Capítulo 2

LARISSA

Chegamos na enfermaria e entrei com o diretor, ele conversou com a enfermeira e veio até mim.

- Assim que terminar de limpar e fazer algo com seu machucado, vá até minha sala por favor, Srta. Andrade! - Noah falou olhando para os meus olhos sorrindo, ele parecia gostar dos deles, o que me deixava um pouco tímida.

- Mas eu preciso ir para a aula - eu falei o encarando séria.

- Você é nova na escola, não é? Eu conheço todos os alunos, sei a fisionomia de todos e nunca vi você e, com certeza como olhos tão bonitos assim, eu me lembraria fácil - ele falou.

- É meu primeiro dia nessa escola!

- Seu primeiro dia e já está retrucando seu diretor? - ele falou com sorriso de lado irônico, eu corei na hora com aquele sorriso tão bonito.

Eu me repreendi, ele era muito mais velho que eu e jamais iria olhar para mim de outra maneira, ainda mais o diretor da escola tão gato assim, nunca olharia para uma aluna magra e desnutrida feito eu.

- Eu não estou retrucando o senhor, só gostaria de ir para minha sala e...

- Na diretoria assim que sair daqui ou vai levar advertência no seu primeiro dia! - ele falou e saiu.

- Só tem gente assustadora nessa escola! - eu falei e a enfermeira riu.

- Já conheceu os irmãos Navarro? Eles são assustadores à primeira vista, mas são boas pessoas, são os donos da escola! - ela falou sorrindo e limpando o sangue do meu rosto. - Como fez isso, menina? - ela perguntou, olhando minha boca inchada.

- Eu esbarrei no professor de matemática, caí em cima dele e ele simplesmente me jogou longe e bati a boca! - falei, me lembrando daquele professor grosseiro.

- Ah, sim, os três irmãos não gostam de serem tocados, tem algum tipo de TOC ou algo assim. Por isso vivem de roupas de mangas compridas e luvas, pode fazer frio ou calor eles sempre estão vestidos assim!

- Nossa, que esquisito os três tem a mesma coisa - eu falei, um tanto curiosa, os três tem o mesmo TOC, era um tanto esquisito.

- Sim, os três irmãos odeiam que encostem neles!

- Isso está muito feio, é meu primeiro dia e não queria que todos me vissem com a cara arrebentada!

- Bom, está inchado, mas você é muito bonita, ninguém vai reparar! - ela falou.

- Eu não sou bonita, sou um palito ambulante! - falei rindo.

- Você é muito bonita menina, vai fazer sucesso na escola com esses olhos!

- Ah não, não, eu só quero estudar em paz! - falei, a última coisa que eu queria era me envolver com algum garoto, nenhum homem presta.

- Pronto, já terminei, pode ir até a sala do diretor Noah!

- Poderia me dizer onde fica?

Ela me explicou e eu segui até a sala do diretor. Ao chegar, a secretária me anunciou e eu entrei, o professor que me jogou longe estava lá também.

Ele olhou para o corte na minha boca e virou o rosto, parecia desconfortável com aquilo.

- Senta menina! - o diretor falou e eu obedeci.

- Me desculpe por isso! - ele falou apontando para minha boca. - Não foi minha intenção te machucar!

- Oh, sim, tudo bem, eu estou bem e isso logo vai desinchar... eu espero! - eu falei fazendo careta e os dois sorriram e, nossa, cheguei a sentir um formigamento entre minhas pernas, e logo afastei esse sentimento estranho por esses homens assustadores.

Eu fiquei vermelha com meus próprios pensamentos promíscuos com os dois. Logo eu, que prometi nunca namorar ou gostar de homem nenhum, para mim são todos uns malditos nojentos.

- Eu te chamei aqui porque você foi machucada por um dos nossos professores, mesmo sendo um dos donos da escola, nosso procedimento é chamar os seus pais e...

- Não! - eu falei rapidamente e em pânico. - Por favor, senhor diretor, não foi nada, eu estou bem!

Os dois se entreolharam por um momento e eu tentei me acalmar e não deixar transparecer meu pânico.

Nenhum dos meus pais viriam, nem minha mãe muito menos o maldito do meu pai, e se viessem obrigados, eu estaria ferrada.

- É o nosso procedimento Srta. Andrade! - o diretor falou, eu senti meus olhos se encherem de lágrimas, nem cheguei a ter um dia de aula e já iria ser forçada a largar a escola.

