Recebi o convite do padre Cristian para apresentar o leilão beneficente esse ano junto com o meu noivo Tecio, mas infelizmente ele não vai poder participar junto comigo hoje pelo fato de estar viajando, infelizmente ele não vai chegar a tempo e como estou morrendo de saudades do meu amor, seguro o porta retrato com a nossa foto, beijo apaixonada e Felipa entrou de uma vez no meu consultório.
- Kira está beijando um porta retrato? Que loucura é essa minha amiga.
- Estou com muita saudades do Tecio, é por isso que estou beijando o porta retrato.
- É tanto amor que chega a dar inveja. - Felipa diz séria e eu sorri.
- Felipa você também vai encontrar o amor da sua vida, vamos comigo hoje ao leilão.
- Obrigada pelo convite, tenho um outro compromisso para ir. - Felipa diz e eu lamento.
Felipa foi embora, não tem jeito, terei que ir para o leilão somente com os meus pais. depois da minha família e do meu noivo ela é a pessoa que mais confio nessa vida. Filha única sempre me senti sozinha e adotei Felipa como irmã.
Sai do meu trabalho diretamente para um salão de beleza me arrumar. Aproveitei e fui comprar um vestido, escolhi um na cor violeta essa cor realça a cor da minha pele e cabelos. O grande espelho me revela
uma mulher tão linda hoje, não sei o que tem no dia de hoje estou me achando mais linda, não sei explicar, acho que é o vestido. Chamei a vendedora e o comprei imediatamente para usar logo mais a noite.
Voltei para a minha casa e os meus pais já tinham chegado dos seus trabalhos mamãe é empresária assim como o meu pai ambos cuidam de empresas diferentes e eu sou mega fã dos dois, os cumprimentei com um abraço.
- Filha você está tão linda, tem um brilho a mais. - mamae diz.
- Também estou me sentindo uma diva, acho que vou mais vezes ao salão. - Sorrimos juntas.
- Esse brilho tem nome. Se chama Tecio, não vejo a hora desse casamento. - Papai falou e eu me emocionei.
Tudo está se concretizando do jeitinho que eu pedi em oração, minha família também ama o meu noivo, isso é um sinal que fiz uma ótima escolha.
Fui me arrumar e pedi aos meus pais que fossem comigo e eles não me negaram isso. Após nos arrumar seguimos para lá, amo a simplicidade das pessoas desse bairro no qual o padre cuida tão bem, sou recebida como uma rainha por eles.
Cadê vez mais gente aparecia no salão e aos poucos foi lotando o padre corria de um lado para o outro organizando e recebendo os convidados e eu fui me preparar póis já estava com um frio na barriga, queria tanto que o meu amor estivesse aqui me dando força.
O salão se encontrava cada vez mais cheio e já estava chegando a hora de darmos início ao leilão, eu acho que o padre perdeu a hora e o vi passando no meio dos convidados, e na minha ansiedade não tive paciência de esperar e fui até a ele e jamais imaginei que os homens que estava com o padre seria o Éder Vilamout, homem esse que não quis vender o terreno para o meu namorado construir a nossa clínica médica, tenho medo de dele porque é uma pessoa ruim e não sabemos do que ele é capaz, o seu olhar firme e intimidador sobre mim, só me faz não querer estar no mesmo lugar que ele. Não quis nem ao menos apertar a sua mão, ignorando-o totalmente, Éder pode ser prestigiado por alguns a sua volta, menos por mim.
Já bastante nervosa e sem a permissão do padre subi ao palco e Jairo veio me ajudar apresentar o leilão e todos ao me verem no palco me aplaudiram. Só assim me senti pronta para continuar e a mesa que foi reservada para o meu noivo está ali na minha frente vazia, mas ao baixar o olhar para ler o que estava escrito na ficha, Éder Vilamout sentou-se à minha frente, na mesa vazia, o meu coração faltou sair pela boca, tive que conter a raiva que estou e eu escolhi não olhar para esse homem mau.
- Sejam todos bem-vindos, mais um ano aqui ao lado do meu companheiro Jairo. - Disse feliz.
- Prazer é todo meu querida - Jairo diz beijando a minha mão.
Éder fechou o semblante ao ver Jairo beijando a minha mão, fiz de conta que não vejo os olhares do Éder sobre mim e apresentamos o leilão. E para chamar a atenção de tudo e todos ao seu redor Éder só arrematava os prêmios que eu anunciava.
- olha essa pulseira com pequenas pedras de esmeraldas, olha a delicadeza - Mostrei a bela joia. Alguem vai querer ? - perguntei mesmo já sabendo que Éder ia arrematar tudo.
