— Então é assim? – Ícaro nos segue enfurecido causando um desconforto visível em Adam que me olha confuso.
— Acho melhor eu ir embora. – O médico sussurra envergonhado.
Ícaro era como uma pedra em meu sapato, sempre estragando todos os meus planos, eu o odiava com todas as minhas forças e me sentia um idiota por ter caído em sua lábia uma vez, isso não funcionaria novamente, ele não iria me manipular como todas as outras vezes estava farta de suas promessas vazias, de ser um joguete em suas mãos.
— Você não vai a lugar algum. – Sussurro no ouvido de Adam que se arrepia.
— Agora você é esse tipo de mulher? – Ícaro indaga me seguindo pelo gramado.
Apresso meus passos ignorando sua voz, Adam já não estava animado com a idéia de transar comigo e sim apavorado por estar sendo seguido por um homem de um metro e noventa e oito que proferia ofensas furioso. Então, Adam me olha tímido e sorri envergonhado.
— Anna, foi boa a nossa dança, mas acho que é melhor pararmos por aqui. – Sua voz é envergonhada e suas bochechas ficam vermelhas enquanto ele ajeita seu óculos.
— Adam, Ícaro é um fracassado, ignore esse idiota! – Digo olhando em seus olhos. O médico não me responde, apenas beija minha bochecha e se afasta indo em direção a festa.
Me viro furiosa encontrando Ícaro com um sorriso vitorioso em seus lábios. Ando em sua direção furiosa e o acerto um tapa em seu rosto, Ícaro, ri alto como se minha raiva satisfazesse seus desejos obscuros.
— Eu te odeio! Você é uma desgraça em minha vida e sempre que está por perto coisas ruins acontecem! – Digo apontando o dedo para o seu rosto. – Você não vai mandar em minha vida, eu tenho o direito de fazer o que bem entender, você nunca mais vai interferir.
Ícaro bate em minha mão a afastando e ri diabólico, seus olhos brilhavam com a fúria e eu conseguia ver sua determinação em infernizar a minha vida.
— Eu não vou a lugar nenhum, Anna. Vou fazer sua vida um inferno, vou estar sempre perto de você te vigiando, você não vai ter paz. – Ícaro sorri diabólico enquanto seus olhos me analisam. – Não vou deixar nenhum homem te tocar.
— Não vai? Ícaro, acha mesmo que nesse meio tempo eu não estive com ninguém? – Sorri observando sua expressão facial murchar. – Você não me causa medo. Na verdade, tenho pena de você.
— Você está mentindo. Não faria isso comigo. – Ícaro ri dando de ombros. – E você nem saiu desse rancho desde que terminou comigo!
Sorri vitoriosa dando minha cartada final, ele merecia toda a agonia e sofrimento do mundo e eu iria lhe proporcionar isso.
— Quem disse que precisei sair? – Pergunto com um sorriso em meus lábios.
— Você... você e aquele filho do fazendeiro! Eu vou acabar com o Arthur! – Ícaro rosna com o ódio em seus olhos.
Minha risada amarga ecoou o causando confusão. Quem ele pensa que era? Achava que era quem para me dar ordens? Ícaro havia perdido esse direito quando me traiu bem na minha cara, eu o odiava profundamente.
— Você não pode mandar em mim! Perdeu esse direito quando me traiu com a Melanie, eu odeio você. – Minha voz rouca sai furiosas enquanto olho sua expressão de tristeza surgir.
— Anna, eu... – Ícaro tenta me tocar mas bato em sua mão.
— Não me toque nunca mais! Eu te odeio! – Grito em fúria antes de sair correndo.
As lágrimas embaçavam minha visão enquanto eu corria em desespero me afastando cada vez mais do local da festa. Meu tornozelo dobra ao passar rápido pela estrada de pedras, caio no chão sentindo minha perna doer.
— Merda, só faltava essa! – Digo ao ouvir um trovão. A chuva se inicia rapidamente me deixando encharcada, tento me levantar mas escorrego novamente.
— Quer ajuda, My Angel. – Meu corpo se arrepia com as palavras próximas ao meu ouvido.
Olho para cima de vejo Otto agachado ao meu lado, o sorriso perverso brilhava em seu rosto. Como ele entrou aqui? Eu pensei que a segurança havia sido reforçada no rancho. Esse homem não devia estar aqui! Engatinho pra trás assustada provocando suas risadas.
— Tão assustada, como uma ratinha. – Ele sorri diabólico e em um movimento rápido, me puxa pela cintura me fazendo levantar do chão.
— Não era pra você estar aqui! Eu... eu vi a polícia te prender! – Gaguejei nervosa e sua gargalhada explode.
— Dinheiro, my angel. Dinheiro compra qualquer coisa, até nessa bosta de cidade. – Otto sorri apertando suas mãos em minha cintura. – Ainda é tão gostosa quanto eu me lembro.
— Me solte, imbecil! – Bato em seu braço, mas sua mão aperta mais a minha cintura.
— Continua a mesma mulher estressada. – Otto sorri me soltando. – Algumas coisas nunca mudam.
