Capa do Romance Sob o Olhar do CEO

Sob o Olhar do CEO

9.7 / 10.0
Lorenzo Castellani, o implacável magnata das finanças, reencontra a única mulher que desafia sua autoridade: Zara Nox. De volta à cidade, ela assume um cargo na empresa de Lorenzo, carregando mistérios que ele sequer suspeita. O que começa como um embate profissional logo escala para um perigoso jogo de sedução e poder. Entre escândalos corporativos, eles enfrentam uma verdade devastadora que ameaça destruí-los, provando que o desejo pode ser o mais letal dos riscos.

Sob o Olhar do CEO Capítulo 1

Zara Nox

Era 28 de fevereiro de 2022, o dia do meu aniversário de dezoito anos... e o dia da minha expulsão do internato.

Ironia do destino, talvez.

As mensalidades venciam hoje e, segundo as rígidas regras do colégio, eu não poderia ficar nem mais um minuto ali. Era como se estivessem contando os segundos para me ver partir.

Não havia amigas me esperando para se despedir. Nenhum abraço, nenhuma lágrima de saudade. Só o eco dos meus próprios passos nos corredores frios e aquele cheiro de desinfetante que parecia grudar na alma.

Nada me prendia àquele mausoléu de paredes cinzentas - e, para ser sincera, a diretora devia estar comemorando por me ver ir embora.

Não eram nem nove da manhã e minha mochila já estava pronta, com as mesmas roupas que recebi por doação durante os anos. Um punhado de lembranças trancadas num zíper.

Peguei o pouco que me pertencia e fui para a sala da diretora. Ela me esperava sentada atrás da mesa, como sempre, com a postura impecável e o olhar distante.

Quando entrei, ela ergueu os olhos do papel que assinava e foi direto ao ponto, sem rodeios.

- Nesse envelope está tudo que te pertence, Zara. - A voz dela saiu fria, mas havia algo estranho... um traço de arrependimento. - Me perdoe se fui muito rígida com você. Espero, de verdade, que tenha um futuro melhor.

Ela estendeu o envelope sobre a mesa.

- Aí dentro tem um celular já formatado, as chaves de um apartamento, algum dinheiro, seus documentos, e o acesso a uma conta bancária em seu nome - explicou. - Também há sua carta de aceitação na faculdade. Creio que suas aulas começam no início de março.

Fiquei alguns segundos em silêncio, tentando assimilar cada palavra.

Um apartamento? Faculdade paga?

Era como se alguém tivesse decidido, do nada, reescrever o meu destino.

- Como assim? - perguntei, franzindo o cenho. - Quem mandou isso?

Ela respirou fundo, como quem tem medo de dizer algo errado.

- Não me pergunte, Zara. Eu apenas recebi ordens. Não sei quem foi - se sua família, algum benfeitor, ou... qualquer outra pessoa. Só me pediram que entregasse. Agora vá, o táxi já chegou.

Peguei o envelope, sem dizer nada.

A diretora abaixou os olhos, evitando me encarar, como se também sentisse culpa por algo. Mas não importava mais. Eu só queria ir embora dali.

Saí pelos portões do internato pela última vez.

O céu estava nublado, e o vento frio da manhã cortava meu rosto. Entrei no táxi e entreguei o papel com o endereço ao motorista.

- Midtown, hein? Lugar chique. - Ele comentou, ajeitando o espelho. - É longe. Vai demorar umas quatro horas.

Apenas assenti.

O carro arrancou e, enquanto a estrada se estendia à frente, olhei pela janela.

As árvores passavam rápido, borradas pelo vento, e uma sensação de vazio se instalava no peito.

Dezoito anos. Nenhuma família. Nenhum passado. Só um futuro misterioso embalado num envelope.

Abri o lacre com cuidado e comecei a olhar o conteúdo: um celular novinho, documentos, chaves e uma folha impressa com o logotipo de uma faculdade. Meu nome em letras grandes.

Por um instante, senti uma pontada no peito - um misto de medo e esperança.

Quem teria feito isso por mim?

O caminho foi longo. Dormi, acordei, dormi de novo. Quando o táxi finalmente parou, o motorista virou-se com um sorriso cansado.

- Chegamos, senhorita.

Paguei a corrida com o dinheiro vivo que estava no envelope e desci.

O prédio à minha frente era alto e moderno, com janelas de vidro que refletiam o céu.

Um porteiro uniformizado me observava do hall.

- Boa tarde, senhorita Nox? - perguntou com um sorriso gentil. - Estávamos esperando por você.

Estávamos? Quem mais sabia da minha chegada?

Engoli em seco e apenas murmurei:

- Sim... sou eu.