- Vinte e cinco mil dólares - Éder se levantou.
- Alguém mais vai concorrer, doli uma, doli duas, doli três - Tentei falar num tom de animação.
Ninguém quis concorrer com Éder, daqui do palco era possível ver as pessoas cochichando ao notar a atitude estranha dele em arrematar somente o que eu anunciava, ele não tirava os olhos de mim era como se só eu estivesse aqui e isso já estava sem graça, e me irritando, mas eu consegui sorrir e disfarçar a grande tensão que estava sobre os meus ombros, e se o meu noivo estivesse aqui, ele não ia aceitar essa situação toda.
Éder comprou todo o leilão e após isso eu não queria falar com ninguém só queria ir para a minha casa e a minha mãe veio me abraçar.
- Filha o que aconteceu que aquele não tirava os olhos de você? Já teve algum contato com ele? - Mamãe perguntou preocupada.
- Nunca o vi pessoalmente, mas sei de quem ele se trata. Hoje pude ver olho a olho o quão soberbo é - Falei nervosa.
- Vamos embora o seu pai nos espera no estacionamento. - Fui embora sem falar com mais ninguém.
Quando chegamos no estacionamento encontramos papai e Éder frente a frente discutindo, hoje não era o meu dia, eu tinha certeza. Andamos apressadamente até os dois e entrei na frente do meu pai.
- O que está acontecendo aqui? - Perguntei encarando Éder e o mesmo sorriu para mim.
- Por mim nada está acontecendo eu ia entrando no meu carro que por coincidência está próximo ao dele e esse senhor começou a me xingar. - Éder diz e eu fechei os olhos.
- Não quero acreditar no que estou ouvindo.
- Filha estou te defendendo desse homem descarado, você é noiva e merece ser respeitada, todos tem medo de você, eu não tenho. - Papai tenta partir para cima de Éder e eu não deixei.
- Já chega papai, esse homem já causou desconforto demais, não percebe que o jogo dele é nos tirar do sério - Disse cansada.
- Espero que você nunca mais ouse cruzar o nosso caminho novamente.
- Lamento decepcionar a família, mas iremos nos encontrar mais vezes, grava isso - Éder falou virando as costas para nós.
Senti um arrepio percorrer o meu corpo com as suas palavras, ele entrou no seu carro de luxo com o seu capanga e foi embora.
- Kira o que esse homem quis dizer que iremos nos encontrar novamente? - Mamãe perguntou preocupada.
- Vamos logo embora, a vida desse homem é querer intimidar as pessoas - Falei tentando acalmar os ânimos.
Voltamos para casa em silêncio e aproveitei para ligar para o Tecio, estou preocupada ele não ligou avisando que chegou, não vejo a hora de abraça-lo, mas na minha mente não consigo esquecer o olhar do Éder sobre mim, não posso ter medo dele e muito menos das suas ameaças.
Arrematei todos os prêmios da noite sem deixar chance para mais ninguém Se era para causar impacto, eu causei nível máximo mostrando para a tal de Kira que não sou um homem qualquer e Lukas me olhava sem entender o que de fato eu estava fazendo.
- Éder não acha que já arrematou prêmios demais, as outras pessoas também querem arrematar algo. - Lukas falou baixinho no meu ouvido.
- Não quero saber de nada, mostrarei a todos o quão poderoso sou! - Falei bebendo de uma vez só a água que está sobre a mesa.
- Éder você não precisa mostrar para ninguém o quão poderoso é.
- Algumas pessoas sabem disso, mas aquela ali não - Falei voltando a encarar Kira.
Lukas balançou a cabeça em negativo, Kira faz de conta que não tem ninguém sentado à sua frente, odeio essa sensação de ser tratado como se eu fosse um nada, porque eu já provei o gosto horrível de ser tratado como um nada. Ela não perde por esperar, quero saber tudo dessa mulher, preciso muito saber de onde vem tanta marra e nariz empinado.
Me perdi na beleza e na atitude da mulher a minha frente e arrematei tudo sem me importar com o preço de todas as peças do leilão e quando o evento se deu por encerrado me levantei da mesa.
- Lukas preencha o cheque para efetuar o pagamento de tudo o que arrematei. - Disse saindo da mesa.
Caminhei entre as pessoas indo para o estacionamento e o padre Cristian entrou na minha frente.
- Filho é, precisamos saber onde vamos deixar os prêmios? - O padre perguntou e eu respirei fundo.
- Padre doe para os pobres, Lukas está a sua espera para fazer o pagamento. - Disse e sai sem olhar para trás.
Quando cheguei no estacionamento fui diretamente para o meu carro quando ouvi uma voz saindo do carro ao lado.
