Capítulo 2

Talvez aquele cigarro tivesse alguma coisa ilícita que deixou minha mente confusa apenas com a fumaça. Isso não estava certo... Franklin agarrou meu casaco, me arrastando pelo corredor e não tive reação nem mesmo para protestar.

***

— Você está me dizendo que, por um engano, veio parar nesse lugar, porque ganhou uma bolsa e estudos e seus pais te incentivaram a vir? Porra! Você olhou direito para esse lugar? _ Franklin grunhiu, enquanto estávamos sentados ao fundo do enorme refeitório.

— Eu preciso convencê-los a me tirar daqui!

— Sem chance! Desista, cara! Esse lugar é uma prisão para filhos que tem família envolvida no crime. Entendeu?

— Meus pais não são criminosos...

— Mas você acha que pode simplesmente sair agora? Olha só quatro olhos, todo mundo aqui acha que sua família é de alguma organização nova de criminosos, se você sair, eles vão atrás de você descobrir. E quando souberem que você é só um mané que por um mal entendido descobriu o esquema dessa universidade... _ fez cara tensa de quem imaginou um fim trágico para mim que fez meu estômago apertar. _ Se você abrir a boca, sua família morre! Sacou? Seus pais ouviram algo que não deveriam!

— Deve ter um jeito de sair daqui! Isso não pode apenas... _ mexi minhas mãos de firma inquieta, tentando buscar um jeito melhor de me expressar, mas parecia que a frustração e o desespero fazendo minha mente um emaranhado de fios sem começo ou fim.

— Tem jeito sim! Mas é quase impossível. _ Franklin alisou as mechas de seus cabelos para trás e suspirou pesadamente.

Inclinou-me na mesa entusiasmado e esperançoso com a possível solução para meu problema, mas havia algo errado no olhar de meu colega de quarto que me deixava ainda mais aflito.

— Então diga! Eu não posso ficar aqui no meio de criminosos!

— Assim você me magoa, sabia? _ Franklin levou a mão ao peito de um jeito dramático, mas seu rosto estava limpo de emoções.

— Não foi por mal...

— E daí? Quem liga com o que somos? _ cruzou os braços frente ao peitoral e deixou o corpo relaxar na cadeira do refeitório. _ Então, aqui nós dizemos que temos dois chefões. Se quiser sair vai precisar da ajuda de um deles.

— Bom, então vamos lá falar com eles!

— Você me ouviu? Eu disse "chefões". Isso significa que ninguém chega simplesmente dizendo: Olá! Eu sou novo aqui! Vim parar aqui nesse lugar peculiar por um engano! _ levantou a mão idealizando a frase como se fosse metódico de mais para levar a sério. _ Nenhum deles é acessível, cara!_ olhou ao redor pelo canto dos olhos. Afinal, as paredes tinham ouvidos. _ Você tem duas opções. A primeira: Nahí!

— A garota?

— Não qualquer garota, meu caro! Não qualquer... _ balançou a cabeça com os olhos levemente arregalados. _ Nahí é uma das garotas mais bonitas daqui, ninguém nunca ouviu a voz dela ou tem um minuto sequer de sua atenção. Dizem que os olhos azuis acinzentados demonstram a frieza do coração que ela não tem!

— O quê? O que aquela garota tem haver com isso?_ protestei confuso e Frank riu achando graça de meu semblante.

— O pai da Nahí está na prisão de segurança máxima. Um dia um cara tentou intimidar ela, e no mesmo dia ele foi morto... Ou seja: não tente incomodar Nahí, ou não terá amanhã para você!

E finalmente tinha entendido o aviso de Frank sobre não perguntar sobre a biblioteca ou simplesmente olhar para ela.

— Então como ela pode ser uma opção?

— Nahí ama ler, e você também. Talvez possa chamar atenção dela com algum livro...

— E no mesmo dia ele estaria enfiado no meio da minha bunda e minha cabeça estourada.

— Pensando por esse lado... _ Frank deu de ombros concordando e se inclinou de novo, colocando os braços cruzados sobre a mesa do refeitório._ Sua segunda opção: Harald, alguns os chamam de Hal... Nunca, em hipótese alguma, nem que sua vida dependa disso, assim como a Nahí, não faça contanto visual com eles... Hal é barra pesada! E não qualquer barra meu amigo. Não mesmo! Dizem que os pais do Hal e da Nahí já foram, há muitos anos atrás, parceiros no crime organizado... Esses dois são os chefões, mas o Hal é mais sociável que a Nahí. Porém, você nunca vai o encontrar por aí.

