles ainda estavam enquanto Albert estava vestindo as suas roupas, uma mulher madura invadiu ali toda afoita.
— Albert? Albert! Fiquei tão feliz quando soube que você estava aqui hoje...
— Moça, não é permitido que ninguém entre aqui sem permissão. Por favor, saia. – Max ficou na frente da mulher.
— Mas eu só quero falar com ele...
— Max, deixa que eu falo.
— Não não. Por favor, moça. Não me obrigue a chamar os seguranças. Ele insistiu e a mulher teve que se retirar não tão pacificamente. Max olhou pro Albert o fuzilando com os olhos. — Você quer mesmo dificultar o meu trabalho né!?
— A mulher parecia inofensiva... – Ele deu de ombros voltando a se vestir.
— Só que qualquer pessoa estranha que quiser falar com você tem que falar comigo primeiro.
— E se eu não quiser? Não posso falar com qualquer um agora?
— Não seja ingénuo, você sabe como esse mundo é perigoso. De boas intenções o inferno está cheio.
— Eu também estou cheio, só que não de boas intenções. – Albert saiu de lá tão apressado que Max não teve como alcança-lo.
As vezes ele não suportava Max e todo o resto do mundo, tinha coisas tão simples que ele queria ser capaz de fazer sem ter que ter alguém fazendo pra ele, aquela falta de privacidade era o cúmulo. Ele não suportava mais aquilo, enquanto da varanda de um compartimento vazio do studio, Albert ficou olhando pra lá embaixo, reparando nas pessoas que se movimentavam nas ruas tratando de suas próprias vidas, Albert as vezes só queria ter aquela liberdade como a que eles tinham, ele só queria ser uma daquelas pessoas... O seu celular vibrou com Max ligando pra ele, afinal ele tinha mais coisas pra fazer da agenda...
[...]
Naquela tarde Albert estava apresentando a sua proposta de inovação na empresa. A Williams Jowels era uma empresa de refinaria de pedras preciosas para jóias tanto femininas como masculinas, aquela empresa já estava na família do Albert há gerações, o fundador era o tataravô do Albert chamado Albert Gregory Williams em 1857, na época em que o mundo ainda era em preto e branco. O primeiro Albert da família era um garimpeiro trabalhando nas minas das terras áridas do leste do país quando sem muitas esperanças ele achou uma pepita de diamante bem por baixo no quintal da sua própria casa, tratava-se de uma grande usina ainda por ser explorada, poucos anos depois o homem visionário já tinha comprado a maior parte da terra daquela região humilde e deserta, uma indústria refinadora ia se formando ali, as especiarias de diamante que ele vendia começaram a se espalhar pelo condado, pelo Estado e pelo resto do país com seus filhos trabalhando em coesão com ele formando assim um negócio de família, Albert sabia daquela história porque seu pai contava pra ele quando ele era pequeno. E hoje em dia a Williams Jowels já detia um grande mercado, tinha filiais por todos Estados Unidos, Europa e Ásia, o nome dos Williams era prestigiada no mundo dos negócios. O pai do Albert sempre o lembrava da importância de continuar o legado de sua família visto que ele era o único filho do casal e fora um tio-avô que morava na Irlanda, eles eram os únicos Williams vivos.
O senhor Ernest Theodore Williams, sentado na sua mesa presidencial como o maior acionista, estava olhando atentamente o filho enquanto este apresentava o seu projeto de inovação.
— A Williams Jewels tem sido uma firma de prestígio altamente condecorada no mercado, porém, as nossas agências não têm dirigido atenção a comunidade onde ela está inserida, quer dizer, se a empresa está crescendo, é justo que a comunidade também cresça. Sugiro que façamos o melhor para ajudar as nossas comunidades, gerar mais empregos, entrar em coordenação com a prefeitura e construir mais vias de acesso nos lugares de extração e liquidar alguns produtos para que também clientes encarecidos possam usufruir dos nossos produtos. Afinal, toda pessoa quer oferecer um diamante ao seu parceiro. – Convicto de que tinha dado o seu melhor, Albert sorriu encarando os acionistas.
Albert era formado em administração empresarial, ele sabia que a Williams Jewels não perderia tanto dinheiro usando a sua estratégia e que num futuro próximo a empresa poderia redobrar os lucros atuais do que apenas explorar os recursos já obtidos.
— Você está dizendo para a gente albergar os menos favorecidos nas nossas agências porque fazem parte da nossa comunidade? – Esse era o pai dele, ele não parecia muito contente. – Mas os nossos clientes são de uma sociedade alta e eles são exigentes, porquê a gente iria aborrecê-los agora? E se esse seu projeto der errado?