- Ei você parado aí. - Um homem já de idade mandando eu parar.
- Quem é você! O que quer? Está pensando que sou qualquer um para falar assim comigo. - Falei indo em direção ao velho.
- Sou o pai da Kira, está pensando que eu ia mesmo ficar calado ao ver você dar em cima dela descaradamente.
- Apareceu um protetor por aqui. Melhor baixar o tom. - Fechei os punhos, irritado
- Acha mesmo que Kira é uma qualquer, ela está noiva e merece respeito, - O velho diz me encarando
- Melhor ainda. Pensando bem acho que vou disputar a sua filha com o noivo dela - Falei e ele partiu furioso para cima de mim.
- Nem tente, se não vai se arrepender para o resto da sua vida - Segurei forte o seu braço.
O velho se afastou e Kira chegou acompanhada da sua mãe e mais uma tensão se formou entre nós, trocamos farpas e nunca pensei iria me irritar horrores essa noite com uma família completa, Lukas chegou do meu lado e entramos no carro.
- Algum problema Éder? - Lukas perguntou.
- Todos os problemas. Eles não perdem por esperar. - Bufei.
- O padre ficou feliz demais com todos os presentes, muitas pessoas irão ser ajudadas. - Lukas diz enquanto dirige o carro.
- Espero nunca mais pisar os pés aqui. Para falar a verdade.
Lukas sorriu concentrado na estrada, não sei qual o motivo do seu sorriso, e nem quis saber para não me estressar mais do que já estou.
Chegando na minha mansão fui direto beber uma bebida porque no leilão só tinha por ser um evento religioso e Lukas entrou.
- Vai beber também? - Perguntei enquanto me servia.
- Vou querer um pouco.
- Lukas quero saber tudo da Tal Kira e família. - Ordenei.
- Saber tudo! Investigar a vida dela? Enlouqueceu ou? - Lukas perguntou curioso.
- Só faça o que eu mando! Sem questionamentos Lukas - disse bravo.
- Não está mais aqui quem falou, aliás, perda de tempo falar algo você nunca me ouve mesmo.
- Lukas de onde eu venho, situação como essa que aconteceu hoje não passa batido. - Falei bebendo a bebida de uma vez.
Lukas não quis mais debater comigo, ele sabe que nunca vou ouvi-lo, mudamos de assunto e continuamos bebendo, ele foi embora para a sua casa e eu continuei sozinho na minha enorme sala, o sentimento de solidão às vezes quer me desolar porque o passado sempre vem me lembrar de onde eu vim e o que passei. Fui até o escritório abri a gaveta com uma chave e nela, algumas fotografias de quando era criança com o meu pai, fotos da minha mãe.
- Família - disse sozinho respirando fundo.
Guardei as lembranças novamente na gaveta e fui para o meu quarto dormir. Me olhei no espelho e as palavras do velho ecoa na minha memória
No dia seguinte, acordei cedo e fui tomar o meu café da manhã e Lukas chegou.
- Acabei de ligar para o investigador e fiz o que você mandou.
- muito bem, quero saber mais sobre o pai dela, não acredito em família perfeita como a deles.
Tomamos café, juntos e Lukas sempre que pode vem e me faz companhia nas manhãs e mesmo ele querendo me fazer um homem mais harmonioso, ele respeita toda e qualquer decisão minha sendo essa certa ou não. O respeito como um irmão e juntos fomos para a empresa.
Quando cheguei a secretaria já veio logo me entregando relatório da construção de mais um condomínio, aprende investir dinheiro em vários empreendimentos nessa cidade, sou dono de hotéis, restaurantes, vários condomínios e pequenos cafés pela cidade, mas nem todos sabem que tudo é meu. Até o melhor hospital dessa cidade, eu sou o dono e aquela família ousou bater de frente comigo.
Sozinho me concentrei no trabalho e Lukas veio também me ajudar com planilhas afinal não confio em todo mundo para analisar faturamentos e juntos podemos chegamos a uma conclusão de contratar mais uma assistente para ajudar Lukas, e deixei ele responsável por isso e antes dele sair do meu escritório, me entregou um jornal.
- O que significa isso? Estou sem tempo para ver besteiras.
- A família Lins. Saiu matéria sua também. - Lukas me mostrou o jornal.
- Deixa eu ver - Falei rápido.
Pouco me importava notícias minhas, voltei o meu olhar para casal, pais da Kira que estampam o jornal local como os dois empresários mais bem sucedidos de toda cidade, por isso ela se comporta como a princesinha da família, empresários de supermercado e têxtil, amei saber disso. Sorrir sozinho segurando o jornal entre as mãos.