Capítulo 2

Os ecos da minha própria declaração, "Você vai se arrepender disso mais do que qualquer coisa," ainda ressoavam em meus ouvidos enquanto eu deixava aquele lugar vazio. Breno havia escolhido seu caminho, e agora eu escolheria o meu. O primeiro passo era colocar distância entre nós, um abismo tão largo que ele nunca mais poderia cruzar. Eu precisava agir rápido. Minha bolsa para estudar arte em Paris, antes um sonho distante, era agora meu bote salva-vidas.

Meu corpo doía a cada passo, um mapa de todo o mal que eu havia suportado. Minha cabeça latejava da queda, meu braço ainda enfaixado da facada, e meu peito parecia pesado com uma dor que palavras não podiam tocar. Mas sob a dor, uma determinação feroz queimava.

O escritório de admissões do programa de bolsas de Paris foi felizmente eficiente. Preenchi formulários com uma mão que ainda tremia um pouco, meu rosto pálido e abatido. A administradora, uma mulher de rosto gentil que me lembrava vagamente minha mãe, olhou para meu braço enfaixado com preocupação. "Minha querida, você está bem?" ela perguntou, sua voz suave. "Você parece que passou por uma guerra."

Suas palavras eram um contraste gritante com a demissão fria de Breno. Uma memória brilhou de um tempo, anos atrás, quando eu cortei o dedo com papel enquanto estudava. Breno se preocupou comigo por uma hora, tratando a pequena ferida como uma lesão grave, seus olhos arregalados de preocupação. Agora, depois de cirurgias reais, depois de ser esfaqueada, depois da morte da minha mãe, ele não conseguia nem fingir que se importava. O pensamento era uma pílula amarga.

Eu simplesmente balancei a cabeça, evitando seu olhar. "Estou bem. Apenas... uma fase difícil. Só preciso terminar esses papéis." Concentrei-me na tarefa, despejando toda a minha energia fraturada em completar a papelada. Esta era minha fuga.

Ela pareceu hesitante, então perguntou: "E seu noivo? Ele aprova que você saia do país para esta oportunidade?" A pergunta pairou no ar, espessa com suposições não ditas.

Minha mente voltou a inúmeras discussões, sussurradas e tensas, sobre minha carreira. "Paris? Adelle, é tão longe. Estamos construindo uma vida aqui. Minha vida. Nossa vida." Ele não queria que eu fosse, não de verdade. Ele me queria perto, sob seu controle, um belo acessório para seu império. Ele queria que eu fosse sua artista talentosa, mas apenas em seus termos. Ele nunca viu minha arte como meu próprio caminho, apenas como um hobby que ele poderia me permitir.

Consegui um sorriso tenso. "Ele não tem mais voz nisso," eu disse, as palavras parecendo um bálsamo na minha alma ferida.

Assim que terminei de assinar o último documento, meu celular antigo, aquele que eu ainda não havia substituído, vibrou. Uma mensagem de um número desconhecido. Meu estômago se contraiu. Era Frida.

A mensagem continha uma foto. Era Breno, rindo, seu braço possessivamente sobre o ombro de Frida. Eles estavam em algum restaurante exclusivo, seus rostos brilhando com uma intimidade doentia. A legenda abaixo dizia: "Ele é todo meu agora, Adelle. Você não sabia? Você é notícia velha."

Minha respiração ficou presa na garganta. Uma onda de náusea me invadiu, quente e sufocante. Minha mão voou para o meu peito, uma tentativa desesperada de acalmar o pânico crescente. Ela sabia. Ela sabia que eu estava aqui, tentando escapar. Ela estava torcendo a faca, aproveitando cada segundo da minha dor.

Meus olhos arderam, mas me recusei a chorar. Não por eles. Olhei para o carimbo de data/hora na foto. Foi tirada há pouco mais de uma hora, enquanto eu lidava com a bolsa de estudos. Ela havia orquestrado isso, cronometrado perfeitamente para me enviar bem quando eu estava saindo. Sua malícia era uma coisa tangível, um veneno se infiltrando em meu coração já machucado.

