Capítulo 2

A luz entrou pelo quarto a dentro e com ela a doce melodia da música do alarme das 06:30. Como todas as manhãs, levantou-se, tomou um duche quente, fez toda a sua higiene pessoal e vestiu-se como sempre, umas calças de ganga elástica, uma blusa e uns ténis, o seu cabelo amarrado em um rabo de cavalo. Tomou o seu pequeno-almoço e seguiu pelo seu percurso normal.

Assim que chegou à frente da mansão falou com um segurança, que lhe deu um cartão de empregada, que havia sido mandado fazer no dia anterior, seguiu até à porta dos fundos, aonde se encontrava a empregada chefe.

-Bom dia! -Sorriu Bela alegremente.

-Bom dia, Bella! -Respondeu com simpatia a empregada chefe. -Ontem não me cheguei a apresentar adequadamente, eu chamo-me Maria do Carmo e sou a empregada chefe, eu tenho como trabalho ensinar e governar as outras empregadas, aqui está o seu uniforme, tem que estar sempre limpo, passado a ferro e bem vestido. -Entregou-lhe um vestido preto que deve-lhe chegar a meio da canela, um avental branco com babados e uma fita de cabelo branca com babados. -Venha comigo, vou lhe ensinar o seu trabalho.

Maria guiou Bela até uma sala com distintos cacifos.

-Aqui é o balneário das mulheres, cada uma de nós tem o seu cacifo, também temos chuveiros para quem deseja tomar banho. Se não se importa troque de roupa para mim lhe mostrar as suas tarefas e todo o restante.

-Sim. -Bela trocou para o uniforme.

Maria aponta para um placar que se encontra na parede do balneário.

-Está a ver aquele placar ali?

-Sim. Para que serve?

-É lá que está afixado o horário mensal de cada empregada. -Finaliza Maria. -Continuemos. -Maria guia Bela até o hall de entrada. -Este é o hall da entrada principal, tudo tem que estar sempre, mas sempre limpo. -Anda mais um pouco e vai dar a um grande salão. -Aqui é o salão de baile, às vezes à festas aqui, tem que estar sempre tudo limpo. -Seguiu novamente para o hall e subiram as escadas parando no início de um corredor que dava para um corredor imenso. -Aqui há vários quartos, algumas salas de estudos, entre outras coisas, resumindo tudo aqui tem que estar sempre limpo, todas as tarefas de cada empregada individualmente tem que ser cumpridas com perfeição. E agora vou levá-la até ao Mestre, terá sempre de chamá-lo de Mestre. -Maria guiou-a até a uma porta grande que era completa por duas portas. Bateu à porta e só entrou quando ouviu uma confirmação.

-Diga Maria. O que deseja? -Falou o Jack.

-Mestre, trouxe-lhe a novata para falar consigo.

-Obrigado, podes retirar-te.

-Sim, Mestre.

Maria retirou-se da sala fechando as portas atrás de si, Bela ficou de costas para a porta fechada atrás de si, e Jack encontrava-se na outra ponta em frente, atrás de uma secretária.

-Aproxima-te.

-Sim.

Ela caminhou até ficar atrás da cadeira que se encontrava de frente para a secretária.

-Senta-te. -Apontando para a cadeira.

-Sim.

-Sabes desde ontem que fiquei curioso para saber quem és, até que investiguei um pouco e descobri que, tens 19 anos, a tua mãe morreu à 3 anos e o teu pai é um homem repleto de dívidas. -Ele saiu detrás da secretária e encostou-se à secretária à frente de Bela. -Não tens parentes. Mas o que me deixou mais curioso foi o facto de seres tão direta. -Encostou o seu rosto ao dela. -Como consegues?

-O-O q-quê? -Perguntou nervosa.

-Nunca ninguém me havia respondido daquela maneira. -Levantou-se e colocou-se atrás dela. -Fiquei intrigado, estou ansioso para que nos divirtamos um pouco. -Fala num tom provocativo.

-Não, diga isso. Não faz sentido nenhum. -Fala nervosa.