— Por quê?

— O cara tem um horário especial só para ele. Ele é perigoso de mais para deixar perto dos outros. Os dois chefões nunca topam, eles nunca estão no mesmo lugar, no mesmo horário... Se o Hal entra, a Nahí sai. Ninguém sabe porque. O que deixa tudo mais misterioso, é que os dois são vizinhos de quarto...

— Mas não deveria...

— Separados por ala feminina e ala masculina? Bobagem! Os dois são completamente isolados dos outros, eles tem uma ala só para eles. Ninguém entra lá..._ olhou ao redor conferindo mais uma vez e apontou para o terceiro andar que ficava logo acima. _ Falar com o Hal está fora de cogitação! Ele é o único que pode sair depois do toque de recolher. Esse lugar inteiro fica só para ele fazer o que bem entender. Se ele te chamar, não ouse se atrasar, não o olhe nos olhos, não fale sem permissão... Esse cara já deve ter quebrado pelo menos um osso de todo mundo aqui!

— Até da Nahí?

— Não! Da Nahí não. _ Franklin apertou o cenho_ Uma vez eles toparam... Isso deve ser uma lenda dos mais velhos aqui. Estavam no mesmo corredor, e um dos caras do Hal mexeu com a Nahí... _arregalei os olhos, ansioso pela continuação da história. _ O próprio Hal matou ele. Dizem que o chefão sabia que seria como começar uma guerra grande por desrespeitar a garota.

— Eu estou ferrado..._ passo a mão pelo rosto tentando controlar meu desespero que estava exalando pelos meus poros.

— E então, qual deles vai escolher?

— Simples assim? E dois segundos depois eu estarei pendurado de cabeça para baixo em sangria._ grunhi baixo _ Se vocês são criminosos não deveriam estar nas ruas ou na cadeia? O que raios fazem em uma universidade?_ protestei indignado, vendo minhas esperanças vazando pelo ralo da aflição.

— Cela privilegiada. _ Franklin brincou como se a situação não fosse caótica de mais _ Todo mundo aqui é filho de alguém, filho de gente perigosa e influente. A maioria dos pais dessas pessoas está presa, e colocaram os filhos aqui para protegê-los. Nenhum idiota no mundo tentaria entrar aqui para pegar o filho deles. Entrar aqui é pedir confusão com todo mundo do mundo do crime! Porque se entrar aqui e machucar o filho de alguém, você está morto no mesmo dia.

— Então a minha melhor opção é a Nahí?

— Ela não!

— O Hal então?

— Também não!

— Mais que inferno! Quem então?

— Eu! Porque eu conheço um cara, que conhece um cara, que conhece uma garota que às vezes fala com a Nahí e às vezes... Com o Hal.

— Você está de palhaçada com a minha cara, não é?

— A escolha é sua! Pode tentar sobreviver aqui sozinho até a formatura, ou pode sair daqui e ir para uma universidade normal.

— Estou tentando entender quem foi o gênio que criou esse lugar!

— É melhor a gente voltar para o dormitório. Já vai dar o horário de recolhida, e não estou afim de topar com o Hal, por ai!

— Os professores também são... Você sabe... Criminosos? _ perguntei aflito o olhando por baixo dos óculos.

— Não que eu saiba. E nem tente imitar esses bobões que assaltam telefone com arma falsa, pois vai passar vexame! Que fique claro isso: Não está no meio de um presídio com criminosos que foram presos por roubar o caixa de mercado, bicicletas, ou por usar drogas... Tem gente aqui que é filho de político envolvido em lavagem de dinheiro, pai que é terrorista, máfia, tráfico... É classe alta do mundo do crime!

— Ótimo! Acabei de descobrir que sou um infeliz por ser uma pessoa comum. Ou seja: a ralé daqui!

O silêncio se faz presente quando uma sirene ecoou e nos encaramos céticos. Não precisou de muito, e os corredores estavam silenciosos, com gente passando em direção a seus quartos. E acompanhei tudo ainda abismado.

Nahí

Paro de passar meus olhos pelas páginas do livro quando ouvi a sirene. Meus olhos continuaram fixos na página, mas imóvel. Apenas o som da cama rangendo do quarto ao lado ecoou, indicando que Hal estava de saída.

A porta dele destrancou e as sombras dos pés do mesmo podiam ser vista por baixo da porta.