Fechei os olhos por um longo momento, forçando-me a respirar. É isso, Adelle. É isso que você está deixando para trás. A raiva, afiada e purificadora, substituiu a dor. Eu sabia o que precisava fazer. Eu sabia o que era realmente importante agora. Meu futuro. Minha paz. E a justiça da minha mãe.

"Tudo está em ordem, Adelle," disse a administradora, me entregando um envelope grosso. "Seu voo está marcado para amanhã de manhã. Nós organizamos tudo."

"Obrigada," eu disse, minha voz mais firme do que eu esperava. Minha determinação havia se cimentado em algo duro e inflexível.

Voltei para a casa vazia, aquela que Breno e eu compartilhamos, aquela que agora parecia um túmulo. O ar ainda carregava o leve cheiro da comida da minha mãe, uma lembrança cruel. Lembrei-me da pequena sala estéril improvisada que ela tinha montado na parte de trás de seu food truck que Frida havia destruído. Uma lembrança constante do acidente. Já havia sido demolida pela equipe de Breno, deixando um espaço aberto e desolado. Meu coração se contraiu.

Encontrei a governanta, Sra. Green, uma mulher gentil que trabalhava para a família de Breno há décadas. "Sra. Green," eu disse, minha voz suave, mas firme. "Preciso ver as imagens de segurança do caminhão da mamãe. Do dia do acidente."

Seus olhos se arregalaram, mas ela assentiu lentamente, seus lábios pressionados em uma linha fina. Ela me levou a um pequeno escritório, a tela piscando para a vida. O tempo derreteu enquanto eu assistia às imagens granuladas. E lá estava. Não apenas o carro de Frida em alta velocidade, não apenas seu celular no ouvido. Mas uma fração de segundo antes do impacto, ela havia desviado ligeiramente, um movimento deliberado, quase imperceptível, como se tentasse atingir o canto do caminhão, não evitá-lo. Seu rosto, capturado pela lente grande angular da câmera, exibia um sorriso fugaz e malicioso. Não foi um acidente. Não inteiramente. Foi intencional.

Minha mão se apertou em volta do meu celular. Meu corpo inteiro tremia com uma fúria fria e justa. Gravei discretamente os clipes relevantes, minha mandíbula tão cerrada que doía. Esta era sua confissão presunçosa, preservada para sempre. Esta era minha prova.

Voltei para o meu quarto, o silêncio sufocante. Meus olhos pousaram no calendário de contagem regressiva, ainda pendurado na parede. Noventa e nove dias. Ele zombava de mim, um monumento a um amor que se tornou um campo de batalha. Estendi a mão para ele, meus dedos roçando o papelão. Com um puxão decisivo, arranquei-o da parede, o som um rasgo agudo no silêncio. Ele caiu no chão, um símbolo quebrado de uma promessa quebrada. Olhei para ele por um momento, então, com um profundo senso de finalidade, chutei-o para a lixeira.

Era hora de fazer as malas.

Puxei minha mala gasta, aquela que usei para a faculdade de artes, e comecei a dobrar roupas, a separar minha vida em 'antes de Breno' e 'depois de Breno'. Estava quase terminando quando a porta se abriu com um estrondo.

"Adelle!" Breno estava lá, seus olhos arregalados. Ele gesticulou para o calendário amassado na lixeira. "O que é isso? Caiu?" Ele se aproximou, pegando-o, sua testa franzida de preocupação, como se um pedaço de papelão fosse o problema mais urgente.

"Não," respondi, minha voz plana, desprovida de emoção. "Eu joguei fora."

Seu olhar se aguçou, passando do calendário para minha mala aberta, depois para as roupas cuidadosamente dobradas dentro. "O que você está fazendo?" ele exigiu, uma nota de pânico crescente em sua voz. "Para onde você vai?"

Fechei a mala com um clique seco. "Estou me mudando, Breno."