- Seu apartamento é no último andar, número 290. - Ele disse, estendendo o crachá temporário. - Qualquer coisa, meu nome é Juca.

- Obrigada, Juca. - murmurei, entrando no elevador ainda tentando entender absolutamente nada do que estava acontecendo.

O som do elevador subindo parecia acompanhar a batida do meu coração.

"Último andar."

As portas se abriram e me deparei com uma única porta no corredor: 290.

Meu apartamento.

A mão tremia quando girei a chave.

E, quando a porta se abriu, o ar me faltou.

O apartamento era... lindo.

Um luxo que eu nunca imaginei sequer visitar, muito menos morar.

O piso brilhava, o sofá era de veludo cinza, os lustres reluziam sob a luz do fim de tarde. Tudo parecia novo, como se alguém tivesse acabado de preparar o lugar para mim.

Deixei o envelope e a mochila sobre o sofá e fechei a porta com a chave.

Sozinha em um lugar daqueles, a primeira regra era simples: não deixar a porta aberta.

Caminhei devagar, ainda incrédula.

A vista da janela era de tirar o fôlego - o Central Park se estendia logo abaixo, verde e sereno, em contraste com o caos da cidade.

Por um segundo, esqueci de respirar.

- Isso não pode ser real... - murmurei para mim mesma.

Fui até a cozinha e abri a geladeira.

Cheia.

Carne, frutas, leite, até iogurte. Tudo fresco.

Os armários estavam repletos de mantimentos, e até a cafeteira era automática, daquelas que eu só via em comerciais.

Toquei o balcão frio de mármore, como se precisasse me convencer de que era sólido.

"Quem faria tudo isso por mim?"

Segui para o corredor.

Três portas.

Abri a primeira o meu quarto com certeza. Cama enorme, cortinas de linho, um abajur dourado, e uma escrivaninha com um notebook novo, tinha duas portas, a primeira - um banheiro branco e espaçoso, com uma banheira que parecia saída de um catálogo.

A segunda... e meus olhos quase saltaram.

Um closet. Enorme.

Lotado de roupas.

De todos os tipos: ternos femininos, vestidos de gala, roupas de dormir, casacos de inverno.

Todas, absolutamente todas, do meu tamanho.

- Tá legal... - sussurrei, rindo nervosamente. - Isso tá ficando cada vez mais estranho.

Peguei um vestido preto, toquei o tecido. Seda pura. E na etiqueta... meu nome bordado.

Engoli em seco.

- Será que... minha mãe lembrou que tem uma filha? - falei para o nada.

Mas o silêncio do apartamento respondeu por ela.

Olhei ao redor do quarto e em cima da escrivaninha tinha algo que fez meu coração bater descompassado. Uma carta.

"Para Zara Nox.

Use essa nova chance para recomeçar.

A segunda e terceira porta dava para quartos de hóspedes. O mundo lá fora é cruel, mas você é mais forte do que imagina."

Sem assinatura.

Sem remetente.

Fechei os olhos e suspirei.

Havia algo de reconfortante e assustador em saber que alguém lá fora se importava comigo - mas não o bastante para dizer quem era.

Sentei-me na cama e deixei o olhar vagar pelo quarto.

Era tudo perfeito demais.

Luxuoso demais para uma garota como eu.

Mas, pela primeira vez na vida, não senti medo de aceitar algo bom.

- Talvez... eu mereça - murmurei, deitando devagar.

A chuva começou a cair lá fora, batendo nas janelas imensas.

O som era suave, quase como um sussurro.

Fechei os olhos por um instante, lembrando de todas as noites em que chorei sozinha no internato, pedindo a Deus que, um dia, alguém me tirasse de lá.

E agora, aqui estava eu.

Num apartamento que parecia saído de um sonho.

Com um futuro misterioso me esperando do lado de fora daquelas paredes.

Levantei-me de novo, incapaz de ficar parada. Fui até a varanda e olhei a cidade iluminada.

Carros passando, pessoas correndo, vidas acontecendo.

Pela primeira vez, eu sentia que a minha estava prestes a começar.

- Aí, meu Deus... - sussurrei, com um sorriso tímido. - Obrigada por não esquecer de mim.

Depois de tantos anos de sofrimento... será que, enfim, terei anos de paz?

Talvez o universo estivesse, finalmente, me devolvendo algo que sempre foi meu:

a chance de pertencer.

O vento frio tocou meu rosto, e, sem perceber, uma lágrima escorreu.

Não de tristeza - mas de gratidão.

De esperança.

De medo também, talvez.

Porque algo dentro de mim dizia que, por mais que tudo parecesse perfeito... nada era tão simples assim.

E eu estava prestes a descobrir o porquê.

{...}

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