Para uma mulher que parecia nunca ter levantado nada mais pesado que um cartão Black, Lola se moveu com uma velocidade chocante.
O tapa não apenas acertou; o estalo da palma da mão dela contra minha bochecha ecoou pelo saguão de mármore como um tiro.
Minha cabeça virou para o lado. O impacto foi cegante, um calor agudo e ardente se espalhando instantaneamente pela minha pele.
Um silêncio mortal caiu sobre o lugar.
Os seguranças perto dos elevadores de repente acharam os ladrilhos do chão fascinantes. Eles sabiam com quem Lola estava dormindo. Eles sabiam quem assinava seus cheques.
Senti o gosto de cobre na boca.
"Sua rata civil", Lola cuspiu, o rosto contorcido em um triunfo feio.
"Você acha que mostrar um crachá de plástico me assusta? Você é uma empregada de luxo que acha que tem chance com o Príncipe."
Ela pegou o celular.
"Quer ver o que o Dante realmente pensa de você?", ela perguntou, sua voz subindo para um grito estridente. "Ei! Todo mundo! Olhem isso!"
Ela balançou o celular para a equipe da recepção, para os seguranças, para suas amigas.
"Olhem o que meu noivo diz sobre a perseguidora dele!"
Ela enfiou a tela a centímetros do meu nariz.
Era uma conversa com Dante.
*Dante: Aff, tenho que ir pro escritório mais cedo amanhã. A Seraphina errou nos registros de expedição de novo.*
*Lola: Por que você não demite ela logo, amor?*
*Dante: Ainda não posso. Ela é uma mula de carga. Faz todo o trabalho chato que eu não quero fazer. Ela é útil, como um grampeador. Mas, meu Deus, ela me entedia até a morte. Você é meu verdadeiro alívio, amor. A única mulher que me faz sentir vivo.*
Eu encarei as palavras.
*Como um grampeador.*
Passei sete anos limpando os pecados dele.
Eu reescrevi livros contábeis para manter os investigadores da força-tarefa contra o crime organizado cegos. Negociei com sindicatos corruptos para manter seus caminhões em movimento. Fiquei entre ele e a prisão federal todos os dias.
E para ele, eu era material de escritório.
Algo dentro do meu peito — aquela criatura suave e esperançosa que eu nutri desde a faculdade — não apenas se quebrou. Desintegrou-se.
Virou cinza fria.
"Viu?", Lola riu, puxando o celular de volta. "Ele te mantém por perto porque você é uma mula. Mas ninguém quer casar com a mula."
A recepcionista, uma garota que ajudei a conseguir licença-maternidade no ano passado, cobriu a boca para esconder uma risadinha.
"Ela realmente achou que tinha uma chance", sussurrou Bella, alto o suficiente para a última fileira ouvir. "É meio triste. Ela não entende o estilo. Ela não é... material para mulher de mafioso."
Elas estavam gravando agora. Três ou quatro celulares apontados para mim, capturando minha humilhação para os stories do Instagram.
"Segurança!", Bella gritou, apontando um dedo com unhas feitas para a porta. "Joguem esse lixo para fora! Ela está assediando a futura esposa do Don!"
Dois guardas deram um passo à frente, hesitantes.
"Senhorita Vitiello...", um começou, usando o sobrenome falso que eu usava no trabalho. "Talvez a senhora devesse ir."
Toquei minha bochecha. Estava latejando no ritmo do meu coração.
Olhei para Lola.
"Você tem certeza que essas mensagens são verdadeiras, Lola?", perguntei suavemente.
"Claro que são verdadeiras!"
"Porque sete anos atrás", eu disse, minha voz perigosamente firme, "Dante ficou sentado do lado de fora do meu dormitório por três semanas implorando por um encontro. Ele me perseguiu, Lola. Eu não o persegui."
Lola revirou os olhos. "Isso foi na faculdade. As pessoas fazem experiências na faculdade. Ele cresceu. Percebeu que precisava de uma Rainha, não de uma funcionária."
"Uma Rainha", repeti.
"Sim", disse Lola, invadindo meu espaço pessoal até que eu pudesse sentir o cheiro de seu perfume caro. "E você está invadindo o meu reino."
"Seu reino é construído sobre areia", eu disse a ela, minha voz firme apesar da adrenalina disparando no meu sangue.
