Capítulo 2

Ele não se afastou. Permaneceu onde estava, permitindo que ela se espremesse por ele, seu corpo uma barreira sólida e quente. Kethlen manteve a respiração suspensa, os sentidos em alerta máximo, cada fio de nervo em seu corpo vibrando com a consciência aguda de sua proximidade. Por um instante louco, ela imaginou como seria recuar, pressionar as costas contra aquele peito largo e sentir os braços fortes dele envolvendo sua cintura.

Então, o momento passou. Ela estava no hall de entrada, o piso frio de pedra sob seus pés um contraste com o calor que agora a inundava. A casa cheirava a madeira encerada, flores murchas e passado.

- A vó não me avisou - ela disse, virando-se para enfrentá-lo, tentando recuperar alguma compostura.

Gael fechou a porta lentamente, o ruído da tranca ecoando na sala silenciosa. Ele se virou e se apoiou na porta, as mãos enfiadas nos bolsos do jeans, o gesto puxando o tecido ainda mais sobre a área evidente entre suas pernas. Kethlen não pôde evitar um rápido olhar, registrando o volume definido ali. Um novo fluxo de calor correu por suas veias.

- Acho que ela gosta de armar suas pequenas armadilhas - ele disse, o sorriso ainda brincando em seus lábios. - Sabia que a gente ia se esbarrar assim, sem aviso.

- E isso é uma armadilha? - a pergunta saiu antes que ela pudesse detê-la, carregada de um duplo sentido que pairou pesado no ar.

Os olhos de Gael escureceram, a diversão dando lugar a uma concentração intensa e predatória.

- Depende do que você está caçando, prima.

A palavra "prima" soou estranha em sua boca, um rótulo inadequado para a corrente carnal que agora fluía claramente entre eles. Ele a chamou de "Keth" antes, no portão, um apelido de infância que agora soava como uma carícia íntima.

- Preciso levar minhas coisas para dentro - ela disse, desviando o olhar, rompendo o feitiço. Precisava de espaço, de ar.

- Claro. Qual quarto?

- O de sempre. O da torre.

Ele acenou com a cabeça, mas não se moveu para ajudá-la. Kethlen sentiu o peso do olhar dele nela enquanto se virava e caminhava em direção à escada. A mala estava no porta-malas, mas buscar significava passar por ele de novo. Decidiu ir primeiro ao quarto. Subiu os degraus de madeira, consciente de cada movimento de seus quadris, da maneira como a saia se ajustava às suas nádegas a cada passo. Era uma sensação estranhamente poderosa e vulnerável ao mesmo tempo. Sabia, com uma certeza instintiva, que ele estava a observando. Não era a observação casual de um parente. Era o olhar lento, deliberado, de um homem avaliando uma mulher, traçando as curvas do seu corpo com os olhos, imaginando o que havia por baixo das roupas de linho e seda.

Ela chegou ao topo da escada e se virou para o corredor escuro. A respiração estava acelerada. O simples ato de subir escadas sob o olhar dele tinha sido uma provação. Suas coxas estavam fracas, e um ponto úmido e quente de desejo começava a pulsar em seu centro, um latejar insistente e impróprio que a envergonhava e excitava na mesma medida.

O quarto da torre era como ela lembrava – grande, circular, com janelas altas que ofereciam uma vista deslumbrante do vale. O ar estava parado e cheirava a poeira e lençórios guardados. Deixou a bolsa em cima da cama de dossel, as mãos tremendo ligeiramente. Precisava se recompor. Gael estava aqui. Na mesma casa. E a atração que ela sempre sufocou, enterrada sob o rótulo de "primos", havia explodido à superfície com a força de um vulcão adormecido.

Desceu as escadas, determinada a agir com normalidade. Ele não estava mais no hall. Seguiu o som de ruídos vindos da cozinha. Gael estava diante da geladeira, bebendo água diretamente de uma garrafa, o pescoço inclinado, os músculos do seu garganta trabalhando com cada gole. A cena era despretensiosamente íntima e visceralmente erótica. Ele a viu e baixou a garrafa, uma gota de água escorrendo pelo seu queixo.