Meu coração estava acelerado, como esse homem ousava invadir o rancho de minha família e agir com tanta naturalidade? Ainda mais depois de ameaçar a minha família! Precisava ligar para a polícia, ele iria para a cadeia e dessa vez eu mesma ia me certificar que ele ficasse lá por um bom tempo! Olho ao redor procurando minha bolsa e sua gargalhada ecoa pela rua.
— Está procurando isso? – Ele diz segurando minha bolsa. Um arrepio percorre o meu corpo.
— Me devolve isso! – Ordeno impaciente.
— Você nem percebeu que esqueceu na mesa quando foi para a pista de dança rebolar como uma cadela no cio. – Otto balança sua cabeça negando e ri. – Você já foi melhor, Anna. Agora age feito uma vagabunda? Terminar comigo te fez chegar no fundo do poço!
— Fundo do poço é você ter que seguir uma mulher e ameaçar sua família para ter sua atenção! – Rebati com um sorriso sarcástico
Otto ri se aproximando, seu olhar me causava náuseas, me sentia nua com seu olhar pervertido.
— Vamos ver se ainda estará se divertindo depois do que tenho para te dizer. – Sua voz adquiriu um tom diabólico que fez meu coração disparar.
Eu sabia que ele era capaz de loucuras, mas o que teria feito agora? Um pressentimento me alertava de que algo muito errado acontecera e que isso afetaria minha vida de alguma maneira. Um arrepio percorreu minha coluna ao pensar nisso.
— O que você está insinuando? – Perguntei, ansiosa. – Otto, o que você fez dessa vez?
Seu sorriso maligno se alargou e uma risada sinistra escapou de seus lábios.
— Oh, meu Anjo... Você continua sendo a mesma garota assustada de sempre. – Ele sussurrou, se aproximando. – Você escolheu esse caminho quando se envolveu com aquele idiota grego. Foi você quem trouxe essa desgraça para sua família.
Um calafrio percorreu meu corpo diante das suas palavras ameaçadoras. O que ele queria dizer com aquilo? Meu coração apertou e diversas possibilidades passaram pela minha mente.
— Otto, diga logo ou eu volto para a festa e chamo os seguranças! – Falei, tentando parecer determinada.
Seus olhos claros brilharam com o fogo do seu ódio, como se Otto pudesse me aniquilar apenas com um olhar. Um nó se formou em minha garganta e o ar pareceu faltar nos meus pulmões. Mesmo depois de tanto tempo, aquele homem ainda tinha um poder assustador sobre mim.
Otto se aproximou do meu rosto, seu sorriso diabólico se intensificando, e sussurrou com um tom ameaçador:
— Você se arrependerá se chamar os seguranças. Toda a sua família estará perdida se tomar essa decisão.
Engoli em seco, sentindo meu corpo tremer diante da sua ameaça implícita. O som do trovão ecoou no céu, fazendo-me pular de susto.
— Por favor, pelo menos vamos para um lugar coberto. Podemos ser atingidos por um raio aqui fora! — Implorei, sentindo o medo percorrer meu corpo.
Otto sorriu, dando de ombros com indiferença.
— Não importa onde vamos, desde que estejamos longe da sua família. A conversa que precisamos ter pode ser bastante desagradável. – Sua voz grave arrepia meu corpo.
Caminhamos juntos em direção ao velho celeiro do rancho, cada passo aumentando a tensão no ar. Ao abrir a porta enferrujada, me deparei com algumas cadeiras e mesas deixadas pelos funcionários da festa. Otto se sentou em uma das cadeiras e me encarou, esperando que eu fizesse o mesmo.
Eu o olhei com raiva, sentindo meu sangue ferver. O que ele queria afinal? Por que estava me perseguindo?
— O que você quer, Otto? Por que está me seguindo? – perguntei, minha voz carregada de raiva.
Ele sorriu, mas sua expressão era enigmática.
— Uma coisa de cada vez, minha querida Anna – respondeu, sua voz suave, mas cheia de malícia.
Revirei os olhos com sarcasmo.
— Ah, claro, porque você é tão paciente, não é? Já se cansou da Ester e dos joguinhos de casinha? – minha voz transbordava sarcasmo enquanto o encarava.
Otto me fitou com uma expressão séria, mas seus olhos brilhavam com fúria contida. A tensão no ar era palpável, como se estivéssemos à beira de um confronto iminente.
O ambiente escuro do celeiro parecia envolver-nos, intensificando a tensão entre mim e Otto. Seu tom sombrio cortou o ar quando ele falou:
— Ester é irrelevante, Anna. Você não precisa se preocupar com ela agora.
Meu coração deu um salto ao ouvir o tom em sua voz, como se fosse um aviso silencioso de que algo terrível acontecera com Ester. Engoli em seco, sentindo um nó se formar em minha garganta.
— O que você fez com a Ester? — minha voz saiu em um gaguejar, a preocupação transbordando em minhas palavras.
Otto deu de ombros com indiferença.
— Isso não é da sua conta, Anna. E se você for esperta, não se meterá nos meus assuntos pessoais — sua resposta foi permeada pelo sarcasmo e por um tom ameaçador, acendendo uma luz vermelha de alerta em minha mente.