-Gostei. -Começa a falar num tom mais sério. -Já me diverti, agora vamos falar sobre trabalho, trabalhas 8 horas por dia, de início começas por um número de tarefas, à medida que as completes bem e com perfeição, aumentamos as tarefas e com elas o teu salário. Se quiseres, como és estudante e eu estou curioso, se quiseres podes morar cá na mansão. Só preciso que assines aqui.

Bela assina e Jack fala num tom provocativo.

-Agora és oficialmente a minha empregada. -Entrega-lhe um papel. -Esse é o teu horário mensal. Podes começar, pede à Maria que te ensine.

-Sim. -Confirmou Bela.

Bela saiu do escritório de Jack com o coração a mil. Olhou atentamente para o horário e começou as suas tarefas. Aos poucos e poucos todos iam metendo conversa com ela, todos falavam-lhe a maior simpatia. O dia foi passando e Bela não conseguia tirar da cabeça a imagem de Jack tão próximo dela.

Finalmente chegou a hora dela se ir embora até que a empregada chefe chegou perto de Bela e disse-lhe:

-Bela, o Mestre disse-me para comunicar-lhe que o chofer a iria levar até sua casa e iria voltar com ele em seguida com as suas coisas para a mansão.

-Sim, é verdade. Hoje o Mestre falou-me dessa possibilidade de ficar a morar na mansão. – Fala um pouco confusa.

Maria põe-lhe a mão no ombro e diz:

-Não se preocupe, eu vou ajudá-la com o que precisar. Vou estar aqui à sua espera para quando voltar.

-Muito obrigado, por tudo. Então até já. – Agradece com um sorriso de orelha a orelha.

Bela assim fez, foi com o chofer até sua casa, empacotou tudo, antes de se ir embora olhou uma última vez, para aquela que era a sua casa, atualmente vazia. Lágrimas começaram a escorrer pelos seus olhos, ao recordar tudo o que havia vivido naquela casa. Recordou as vezes em que esteve junto da sua mãe, a rir, a chorar, quando mais precisava dela, recordou como o seu pai era antes, quando a sua mãe ainda era viva e no que se tornou após a sua morte.

Depois de recordar todas essas lembranças entrou no carro e seguiu caminho para aquela que se tornaria a sua nova vida.

Capítulo 3

Bela chegou à mansão de carro, ao sair do carro a empregada chefe veio ter com ela.

-Bela, vem comigo, vou mostrar-te qual será o teu carro.

-Sim, Dona Maria.

A empregada chefe guiou Bela até o quarto, que se localizava num edifício à parte, que era só para os empregados. Ao chegar ao quarto ambas entraram.

-Bela, nós as empregadas não comemos com os mestres, aqui no dormitório temos uma sala de convívio onde todos conversamos e descontraímos, temos as casas de banho, os homens e a mulher tem casas de banho separadas, temos as limpezas do dormitório que são à vez, cada um de nós limpa o seu próprio quarto, que tem que estar sempre impecável. Também temos uma cozinha partilhada.

-Sim, Dona Maria.

-Se precisares de ajuda ou tiveres alguma dúvida, podes sempre procurar por mim e perguntar-me.

-Muito obrigado, Dona Maria.

Depois de toda a explicação a empregada chefe retirou-se. Bela ficou a admirar o seu novo quarto. Até que por fim olhou para as caixas empacotadas no canto do quarto e começou a desempacotar tudo.

Começou por dobrar e guardar a sua roupa no guarda-fato, arrumou os sapatos na sapateira do guarda-fato, organizou o seu material da universidade, ao retirar uns livros de umas das caixas, caiu uma foto, ela pegou na foto, ao olhar para a foto lágrimas começaram a escorrer pelo seu rosto. A fotografia era dela com a sua mãe e com o seu pai, de há três anos atrás.

Bela sentou-se no chão com a foto nas mãos e ficou chorando.

Momentos depois Jack viu a porta do quarto aberta e decidiu entrar, quando olhou deparou-se com Bela no escuro, agarrada à foto a chorar. Então ele entrou no quarto e sentou-se na cama de Bela, sem que ela nota-se a sua presença.

O tempo passou, até que Jack se aborreceu e disse:

-Vais ficar aí agarrada a essa foto a chorar para sempre.

