Capa do Romance Tarde Demais para o Arrependimento do Meu CEO

Tarde Demais para o Arrependimento do Meu CEO

7.8 / 10.0
Pontes Vasconcelos, meu ex-namorado bilionário, ressurgiu como meu novo chefe implacável. Ele acredita que o abandonei por luxo, mas sou uma mãe solo lutando para salvar minha filha doente. Consumido por ciúmes de um marido inexistente, ele me sabota e exige o impossível. O que Pontes ignora é que sou Zephyr, a artista que ele cobiça. Não implorarei por piedade; vou hackear seus servidores, provar minha inocência e virar o jogo contra sua arrogância de CEO.

Tarde Demais para o Arrependimento do Meu CEO Capítulo 1

Gracia se espreguiçou no escritório, um pequeno sorriso triunfante no rosto. Ela tinha a prova. O dia de amanhã prometia um bom espetáculo. Era um nítido contraste com três dias antes, quando parecia que o mundo estava acabando.

O relógio no canto inferior direito da tela do computador marcava 9:58 AM.

Gracia Maxwell encarou os números até que eles ficassem embaçados. Seus dedos batucavam em um ritmo nervoso e errático na borda de plástico gasta de seu teclado. Era um tique físico que ela havia desenvolvido nos últimos três anos, uma forma de canalizar o excesso de adrenalina que constantemente inundava seu sistema.

Ao seu redor, o departamento de marketing era uma colmeia de pânico silencioso. As pessoas não estavam trabalhando. Estavam agrupadas em pequenos grupos, suas vozes baixas, seus olhares furtivos em direção às portas de vidro do conjunto de elevadores da diretoria.

— É uma carnificina — sussurrou Tess, deslizando sua cadeira para dentro do cubículo de Gracia. As rodas rangeram no carpete fino e cinza. — Minha fonte no RH disse que o novo CEO não está apenas cortando o excesso. Ele está amputando membros.

Gracia sentiu seu estômago se contrair. Uma dor aguda e lancinante que não tinha nada a ver com fome e tudo a ver com a carta da companhia de seguros que estava sobre o balcão de sua cozinha.

— Eu não posso perder isso — murmurou Gracia, mais para si mesma do que para Tess. — Eu acabei de renovar a apólice.

Tess olhou para ela com pena. Aquele olhar era comum. Todos conheciam Gracia como a mãe solteira que contava os centavos, a mulher que usava blazers de brechó e trazia sanduíches encharcados de casa. Eles não sabiam sobre as contas da clínica particular ou os honorários dos especialistas para Birdie.

— Talvez o marketing esteja seguro — sugeriu Tess, sem muita convicção. — Nós geramos receita.

As portas duplas na frente da sala se abriram com um impulso. O chefe do departamento, um homem chamado Miller que geralmente encharcava suas camisas de suor antes do meio-dia, entrou. Ele bateu palmas, o som agudo e estridente no ar tenso.

— Reunião geral. Em cinco minutos. Último andar. Todos.

A ordem era absoluta.

Gracia pegou seu caderno. Seus nós dos dedos estavam brancos enquanto o apertava contra o peito como um escudo. Ela se juntou ao fluxo de corpos que se movia em direção aos elevadores. Fez questão de ficar na parte de trás, pressionando-se contra a parede. Ela odiava multidões. Multidões significavam variáveis imprevisíveis.

A viagem de elevador foi sufocante. Corpos demais. Colônia barata e medo demais. Gracia estava prensada contra a parede fria de metal do fundo. Ela fechou os olhos e fez uma contagem regressiva a partir de dez, visualizando o rosto de Birdie. Por ela. Apenas mantenha a cabeça baixa.

A sala de conferências do último andar era uma caverna de vidro e aço. Janelas do chão ao teto ofereciam uma vista panorâmica do horizonte de Manhattan, mas o céu estava cinzento e pesado, pressionando a cidade para baixo.

Gracia encontrou um lugar atrás de um pilar estrutural no canto mais distante, nos fundos. As sombras eram mais densas ali. Ela podia ver o pódio, mas, com sorte, ninguém no pódio poderia vê-la.

A sala mergulhou em silêncio. Não foi um silêncio gradual; foi instantâneo, como se o ar tivesse sido sugado do ambiente.

