Dezoito anos, atrás.
Anna Clarke
Eu não me arrependo de nenhuma escolha que fiz. Eu tenho absoluta certeza de que estou certa sobre minha escolha... “Eu preciso estar.” Minha filha é minha prioridade, meu bem mais precioso, fruto de um grande amor.
Um amor que precisou ser testado a ferro, mais não conseguiu resistir. O destino brincou comigo e com meus sentimentos... Ou não ... Talvez tenha sido as minhas escolhas erradas. Eu não sei ao certo, tudo o que eu sei agora, é que estou morrendo. Morrendo de verdade e deixando meu grande fruto para trás.
Kate: Força, Anna! Você consegue.
Eu repito uma força brutal. Uma força da qual, eu nem tinha conhecimento que possuía. E faço isso repetidamente, uma atrás da outra. Mesmo sem contrações, eu continuo a empurrar com uma ferocidade animalesca.
Eu me sinto cada vez mais fraca. São 48 horas, em um trabalho de parto ativo, sinto meu coração doer a cada esforço físico. “Eu não vou aguentar.”
Brianna: Anna, eu vejo a cabeça do bebê agora.
Kate: Por favor, aguente só mais um pouquinho. –Diz ela, implorando.
“Eu tenho tanta sorte em ter Kate ao meu lado.”
Eu faço uma enorme força, a mais forte de todas uma força brutal e sinto uma enorme queimação em minha vagina, mais em seguida sinto um alívio profundo de imediato.
Um choro ecoa pelo meu quarto e enfim consigo respirar, uma respiração que estava presa. Kate caminha até mim, com ela em seus braços. E é impossível conter as lágrimas, minha filha tão amada que eu não poderei cuidar, amar e educar. Uma filha que eu não poderei ver crescer e nem ensina-la de como o mundo é cruel e devastador. Eu a seguro em meus braços e sinto o seu cheiro, ela é perfeita.
Sinto uma dor forte e aguda, no meu peito esquerdo irradiando pelo braço e costas, sinto uma dor insuportável na minha jugular.
Anna: Kate, eu preciso te instruir.
Kate me olha fixamente, já imaginando o que vou pedir. Seus olhos estão arregalados, assim como de suas irmãs.
Kate: Diga, chefe. – Ela fala com a voz trêmula.
Anna: Hoje a minha filha morreu comigo. Se alguém revelar a verdade, quero que a cabeça seja cortada e pendurada na minha fortaleza.
Kate: Nós iremos fazer isso. –Ambas irmãs concordam sem exitar.
Kate: Eu mesma vou assumir essa responsabilidade, não se preocupe.
Olho para a minha mesa de cabeceira.
Anna: Tem uma caixa de veludo azul na primeira gaveta, pegue e abra. –Kate imediatamente vai pegar meu presente pra ela.
Anna: Na mesma gaveta, tem um papel com o procedimento escrito detalhadamente. Quero que vocês façam isso logo.
Brianna me olha curiosa e pergunta:
Brianna: O que é isso ?
Eu sabia que elas iriam querer saber o que é.
Anna: Isto foi no que eu trabalhei nesses últimos 7 meses. É um chip bloqueador de emoções, isso vai impedir que ela se apaixone, sinta medo extremo ou odeie profundamente alguém. – Elas me encaram seria.
Eu sei. É egoísta da minha parte, mas queria dar essa benção a ela, uma pessoa sem amor e ódio, terá uma vida feliz. Ela não terá preocupações ou medo e eu já me sinto aliviada com isso.
Alexia: Anna!
– Não faça isso.
Kate e Brianna, falam ao mesmo tempo.
Anna: Uma pessoa insensível, se torna forte. Se uma pessoa não pode amar ou odiar, ela sempre será despreocupada. Essa é a única benção, que eu posso dar para ela.
Sinto um gosto de metal na minha boca. “É sangue”, eu engulo imediatamente. Eu preciso que elas me entendam e não permitam que a minha filha sofra do mesmo mal, que eu.
Anna: Se ela for intensa como eu, trará a desgraça para si mesma.
Meus olhos se enchem de lágrimas e eu as permito descer, sem precisar mais silenciar o meu choro desesperado.