Foi tão difícil conseguir essa bolsa de estudos escondida dos seus pais e quando consegui convencer eles a virem assinar todos os documentos da matrícula foi terrível e, agora se eles tiverem que vir aqui, tenho certeza de que nunca mais volto.

- É tão errado te achar ainda mais linda com esses olhos lindos, cheios de lágrimas assim! - o diretor falou e eu o olhei sem entender se aquilo foi um elogio.

Ele pigarreou algumas vezes, notando que falou algo sem pensar

- Pode ir para a sala menina, depois resolvemos isso! - ele falou e eu saí da sala rapidamente, para que não desse tempo de mudar de ideia.

NOAH

- Você notou aqueles olhos? - eu falei para o meu irmão, me sentindo um pouco abalado, aquela menina mexeu comigo e isso era totalmente errado.

- E tem como não notar aquela perfeição? - Ravi falou, ele parecia tão mexido quanto eu por causa daquela menina.

- Isso é errado, somos muito mais velhos que ela e somos seu professor e diretor! - eu falei afastando os pensamentos que invadiam minha mente.

- Como se pudéssemos tocá-la mesmo, de qualquer maneira, só podemos admirá-la de longe! - Ravi falou

- E você, seu ogro, como pôde machucar a menina daquele jeito? - eu falei sério.

- Foi o reflexo, ela quase me tocou e eu não queria ficar todo vermelho e cheio brotoejas pelo meu corpo todo! - Ravi falou, como se aquilo justificasse sua brutalidade.

- Precisava usar tanta força?

- É, isso foi muito horrível, eu não medi minha força e ela é tão leve que um vento a joga longe! - ele falou sorrindo.

Conversamos um pouco e ele voltou para sua sala e eu fiquei ali pensando naquela garota. Era a primeira vez em minha vida que ficava tão impressionado por uma garota e, para piorar, uma aluna, provavelmente menor de idade ainda. Apesar de parecer mais velha, ela tinha traços de uma menina nova ainda.

Capítulo 3

LARISSA

Encontrei minha sala finalmente, entrei e vi olhares curiosos sobre mim, depois do "show" com aquele professor todos deviam estar comentando sobre aquilo.

Me sentei perto da janela sozinha, peguei minhas coisas e comecei a copiar a lição.

- Isso é lente de contato? - uma menina perguntou, se sentando ao meu lado.

- Não, na verdade é uma anomalia genética, por isso meus olhos são dessa cor - eu falei séria, sem querer prolongar o assunto.

- É muito bonito! - ela falou simpática, eu olhei para ela, era uma loira muito bonita.

- Obrigada!

- Sou a Danielle!

- Oi, Danielle sou a Larissa. E não sou rica como vocês, sou bolsista, então não precisa ficar perto de mim - fui logo falando.

- E daí que é bolsista? Eu não ligo para isso - ela falou. Parei de prestar atenção nela quando o professor que me machucou entrou na sala.

- Obrigada por me cobrir, professora Carmen, agora vou voltar a dar aula para as minhas pestes favoritas! - ele falou, todos riram.

- Somos seus favoritos sim, agora pestes aí não né, professor! - uma aluna falou e os outros começaram a falar também.

- São todos pestes mesmo! - ele falou rindo, a outra professora saiu da sala. - Vamos continuar de onde paramos, que página era mesmo? - ele perguntou.

- 55! - alguns alunos responderam juntos.

- Droga, eu achando que vocês não sabiam, aí eu teria que aplicar uma prova surpresa pelo esquecimento! - Ele brincou.

- Sai fora, credo! - alguém falou e outros falaram também, então o professor notou minha presença, ele parou seu olhar sobre mim e eu corei na hora e coloquei o livro em frente do meu rosto.

Era melhor eu ficar quietinha e não me meter com esses homens.

Na hora do almoço, eu fui para alguns bancos do lado de fora, eu não tinha dinheiro para comer nessa escola, então trouxe uma bolacha de sal.

Já estava acostumada a quase não comer em casa mesmo, ali também me acostumaria, o importante era que estava numa das melhores escolas do país e iria me dedicar muito. Com boas notas nessa escola, conseguiria entrar em boas faculdades e sumir finalmente de casa.

- Não vai comer, Larissa? - eu dei um pulo ao ouvir aquela voz grave atrás de mim, minha bolacha, já era, caiu toda no chão.

- Que susto! - eu falei e recolhi as bolachas do chão e joguei no lixo.

- Por que não está no refeitório almoçando? - o professor Ravi perguntou me olhando sério.

- Eu... não estou com fome, trouxe um lanche! - falei sem olhá-lo.