Eu me ajeitei na cadeira, ficando na defensiva diante da sua atitude. Então, questionei:
— Por que você está me perseguindo, se você me traiu com a Ester e agora vocês estão noivos, esperando um filho?
Um sorriso assustador se formou nos lábios de Otto.
— Anna, você sempre será minha, não importa para onde vá ou quanto tempo passe — sua voz era possessiva, enviando calafrios pela minha coluna.
Encolhi-me na cadeira, percebendo que ficar sozinha com aquele homem possessivo não tinha sido uma boa ideia.
Em um sussurro, murmurei:
— Você é louco, Otto. Não temos mais nada.
Ele segurou meus pulsos na mesa, puxando-me para frente da cadeira. Seus olhos me perfuraram enquanto ele declarava:
— Não deixarei você ficar com esses homens, Anna. Você me pertence.
Um calafrio percorreu todo o meu corpo, enquanto eu lutava para me libertar da sua aderência, percebendo que estava presa com esse lunático em um lugar distante onde ninguém iria me procurar.
— Otto, me solte! Você está me machucando! – Minha voz saiu chorosa, meus pulsos tremiam em suas mãos.
Percebendo o impacto do seu comportamento, seus olhos se arregalaram e por alguns segundos pareceram voltar ao normal. Otto finalmente liberou meus pulsos, e eu os massageei, sentindo a dor latejante em meus músculos.
Encarei minha pele, onde as marcas arroxeadas de suas mãos estavam gravadas em meus pulsos. Um nó se formou em minha garganta, enquanto o medo se apoderava de mim.
— Anna, eu... Eu não queria te machucar. – Sua voz agora soava envergonhada. – Peço desculpas e...
— Não importa. – O interrompi, minha voz estava fria. – Apenas me diga logo quais são suas intenções ou irei embora!
Otto pareceu ficar um pouco desconcertado, seus olhos inquietos, suas mãos trêmulas. Ele passou a mão pelo cabelo molhado, bagunçando-o ainda mais.
— Eu... Eu realmente não queria machucar você, my angel. – Ele murmurou, envergonhado. – Droga, não consigo me controlar quando estou perto de você.
Permaneci em silêncio, observando sua súbita mudança de humor e personalidade. Temia que Otto tivesse recorrido às drogas novamente, seu comportamento estava demasiadamente imprevisível, evocando lembranças desagradáveis.
— Otto, você usou alguma coisa? – Perguntei, encarando seu rosto pálido. – Não minta para mim.
Sua risada incrédula ecoou pelo celeiro, seus olhos me analisaram em silêncio por alguns segundos.
— Sempre tão perspicaz, my angel! – Otto respondeu, dando de ombros. – Mas isso não é relevante.
Sua resposta atingiu-me como um soco no estômago. Depois de todo o esforço que eu investira, todas as noites em claro, todas as vezes que o vi à beira da morte... Agora ele simplesmente havia desistido de se manter limpo e voltara a usar drogas?
— Sabe de uma coisa? Não importa! – Levantei as mãos em sinal de rendição. – Eu fiz tudo o que pude por você. Agora, se você quer arruinar sua vida com a Ester, tudo bem.
Seus olhos marejados me observaram por alguns instantes, e por um breve momento, vi o verdadeiro Otto, o homem que conheci anos atrás.
Inclinei-me para a frente, socando a mesa, o que o fez recuar, surpreso.
— Mas pelo menos tenha a decência de deixar o filho de vocês fora disso! – Minha voz soou como um rosnado, impregnada de raiva e desespero.
Otto permanece em silêncio, seu rosto exibindo uma expressão de tristeza profunda, enquanto seus olhos marejados se perdem em seus próprios pensamentos.
— Só você, my angel... Só você consegue me salvar do meu próprio caos. – Ele murmura, sua voz tingida de melancolia, seu sotaque britânico mais acentuado. – Por isso, você sempre foi my angel... Você me salvou e sempre irá me salvar.
— Otto, você não vê? Não adianta tentar salvar alguém que não quer ser salvo! – Ri sem humor, recostando-me novamente na cadeira. – Você é incorrigível, sempre acabará retornando aos mesmos erros e tentando me usar como uma escada para sair do abismo onde você mesmo se colocou.
— Anna... Não é assim! – Sua voz se desvanece no ar.
— Estou cansada, Otto. Deixe-me em paz! – Meu apelo é quase um sussurro. – Não destrua a vida da minha família como fez com a minha.
Seu olhar muda, tornando-se frio novamente. Otto retira uma pasta de dentro de seu sobretudo, algo que me deixa confusa.
— Tudo dependerá de você, my angel. – Um sorriso diabólico se insinua em seu rosto. – Se sua doce e bela família ficará bem.
Tento alcançar a pasta, mas Otto a puxa para mais perto.
— Otto, estou cansada de joguinhos! Fale de uma vez! – Minha voz transborda impaciência.
— Case-se comigo, Anna. – Sua voz diabólica ecoa pelo celeiro.