Anna: Quero que ela se chame Elisa. “Elisa significa alegria”, e ela será muito feliz.
Brianna: A nossa pequena herdeira será Elisa. Um nome cheio de graça. – Ela fala, alegre.
Kate: Anna, ela será sua herdeira ?
– Kate pergunta preocupada.
Anna: Eu não quero que ela seja uma herdeira, eu não quero que ela tenha que obedecer a nada e nem ninguém. –Kate a lança um olhar preocupado.
Anna: Quero que ela seja uma pessoa normal, eu não quero que ela tenha obrigações familiar ou siga regras impostas pela família mais poderosa.
Kate: Anna, por favor reconsidere isso. Ela precisa cuidar de tudo isso um dia, seu legado tem que ser continuado.
Anna: Eu já tomei minha decisão, uma vez que eu não estiver mais aqui. Vocês três serão responsáveis por nossa família e darão continuidade ao legado dos meus tataravós.
Elas se entreolham, é uma responsabilidade grande, mas nenhuma pode hesitar.
Anna: Eu não sei ao certo quanto tempo esse chip terá efeito, mas eu espero que uns vinte e cinco anos. A fórmula dele também está no criado mudo, a cada vinte e cinco anos, você refará outro.
Kate, Brianna e Alexia me olham com ternura, eu sei que posso confiar nelas, afinal sempre foram fiéis a mim.
Anna: Este é meu último decreto, começando hoje. Tranquem Elisa na minha fortaleza, eu não quero que ela ultrapasse meus muros. Eu quero que ela permaneça segura aqui.
Eu olho para minha filha em meus braços, eu cheiro o seus cabelos negros, ela é perfeita. Pego na sua minúscula mão, e olho para toda seu rosto querendo memorizar cada traço, seus olhos são pequenos e sua boca e nariz também. Branca como a neve e cabelos escuros como a escuridão, seus traços são tão delicados. Eu fecho os olhos e a seguro forte, “Eu te amo tanto, minha filha.” Obrigada por existir, por ser a minha melhor lembrança, por ser um pedaço de mim.
"Mikhail Smirnov"
Eu estou me casando hoje com um grande pesar em meu coração, porque a pessoa que eu amo, está em qualquer lugar menos ao meu lado. Era com ela que eu queria estar aqui hoje, celebrando o nosso amor. Às vezes me pergunto se fui amaldiçoado no meu nascimento, porque tive que nascer em uma família que impus regras absurdas e grotesca. Se eu tivesse o poder eu mudaria tudo isso, “tudo isso, pelo meu grande amor.” Mais as coisas não são tão simples e agora estou próximo de cair em um abismo de tristeza e solidão pelo resto de minha vida.
Uma bela noiva caminha em minha direção, mas não era o que eu queria. Uma angústia crescente em meu peito só aumenta, não consegui dormir direito, sentindo uma dor imensurável e foi uma longa noite agitada. Mais não adianta mais querer voltar no tempo, agora tudo se desmanchou como partículas de poeira no vento.
O casamento corre bem, mas na festa após a cerimônia não me sinto bem e ainda tenho que me sentar na mesma mesa que Ruslan. Pra mim é um dos piores momentos até a hora que pisei na igreja.
Ruslan: Mikhail, somos amigos de longas datas.
Ele sorrir para mim amigavelmente.
Ruslan: Se o seu primogênito for um filho, ele será um irmão para o meu filho. Mas se for uma filha, ela então poderá se tornar esposa do meu filho.
Eu quero vomitar neste momento. Mas são as tradições de nossas famílias, eu não posso recuar agora. Ainda mais que estamos todos submisso a esta “família”.
Ruslan: Se a nossa amizade puder ser passada de geração em geração, como foi com nossos pais e avós, isso será uma coisa maravilhosa. O que acha ?
Eu paro por um momento querendo fugir de toda essa palhaçada, mas eu não posso. “Estou preso a isso,” fugir não iria adiantar. Mas eu me calo, eu não consigo falar. Isso não é uma coisa que eu sozinho possa decidir, é algo que somente eu poderei obedecer.
Elena: Nós obedeceremos a sua decisão.
