Capítulo 2

​Na escuridão repentina e cortada apenas pelo brilho rachado da Prata, Lyra ouviu o som claro e assustador: a claraboia quebrando. Cacos de vidro caíram no tapete da sala de estar.

​A figura que desceu era rápida e silenciosa, um borrão em um terno escuro. Seus passos não faziam barulho no piso de madeira, um sinal de sua leveza sobrenatural. O ar frio da noite o seguia. Ele era alto, de ombros largos, e a penumbra apenas acentuava a geometria angular de seu rosto.

​- Lyra da Matilha Mista. Uma tragédia, de fato - A voz dele era um sussurro grave, com a frieza de quem recita um epitáfio. - Seu aroma é... inconfundível, mesmo através daquela joia barata.

​Lyra não respondeu. Ela recuou, sua mão agarrada ao cabo da faca de aço negro. O medo que sentia era agora convertido em uma raiva fria, a parte Lobisomem gritando por ataque, a parte Bruxa calculando.

​- Você não me interessa, híbrida. Só o que você carrega. O Tribrido. Entregue-o agora e eu farei a sua morte rápida e sem dor.

​Lyra usou a escuridão. Ela sabia que os vampiros viam no escuro, mas a rajada de vento que havia derrubado as lâmpadas também levantara a poeira e cortinas, criando uma distração visual mínima. Ela atirou a faca de aço negro em direção ao lugar de onde vinha a voz.

​A faca não acertou. Houve apenas um clang surdo, rápido demais. O vampiro a segurou no ar.

​- O aço é inútil. E por que está tremendo? A Bruxa em você está fraca. O Lobo está sedado pela prata. Você é a mais patética das caçadas.

​Ele jogou a faca de volta, não em Lyra, mas mirando o Pingente da Máscara de Prata.

​Lyra cambaleou para trás, evitando o impacto, mas a faca rasgou o ar perto o suficiente para que ela sentisse o frio da lâmina. A ameaça era clara: o caçador sabia o ponto fraco dela.

​Ele deu um passo à frente, e o cheiro de Canela e Mofo inundou o pequeno apartamento. Lyra estava encurralada contra a parede e o seu corpo, pesado pela gestação, recusava-se a obedecer à velocidade de que precisava.

​- Você me deve o favor de não prolongar esta noite, criança.

​Quando o vampiro estendeu a mão para o pescoço dela, Lyra fez a única coisa que lhe restava. Ela fechou os olhos e puxou o Pingente da Máscara de Prata.

Capítulo 3

​Não foi um movimento cuidadoso; foi um ato de desespero. O Pingente rasgou o tecido de sua blusa e caiu no chão. O som do metal atingindo a madeira ecoou no silêncio, mas foi rapidamente abafado pelo rugido que Lyra não pôde mais conter.

​A Obsidiana rachada liberou toda a energia mágica que havia absorvido. Uma onda invisível de poder Bruxo explodiu, empurrando o vampiro para trás e chocando-o contra a parede com a força de um pequeno carro. Ele soltou um ruído áspero de surpresa e dor.

​Lyra não esperou. No instante em que a prata deixou sua pele, o Lobisomem foi libertado. A dor da transformação sob o estresse da gravidez foi excruciante, mas Lyra a abraçou. Seus ossos se estalaram, não completamente, mas o suficiente para injetar nela uma força brutal e uma velocidade que ela não sentia há meses. Seus olhos passaram de castanho opaco para um dourado líquido e furioso. Presas se alongaram ligeiramente.

​- Você disse patética? - O som que saiu da garganta de Lyra não era humano; era um rosnado guttural, amplificado pela fúria.

​O vampiro se levantou, mas agora ele via a diferença. Ele via o perigo. O cheiro de Canela e Mofo foi ligeiramente sobrepujado pelo cheiro de Terra, Pinho e Tempestade que emanava de Lyra.

​Mas havia algo mais. Um terceiro cheiro. Frio, metálico e imensamente potente, emanava da sua barriga. O poder do Tridrido, sem a supressão do pingente, era um farol.

​O vampiro rangeu os dentes. - Você é uma tola! Você o revelou!

​Lyra usou a velocidade que lhe restava. Não atacou diretamente; usou a magia ambiente. Em um piscar de olhos, ela estendeu a mão para a claraboia quebrada. As partículas de vidro flutuaram no ar, envoltas em um brilho roxo-claro, e em seguida se transformaram em estilhaços afiados.

​Ela não os atirou. Ela os rodeou de fogo.

​No meio da sala escura, um anel de estilhaços flamejantes voou em torno do vampiro, criando um calor insuportável e cortando a sua velocidade. Não era um ataque para matá-lo, mas para ganhar tempo. O fogo era uma arma antiga contra a qual os Vampiros se protegiam.

​Lyra sabia que a sua vantagem seria breve. O Tribrido o drenava rápido.

​Ela se virou e, sem olhar para trás, correu em direção à porta do apartamento. Sua única chance era escapar para a noite.

Continue lendo
Apoie o autor e inspire mais histórias incríveis Moboreader
Desbloquear todos
Capítulo
Personalizar
Próximo Capítulo
Minishorts Logo
Leia web novels, ficção online e histórias românticas em alta no MiniShorts. Descubra romances de bilionários, fantasia de lobisomens, drama e novelas de fantasia, além de conteúdos selecionados de dramas curtos inspirados nas tendências de narrativa mais populares.
MiniShorts YouTube
PRODUTOS E SERVIÇOS
Sobre nós
support@minishorts.com
©2026 MiniShorts Todos os direitos reservados. CHASINGTOP HK LIMITED