Quatro anos atras
Aquele dia ficaria marcado na memoria de Matteo para o resto de sua vida. É como dizem, os momentos ruins ficam marcados em nossa alma, passe o tempo que for ainda seremos capazes de nos lembrar de acontecimentos que geraram feridas tão grandes que é impossível de esquecer.
O dia poderíamos dizer que estava ocorrendo como sempre ocorria, ele acordava ao lado da mulher que amava, tomava seu café da manhã, bem reforçado, e partia para a plantação verificar como estava o andamento das coisas, logo depois passava pelos galpões onde eram feitas as drogas sintéticas, fiscalizava para ver se tudo estava ocorrendo nos conformes.
Matteo saiu de um dos galpões quase na hora do almoço, lembrou que mais cedo prometeu a um de seus filhos que almoçaria com eles. Montou em seu cavalo puro sangue partindo em direção a casa principal.
Ao decorrer do caminho percebeu uma certa agitação no pessoal da fazenda, a maioria desesperada quando o via faltava se ajoelhar a seus pés lhe pedindo perdão, mas como estava com pressa para poder comer com seus filhos e esposa não prestara muita atenção aos sinais que a vida lhe dava.
Pessoas com baldes de água passavam apressadas com o pavor estampado em sua face, realmente algo serio estava acontecendo.
Matteo já com uma pulga atras de sua orelha decide parar uma dessas pessoas que passavam por ele apresadas.
— O que está acontecendo? — Pergunta preocupado com a plantação, o que ele não imaginava que era mil vezes pior.
A pessoa que o chefe parou estampava angustia misturada com medo, o que não fazia sentido na cabeça dele, porque as pessoas que trabalhavam tantos anos na fazenda teriam medo justo de Matteo, um homem integro, que só fazia bondade aos seus funcionários. Em seus pensamentos ele nunca dera motivos para terem medo muito menos pavor dele.
— É-É-É qu-que a mansão...
— O que tem a mansão homem? — O chefe interrompe angustiado em saber que o problema estava na mansão.
— Ela está pegando fogo chefe.
Finalmente seu funcionário diz o que estava acontecendo, ali ele teve certeza que era um atentado a sua família, isso o preocupou imensamente. Imediatamente viera em sua mente seus filhos.
— Em que proporções está o incêndio? — Matteo pergunta já com medo do que ouviria.
— Na mansão toda — O rapaz diz apontando em direção a uma nuvem de fumaça negra que infelizmente retratava um incêndio de enormes proporções.
— Cadê meus filhos? — A pergunta sai de sua boca no automático.
— Não sabemos onde estão.
Louco de preocupação, o medo o corroendo de dentro para fora, seu coração faltando sair pela boca, subiu no cavalo seguindo em direção a mansão, a galope, que agora se transformou em uma gigantesca nuvem negra.
A fumaça do incêndio que Matteo tinha a plena certeza de que se tratava de uma obra de seus inimigos, que tentavam a todo custo o atingir de alguma forma, tomava proporções jamais vistas por ele, por quilômetros podia sentir o cheiro de madeira queimando.
Ao se deparar com a mansão em chamas, os olhos dele se encheram de lágrimas prestes a transbordar, contudo, tinha que ser forte e demonstrar frieza diante da cena, pois com toda certeza do mundo a pessoa que provocara esse incêndio criminoso estava por perto observando como seria a reação de Matteo diante tal cena.
— Cadê minha família? — Matteo grita para poderem o escutar por conta do barulho das altas labaredas que tomavam a mansão por completo.
— Não sabemos senhor — Disse um dos capatazes que tentavam todo custo apagar o fogo da mansão.
— Podem parar — O chefe grita descendo do cavalo, se aproximando de seus empregados — Os bombeiros já foram chamados?
— Não.
Alguém lhe responde.
— Nós não conseguiremos apagar esse fogo sozinhos.
Matteo constata o obvio.
A preocupação e a angústia, que nele sempre andavam de mãos dadas tomam conta de seu ser, onde Julia e as crianças se meteram? Essa pergunta rondava seus pensamentos. Era impossível uma pessoa sobreviver em um incêndio dessas proporções.
O medo, um sentimento que está presente em todo ser humano, contudo, o medo que Matteo sentia naquele momento era uma coisa de outro mundo, era como se tirasse alguns pedaços dele, lhe doía na alma, o que ele sentia era uma coisa surreal.
— Liguem agora para os bombeiros. — Ele ordenou andando de um lado a outro — Não podemos deixar o incêndio se espalhar para o restante da fazenda.
O desespero de todos que ali estavam era palpável, ninguém que presenciava tal acontecimento já passara por algo nesse nível.
Além de estar preocupado com o restante da fazenda, se esse incêndio se espalhasse por todo o lugar o prejuízo que ele teria seria incalculável, além de atrasar todo o fornecimento de produtos que a fazenda produzia.
Também Matteo não sabia onde sua família estava, se conseguiu sair ou se ainda se localizava dentro da mansão, que neste momento começou a desmoronar e nada dos bombeiros chegarem, seus funcionários tentavam a todo custo impedir que o fogo se espalhasse por toda a propriedade, algo que poderia ser considerado ariscado para civis estarem realizando, mas como a fazenda ficava muito longe da cidade consequentemente longe de onde os bombeiros estavam localizados.