Assim como eu, Elena sabe que não pode desobedecer as ordens da família Turgueniev. Ele sai e nós nos encaramos, recém casados. Eu sinto uma forte dor no meu peito e minha garganta queima, é outra angústia só que dez mil vezes mais forte. Eu me retiro do lugar, o mais rápido que posso.
Eu me tranco na primeira porta que encontro, e me debruço sobre meus joelhos, liberando toda a minha dor em lágrimas. Eu sempre fui emotivo demais e já não aguento mais suportar tanta dor. Mas eu não paro de pensar na mulher que eu amo.
Mikhail: Anna, o decreto desta família miserável não pode ser desobedecido, você sabe. Mas como poderemos suportar isso ? Você é a única mulher que eu amo, Deus conhece meu coração e sabe da minha vontade. Eu nunca te trai, mas hoje te desejo que você seja feliz. Espero que conheça alguém que te ame, mas do que eu fui capaz.
“Após a divulgação da morte de Anna Clark, As famílias entraram em luto por 30 dias.
Os Smirnov, Romanov e os Turgueniev. Todos ficaram muito abalados, com a partida repentina dela. Sua morte foi divulgada em 27/09/2002.
A família Clark, continuou na Polônia e fechou seu negócio na Rússia. Mantendo apenas o contrato de fornecer medicações para a família Turgueniev. Eles se isolaram de tudo e todos para que ninguém descobrisse sobre o nascimento de Elisa, que ocorreu no dia 27/09/2001.
Apenas um ano após a morte de Anna, que falaram que ela tinha falecido, para que não houvesse suspeita.”
Elisa e Khaled entram em casa, e Brianna e Alexia cortam o assunto.
Elisa: Encontrei o apartamento perfeito, bem no centro de Varsóvia. –Ela diz empolgada. – Conta a elas Khaled! – Ela fala olhando para ele.
Khaled: Isso mesmo! Aconchegante, seguro e no precinho. – Ele diz animado também.
Elisa: Vou pegar minhas coisas. – Ela fala indo para o quarto.
Khaled explica para Kate, onde fica e repassa tudo para ela. Enquanto Elisa junta tudo que ela tem, algum tempo depois Khaled começa a carregar para o carro. Não é muita coisa afinal, ela não é muito consumista. E na hora da partida dela, Kate sente seu coração apertado.
Kate: Elisa, se mantenha segura. Não faça nada precipitadamente, me avise qualquer coisa.
Elisa: Kate, não se preocupe. Eu não vou fazer nada demais, estarei pertinho e nas minhas folgas venho visitar vocês! – Diz ela a abraçando.
Kate: Tudo bem. Eu confio em você! Seja feliz e nunca me esqueça. – Ela a aperta. – “Vou ficar sempre de olho em você.” – Ela pensa.
Elisa: Obrigada por me educar. – Kate enxuga algumas lágrimas, mas ela permanece alegre, o que a tranquiliza. – “Posso ficar mais tranquila. O bloqueador de emoções, ainda está funcionando.” – Ela pensa.
Kate: Eu te amo tanto. – Ela faz um último teste.
Elisa: Eu também gosto muito de você. Você é a melhor do mundo. – Diz ela, entrando no carro.
Khaled dá partida e eles seguem juntos. Kate tenta controlar suas emoções e diz para si mesma que tudo vai ficar bem. Que nada vai acontecer. E assim ela volta para dentro. Elisa e Khaled seguem ouvindo música e se divertindo no carro, se é uma coisa que ele adora nela é o seu senso de humor, ela nunca fica triste ou chateada. Ele a viu assim apenas uma única vez.
Khaled: Chegamos! – Ele murmura, tirando o cabelo do rosto dela e ela lentamente abre os olhos.
Elisa: Já ? – Diz ela, ainda muito sonolenta.
Khaled: Você dorme mais que um urso. – Ele diz sorrindo baixinho.
Elisa: Idiota! – Ela dá um tapinha em seu ombro e tira o cinto, saindo do carro.
Khaled: Entra, que eu carrego as coisas!
Ela segue para dentro, deixando o portão do condomínio aberto. Ela entra e desaba no sofá.