— Eu tenho convicção de que a situação líquida da firma não será atingida. – Ele fez um sinal para que Max distribuísse uns papéis para todos os presentes, ele fez. – Como vêem, o património líquido se constitui confortavelmente estável, ou seja, a empresa ainda detém lucro elevado. Quanto a isso não têm nada a temer, mas os nossos funcionários das fábricas têm vivido em condições não agradáveis, uma pequena parte está se beneficiando com o atual gerenciamento da empresa, eu sugiro mudança, temos que fazer diferente da concorrência, temos que proteger os nossos se importando com a nossa comunidade.
— Jovem Williams. – Uma das acionistas se pronunciou. – Eu até entendo o seu posicionamento, mas o que nos garante que essa mudança radical poderá não levar a ruína dessa firma? – Vários acionistas se manifestaram concordando com aquela questão, um burburinho começou se formando ali.
— Eu garanto, estamos estudando esse projeto a meses, a margem de erros é pouquíssima.
— E porquê devemos confiar em você? afinal, isso se trata de biliões de dólares... – Alguém estava falando, então Ernest se levantou.
— Senhores, esse assunto tem que ser discutido com mais calma e tempo, não podemos concordar em nada agora. Então dentro de um trimestre a gente volta a decidir se esse projeto será aceite ou não. Por agora, reunião encerrada. – O burburinho das pessoas ali se fez presente enquanto elas farfalhavam os papéis, pegavam nas suas pastas e se retiravam ainda conversando sobre o tópico recente. Richard, o amigo do Albert, aproximou-se dele com um sorriso de orelha em orelha e o abraçou.
— Wau, parabéns. O seu projeto é maravilhoso, ajudar os pobres, porquê nunca pensamos sobre isso antes? – Aquilo parecia ter um quê zombeteiro mas Albert descartou a impressão.
— Pois é, só espero que a administração aceite... – Albert estava mesmo querendo aquilo. Ele não era indiferente a situação deplorável que a monção desfavorecida estava passando.
— Albert, por favor me acompanha na minha sala. – Era o pai dele, Albert acentiu e acompanhou o homem mais velho, Max ficou de lado de fora sem permissão para entrar. O seu pai serviu duas taças de vodka forte e deu-lhe um dos copos.
— Obrigado. – Albert estava sentado em frente a mesa do pai.
— Devo dizer que estou surpreso com a sua apresentação. – Ele começou. Fico feliz que como pai pelo menos criei um filho que tenha senso e humildade. – Ele riu e Albert o acompanhou.
— Apenas estou fazendo o que é o certo para a empresa, pai.
— Devo-lhe dizer que a ideia do seu projeto não foi assim tão feliz. Os acionistas não gostaram muito de saber que podem disperdiçar tanto dinheiro assim.
— É só numa primeira fase, garanto que cada centavo gasto virá em dobro...
— Albert, você deve saber que esse seu projetinho não tem como dar certo, não é?
— É mesmo? ou é você quem não quer que dê certo?
— A Williams Jewels não tem sido um prestígio "dando de comer aos pobres". – Ele levantou os dedos fazendo aspas no ar.
— Se você quer que essa empresa tenha um futuro próspero é necessário que comecemos a "dar de comer aos pobres". – Ele rebateu usando a alegoria do pai.
— Seja mais prático, Albert. As pessoas não estão dispostas a perder tanto dinheiro...
— Onde você vai quando não volta pra casa? Há quanto tempo não vê a mamãe? Pretende deixá-la? – O homem mais velho ali levou a bebida até a boca e bebeu antes de responder.
— Estamos falando sobre trabalho.
— Então quando vamos falar sobre assuntos pessoais uma vez que você nunca está em casa?
— Pare com isso. Aja como homem, você é um Williams. Os Williams nunca abrem mão de nada que lhes pertence para beneficiar terceiros.
— Você não acredita em mim, pai? Não confia em mim?
— Comece a agir com responsabilidade e eu confiarei em você. – Os lábios do homem estavam prensados numa linha fina, o seu olhar sobre ele era afiado e duro como duas adagas, sempre o questionando, o julgando, o sufocando. Albert saiu imediatamente daquele lugar.
De novo o pai dele estava fazendo aquilo, o tratando como se ele fosse uma criança, como se ele não tivesse responsabilidade alguma. A cabeça de Albert quase que explodia de tão sufocado que ele estava se sentindo. Ter a reprovação do próprio pai era pior sensação do mundo. Max o seguiu em silêncio, não era necessário perguntar algo pra ter uma ideia de que a conversa entre pai e filho não tinha sido agradável. A uma dada altura, Albert perguntou a ele.