Lembrava-me detalhadamente de Hal, ele era alto, seus cabelos sempre pintados de uma cor diferente a cada mês, olhos castanhos quase dourados. Até onde sabia, seus braços eram fechados por tatuagens até o punho. Ele era forte como se fizesse constantemente academia, e seu olhar era perigoso, mas o que era comum para mim.

Mudo a página do livro, e o som da folha o fez passos pararem no corredor. Arqueio a sobrancelha intrigada, deixando uma lufada de ar escapar de forma debochada.

Hal havia parado por um pequeno som meu? Parecia irônico de mais. Podia me considerar o fantasma daquele lugar. Nunca precisei abrir a boca para ser compreendida ou percebida no local, mas ninguém nunca me perturbava.

Hal

Enfiei as mãos nos bolsos dianteiros do moletom preto, e capuz jogado sobre minha cabeça. Apenas encarei o corredor vazio a meia luz de forma inexpressiva e fria.

Movi apenas meus olhos de soslaio em direção à porta. A luz fraca indicava o abajur ligado. Toda vez que Nahí fazia um barulho isso o deixava irritado por algum motivo. Era algum tipo de provocação dela?

A criatura mais silenciosa desse lugar fazer um ruído justamente quando estou por perto? Isso me cheirava a afronta.

Pequena e curvilínea, olhos azuis acinzentados e frios como um inverno rigoroso. Ela tinha cabelos pretos lisos, não muito longo, na altura do meio dos seios. Às vezes ela amarrava parcialmente, parte de cima do seu cabelo, deixando os da nuca soltos. Sua pele era branca quase pálida, mas ela tinha a ponta do nariz rosada assim como seus lábios carnudos quase desenhados com perfeição.

Nunca ouviu a voz dela, por mais que já tivesse a visto fazer diversas expressões estranhas enquanto lia ao observa-la da janela de meu quarto quando ela se sentava no último degrau da arquibancada.

O silêncio se instalou por mais longos segundos e voltei a andar sem pressa. Os corredores estavam impecavelmente silenciosos e vazios, assim como gostava. Eu dava as ordens ali, e gostava de ser o chefe, gostava do respeito imposto, mas havia alguém que atrapalhava minha fama... E não era nada menos que Nahí.

Se não fosse pelo respeito entre nossas famílias, já teria dado um fim nela.

***

Sento sobre a arquibancada a céu aberto do campo de jogos, e relaxo acendendo um cigarro. Ajusto os fones de ouvido, com Nothing Else Matters ecoando em meus ouvidos. Olho para o céu nublado. Jurava que hoje choveria, mas o clima está agradável. O vento mais frio.

De soslaio olho para a janela aberta, com as cortinas sacudindo pela brisa da noite. Segundos depois ela passou guardando seu livro na prateleira cheia que ela adorava ler. A vejo retirar a blusa e soltar os cabelos e dou mais uma boa tragada no cigarro. Ela soltou o fecho do sutiã, mas a brisa cobriu a visão da garota ao mover as cortinas. Segundos depois Nahí apareceu fechando as janelas, estagnada a me encara friamente por um mísero segundo, e se afastou. A luz apagou e desvio os olhos para a grama bem aparada, e solto a fumaça.

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Boa leitura!

Capítulo 3

Spencer

Olho fixamente para o teto do quarto, minha mala ainda estava feita e deixada aos pés da cama. Eu sabia que tinha me metido em algo grande de mais para tentar sair. E colocar meus pais em risco não era uma escolha.

Eu queria pegar minhas coisas e fugir, mas o terror de encontrar Harald lá fora e acabar não com um, mas todos os ossos quebrados me manteve deitado naquela cama. Eu precisava dar um jeito de sair daqui...

A ideia de conviver com um monte de gente perigosa fazia minhas entranhas se torcerem e seu peito afundar de um jeito pesado. Ansiedade dominava meu corpo de tal forma que eu não conseguia nem ao menos fechar meus olhos para tentar dormir.

E se por acaso meu colega de quarto me denunciasse aos outros integrantes do The Villains?

Um deslize, e eu iria direto para uma cova.

Nahí

Vesti minha jaqueta e me abaixei, apertando os cadarços dos meus coturnos. Sai do quarto ajustando os cabelos para fora da gola. Rolei meus olhos ao redor, atenta se não seria confusão certa encontrar com Hal por aí. Sai direito pela frente, passos ágeis em direção ao muro, desaparecendo na escuridão da noite nublada e sem luar. Olhei para trás, conferindo se não tinha sido vista ou seguida. Escalei uma árvore, caminhando com cuidado sobre a galha, aproveitando a luminosidade que vinha dos refletores da arquibancada. Subi no muro, olhando para a queda alta, e pulei para o outro lado.