As portas se abriram novamente. Um grupo de homens em ternos escuros e bem cortados entrou. Eles se moviam com a confiança natural de pessoas que assinam cheques em vez de descontá-los.

Então, ele entrou.

A respiração de Gracia ficou presa na garganta. Seu coração martelava contra suas costelas, um ritmo frenético e doloroso. O ar que ela respirava se transformou em veneno. Não era apenas reconhecimento; era uma memória de dor corporal, celular.

Ele estava mais alto do que ela se lembrava. Mais largo nos ombros. A suavidade juvenil que costumava pairar em seu maxilar havia desaparecido, substituída por ângulos duros e uma barba por fazer que parecia intencional e cara.

Bridger Jennings.

O fantasma da Ivy League. O homem que havia destruído seu mundo e a deixado para juntar os cacos sozinha.

Gracia abaixou a cabeça, o queixo quase tocando o peito. Não olhe para cá. Por favor, Deus, não olhe para cá.

Ela se sentiu tonta. A sala parecia inclinar-se. Ela não o via há cinco anos. Não desde a noite em que bloqueou o número dele e mudou sua vida para sempre. Ela pensava que ele ainda estava em London. Pensava que estava segura no anonimato do conglomerado gigantesco de sua família.

Bridger subiu ao pódio. Ele ajustou o microfone. O som de sua mão roçando no metal ressoou pelos alto-falantes.

Ele olhou para o mar de funcionários. Seus olhos eram da cor do Atlântico no inverno — escuros, turbulentos e absolutamente frios.

— Sentem-se — disse ele.

Sua voz era mais grave. Vibrou nos ossos de Gracia. Era a voz que costumava sussurrar promessas em seu quarto do dormitório, agora despida de todo calor.

Gracia não se sentou. Não havia mais cadeiras em seu canto. Ela permaneceu rígida contra o pilar, tornando-se o menor fisicamente possível.

Bridger falou por dez minutos. Ele falou sobre reestruturação, sobre eficiência, sobre cortar o peso morto que havia arrastado as ações da empresa para baixo. Cada palavra era uma lâmina. Ele era implacável. Ele era brilhante. Ele era um estranho.

— Acabou a complacência — disse Bridger, fechando a pasta no pódio. — Se você não for essencial, está fora.

A reunião terminou abruptamente. Não houve sessão de perguntas e respostas. Nenhuma frase de efeito reconfortante.

Bridger desceu os degraus do palco. Ele não se dirigiu para a saída. Ele caminhou direto para a multidão.

Os funcionários se abriram como as águas, aterrorizados com a ideia de tocá-lo.

Gracia sentiu uma onda de pânico. Ele estava vindo na direção dela.

Mova-se, seu cérebro gritou. Corra.

Mas suas pernas eram de chumbo. Ela estava paralisada, um cervo sob os faróis de um trem em movimento.

Bridger parou a cinco metros de distância para falar com um vice-presidente de Vendas. Gracia soltou um suspiro trêmulo. Ele não estava vindo atrás dela. Ele não sabia que ela estava ali. Por que saberia? Ela era uma ninguém em uma empresa de milhares.

Ela se virou para escapulir em direção à saída.

Então ela sentiu. O peso de um olhar tão pesado que parecia um toque físico.

Gracia se virou lentamente.

Bridger estava olhando para ela.

Seus olhares se cruzaram por cima das cabeças da equipe aterrorizada.

O tempo se distorceu. O barulho da sala desvaneceu-se em um rugido surdo. Por três segundos, Gracia estava de volta a Cambridge, de pé na chuva, com o coração partido. Ela esperou pelo reconhecimento. Esperou pela raiva. Esperou pelo choque.

A expressão de Bridger não mudou. Nenhuma vacilação. Nenhuma contração muscular.

Ele olhou para ela, através dela e, então, para além dela.

Era um olhar de indiferença completa e total. Como se ela fosse parte da arquitetura. Como se fosse uma mancha no vidro.

Ele virou a cabeça e se afastou, com seus passos largos e decididos, deixando-a parada nas sombras.

Gracia desabou contra o pilar. Seus joelhos finalmente cederam, e ela deslizou alguns centímetros para baixo antes de se segurar.

A indiferença doeu mais do que a raiva teria doído. A raiva significaria que ele ainda se importava o suficiente para odiá-la. Isso? Isso era apagamento.

Ele havia olhado diretamente para ela e não visto nada.

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