INTRODUÇÃO
MELISSA ALPES
Eu tinha apenas sete anos quando meu pai Antonio faleceu em um acidente de carro, ele era o meu herói, o meu melhor amigo, eu sempre podia contar com ele, após a sua morte tudo desandou. Eu lembro que minha mãe e meu pai eles eram muito apaixonados, a gente vivia em plena harmonia.
Minha mãe virou outra pessoa e eu tive que começar a me virar sozinha, o meu único escape era a minha melhor amiga Joana que me dava muita força junto de seus pais. Eu lembro que as vezes passava finais de semanas lá, as férias, os pais dela eram pessoas muito especiais e me acolheram nesse momento difícil. Eu também lembro que toda vez que eu chegava em casa tinha um homem diferente dentro de casa, minha mãe sempre me mandava com a voz irritada para dentro do quarto e de lá eu não poderia sair de forma nenhuma.
Os anos foram passando, eu fui crescendo e fui entendendo o que acontecia dentro da minha casa, com a minha mãe e com todos aqueles homens. Eu e Jonas a gente continuou amigas e a gente vivia mais unidas do que nunca, fomos conhecendo novas pessoas, frequentado baladas, Joana fugia de casa e passava na minha casa para me levar junto dela, a gente ia sempre com os seus namorados , todos eles sempre tinha carro e levava a gente para onde a gente quisesse, o primeiro cigarro quem me ofereceu foi um dos seus namorados e foi um caminho sem volta para nós duas, quando a gente percebeu, a gente matava aula, para ir para praia, para está com esses novos amigos, ia para festas, passava noites com os homens em troca de dinheiro.
A gente se afundou.
Um certo dia, o pai de Joana recebeu uma ligação e eu acordei com eles dentro da minha casa, quando apareci na sala, tinha polícia, homens de brancos e uma ambulância no lado de fora.
Joana tentou se matar e estava entre a vida e a morte no hospital, eu corri para o meu quarto e me tranquei, abri uma caixinha que ela tinha me entregado, dentro dessa caixinha tinha uma foto nossa e alguns cacos de vidros, eu pego os cacos de vidros e corto meus pulsos, a porta é arrombada e fecho os olhos a sentindo cair no chão.
Eu sou levada a força para uma clínica, onde eu fiquei durante um ano, sendo tratada, participando de atividades , aprendendo muita coisa e lidando com a saudade da minha melhor amiga.
Dentro da clínica eu conheci uma enfermeira que acreditava em mim, acreditava que jamais eu iria fazer mal a minha melhor amiga, como os pais delas alegaram que eu era culpada.
Ela me entregou uma passagem para Paris, o endereço de um restaurante onde eu poderia conseguir um emprego. E isso era tudo que eu tinha nesse momento.
Uma passagem e um endereço. Nada mais.
PRÓLOGO
Melissa Alpes Narrando
Eu olho para ele e ele me encara.
- Qual é o seu medo Melissa? – Eu encaro Sebastian.
- Meu medo? – eu pergunto – Incrível como você pergunta qual é o meu medo, se nós dois tememos algo.
- A gente se conhece algumas semanas, como você sabe que eu tenho medo de algo? – ele questiona.
- Eu vejo em seu olhar, você olha para as pessoas procurando abrigo – ele me encara – procurando alguém que te entenda, entenda o seu passado, as suas angústias e não encontra.
- Eu vejo o mesmo em você – ele fala me olhando – Eu encontrei sua caixinha na sua casa, quem é aquela menina da foto e porque você guarda aqueles cacos de vidro dentro dela?
- É algo pessoal – eu falo – é apenas uma lembrança
- Lembrança de quem você era ou de quem você tenta não ser? – ele pergunta.
- Eu não sei – eu falo e Sebastian me encara – eu ainda não entendi qual é o meu caminho e o que eu faço aqui.
- Somos dois – ele fala olhando para a torre.
Era de madrugada e a gente está aqui com algumas bebidas na nossa frente, ele pega uma garrafa abre e começa a tomar.
- Eu matei duas pessoas – ele fala – eu saí de um show bêbado, dirigi que nem um maluco pelas ruas e perdi o controle.
- Eu sinto muito – eu falo para ele.
- Nós três estava bêbados, a gente sempre bebia, usava drogas após os shows – ele fala – nos envolvia com mulheres e voltava de taxi para o hotel, mas naquela noite um deles insistiu que a gente precisava levar o carro porque a seguradora iria buscar em algumas horas e eu levei o carro.
- Você não tem que se culpar por algo que foi decidido em vocês três – eu falo – eu sei que a perda é algo horrível, eu também perdi uma pessoa.
- Ela morreu? – ele pergunta.
- Ela está viva, mas morreu para mim – ele me olha – mataram ela para mim.
A gente se encara, ele era mais alto que eu, Sebastian era um homem lindo, mas sofrido, machucado. O seu olhar era triste, ele sorria pouco e vivia zangado.
- Está ficando tarde – eu falo – eu preciso ir, amanhã tenho aula.
- Eu te levo para casa – ele fala.
- É uma caminhada e tanto – eu falo para ele.
- Eu tenho uma bicicleta se você quiser passar na minha casa e pegar – ele fala – estou doando.
- Obrigada – eu sorrio – eu vou aceitar – ele me olha e eu o encaro e começamos a caminhar.