A caminhada no meio na pastagem alta no meio da noite levou alguns minutos até que eu pudesse ligar a lanterna do telefone e iluminar o caminho. Afastei o lençol roubado, pegando o capacete guardado sobre a lanternagem e subi na Iron 883.

Girei a chave e o ronco do motor ecoou, quando acelerei indo em direção a estrada principal. O asfalto estava bem plano, e macio, o vento frio soprou e dancei com a moto na pista, puxando mais o acelerador, e deixando aquele som rouco e forte como um trovão reverberar.

A noite era uma criança...

***

O braço de Thomas, pesou sobre meus ombros, me abraçando de lado, me roubando um beijo espoleta. Tudo que meu inocente namorado sabia, de uma pequena mentirinha contada por mim, que eu estava em um colégio interno só para garotas, e às vezes escapava das pobres madres para o ver.

Sorri contra seus lábios, e me afastei. O meu estabelecimento preferido tinha uma área reservada no balcão, próximo ao palco enquanto a banda tocava Crazy de Aerosmith. Thomas não gostava muito daqui, e realmente não era sua vibe, mas às vezes ele me acompanhava.

Ele se afastou para beber um gole de sua cerveja.

— Vai ter festa na universidade semana que vem. Podia tentar escapar. _ ele sugeriu e maneio a cabeça.

Olhei ao redor de forma disfarçada, conferindo se havia alguém conhecido por perto. Meu namoro com Thomas era um verdadeiro segredo. E se meu pai descobrisse... Certamente o pobre Thomas seria arrastado para essa loucura de vida.

Thomas afundou seu rosto na curva de meu pescoço.

— Vi um hotel no caminho, Nahí... _ ele sussurrou malicioso e me afastei para encara-lo.

— Não Thomas. Já falamos sobre isso! É muito cedo!

— Somos namorados! O que há de errado?_ ele resmungou solvendo mais um gole.

— Estamos namorando ha pouco tempo. Quero te conhecer melhor antes de deixar isso acontecer! _ murmurei olhando para minha cerveja.

Ele me olhou de lado parecendo de mau humor por minha resposta. Mas deixamos o silêncio cair, a música continuou ecoando.

— Meus ouvidos não aguentam mais, Nahí! Vamos embora!_ ele resmungou e suspirei.

Eu amava aquela música. Crescer ouvindo o gosto musical de meus pais resultou em uma nova amante de Rock clássico. Concordei a contra gosto, ele pagou a conta, e saímos em silêncio.

***

Thomas beijou meu pescoço enquanto estávamos dentro do carro, parados de fora da república qual ele morava. Mas meu humor tinha se tornado ácido, assim como meus olhos lá fora sem um pingo de vontade de ser tocada.

Ele se afastou, me olhando cético antes de apertar as sobrancelhas.

— O que foi Nahí?

— Você sabe que eu gosto daquele lugar e das músicas. Não ficamos nem meia hora, Thomas...

— Você sabe que eu não curto isso Nahí!

Suspirei, abrindo a porta do carro e saltei para fora o olhando.

— Mas podia fazer um esforço. Afinal, as festas da sua fraternidade são uma porcaria, e eu ainda faço o esforço de vir até aqui. _ bati a porta do carro e andei pela calçada em direção a minha moto. Subi, colocando o capacete e sai dali.

Eu tinha pretensões de curtir a noite, mas meu humor não estava mais para isso. Voltar e correr o risco começar uma briga com Hal resultaria em algo pior do que apenas rodar a noite toda até o presídio para visitar meu pai pela manhã.

Hal

Olho de esgueira para Shelby atrás de sua mesa, com a boca escondida atrás das mãos fechadas juntas e seus cotovelos apoiados sobre o móvel.

— Você precisa fazer alguma coisa. Se aproximar dela... Isso ia ajudar.

— A conheço desde o dia que ela nasceu. E desde que me lembro de agirmos exatamente assim. Você sabe quem ela é. Ela não ia confiar em mim nem se andássemos de mãos dadas por ai e fossemos melhores amigos._grunhi entre os dentes de forma violenta.