- Achei que você fosse buscar a mala - ele comentou, passando o dorso da mão pela boca.

- Depois - ela disse, entrando na cozinha. A atmosfera estava carregada. Cada movimento, cada olhar, cada palavra parecia ter uma camada subjacente de intenção sexual. - Está com fome? Podemos pedir algo.

- A vó deixou a despensa cheia. Posso fazer um macarrão, se quiser.

Kethlen arregalou os olhos. - Você cozinha?

- Um homem tem que se virar - ele encolheu os ombros, abrindo a despensa. Ele se esticou para alcançar um pacote de espaguete na prateleira de cima, e a camiseta subiu, revelando uma faixa de pele bronzeada e tensa nas costas, e a borda da cueca preta por sobre a cintura das calças. Kethlen sentiu a boca secar. Era um corpo trabalhado, não o de um garoto. Era o corpo de um homem que sabia o que fazer com ele.

- Macarrão está bom - ela sussurrou, afastando-se e apoiando-se na pia, precisando de algo sólido para se segurar.

Enquanto ele mexia os ingredientes numa panela, com uma eficiência que era surpreendentemente atraente, Kethlen o observava. Observava a maneira como os músculos de seus braços se flexionavam, a maneira como suas costas largas se moviam sob a camiseta, a concentração em seu rosto perfilado. Cada detalhe era uma descoberta, um combustível para o fogo que agora ardia em suas entranhas. Ele era proibido. Era seu primo. Mas naquele momento, naquela cozinha silenciosa e cheia de fantasmas, a única coisa que importava era a atração animal e incontestável que puxava um pelo outro.

- Então, como está a vida na grande cidade? - ele perguntou, quebrando o silêncio pesado. - Projetando arranha-céus?

- Algo assim - ela respondeu, cruzando os braços sob os seios, um gesto defensivo. - E você? Ainda na oficina?

- Sim. Mas é minha agora. Comprei a parte do sócio no ano passado.

- Parabéns - ela disse, e a admiração em sua voz era genuína.

Capítulo 3

Ele se virou, pegando uma colher de pau. - É só metal e motor, nada glamouroso como seus projetos.

- O glamour é superestimado - ela retrucou, e seus olhos se encontraram. O ar entre eles pareceu ficar mais denso, mais quente. Ele deu um passo em sua direção, e o instinto de Kethlen foi recuar, mas seus pés estavam enraizados no chão.

- É? - ele sussurrou, chegando perto o suficiente para que ela sentisse novamente o calor do seu corpo. Ele ergueu a mão, e por um momento eletrizante, ela pensou que ele ia tocá-la. Em vez disso, ele pegou uma faca do bloco ao lado dela, seus dedos roçando os dela de relance. Um calafrio percorreu todo o seu braço. - Acho que todo mundo gosta de um pouco de brilho, Keth. Mesmo que seja só por fora.

Ele voltou para o balcão, deixando-a ali, tremendo, o ponto de contato onde seus dedos haviam tocado ardendo como fogo. Ela olhou para suas próprias mãos, então deslizou uma delas discretamente para baixo, sobre o tecido da sua saia, pressionando contra a carne quente da sua coxa. A necessidade era uma dor surda e doce, um latejar que pedia por alívio. Ela se imaginou cruzando a cozinha, girando ele e puxando seu rosto para o seu, sentindo aquela boca dura e experiente sobre a sua, aquelas mãos grandes e ásperas percorrendo seu corpo.

A imagem era tão vívida, tão real, que um pequeno gemido quase escapou de seus lábios. Ela se mordeu, forçando a onda de desejo a recuar. Isso era loucura. Era errado. Era perigoso.

Mas, Deus, era excitante.

O cheiro do alho e do azeite refogando começou a encher a cozinha, uma contradição doméstica à tensão sexual que envenenava o ar. Eles estavam sozinhos. Naquela casa grande e silenciosa. Por dias.

Gael se virou novamente, segurando a colher de pau. Seus olhos escuros percorreram seu corpo mais uma vez, parando nos seios, onde seus mamilos estavam endurecidos, pressionando contra o tecido fino da blusa. Ele viu. Claro que viu. Um sorriso lento, de pura satisfação masculina, se espalhou por seu rosto.