— Você acredita em mim..? – Max olhou pra ele e sorriu terno.
— Claro que sim. – Ele respondeu, aquilo já era suficiente pro Albert por agora.
A voz aguda e fofa da sua irmãzinha de 8 anos o acordou, Anne tinha subido na beliche dele e estava o sacudindo para que ele acordasse logo.
— Hey, calma mocinha. Já tô acordado. – Ele avisou ainda com voz embargada de sono.
— Vem logo, Connie, a mamãe já vai sair pro trabalho. – Ele deu um beijo no rosto dela e ela saiu correndo de lá logo depois indo provavelmente pra cozinha onde a mãe deles estaria.
Conrad coçou os olhos e bocejou, caçou o seu celular debaixo do travesseiro e viu as horas, ainda era quase de madrugada, ele queria poder dormir um pouco mais, mas tinha coisas importantes pra tratar. Então trazendo forças do além se levantou e foi até o banheiro, já que era muito cedo, ninguém ainda estaria lá visto que aquele era o único banheiro da casa, então ele preferia ser a primeira pessoa a usar do que ter que esperar a fila pra ter que usar as pressas.
Assim que ligou o chuveiro a água que o atingiu foi gelada o fazendo ranger os dentes e xingar naquela manhã fria de outono, por um momento ele tinha esquecido que o aquecedor tinha pifado a meses e desde então eles tomavam banho frio mesmo sem ter uma brecha nas contas pra poder pagar por um aquecedor novo. Foi logo apressando seu banho, assim que terminou, foi parar em frente do pequeno espelho pra lavar os dentes, limpou o espelho que estava abafado e imundo e olhou seu rosto por alguns segundos. Seus lábios pareciam ressecados e seu cabelo quebradiço, suspirou, ele estava frustrado e desapontado consigo mesmo, sentia que tinha falhado miseravelmente. Ele costumava ser um garoto sonhador, quando era pequeno queria ser bombeiro, mas quando foi crescendo logo percebeu que seus sonhos nunca se cumprir, não na realidade miserável que ele estava vivendo. Ele não tinha conseguido ir além do que terminar o ensino médio nos seus estudos. Começou a trabalhar cedo, com 15 anos, para ajudar nas despesas de sua família que só aumentavam, começou a assumir responsabilidades cedo demais e hoje era o maior provedor da família. Ele não estava bem, mas continuaria mentindo que estava para que não deixasse sua família mais em apuros do que já estavam. Então voltou pro quarto pra se vestir, hoje ele teria um dia agitado.
— Sam, acorda. – Ele chamou o seu irmão que dormia na beliche de baixo enquanto se vestia. Algum tempo atrás Conrad por ser mais velho costumava dormir num quarto só pra ele mas agora que Tom tinha se casado, ele tinha que abrir mão do quarto dele pra entregar aos recém casados já que a casa só tinha três quartos e um deles era o quarto dos pais deles. – Não se esqueça que você tá adiando suas tarefas a dias.
— Af, me deixa dormir pelo amor. – Samuel relutou e voltou a se cobrir, ele era um adolescente que ainda estava passando aquela fase de rebeldia.
— Só não se esqueça. – Conrad terminou enquanto punha as botas, depois pegou na sua mochila e saiu pela porta indo pelo corredor da casa até o quarto dos pais, bateu levemente a porta e entrou. O pai dele ainda dormia. Ele se sentou perto. – Pai... – O homem mais velho abriu os olhos com certa dificuldade.
— Filho...
— Como está se sentindo hoje?
— Melhor, acho... Não se preocupa, eu fico bem. – Ele acenou. Há dois anos pra cá o pai dele lutava com dores constantes na coluna vertebral, aquilo o impossibilitou de continuar a trabalhar, então Conrad teve que o substituir trabalhando ele mesmo na fábrica no lugar do pai, afinal aquele era o maior provimento da família. Ele queria tanto poder pagar um plano de saúde digno pro pai pra eles poderem fazer os devidos exames nele, Conrad estava economizando... Com um pouco mais de sorte e tempo ele podia pagar os exames do pai, agora não havia muita coisa a se fazer. Apenas tocou a mão do homem mais velho com ternura sem dizer mais nada e ambos ficaram assim, depois de ficar um tempo lá se retirou saindo daquele quarto indo pra cozinha onde sua mãe estava.
– Mãe, bom dia. – Ele foi dar um beijo na mulher que estava ajeitando o café da manhã enquanto ficava de olho no netinho dela, o bebê Johnny que estava sentado na cadeirinha dele fazendo gemidos de bebê enquanto tinha os olhos focados na pequena televisão da sala que passava desenho animado.