"Nikolay Turgueniev"
Estamos aguardando a nossa carga com duzentos e cinquenta kg de cocaína. Isso mesmo! Duzentos e cinquenta. É muito não é ? Mas não chega nem aos pés do que somos. Eu e meu irmão, somos imbatíveis juntos. Ele é meu melhor amigo e tudo para mim. Tudo está indo perfeito, era para estarmos indo agora para os containers receber a mercadoria. Mas estou ligando para esse filho da puta que não atende. Estamos indo para a casa da tal arquiteta com quem ele se encontra aqui. Com toda certeza, esse puxou ao nosso pai, não sossega com uma mulher. Meu celular começa a tocar e vejo que é o filho da mãe.
Konstantin: Kolya, estou cercado.
Nikolai: Porra, Kon. Onde você está agora ?
Eu grito.
Konstantin: Aquela vadia me vendeu, me entregou para os Riveros. Estou na casa dela, vou te mandar a localização.
Nikolai: Estou indo para aí. –Eu desligo. –Acelera, Yakov. –E ele o faz.
Yakov é meu segundo melhor amigo, meu funcionário leal. Confio de olhos fechados. Está sempre ao meu lado, seguimos preparados com nossas metralhadoras posicionadas. Konstantin também não deve está a deriva, ele não é bobo. Somos três irmãos, Konstantin é o do meio, o galinha sem noção. Máximus é o mais velho, só entra nos negócios se for o último recurso, mais não gosta muito e é um bom promotor e ao contrário do meu irmão, não dá a mínima para as mulheres. E eu sou o mais novo, mas não quero ficar nisso. Quero mesmo é apenas está sempre presente, e ajudar meu irmão a crescer. Queria muito que nosso pai escolhesse um dos dois, gosto da adrenalina mais não quero ser o chefe. Quero que seja uma irmandade, até onde o meu pai aguentar viver.
Chegamos de frente ao condomínio luxuoso da tal vadia, que vendeu meu irmão. Eu e Yakov, paramos na frente e já posicionamos nossas armas atirando. O sons de tiros ecoam, meu irmão também metralha o que vê pela frente. Eu o dou cobertura, enquanto ele abre a porta do carro e entra. Saímos em seguida, pelos menos uns seis ficaram no chão. Um ousado ainda tenta atirar no vidro, mas é em vão. Nosso carro é blindado.
Nikolai: Eu te avisei, né ? – Me viro no banco para encarar o cara lisa no banco de trás. – Os Riveros, estão atrás de você, eles te querem morto.
Konstantin: A vida é assim, né Kolya. Quando chega a hora, ninguém sai de cena. Mas quando não é, ninguém pode fazer nada. – Ele diz olhando de um lado para outro.
Não acredito que esse filho da puta, tá fazendo piada uma hora dessas. Ele poderia estar morto. Bem morto!
Nikolai: Chega de fazer piadinha, já chega! – Digo, irritado.
Conseguimos despista-los, eles só queriam matar o Kon. E ainda bem que não conseguiram. Eu teria ficado enfurecido e não respeitaria quem entrasse no meu caminho.
Nikolai: O que fez com a vagabunda ? – Pergunto curioso.
Konstantin: Há matei, claro. – Responde ele, na maior naturalidade.
Nikolai: Já conversamos sobre isso. Em uma próxima, não faça mais isso. Apenas controle esse pau dentro de suas calças. – Digo me virando para a estrada.
Seguimos em silêncio, passamos nos containers e seguimos para a cidade. Os kg irão de avião e não podemos estar relacionados. Até então, a federal apenas conhece nossos nomes falsos, nada relacionado a nossa família. Chegamos a uma das propriedades do meu irmão, uma pequena boate.
Nikolay: Vai entrar ? – Pergunto já sabendo a resposta.
Konstantin: Claro, preciso ver como anda as coisas e também preciso de uma dose de tequila para aliviar o estresse. Você vem ? –Ele fala sorrindo.
Nikolay: Claro! Uma dose de tequila é sempre bem vinda.
