O corredor que levava à suíte da cobertura era um túnel de opulência, forrado com papel de parede de seda que provavelmente custava mais do que a casa da minha infância.
Eu fiquei ali, uma estátua rígida vestida com o poliéster áspero de um uniforme barato de garçonete, minhas costas pressionadas contra o gesso frio ao lado das portas duplas de mogno.
Lá dentro, o espetáculo havia começado.
Fechei os olhos com força, mas não consegui fechar os ouvidos.
Ouvi o farfalhar suave de tecido caro. O tilintar pesado de uma fivela de cinto batendo no chão de madeira. Depois vieram as risadinhas de Sofia — agudas, ofegantes e triunfantes.
E então, Dante.
Sua voz era um murmúrio baixo que eu não conseguia distinguir direito, mas o timbre profundo dela vibrava através da madeira maciça e se instalava na medula dos meus ossos.
Mordi o interior da minha bochecha até o gosto metálico de cobre encher minha boca.
Esta era a minha penitência.
Este era o preço da mentira que eu teci cinco anos atrás. Eu confessei ter atropelado a mãe dele, Lucrezia, para enterrar a verdade mais feia — que ela havia tirado a própria vida após um caso sórdido. Eu absorvi o ódio dele para que ele nunca tivesse que carregar o peso esmagador do pecado dela.
Um gemido escapou pela fresta da porta. Era inconfundível.
"Oh, Dante... sim."
Meu estômago se revirou, a bile subindo quente na minha garganta. Deslizei pela parede até o chão, puxando os joelhos contra o peito.
A dor do câncer explodiu no meu abdômen — uma faca afiada e retorcida que rivalizava com a agonia no meu peito. Concentrei-me no tormento físico. Era mais fácil de processar do que o som do homem que eu amava dando prazer a outra mulher.
Contei os padrões do tapete.
Um, dois, três.
Um, dois, três.
Fiquei acordada a noite toda, guardando a intimidade deles como um cão leal e espancado.
Quando a porta finalmente se abriu ao amanhecer, meus membros estavam rígidos e trêmulos. Dante saiu primeiro, totalmente vestido em um terno de carvão. Ele parecia impecável, intocado pela noite, enquanto eu sentia como se tivesse envelhecido uma década em uma única escuridão.
Sofia o seguiu, envolta em um robe de seda, parecendo corada e completamente satisfeita. Ela me viu e fingiu um susto.
"Oh, Elena. Você ainda está aqui?" Ela inclinou a cabeça. "Que... dedicada."
Dante não olhou para ela. Seu olhar frio estava fixo em mim.
"Entre", ele ordenou, sua voz vazia de emoção. "Limpe os lençóis."
Levantei-me, minhas pernas tremendo sob mim. Passei por ele e entrei no quarto. O cheiro de sexo e seu perfume de sândalo pairavam pesados e sufocantes no ar.
Fez o quarto girar.
Tirei os lençóis da cama, minhas mãos tremendo incontrolavelmente enquanto eu embrulhava o fino algodão egípcio que carregava a evidência úmida de sua traição.
*
Mais tarde naquela semana, o tormento mudou de forma.
Dante me forçou a comparecer aos seus jantares de negócios, não como convidada, mas como uma sombra silenciosa. Eu ficava atrás de sua cadeira enquanto ele comia. Quando os brindes eram erguidos, ele me ordenava que bebesse no lugar de Sofia.
"Ela tem um fígado delicado", ele zombou, dirigindo-se à mesa enquanto gesticulava para mim. "Você, no entanto, está acostumada com a gororoba da prisão."
Bebi copo após copo de vinho tinto encorpado.
O álcool reagiu violentamente com meus medicamentos. A náusea me atingia em ondas, e minha visão ficava turva nas bordas, mas eu engolia cada gota.
Cada copo era mais um real adicionado ao meu fundo funerário.
Então veio a festa de aniversário de Sofia.