Seus olhos brilharam, uma tempestade se formando. "Se mudando? O que é isso, Adelle? Outra de suas cenas dramáticas? Você vai voltar para aquele seu apartamento minúsculo e se fazer de vítima de novo?" Ele se aproximou, sua mão varrendo minha pilha de roupas cuidadosamente dobradas, espalhando-as pelo chão. "Isso é infantil! Você está fazendo birra!"

Observei minhas roupas caírem, minha ordem cuidadosamente construída se dissolvendo em caos, assim como minha vida. Uma pontada de algo, não exatamente tristeza, mas uma dor surda de memória, torceu em meu estômago. Ele nunca entendeu. Ele nunca viu minha dor. Ele só via inconveniência.

"Não estou fazendo birra, Breno," eu disse, minha voz perigosamente calma. "Estou indo embora."

Ele zombou, passando a mão pelo cabelo. "Tudo bem! Você quer dinheiro? É isso? Quanto? Um novo ateliê? Uma exposição em uma galeria? Apenas diga seu preço, Adelle. Não seja ridícula." Ele pegou o celular, pronto para transferir fundos, como se o dinheiro pudesse consertar a ferida aberta em minha alma.

Meu queixo caiu. Era realmente tudo o que ele achava que eu valia? Todos os nossos dez anos, todos os meus sacrifícios, toda a minha dor, reduzidos a uma transação? O absurdo daquilo me fez querer gritar, rir, chorar, tudo ao mesmo tempo.

Ele não esperou por minha resposta. Ele agarrou meu braço, seu aperto machucando. "Vamos. Você está exausta. Você está de luto. Você não está pensando direito. Vamos. Conversaremos sobre isso quando você estiver lúcida." Ele começou a me puxar em direção à porta, sua força avassaladora. Ele não estava pedindo. Ele estava comandando. E naquele momento, eu soube que tinha que escapar dele, não apenas fisicamente, mas inteiramente.

Capítulo 3

O carro zumbia, um zumbido baixo e opressivo que preenchia o silêncio entre nós. O aperto de Breno no meu braço havia aliviado assim que fui afivelada no banco do passageiro, mas a tensão no espaço entre nós era uma coisa viva, espessa e sufocante. Olhei pela janela, observando a familiar linha do horizonte do Rio de Janeiro passar borrada, cada arranha-céu um monumento ao poder de sua família e um testemunho de quão fora da minha liga eu sempre estive.

Lembrei-me de inúmeras viagens de carro com Breno, muito antes disso. Sua mão sempre estaria na minha coxa, seu polegar acariciando suavemente. Conversávamos por horas sobre nossos sonhos, sobre nosso futuro, sobre a pequena galeria de arte que abriríamos juntos. Ele me dizia o quanto amava minha arte, o quanto acreditava em mim. Suas palavras foram uma tábua de salvação, uma promessa. Agora, seu cinto de segurança era a única barreira entre nós, mas parecia um oceano.

A mudança foi gradual, quase imperceptível no início. Uma frieza sutil em seu tom, um olhar apressado para o celular, um ar preocupado. Eu podia identificar o momento exato de sua aceleração: o dia em que Frida Magalhães entrou em cena novamente, exigindo sua "retribuição de gentileza". Naquele dia, a luz em seus olhos para mim havia diminuído, substituída por um lampejo de obrigação e uma necessidade quase desesperada de agradá-la, de apaziguar seu pai.

Lembrei-me do terror frio de acordar sozinha após minha cirurgia, meu corpo atormentado pela dor, minhas ligações para ele sem resposta. Ou as horas horríveis do sequestro, sangrando e aterrorizada, gritando seu nome, apenas para saber que ele estava com Frida, cuidando dela durante um pequeno abalo emocional. Todas as vezes, ele esteve ausente. Todas as vezes, ele a escolheu.