- O jantar vai demorar uns vinte minutos - ele disse, sua voz um rosnado suave. - Talvez você queira... se instalar. Tomar um banho. Você deve estar cansada da viagem.

A sugestão era inocente, mas a entonação era tudo, menos. Era um convite para que ela se limpasse, se preparasse. Para o quê? Kethlen sentiu um novo surto de calor entre as pernas. A ideia de se despir, de ficar nua no chuveiro, com ele apenas a alguns metros de distância, era absurdamente erótica.

- Um banho... sim - ela concordou, a voz um fio de som. - É uma boa ideia.

Ela se afastou da pia, suas pernas ainda trêmulas, e caminhou para fora da cozinha sem olhar para trás. Mas sentia o olhar dele em suas costas, queimando através do tecido, uma marca de posse que ainda não havia sido reivindicada.

No corredor, parou, encostando a testa na parede fria. O coração batia descompassado em seu peito. Um banho. Sozinha. Com a imagem de Gael, seus braços fortes, sua boca sensual, sua promessa silenciosa, queimando em sua mente. Sua mão deslizou para baixo de novo, desta vez para o interior da sua coxa, sentindo a pele macia e quente. Os dedos tremeram, pairando perto do epicentro da sua necessidade. Um longo, baixo gemido escapou finalmente de seus lábios, um som de rendição e desejo puro.

A água do chuveiro escorrera sobre o corpo de Kethlen como uma tentativa de purificação, mas só conseguira avivar os sentidos. Cada gota que deslizara sobre sua pele havia sido um lembrete do olhar de Gael, pesado e carnal, que parecia tateá-la mesmo através das paredes. Enquanto se secava, o toque do tecido macio da toalha era quase uma agressão aos nervos super sensibilizados. As pontas dos dedos, ao passarem pelos próprios seios, fizeram-nos arrepiar, os mamilos endurecendo numa resposta instantânea e traidora à memória do sorriso dele. Vestiu-se com cuidado, escolhendo um shorts de cintura baixa de seda que moldava a curva dos seus quadris e uma camiseta justa, sem sutiã. A justificativa era o conforto, mas a verdade, que ela mal admitia a si mesma, era um desejo profundo de ser vista, de provocar. Era uma isca lançada num mar proibido, e ela esperava, com um frio na espinha e calor nas entranhas, que o tubarão mordesse.

Ao descer, o cheiro do alho e do manjericão já dominava a casa, uma armadilha doméstica e perfumada. Gael estava diante do fogão, mexendo o molho de tomate fresco numa panela de ferro. A cena era absurdamente caseira, mas nada na postura dele transmitia domesticidade. Ele era um predador disfarçado de dono de casa, seus movimentos cheios de uma graça animal contida. A cozinha, com sua iluminação quente e aconchegante, parecia ter encolhido, tornando cada centímetro de ar carregado de potencial.

- Cheira bem - ela disse, parando na entrada, sentindo-se como uma intrusa no próprio cenário que ajudara a criar.

Ele se virou, e seus olhos escuros percorreram-na da cabeça aos pés, sem pressa, como se estivesse saboreando cada detalhe da sua vestimenta casualmente sensual. A avaliação foi tão física que Kethlen sentiu a pele formigar.

- Tomate da horta da vó. Ainda estão bons. Espero que goste de espaguete al dente - a voz dele era um zumbido grave que ecoou direto no seu baixo-ventre.

- Gosto das coisas firmes - ela retrucou, e os cantos da boca de Gael se curvaram para cima, captando o duplo sentido que ela não tinha tido a intenção de lançar, mas que saíra naturalmente.

- Bom saber.

Ele pegou uma garrafa de vinho tinto que já estava aberta em cima do balcão e serviu dois cálices generosos.

- Para ajudar a descontrair - ele disse, entregando-lhe um dos copos. Seus dedos se tocaram durante a passagem, e um choque estático, ou talvez apenas a pura energia da atração, percorreu o braço de Kethlen. Ela levou o cálice aos lábios rapidamente, a necessidade do álcool sendo súbita e urgente.

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