Ao ouvir a voz dele, ela levantou-se do chão, limpou as lágrimas e disse, ainda com uma voz de quem tinha estado a chorar:

-Mestre, quando é que entrou?

-Se não tivesses aí a chorar tão profundamente havias notado a minha presença. – Fala com um tom amigavelmente agressivo.

-Peço lhe desculpas, por não haver notado a sua presença, Mestre!

-Não te preocupes com isso, não é importante. O que tem nessa foto que te fez chorar tanto? -pergunta de maneira amigável.

-Esta foto foi tirada há três anos atrás, nela estou eu, a minha falecida mãe e o meu pai. -responde com tristeza no olhar.

-Entendo! -afirma compreensivamente. -Eu na verdade vim aqui para conversar contigo.

-Comigo? Diga. -Desconfiada.

-A empregada chefe é a minha empregada pessoal, mas acho que ela já não tem idade para ter tantas responsabilidades em cima, por isso falei com ela, e ela indicou-me que tu Bela Smith serias a melhor escolha para a função. -Propondo.

-Deixe-me ver se entendi, quer que eu seja a sua empregada pessoal? Mas eu só comecei hoje. Como consegue fazer uma escolha dessas do nada? -Pergunta por estar confusa.

-Basicamente, sim. Eu gosto de quem ainda não tem experiência, e a maneira de como falas-te ontem na entrevista, achei-te intrigante. Eu vou já indo. Depois perguntas à empregada chefe sobre as tuas funções.

Jack foi-se saiu do quarto e Bela deixou de chorar e continuou as suas arrumações. Depois de algumas horas arrumando tudo, ela saiu do quarto à procura da empregada chefe. Entrou para o corredor, ao caminhar deparou-se como uma das empregadas.

-Boa noite! Com licença!

A empregada virou-se e com um tom rude falou:

-Que queres?

-Desculpe, incomodá-la. Mas por acaso você viu a empregada chefe? -Perguntou Bela com modos.

-A empregada chefe? -Pensando - Acho que a vi agora mesmo. Mas porquê? -Fala de maneira arrogante.

-Precisava de falar com ela.

-Não quero saber.

A empregada virou-lhe as costas e foi-se embora. Bela ignorou a arrogância dela e continuou à procura da empregada chefe, foi até à sala, não a viu, foi até à cozinha, também não a encontrou, decidiu então procurar no lado de fora. Quando chegou ao lado de fora ouviu chamar.

-Ei tu, empregada nova. -Chamou uma voz grossa.

-É comigo? -Pergunta um pouco confusa.

-Estás a ver aqui mais alguém?

Bela foi ter até onde se encontrava a voz, ela olhou para o homem que se encontrava à sua frente e apercebeu-se de que já o havia visto antes.

-Você não é aquele homem que entrou pela minha casa a dentro à procura do meu pai.

-Sou eu mesmo. -Confirmou o homem de maneira agradável.

-O que faz aqui?

-Eu trabalho aqui.

-Trabalha aqui? -Pergunta confusa.

-Trabalho para a família King. -Contou o homem.

-Então o meu pai tem uma dívida para com a família King? -Pergunta com uma voz triste.

-Sim. Mas agora mudando de assunto como é que está a ser o trabalho?

-Normal, eu acho. À pouco o Mestre Jack veio até o meu quarto dizer-me que iria ser a nova empregada pessoal dele, quando eu só comecei hoje. Acho que tudo está a andar muito rápido. Eu estava à procura da empregada chefe, mas não a encontro. -Desabafa.

-O Mestre Jack? Que raro ela não costuma vir falar pessoalmente com os empregados, normalmente manda alguém. -Surpreso.

-Pois, não sei. Gostava era de encontrar a empregada chefe e de falar com ela.

-Ela não está, saiu à pouco, disse-me que tinha uns assuntos para tratar. Quando vier eu posso dar-lhe o recado.

-Ok, muito obrigado. -Agradece. -Ainda não sei o seu nome.

-Anthony Evans.

-Muito obrigado, Anthony.

Bela foi-se embora, começou a caminhar até ao jardim que se encontrava em frente ao dormitório, sentou-se na beira da fonte a olhar para a lua, que naquela noite iluminava até a mais profunda escuridão.

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