Ele voltava para mim depois, às vezes com flores, às vezes com desculpas vazias. Ele trazia bugigangas de eventos luxuosos com Frida, um lenço de seda, uma sobremesa chique, como se esses pequenos gestos pudessem preencher o vazio crescente. Eu o questionei, suavemente no início, depois com um desespero crescente. "Breno, por que você passa tanto tempo com ela? Nós vamos nos casar." Ele sempre tinha a mesma resposta, um refrão ensaiado: "É pela minha família, Adelle. É por nós. É só por noventa e nove dias. Uma retribuição de gentileza." A frase era um punhal, torcendo mais fundo a cada repetição.

De repente, seu celular vibrou. Um toque brilhante e alegre que eu não reconheci. Ele olhou para a tela, um sorriso suave se espalhando por seu rosto. "Frida?" ele disse, sua voz instantaneamente quente, terna. "Tudo bem, anjo? Estou a caminho."

Meu estômago revirou. O carro, que estava indo em direção ao meu antigo apartamento, de repente desviou. Ele fez uma curva fechada, indo em uma direção completamente diferente. O sorriso nunca deixou seu rosto enquanto ele murmurava no telefone: "Quase lá, querida." Ele parecia genuinamente feliz.

O silêncio voltou, mais pesado desta vez, carregado com seu flagrante desrespeito por mim. Ele estava alheio à minha dor, perdido em seu próprio mundinho com Frida. Meu coração era uma pedra no meu peito.

O carro parou suavemente em frente a um complexo amplo e opulento, portões de ferro forjado brilhando sob o sol da tarde. Reconheci-o instantaneamente: a propriedade da família Magalhães. Um farol de riqueza e poder, um mundo ao qual eu nunca poderia realmente pertencer.

E lá estava ela, de pé no gramado bem cuidado, vestida com um vestido de seda esvoaçante, seu cabelo perfeitamente penteado. Frida. Seus olhos, brilhantes e expectantes, pousaram em Breno.

Uma dor aguda e lancinante atravessou meu peito, uma manifestação física da traição. Parecia que minha própria alma estava sendo rasgada em duas.

Breno se virou para mim, seu rosto desprovido de calor. "Saia, Adelle." Sua voz era plana, um comando, não um pedido.

Eu não me mexi. Minhas mãos estavam tão cerradas que minhas unhas cravavam em minhas palmas. Ele suspirou, um som impaciente, e se esticou sobre mim. Sua mão apertou meu braço, puxando. "Eu disse, saia." Ele me puxou, com força, e minha cabeça bateu na moldura da porta enquanto eu tropeçava para fora, na calçada. Eu ofeguei, a dor aguda eclipsando momentaneamente a agonia emocional.

Ele nem olhou para trás. Ele já estava fora do carro, correndo para o lado do passageiro, abrindo a porta para Frida. Ela praticamente derreteu em seu abraço, seus murmúrios suaves de queixa morrendo em seus braços. Ele a acomodou cuidadosamente no assento que eu acabara de ocupar, murmurando palavras de consolo. Ele afivelou o cinto dela.

Era quase cômico em sua cruel repetição. Ele sempre me puxava para fora, rude e desdenhoso, e então, cuidadosa e ternamente, a colocava no meu lugar. Lembrei-me dos primeiros dias, quando ele abria a porta do passageiro para mim, um gesto cavalheiresco que eu adorava. Ele dizia: "Este é o seu assento, Adelle. Sempre." A ironia era um gosto amargo na minha boca.

Eu ri então, um som seco e sem humor. Meu assento. Sempre. Que piada.

O carro partiu em alta velocidade, me deixando sozinha na calçada, a propriedade dos Magalhães se erguendo atrás de mim, um símbolo da minha total insignificância. Eles estavam indo para um leilão de caridade, percebi, outro de seus eventos exclusivos da elite. Eu era apenas um desvio inconveniente.

Breno apareceu ao meu lado uma hora depois, me puxando para o luxuoso salão de leilões, o ar espesso com o cheiro de dinheiro e perfume caro. "Adelle," ele sussurrou, sua voz baixa, como se tentasse acalmar uma criança. "Escolha o que quiser. Qualquer coisa. É seu." Ele apertou minha mão, uma tentativa superficial de afeto.