- Essa bolacha, era seu lanche? - ele perguntou me olhando inconformado.

- Bem... sim...

- Vai logo comer menina! - ele me interrompeu

- Eu estou bem!

- Não tem dinheiro, não é? - ele falou e eu corei. - Vem, eu vou pagar para você!

- Não, obrigada, eu não quero! - eu falei totalmente envergonhada daquela situação.

- É uma forma de me desculpar por ter machucado você, vem almoçar, Larissa! - ele falou.

- Não obrigada! - eu falei firme.

- Menina, eu não estou pedindo, estou mandando você vir comer! - ele falou tão sério que senti um frio na espinha. Por que ele tinha que ser tão assustador?

Ele indicou com a mão para eu segui-lo, assim o fiz e fomos até o refeitório em silêncio, chagando lá ele foi parado por vários alunos, era bem popular, principalmente entre as garotas, dava até para ouvir os risinhos e suspiros para ele.

Ele me fez sentar foi até onde serviam a comida e logo voltou com uma bandeja recheada de comida

- Você vai comer também? - eu perguntei olhando para a bandeja com espanto, ele colocou na minha frente.

- Come! - ele falou, na verdade, ele ordenou mesmo.

- É muita coisa!

- Come o que aguentar! Não sei a quantidade que come por isso peguei tudo que vi, vai comer!

- Obrigada, mesmo eu tendo dito que não precisava! - eu falei pegando um garfo e comendo. - Obrigada!

Ele apenas me observou comer, e eu nem imaginei que estivesse com tanta fome. Quando eu comecei a comer aquela comida não consegui parar mais, era a primeira vez que comia algo tão gostoso.

Em casa tudo para era regrado e nunca tinha dinheiro para comprar nada na escola.

Eu acho que ele deve ter me achado uma morta de fome, pois comi tudo o que ele trouxe na bandeja

Era a primeira vez desde que me conhecia por gente, que comia uma refeição decente e se sentia totalmente satisfeita. E mesmo sabendo que eu parecia uma esfomeada para ele, não me importava, eu estava tão feliz que quase chorei.

- Quer mais? - ele perguntou, me olhando.

- Não, obrigada! - eu falei sorrindo, ele cruzou os braços e se ajeitou na cadeira, visivelmente desconfortável.

Cheguei a achar que eu estava com sujeira nos dentes e como aquela enfermeira disse que eles têm TOC, isso devia estar incomodando-o.

- Ravi, até que enfim te achei, o que está fazendo aqui? - Um homem chegou e parou ao nosso lado, outro gato gostoso dos infernos.

Meu Deus, as alunas dessa escola passam muito bem com a visão desses homens.

Pensei e sorri involuntariamente, voltei meu olhar para o professor e fiquei séria, ele me olhava de novo.

- Só estou acompanhando uma aluna nova, Lucca! - Ravi falou ainda me olhando.

- E desde quando você faz isso? - o homem perguntou olhando o professor com a sobrancelha arqueada.

- Desde hoje. Larissa, esse é meu irmão, também é professor, de educação física e o treinador do time masculino e feminino da escola! - ele falou e eu olhei para aquele outro homem.

Esses irmãos eram muito bonitos, ele também se vestia de preto, só que roupa esportiva e luvas nas mãos também, ele era bem musculoso, mais que os outros irmãos e acho que o mais alto de todo também.

Ele me olhou e eu sorri, ele ficou parado me olhando por uns instantes, me encarando mesmo, parecia estar analisando cada canto do meu rosto me deixando extremamente desconfortável.

Esses irmãos são muito esquisitos, pensei, enquanto era analisada em silêncio. Então, fiz o mesmo e comecei a analisar cada parte dele, incluindo aquele corpo gostoso.

Passado aqueles momentos constrangedores com os professores e o diretor, o resto do dia foi normal, estudei sem mais nenhum problema.

Me enturmei com algumas pessoas, foi bem legal até. Peguei minhas coisas e saí da escola, o tempo estava fechado e parecia que ia chover e eu não trouxe guarda-chuva e era quase duas horas de caminhada até em casa.

Saí da escola e comecei a caminhar apressadamente. Não queria molhar o uniforme, pois era o único que eu tinha. Graças à minha vizinha, que o comprou para mim mesmo sem poder, eu tinha o uniforme e o material escolar. A dona Elisa era um anjo em minha vida.

Eu gostava muito dela e, sempre que dava, ela me ajudava. Olhei para o céu e o vi ficar mais fechado, comecei a correr, sabia que não adiantaria muito já que morava realmente longe, mas iria tentar.

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