— Bom dia... Eu tenho que sair, o seu pai não está se sentindo bem e... A gente tem muitas contas para pagar.
— Mãe, a senhora pode ir. Não se preocupe com nada. – Conrad falou. A dona Mary sorriu e tirou o avental, ela tinha uma expressão cansada, parecia mais velha do que era, o cabelo dela preso num coque desfeito, usava roupas simples, ela tinha olhos claros, ela e Conrad eram únicos na casa com olhos claros.
— Obrigada, filho. – Ela pegou na bolsa dela e depois de dar um breve abraço nele, se foi. Conrad ficou terminando de preparar o café.
— Opa, Anne já está pronta. – Kyle, uma garota de 17 anos que era mãe do Johnny, se aproximou com uma Anne toda afoita.
— Connie, Connie, É sério que as baleias são gigantes? – Anne perguntou enquanto Conrad apontava pra ela sentar pra tomar o café da manhã. Kyle se sentou cuidando do bebê que já chorava.
— Sim, são gigantérrimas. Agora come seu bacon. – Ele falou servindo e se sentando também. – Cadê o Tom? – Ele perguntou a Kyle, Tom era o marido dela.
— Ah, ele tá lá fora atrás da casa. – Ela respondeu despreocupada.
— Certo...
Assim que terminou de tomar o café, ele foi se encontrar com Tom. Tom era mais novo que ele, Conrad tinha 25 anos e Tom, 19. Porém Tom tinha engravidado Kyle ainda bem novos então foi obrigado a se unir a ela, Kyle veio morar na casa deles e hoje eles viviam maritalmente.
— Tom? – Achou o irmão acocorado na parede fumando algo impróprio, assim que notou Conrad, ele jogou fora e fingiu que não estava fazendo nada estúpido, o mais velho ali revirou os olhos. – Você disse que ia largar.
— Ah, qual é. Essas coisas não se esquecem de um dia pro outro.
— Se você quiser mesmo, pode até procurar ajuda...
— Não começa, eu tô bem. – Ele coçou a cabeça. – O que quer?
— Ontem você me disse que ia arrumar trabalho, a situação aqui em casa não tá boa. A mamãe e eu temos tentado dar nosso máximo para a família agora que o pai não tá podendo ajudar nas despesas. Ter a sua ajuda também seria importante. – Ele suspirou dramático, Tom sempre era demitido quando arrumava trabalho, ele nem demorava tanto tempo no trabalho e já era demitido por vários motivos, não estava estudando embora Conrad ter o insetivando dizendo que pagaria um curso pra ele, aquilo deixava o jovem frustrado, ele queria que Tom fosse mais responsável ainda mais agora que ele estava formando uma família.
— Ah, Connie. Eu entendo, sei que prometi a você mas está muito difícil arrumar um emprego hoje em dia nessa cidade. Manhattan é capitalista, só se dá bem quem tem. – Aquela sempre era a desculpa dele, Conrad queria falar mais, mas desistiu.
— Tudo bem... Eu tenho que ir. – Se virou para se retirar.
— Hey irmão. Você não tem uns dólares aí pra mim? Você sabe, Johnny tá precisando de um remédio, sabe. – Conrad tirou o dinheiro que o irmão pediu e o entregou.
— Você é um máximo! – Tom elogiou feliz com seu dinheiro em mãos, Conrad deu um sorriso amarelo e saiu de lá.
— Anne, vamos logo. – Ele chamou a irmãzinha dele que veio pulando, logo mais, eles saíram da pequena casa onde moravam e começaram a caminhar pelas ruas que eles conheciam bem. Ele ia deixar a Anne na escola dela depois partiria pro trabalho.
— Tá que as baleias são mais grandes, mas eu gosto de golfinhos, eles são fofos e engraçados. – Anne estava falando enquanto eles estavam a caminho da escola dela. – Connie, quando você vai me levar pro parque aquático pra eu poder ver um golfinho? – Conrad tinha prometido aquilo a ela, mas o bilhete pra entrar no parque aquático era caro demais então ele tinha que economizar bastante, aquilo era mais umas das coisas que Conrad não estava podendo pagar no momento, o que o deixava frustrado.
— Assim que eu arrumar tempo no trabalho a gente vai, anjinho. – Mentiu pra irmã dizendo que o motivo era por que ele não tinha tempo livre.
— Aff, tá bom. Vou ficar esperando. – Ela continuou ainda tagarelando alegre sobre baleias e golfinhos.