Entramos e sentamos na sessão vip, hoje não vamos trabalhar e sim nos divertir. Mas é impossível não encontrar alguém que queira ficar do nosso lado, para lucrar. Após algumas doses e meu irmão já tá zoado, eu não consigo mais aguentar e pergunto:
Nikolay: Kon, porque você trai a sua esposa ? Sendo que você a trata tão bem e tem seus filhos cara. Dois filhos lindos e uma família perfeita!
Ele me olha de lado, acho que surpreso. Eu sempre fui imparcial diante desses assuntos.
Konstantin: Eu amo ela, Kolya. Mas ... Eu sou homem, tenho minhas necessidades.
Ele fala frio e distante.
Nikolay: Se ama tanto, não deveria fazer isso.
Konstantin: Você não sabe de nada, já que é solteiro. –Ele rebate.
Nikolay: Por isso mesmo. Pretendo viver sem amarras e aí não magoarei ninguém.
Konstantin: Vou me lembrar disso, Kolya. Vou me lembrar disso!
Nikolay: Eu não quero ser escravo de mulher, não quero nenhuma mulher que me tire os meus sentidos. Eu me recuso a isso.
Konstantin: Eu daria a minha vida por minha família, por isso te escolhi como padrinho da Kalynne. Quero que você proteja minha família, caso algo aconteça comigo.
Nikolay: Não precisa pedir, eu amo seus filhos como se fosse meu. E vou te dizer mais, um dia ... –Tomo mais uma dose de tequila. –Quando eu pensar em casamento, quero escolher bem minha esposa. Quero escolher a mulher que eu ache que se encaixe no meu mundo, porque eu não quero qualquer uma para ser a mãe dos meus filhos. – Digo olhando nos olhos dele.
Konstantin: Você está certo. Você sempre está! –Ele sorrir. –Eu sou um tremendo de um filha da puta. Que minha mãe me perdoe.
Nós rimos juntos. Apesar de não termos a mesma a mãe, jamais julgarei meu pai e ele deveria ser como Kon. Um verdadeiro mulherengo, mas minha mãe me educou diferente e a mãe de Kon, também é maravilhosa. Queria que a mãe de Máximus, também estivesse viva, talvez ele não fosse tão solitário. Nossa família é obrigada a ficar espalhada, o negócio fica na Rússia. Mas a família de Kon é Polonesa, a mãe dele e consequentemente, a família que formou também reside na Polônia. Mas eles precisam se mudar urgentemente, a mansão dele está ficando visada pelo governo e por nossos inimigos. Saio dos meus devaneios com Yakov, me ligando.
Yakov: Patrão, é melhor vocês virem para cá. –Ele fala um tanto nervoso. – Patrícia se recusa a ir com os outros.
Nikolay: – Droga!
Yakov: O avião está pronto para a Romênia, mas ela é a única que disse irá ficar.
Nikolay: Esteja com tudo preparado. Estamos indo aí! – Desligo.
Olho para meu irmão, já se engraçando com uma mulher. Eu me aproximo e o puxo, ele me olha furioso, mas não ligo.
Nikolay: Precisamos voltar para mansão, agora! –Grito, pelo barulho estrondoso.
Konstantin: O que houve ?
Nikolay: Sua mãe não quer ir para Romênia. Se ela insistir em ficar lá, ela vai morrer.
Ele me olha indignado. Sua mãe sempre teve uma personalidade forte e é difícil tirar algo de sua cabeça, quando ela já está decidida.
Konstantin: Merda! Camile já tinha se encarregado de convencê-la.
Camile é a esposa de Konstantin. Ela mora com sua sogra e seus dois filhos, embora Konstantin só tenha vinte e oito anos, sua vida sexual sempre foi bem ativa. Meu sobrinho mais velho tem onze anos e minha afilhada tem cinco. Nós demoramos a nos conhecer, ele não foi como Máximus que cresci com ele. Entramos dentro dos carros e seguimos para a Chocholów, onde está a atual mansão de Konstantin.
Máximus deve está lá, ele ficou de levá-las em segurança, de acordo com as tramatas legais para a Romênia. Já preparamos documentos falsos para todos, na expectativa que meus sobrinhos possam levar uma vida normal, com outro sobrenome. Porque na hora que a bomba explodir, que são os Turgueniev que é a poderosa família por trás do narcotráfico a nova geração sofrerá até o fim de suas vidas.
