Relembrando o passado...
Naqueles dias distantes, as vivências de Riana no Christian Academy eram como uma jornada por territórios desconhecidos.
Era uma tarde comum quando Samay, a mais popular entre todos, se aproximou dela. Samay, com seu sorriso cativante, vestia-se de forma ousada, exibindo uma confiança que atraía os olhares dos garotos ao redor. Seus lábios eram adornados por um batom vermelho intenso, ecoando sua sensualidade.
— Vim te fazer um convite. — Samay começou movendo os cabelos com um gesto gracioso. — Sexta à noite, festa na minha casa. Será uma celebração das garotas e, é claro, dos garotos também. Sua presença é imprescindível, afinal, você é a garota mais rica do colégio, e eu, a mais popular. Uma combinação perfeita.
Riana apenas agradeceu com um simples "obrigada".
— Ah, e mais uma coisa. — Samay continuou, com um tom mandão. — Você precisa ir acompanhada. Use uma roupa mais descolada. Com tanto dinheiro, você devia ser tão linda quanto eu.
Riana apenas assentiu em concordância, sem pronunciar uma palavra. O Christian Academy, com sua reputação impecável em disciplina, era um mundo novo para ela, repleto de desafios e pessoas intrigantes. Samay, apesar de sua beleza estonteante, era conhecida por sua personalidade ácida e arrogante, mas isso ainda era desconhecido para Riana.
O convite de Samay, à primeira vista, parecia uma oportunidade tentadora para Riana. Afinal, fazer novas amizades era seu principal objetivo para o último ano no colégio, e quem sabe até mesmo encontrar o garoto dos seus sonhos, que vagava pelos mesmos corredores que ela. No entanto, um turbilhão de emoções tumultuava sua mente naquele momento.
A perda súbita e dolorosa de sua mãe havia deixado Riana completamente devastada. Mesmo um ano após o trágico acontecimento, a dor ainda parecia tão fresca como se tivesse ocorrido apenas ontem. Enquanto seu pai e seu irmão pareciam imersos em seus próprios mundos, Riana lutava para encontrar um senso de normalidade em meio à angústia que a consumia.
Nesse contexto de luto e solidão, a ideia de se envolver em atividades sociais parecia quase fútil. Como poderia ela se preocupar em fazer novos amigos quando seu coração ainda sangrava pela falta da mãe? A dor era uma sombra constante que a acompanhava, obscurecendo qualquer brilho de esperança que pudesse surgir.
Apesar de tudo, Riana continuava respirando, enfrentando cada dia com uma coragem silenciosa, mesmo quando a dor ameaçava sufocá-la. Talvez, em algum lugar dentro dela, ainda existisse uma centelha de esperança, uma pequena luz que a impelia a continuar, mesmo quando tudo ao seu redor parecia desmoronar.
Em casa, após o jantar solitário, Riana se viu lutando contra a necessidade de desabafar com alguém. Jully, sua amiga mais próxima, seria a escolha óbvia, mas ao ouvir a felicidade transbordante da amiga ao telefone, ela se viu incapaz de despejar seus próprios problemas sobre ela. Jully estava radiante com seu novo relacionamento na faculdade, e Riana não queria estragar aquele momento especial para sua amiga.
Despedindo-se com um sorriso forçado, Riana desligou o telefone, sentindo-se ainda mais solitária do que antes. A festa de Samay estava se aproximando rapidamente, e Riana se viu enfrentando o desafio de encontrar um acompanhante e uma roupa "descolada", conforme solicitado pela popular garota do colégio.
No entanto, Riana estava longe de se sentir assim.
— Eu não. Ela corrigiu, desanimada. Em seguida, entregou um cartão para Aila.
— Mas quem é essa garota? A governanta perguntou, curiosa.
— Ela que é a popular, e me convidou para uma festa na casa dela. Riana explicou. — Mas eu tenho que ir acompanhada.
Aila parecia genuinamente animada com a perspectiva da festa e não perdeu tempo em perguntar:
— Já escolheu a roupa para a festa?
Riana balançou a cabeça em negação, revelando sua hesitação:
— Eu não vou a essa festa.
A governanta tentou encorajá-la:
— Vai sim. Você pode levar o Estevan como seu acompanhante, ele é um bom garoto e nós o conhecemos.
Uma pontada de esperança surgiu no coração de Riana diante da sugestão, refletida em um leve sorriso. No entanto, ela reconsiderou rapidamente:
— Eu não teria coragem, nem nos falamos direito.
Depois de um breve momento de ponderação, ela tomou uma decisão:
— Vou conseguir um acompanhante amanhã, não se preocupe. E pode trazer meu jantar.
Com um sorriso reconfortante, Aila deixou o quarto, deixando Riana sozinha com seus pensamentos. Decidida a encontrar uma solução para seu dilema, Riana pegou o telefone e ligou para Samay. Do outro lado da linha, a voz animada de sua colega ecoou.
— Fofa, estava esperando você ligar, sabia que ia precisar de mim.
Sem hesitação, Riana foi direto ao ponto:
— Será que você pode me acompanhar ao shopping amanhã? Preciso comprar umas roupas descoladas.
Samay soltou uma gargalhada antes de responder brincalhona:
— O que eu ganho com isso?
Riana respondeu, tentando ser gentil:
— Pode comprar o que quiser para você.
A resposta pareceu agradar Samay instantaneamente:
— Agora você falou minha língua. Amanhã na hora do almoço.