Os olhos de Lola se arregalaram, o branco aparecendo por toda a volta. As veias em seu pescoço se tensionaram contra sua pele cara, arruinando a fachada de elegância que ela tanto se esforçava para manter.
"Peguem ela!", ela gritou.
Bella avançou, seus dedos cravando no meu bíceps. Outra garota agarrou um punhado do meu cabelo.
Tentei me livrar, meu treinamento de autodefesa entrando em ação automaticamente — transferir o peso, baixar o centro de gravidade. Mas eu estava em desvantagem numérica. Bella acertou um chute na parte de trás do meu joelho, e minha perna cedeu.
Eu caí, batendo no chão de mármore duro com um baque que fez meus dentes tremerem.
"Segurem ela!", Lola ordenou.
Senti mãos pressionando meus ombros contra a pedra fria, me prendendo como um espécime. Meu blazer rasgou com um som agudo.
Lola ficou de pé sobre mim, parecendo uma divindade vingativa em chiffon branco.
"Você precisa aprender o seu lugar", disse ela, ofegante, o peito subindo e descendo. "Você acha que pode simplesmente entrar aqui e me desrespeitar? Eu vou ser a Primeira-Dama desta família."
Ela se inclinou e me deu outro tapa.
Bochecha esquerda. Bochecha direita.
Minha cabeça zumbia como um sino atingido. A humilhação era pior que a dor. Eu era Seraphina Vitiello. Meu pai cortava a língua de homens que falavam comigo no tom errado. E aqui estava eu, sendo espancada por uma garçonete de bar em um saguão que, tecnicamente, era meu.
"Vou marcar essa sua carinha sem graça", Lola sibilou, sua saliva caindo na minha bochecha. "Talvez assim o Dante pare de ter pena de você."
Olhei para ela. Meu lábio estava cortado. Podia sentir o sangue escorrendo pelo meu queixo, quente e metálico.
"Se você me tocar de novo", sussurrei, minha voz uma navalha fria, "você vai implorar pela morte."
Lola jogou a cabeça para trás e riu. Foi um som agudo e maníaco.
"Ouviram isso? O grampeador está me ameaçando!"
Ela levantou o pé, mirando seu salto agulha afiado na minha mão.
Então ela parou.
Seus olhos captaram o brilho prateado no meu pescoço.
Era um medalhão antigo. Prata manchada, gravado com uma borboleta simples. Não era chamativo. Não tinha diamantes.
Mas era a única coisa que minha mãe me deixou antes de morrer em um carro-bomba destinado ao meu pai.
"Que lixo é esse?", Lola debochou.
Ela se abaixou e puxou a corrente.
"Não!", gritei, lutando contra as mãos que me seguravam, me debatendo violentamente. "Não toque nisso!"
A corrente arrebentou com um estalo doentio.
Lola segurou o medalhão contra a luz, balançando-o como um inseto morto.
"Tão barato", disse ela. "Dante me compra diamantes. E você usa... lata?"
"Devolva", eu disse, engasgando. O ar parecia rarefeito, meus pulmões queimando. Aquele medalhão guardava a foto da minha mãe. Era uma relíquia sagrada.
"É feio", Lola decidiu. "Assim como você."
Ela o jogou no chão.
O tempo pareceu desacelerar. Observei o coração de prata atingir o mármore. Ele não quebrou.
Então Lola levantou o pé.
Ela desceu o calcanhar com força, bem no centro da borboleta.
*Crunch.*
O som do metal se contorcendo e do vidro se estilhaçando foi mais alto do que qualquer tiro que eu já tinha ouvido.
Meu coração parou.
Lola fincou o calcanhar nos fragmentos, torcendo para frente e para trás, garantindo que nada restasse além de poeira e sucata.
"Ops", disse ela, sorrindo para mim. "Acho que quebrei seu brinquedinho. Agora você não tem nada."
Parei de lutar. As mãos que me seguravam pareciam distantes. A dor no meu rosto desapareceu.
Um vazio frio e escuro se abriu no centro do meu peito. Engoliu o amor que eu tinha por Dante. Engoliu minha paciência. Engoliu a garota que queria uma vida normal.
Olhei para a prata esmagada no chão.
O Pacto havia acabado.
A Omertà foi quebrada.
A guerra havia começado.