Lembrei-me de uma época em que ele me surpreendia com uma tela que eu admirava, ou um novo conjunto de tintas. Seus presentes então eram atenciosos, nascidos de um afeto verdadeiro. Agora, era apenas um gesto vazio, uma promessa oca.

Nesse momento, ouvi uma conversa sussurrada entre duas mulheres em vestidos brilhantes. "Você ouviu? Breno Salles gastou uma fortuna na semana passada naquele broche antigo para Frida. E na semana anterior, foi aquela escultura rara." Meu sangue gelou. Ele comprava presentes caros para ela regularmente. Não apenas para esta "retribuição de gentileza". Isso era diferente. Isso era mais.

Senti uma profunda sensação de total tolice me invadir. Eu tinha sido tão ingênua, tão cega.

A voz do leiloeiro ecoou, anunciando os lances. Meus olhos varreram o palco, pousando em um pequeno pingente brilhante, insignificante em meio às grandes obras de arte. "Aquele," eu disse, apontando vagamente.

Breno levantou sua raquete instantaneamente. "Cinquenta mil!" O leiloeiro mal fez uma pausa. "Vendido para o Sr. Salles!"

Ele o pegou, um sorriso triunfante no rosto. "Aqui, meu amor. Para você." Ele o ofereceu a mim.

Mas antes que eu pudesse sequer tocar, Frida, que apareceu do nada, seus olhos arregalados e inocentes, estendeu a mão e roçou nele. "Oh, Breno, é requintado! É para mim?"

O sorriso de Breno não vacilou. Ele se virou para ela, o pingente agora esquecido em minha direção. "Claro, meu anjo. O que você desejar." Ele o entregou a ela, seus dedos demorando nos dela. "Adelle, eu te compro outra coisa, algo ainda melhor, eu prometo."

Frida sorriu, seus olhos brilhando. Ela se inclinou, pressionando um beijo suave em sua bochecha. "Obrigada, querido. Você é o melhor."

Meu coração não apenas doeu; parecia que estava sendo rasgado em pedaços, dilacerado por mil lâminas invisíveis. Era uma dor tão profunda, tão absoluta, que fez minhas feridas anteriores parecerem arranhões distantes.

"Adelle? Você vai escolher outra coisa?" Breno perguntou, sua voz tingida de impaciência. Ele nem percebeu minha agonia.

Eu tentei de novo. E de novo. Cada vez, Frida expressava admiração, e cada vez, Breno concedia meu item escolhido a ela, prometendo-me algo "melhor" mais tarde. O ciclo era doentio.

"Sinceramente, quem é essa mulher?" ouvi um sussurro de uma mesa próxima. "Ela parece uma mendiga que Breno pegou na rua. Tão deslocada ao lado da adorável Frida Magalhães." As palavras, destinadas a me insultar, foram como um banho de água fria, solidificando minha determinação. A disparidade de classe, a expectativa social, a pura crueldade de tudo aquilo era avassaladora. Minhas unhas cravaram em minhas palmas, deixando marcas em forma de crescente.

Finalmente, balancei a cabeça. "Não," eu disse, minha voz mal um sussurro. "Eu não quero nada."

O rosto de Breno se nublou de irritação. "Adelle, não seja infantil. Estou tentando ser generoso. Não estrague isso." Sua voz era baixa, mas com uma ameaça familiar. "Eu sacrifiquei tanto por você, Adelle. A reputação da minha família, meu tempo. Você não vê o que estou fazendo?"

Minha cabeça se ergueu bruscamente. Sacrifício? Ele estava falando de sacrifício? Depois do que ele me fez passar? Depois do que ele permitiu que acontecesse com minha mãe? A pura audácia de suas palavras me tirou o fôlego. Era além de cruel; era um insulto à minha própria existência.

"Eu não aguento mais isso, Breno," eu disse, minha voz se elevando, tremendo um pouco. Minha visão turvou, mas desta vez, não eram lágrimas de tristeza. Era raiva. "Eu cansei. Acabou para nós. Estou indo embora." Eu queria dizer isso. Agora, estava dito.

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