Não demorou cerca de uma hora para chegarmos, entramos e Konstantin vai verificar sua esposa e vê se tudo já está pronto. Eu vou conversar com Patrícia, preciso convencê-la de vir conosco. Entro na cozinha onde ela prepara um sopa de carne, o cheiro está ótimo.
Nikolay: Tia, como a senhora está ? –– Me aproximo dando um beijo em sua testa.
Patrícia, já é uma senhora. Tem quarenta e nove anos, cabelos começando a ficar grisalhos. Rosto afilado e olhos pequenos, magra e alta, assim como Kon.
Patrícia: Eu estou bem meu filho! E você ? – Ela fala com sua voz doce.
Nikolay: Eu poderia estar melhor, se a senhora não tivesse se recusando a ir com os outros. A senhora sabe que aqui, corre grande perigo.
Patrícia: Não vou falar sobre isso! Eu não vou e ponto final... Eu nasci e me criei aqui, Kolya. Como eu poderia abandonar minha cidade ? –Ela fala, visivelmente triste.
Nikolay: Não será para sempre, é só por um tempo. Só até às coisas se acalmarem.
Patrícia: Eu não pedi para meu filho, ser assim. Certo, eu apoiei no início ... Mas não queria que as coisas chegassem a esse ponto. Eu não queria que ele tivesse conhecido seu pai.
Ela fala com grande pesar e ela tem razão. Nascer nessa família é a pior desgraça, mas também é uma benção. Somos unidos, sem traições... Somos todos por um, mas ela nunca entenderia. Já que meu pai a fez sofrer tanto, a abandonado grávida.
Nikolay: Tia, por favor! Poderemos te colocar em uma outra casa se preferir Na antiga casa de vocês. Mas por favor, venha. –Ele súplica.
Patrícia: Se você tocar nesse assunto outra vez, te jogo para fora daqui agora.
Ela diz em um tom bem humorado, mas as lágrimas inundam seus olhos.
Patrícia: Vem aqui, menino bonzinho. Me dê um abraço!
Nikolay: Não me chame assim, por favor. – Falo sorrindo.
Patrícia: Eu sempre soube, que dos três irmãos você é o mais puro.
Nikolay: Obrigado, tia.
Nos soltamos do seu abraço de leoa e Kon entra já debatendo com ela.
Konstantin: Mãe, sinto muito mas você vai com as crianças ... – Mas ela o corta.
Patrícia: Se não quiser sair daqui debaixo de porrada, é melhor calar essa boca. Eu já disse que não vou.
Eu saio para a sala. Isso não é um assunto que me interesse! Eu sei como a mãe de Kon é cabeça dura. Convencer ela, vai ser a mesma coisa que dar murro em ponta de faca. Eu sigo de volta para a sala, onde a minha princesa dorme no sofá. Tudo já está pronto e o jatinho também, agora é só partir. Me aproximo da coisa mais linda que a vida me deu, minha sobrinha e afilhada. Eu sorrio ao vê-la parecendo um anjinho, tão linda. Cabelos loiros como de um anjo querubim, pele pálida como uma russa pura.
Ela não se parece com a mãe e sim com o Kon, toda beleza dela é do meu irmão. Apesar de eu ser um russo também, tenho os cabelos bem pretos, minha mãe é mexicana. Então eu lembro muito ela, do meu pai eu puxei apenas a cor pálida. Quando me abaixo perto dela, um tiro rompe a porta de vidro. E ela levanta assustada, até eu me assusto. Camile corre para a sala e eu coloco Kalynne no chão.
Nikolay: Apaga a luz, Camile. Apaga! –Grito para ela que faz o mesmo e corre para perto da filha.
Eu corro para a enorme janela e revido. Não sei qual é a situação, mas não estamos em grande número e isso pode ser um enorme problema. Os tiros se intensificam e é cada vez mas perto.
Nikolay: Corre cunhada, eu te dou cobertura. –Me coloco a colete das duas, mas logo lembro. Onde está o maldito do meu irmão ?