Matteo via que o desespero das pessoas a sua volta era genuíno, ele infelizmente agora se encontrava em um estado de inercia, o famoso choque pós-traumático, não entendia muito bem o que falavam com ele, muito menos conseguia registrar o que acontecia a sua volta.
Dias atuais
Lorenzo sai do aeroporto com suas bagagens, realmente ele havia exagerado, iriam passar duas semanas em Bestemming, pouco tempo é verdade.
— Eu te disse que te cobrariam um absurdo no tanto de coisas que você estava trazendo.
Theo constata em tom de reprimenda.
Lorenzo ao escutar seu amigo faz um muxoxo contrariado.
— Às vezes acho que devia te dar mais ouvidos.
— Devia mesmo, pois sempre tenho razão.
Theo diz todo convencido estufando o peito todo orgulhoso.
— Nem sempre Theo.
Theo sente seu animo se esvair com tal declaração de seu amigo.
Lorenzo, animado para explorar esse país em que todos podem ser quem quiserem, seus olhos brilhavam em animação com o novo, o desconhecido, e também com tudo que poderia explorar e descobrir nesse novo mundo chamado Bestemming.
Havia sido amplamente divulgado a criação de um novo país, m país em que a diversidade era mais que bem-vinda, era na verdade obrigatório para quem quisesse viver lá, todos teriam que fazer parte de alguma das minorias do mundo,
Reza a lenda que foi o próprio Destino quem criou o país, contudo, infelizmente, ninguém soube quem o descobriu.
Os olhos de Lorenzo brilhavam com tudo que o mesmo enxergava da janela do taxi que os levava para o hotel que Theo fizera a reserva, era algo novo pra ele, de certa forma, Lor estava impressionado com tudo a sua volta, as pessoas andando de mãos dadas na rua, sem o medo que permeava o resto do mundo, casais se amando sem se importar com quem quer que fosse, realmente era lindo de se ver.
Lorenzo não esperava por tudo aquilo, a verdade era que ele acreditava que fosse tudo uma grande balela, que tudo o que todos falaram e era na verdade uma grande mentira publicitária, para vender um país inovador.
— Eu não te falei que era verdade.
Theo disse rindo da cara de abismado de seu amigo.
— É eu tenho que concordar, você estava certo de novo.
— Como sempre estou certo em tudo.
Theo disse se achando o dono da verdade toda.
— Meu Deus, mas como você se acha.
— Quais são os planos para hoje?
Lorenzo pergunta Com medo da resposta de seu amigo, contudo fora ali para se divertir, não pra ficar preso em um hotel de luxo, mesmo não vendo o hotel sabia que seu amigo não ficaria em um muquifo.
— É Sério que você não quer ficar no hotel?
Theo indaga abismado.
— E você suposto que eu ficaria em um hotel?
Lorenzo devolve com indignação.
— Para que eu te conheço — Theo retruca — Com certeza se fosse outro lugar você já estaria enfurnado dentro do quarto fazendo sei lá o quê.
— Você disse tudo amigo se fosse em outro lugar, mas isso daqui é Bestemming e eu quero explorar ao máximo.
— Você está me assustando. Quem foi que abduziu o meu amigo?
Theo pergunta não reconhecendo seu amigo, eles se conhecem desde o maternal, Lorenzo sempre foi o quieto, o cheio de não me toque, e agora estava querendo explorar o país inteiro, o que havia acontecido com ele?
— O que você tem?
— Nada
Lorenzo responde simples. sai andando em direção ao quarto em que ficaria, se seu amigo não tiver nada para fazer, ele simplesmente pegaria suas coisas e iria para a primeira boate que achasse só não disse isso ao amigo, Theo, Pois ele acharia muito estranho, contudo, Lorenzo estava lá para divertir-se, para descobrir o novo, e talvez, achar um grande amor.
Ele já se achava velho demais para nunca ter tido uma relação amorosa, ninguém sabia daquilo, nem mesmo o seu amigo que estava no quarto ao lado, Aquilo era uma coisa dele e só dele, e quando chegasse o momento ele talvez dividiria com seu companheiro.
a verdade era que ele morria de vergonha, como em pleno os 26 anos Nunca tiveram um namorado ou alguém amorosamente, aquilo para ele era estranho, pois nunca se sentiu atraído por ninguém, em uma época da sua vida até acreditar que que era uma pessoa asexual, contudo, sabia que não se tratava disso.
Mais tarde em sua vida Lorenzo acabaram por se entender como uma pessoa gay, sim ele passou por vários e vários e ses em sua vida, Mas acabaram por se entender gay.
Na adolescência ele nunca se apaixonara, nunca teve um crush ou algo parecido, em um famoso ou mesmo em um colega de sala. Ele nunca teve abertura em casa para falar sobre sexualidade, então era ele por ele, seus pais rígidos como eram logo deram um jeito de suprimir essa vontade de se entender.
Na faculdade foi quando começou a se entender, ele estava longe dos pais opressores, longe da igreja, longe de todos que poderiam suprimir aquele momento em que estava vivendo, tardio na verdade, mas felizmente ele passara por este momento.
Ao ver que estava sozinho em seu quarto, Lorenzo logo foi tirando sua roupa, estava cansado da viagem de mais de 14 horas de voo, Precisava urgentemente de um banho, era o que providenciaria imediatamente.
Assim que entrou na banheira Que preparará com todo o cuidado, seus pensamentos o levaram para um momento específico de sua vida.