A mansão estava em chamas com milhares de luzes de fada. Fui encarregada de segurar a bolsa de Sofia enquanto ela cumprimentava os convidados. Ela usava um vestido de veludo esmeralda profundo, com as costas perigosamente decotadas para revelar a curva de sua espinha.
Eu o reconheci instantaneamente.
Era um design que Lucrezia havia esboçado em seu caderno anos atrás. Ela o desenhou para mim. Para a futura esposa de seu filho.
Sofia girou, o veludo capturando a luz ambiente. "Você gosta, Elena? Dante mandou fazer só para mim."
"É lindo", eu disse, minha voz oca.
Os convidados sussurravam ao passar por nós, suas vozes mal abaixadas.
"Aquela é a víbora. A matricida. Como Dante a deixa viver?"
"Ele a mantém para se lembrar do ódio", alguém respondeu.
Eu olhei para frente. Deixe que falem. Eu iria embora em breve. O câncer estava me devorando mais rápido do que suas palavras jamais poderiam.
No final da noite, me encontrei perto do lago da propriedade. A água era negra e parada, um espelho refletindo a lua fria. Sofia me encontrou lá. Ela estava bebendo, suas bochechas coradas.
"Você acha que ele ainda se importa com você, não é?", ela sibilou, invadindo meu espaço pessoal.
"Acho que ele me odeia", eu disse em voz baixa.
"Ele odeia. Mas ele olha para você. Ele olha para você com tanta raiva que queima. Eu quero que ele olhe para mim assim."
Eu não disse nada.
Ela torceu o anel de noivado em seu dedo. Era um diamante enorme, pesado e frio.
"Você arruinou tudo, Elena. Você deveria ser a noivinha Vitiello perfeita. E agora olhe para você." Ela zombou. "Uma rata moribunda."
Eu enrijeci. "Você sabe?"
Ela riu, um som cruel e tilintante. "Eu vi seus comprimidos na sua bolsa. Analgésicos. Fortes. Você está apodrecendo por dentro. É poético, na verdade."
Ela tirou o anel do dedo.
"Ele me deu isso", ela disse, segurando-o sobre a água escura. "Mas eu sei que era para você. Ele o comprou há cinco anos."
Ela o jogou.
O diamante capturou o luar por uma fração de segundo — uma estrela cadente — antes de desaparecer na água negra e gelada com um suave *plop*.
"Ops", ela sorriu.
"Vá pegá-lo, Elena. Prove que você sabe o seu lugar."
Dante apareceu das sombras do jardim assim que as ondulações na água estavam se desfazendo na quietude. Ele olhou do dedo nu de Sofia para mim, sua expressão se transformando em algo sombrio e volátil.
"Onde está o anel?", ele exigiu.
Sofia soltou um suspiro dramático, cobrindo a boca com uma mão trêmula. "Oh, Dante! Eu estava mostrando para a Elena, e ela... ela deu um tapa na minha mão! Ela disse que uma assassina o merece mais do que eu!"
Era uma mentira tão desajeitada, tão teatralmente frágil, que deveria ter se desfeito sob o menor escrutínio. Mas Dante voltou seu olhar para mim, e eu vi o monstro por trás de seus olhos despertar de seu sono. Ele não se importava com a verdade. Ele só queria um motivo para me punir.
"Isso é verdade?", ele perguntou, sua voz perigosamente baixa.
Olhei para a água negra. O anel valia milhares. Se eu o encontrasse, talvez pudesse vendê-lo. Talvez pudesse ir embora mais cedo.
"Caiu", eu disse simplesmente.
"Você o jogou", ele corrigiu, aproximando-se até seu peito roçar no meu, pairando sobre mim como uma frente de tempestade. "Sua criatura invejosa e rancorosa. Aquele anel vale mais que a sua vida."
Ele agarrou meu braço, seu aperto me machucando. "Pegue-o de volta."
"A água está congelando, Dante", sussurrei.
"Não me importa se queimar sua pele. Encontre-o."
Então, ele me empurrou.