Saímos dali e entramos no enorme corredor, Kalynne reclama do barulho enquanto corro com ela nos meus braços. Camile nos segue e Yakov faz a nossa proteção por trás. Conseguimos chegar a área de trás, mas os tiros continuam. Ainda bem que ainda temos uns homens de pé, para ganhar tempo enquanto fugimos para o heliponto adentro a propriedade.
Olho desesperadamente, a procura de Konstantin. Quando o vejo de longe, dando tudo de si para nos proteger
Mais ainda prefiro que ele leve sua família e eu assuma as rédeas. Quando saímos a céu aberto, próximo ao ponto do helicóptero somos surpreendido por mais três filhos da puta e a bizarra Eleonor Riveros, um caso do meu irmão que nunca superou o término.
Konstantin: Vamos dar cobertura para Camile e as crianças correrem, com Marcos e Vinícius. Enquanto eu, você e Yakov cobrimos.
Nikolay: Tudo bem! –Ele faz sinal e assumimos nossas posições, como um colete a prova de balas para a família dele.
Gael, segurança pessoal de Kalynne corre com ela nos braços. Os outros eu não vejo. Eles conseguem passar e continuamos a atirar, ainda temos dois deles vivos. Mais um grito estridente, ecoa nos meus ouvidos.
Kalynne: Papaiii!!! –– De alguma forma, Kalynne vem correndo no meio do tiroteio.
Eu não tenho de pensar, apenas matar o filho da mãe que está mirando nela, enquanto ela corre em nossa direção. Konstantin corre até ela, a segurando quando um tiro mais veloz é disparado em direção a eles e eu o vejo cair os dois abraçados no chão diante dos meus olhos. Yakov reage acertando um tiro em cheio bem no meio da cara do desgraçado e o outro foge, enquanto eu corro para verificar a situação dos dois.
Olho para aquele pequeno anjo, com sua barriga coberta de sangue. E eu viro meu irmão vendo que a dele também. Verifico e ela está bem, mas o tiro pegou em Konstantin. Menos mal, somos acostumados e ele se trata depois, está ótimo. Quando a adrenalina fala mais alto, ele levanta correndo com ela e nós fazemos o mesmo. Chegamos ao helicóptero quando Thiago vem correndo. Thiago é responsável por uma equipe que verifica as câmeras de segurança.
Thiago: Patrão. –Ele grita, enquanto corre se aproximando. – A sua mãe não quis vim.
Congelamos e falamos em uníssono.
Konstantin: O que ?
Nikolay: O que ?
Konstantin: Como você deixou minha mãe lá, seu maluco ? – Ele grita.
Nikolay: Vamos buscá-la. –Falo sem pensar duas vezes.
E ele assenti, autorizando a partida do helicóptero. Voltamos por trás para encontrar Patrícia. Corremos como loucos, o ruim de propriedade muito grande é isso, tudo demora a chegar. Mas também há mais lugar para se esconder.
Eles descem correndo a escadaria que leva para a cozinha, ela é na parte mais baixa da casa e fica em frente ao porão. Patrícia escuta os passos correndo em sua direção e logo se prepara para o ataque, pegando seu rifle e o alimentando. Ela aponta em direção para a escada.
Patrícia: Parece que eles vem aí, pois eles vão me encontrar. –Diz ela, com ódio.
Quando eles passam pela entrada da cozinha, ela atira. Kolya e Kon se abaixam gritando.
Nikolay: Somos nós, ô mulher. –Ele cai assustado na escada.
Konstantin: Mãe, somos nós. –Ele grita também abaixado.
Patrícia: Mas o que diabos vocês estão fazendo aqui ?
Eles se aproximam.
Konstantin: Ou a senhora vem com a gente, ou vamos morrer todos aqui.
Patrícia: Eu já disse que não vou! – Diz ela, em um tom exagerado. Mas muda ao ver a camisa de Konstantin, com sangue.
Patrícia: O que aconteceu ? –Ela fala preocupada.
Konstantin: Não foi nada.
Nikolay: Vamos, vamos... –Ele sai a puxando e Konstantin atrás.
Patrícia: O que aconteceu ?
Konstantin: No caminho a gente explica.
E eles saem correndo, fazendo o mesmo trajeto de onde vieram.