— O tempo está passando enquanto você fica apenas quieto, Harald!_ele tentou me fazer me sentir desconfortável com a situação e sorri estreito debochado.

— Não me diga o que fazer, Shelby._Me levantei da cadeira do escritório, saindo da sala sem olhar para ele.

Nahí

— Te arrumei um novo. _ observei o livro escorregar pela mesa metálica da sala privativa do presídio de segurança máxima.

O livro já deveria ter sido revirado diversas vezes pelos guardas procurando por alguma fraude. Mas meu pai gostava de me presentear com livros raros ou que ainda estavam sendo escritos pelos meus escritores favoritos. O puxei para mais perto, avaliando a capa extravagante e bonita. Com certeza uma capa feita especialmente para mim.

— Obrigada, pai! _ dei um sorriso sutil, erguendo meus olhos para ele por baixo dos cílios.

— Seu cabelo está bagunçado. Está ventando muito lá fora?

— Eu vim na Iron... _ sorri ladino vendo o brilho no olhar de meu pai de orgulho.

— Você veio na minha Iron 883? Eu mataria para ver isso! _ o guarda na porta segurando um fuzil ficou tenso nos tirando uma risada baixa grave.

— Eu a levei para a universidade. _ me movi inquieta na cadeira dura e metálica_ Tem sido mais rápido e menos burocrático chegar aqui ou no hospital...

— Como está sua mãe? Não falo com ela desde o dia do divórcio...

— Será por que você foi preso pouco tempo depois?_ ri coçando o queixo sem graça. _ Ela não está muito bem. Vou passar lá depois daqui.

— Faz bem! Tenho certeza que ela sente sua falta, como eu sinto.

— A diferença é que um está em prisão perpétua e a outra está morrendo com câncer... _sussurrei baixo ficando novamente ríspida e meu pai abaixou a cabeça deixando um suspiro escapar.

— Nahí..._ meu pai parecia procurar palavras para tentar me consolar _ Okay! Vamos mudar de assunto. E o Harald, como ele está?

Meu olhar se tornou ainda mais frio e cruzei os braços, desconfortável.

— Está bem. Não nos falamos muito... _olhei fixamente para a mesa sem expressão pensando em sua figura_ Na verdade, nunca nos falamos. Não é nenhum problema para mim! O vi da janela... Diga a tio Carl para dá-lo um belo tapa na boca quando o ver. Hal anda fumando._ergui meus olhos com convicção para meu pai.

— Uh! Ainda trocando farpas, pelo que vejo. _ meu pai riu coçando a cabeça._ Aliás, Carl disse que tinha dado a Fat Boy para o Hal.

— Cinco minutos!_ o guarda avisou e nos encaramos céticos.

— Avisa o tio Carl na hora do seu recreio que qualquer dia desses o farei uma visita. _ maneio a cabeça e meu pai sorriu com a palavra "recreio". _ Eu sabia que vocês eram melhores amigos, mas precisavam até mesmo serem presos juntos?

— Eu vim para que ele não ficasse solitário. _ meu pai riu grave e sorri largo felina.

— E vocês são vizinhos de cela. Como os outros presos aguentam quando vocês dois começam a discutir?

Meu pai deu de ombros e balancei a cabeça em negativa. Me levantei, pegando o livro e encarei meu pai tranquilamente.

— Te vejo depois pai. Se cuida!

— Se cuida borboletinha!

Parei a porta e o carcereiro a abriu. Mais dois guardas entraram para levar meu pai.

Ranks

Parado no corredor por um instante assisti minha garotinha ir embora. Nahí não era mais uma criança, mas eu ainda tinha medo. Ela tinha ficado ainda mais dura na queda desde a última vez que tinha a visto, talvez mais afiada e sagaz. Ou talvez tenha sido apenas minha impressão.

— Filha. _ a chamei, e ela parou se virando de lado e me olhando cética_ Tome cuidado! Se precisar de ajuda com algo, deixe de orgulho e liga pro Hal.

Ela apenas concordou com uma piscada lenta. Levando o indicador a testa e acenando. Então se foi, e fui empurrado de volta para minha cela. Alguém assobiou, faltando com respeito com minha borboletinha, e segundos depois o som do espancamento podia ser ouvido por todo corredor.

Ninguém mexia com minha filha enquanto estivesse vivo, independente se estava preso ou não. A Irmandade do Pesadelo nunca a deixaria desamparada. E como líder deles agora, ela quem ditava as ordens.

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Boa leitura!

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