Eu tropecei para trás, meus saltos se prendendo na lama macia, e caí no lago. O frio foi um golpe físico, um choque violento que arrancou o ar dos meus pulmões e enviou agulhas de dor por meus membros. A água era turva, opaca e cheirava a decomposição antiga.
Eu engasguei, vindo à superfície, meus dentes batendo instantaneamente. Dante estava na margem, com o braço em volta de Sofia, me observando lutar com fria indiferença.
"Não saia até tê-lo", ele ordenou.
Ele se virou e foi embora, levando o calor do mundo com ele.
Procurei por horas. Minhas mãos ficaram dormentes, depois doloridas, depois dormentes novamente. Mergulhei repetidamente no lodo, meus dedos arranhando a lama cegamente. Perto do amanhecer, meus dedos tocaram em metal frio. Agarrei o anel, meu corpo tremendo tão violentamente que mal conseguia ficar de pé.
Rastejei para a margem, tossindo água do lago. Deixei o anel na mesa do pátio e desmaiei nos aposentos dos empregados, a escuridão me levando antes que eu atingisse o chão.
Dois dias depois, a explosão aconteceu.
Eu estava na cozinha, areando panelas, quando o chão tremeu sob meus pés. Um estrondo ensurdecedor quebrou as janelas, enviando vidro voando como estilhaços. O alarme soou. Fogo.
Corri para fora. A ala leste da mansão — a suíte principal — estava envolta em chamas. Soldados corriam, gritando, mas o calor os empurrava para trás.
"Dante!", gritei.
"Ele está lá dentro!", alguém gritou por cima do rugido. "O teto desabou!"
Eu não pensei. Eu não respirei. Peguei uma toalha de mesa molhada de um carrinho de banquete, joguei-a sobre minha cabeça e corri para o inferno.
O calor era uma parede física, tentando me forçar a recuar. A fumaça ardia em meus olhos, me cegando com lágrimas. Eu conhecia esta casa melhor que minhas próprias veias. Naveguei pela memória, rastejando baixo sob a fumaça ondulante.
"Dante!"
Eu o encontrei no corredor. Ele estava inconsciente, uma viga pesada prendendo sua perna. O fogo rugia ao nosso redor como uma besta viva e faminta. Empurrei a viga com cada grama de força que me restava. Meus músculos gritaram em protesto. A dor do câncer em meu estômago não era nada comparada ao terror absoluto de perdê-lo.
Eu o arrastei. Centímetro por centímetro. A fumaça era sufocante, enchendo meus pulmões de cinzas.
Um pedaço do teto cedeu acima de mim. Joguei meu corpo sobre a cabeça dele para protegê-lo. Uma viga em chamas atingiu minhas costas.
Gritei, o cheiro de carne queimada enchendo meu nariz. Minha pele sibilou. A dor era branca e quente, cegante, absoluta. Mas eu não o soltei. Arrastei-o através das chamas, para a varanda, e nos joguei por cima do parapeito para a grama macia abaixo.
Rolei para longe dele, ofegante, minhas costas em chamas.
Sirenes soaram à distância. Através da névoa de dor, vi Sofia correndo pelo gramado, seu cabelo perfeitamente penteado, intocado pelo caos. Ela viu Dante se mexendo. Ela me viu, queimada e quebrada nas sombras.
Ela se jogou no peito de Dante assim que os olhos dele se abriram.
"Oh, meu Deus, Dante! Eu te peguei! Eu te tirei de lá!"
Eu estava na escuridão, agarrando a grama para não gritar. Ele olhou para ela, tossindo, seus olhos turvos e confusos.
"Sofia?", ele murmurou.
"Eu te salvei, meu amor", ela soluçou, sua atuação impecável. "Eu te salvei."
Arrastei-me para trás, para os arbustos, escondendo minhas queimaduras, escondendo minha verdade. Se ele soubesse que eu o salvei, ele se sentiria em dívida. Ele se odiaria por dever sua vida à assassina de sua mãe.
Era melhor assim. Deixe-o amar a heroína. Deixe-me ser a covarde que fugiu.