Lena ainda tentava processar a resistência de Dylan. Da água quente da fonte termal até os lençóis amassados da cama, ele parecia inesgotável.
Ao amanhecer, a luz do sol atravessou as cortinas, acordando Lena.
Seu primeiro instinto foi puxar o lençol contra o peito, como se quisesse criar uma barreira invisível entre ela e o homem que ainda dormia profundamente ao seu lado.
Ela precisava sair dali antes que fosse tarde demais.
Com movimentos calculados, ela começou a deslizar para fora da cama, mas não foi rápida o suficiente, pois um braço quente e firme envolveu sua cintura, a puxando de volta.
"Para onde você pensa que está fugindo?", ele murmurou, com a cabeça apoiada nela.
O coração de Lena disparou. "Só vou ao banheiro..."
Dylan abriu os olhos devagar e, num gesto preguiçoso, ergueu a mão para segurar seu rosto, forçando-a a encará-lo.
Ela desviou o olhar e cobriu a boca com a palma da mão. "Ainda não escovei os dentes."
No brilho suave da noite anterior, sua semelhança com Alana era impressionante. Mas sob a luz do dia, suas características simples revelavam sutis distinções.
Dylan riu, acariciando seu cabelo desgrenhado antes de pousar um beijo leve na sua bochecha. "Então vá logo."
Com o rosto em chamas, Lena pegou o robe que havia usado na noite anterior e lançou um olhar furtivo para ele enquanto entrava no banheiro.
Quando ela saiu, Dylan já estava se trocando. Parado diante do espelho, ele estava na metade do processo de abotoar a camisa.
Então, ele a encarou. "Querida, me ajude com a gravata."
Lena engoliu em seco, mas se aproximou, e seus dedos deslizaram com precisão pelo tecido, ajustando-o com destreza — um reflexo da experiência adquirida nos anos em que trabalhou numa boutique masculina.
O olhar dele sobre ela era intenso e implacável, fazendo com que ela mantivesse os olhos baixos, mas ele segurou seu queixo com delicadeza e inclinou o rosto dela para cima, beijando-a.
Assim que terminou de ajustar a gravata, ela conseguiu se afastar, nervosa, e saiu apressada.
No porão, onde haviam combinado de se encontrar, Alana já esperava Lena.
Assim que Lena entrou, a outra, irritada, disparou: "Sua vagabunda! Você deveria ter saído antes do nascer do sol, mas decidiu se atrasar. Está tentando estragar tudo?"
Lena sustentou o olhar da irmã e balançou a cabeça. "Não é nada disso."
Alana soltou uma risada seca, os lábios se curvando num sorriso sarcástico. "Vamos deixar uma coisa bem clara: Dylan não vai se divorciar de mim, mesmo que descubra toda a verdade. Nosso casamento não é sobre amor, é sobre negócios. Então me poupe das suas ilusões. Seria sensato enterrar qualquer plano ridículo que você tenha em mente."
Ela se inclinou ligeiramente para frente, a voz ainda mais gélida quando acrescentou: "Afinal, a filha de uma amante jamais será aceita na alta sociedade."
O sangue de Lena gelou, seus olhos se estreitaram e, quando falou novamente, sua voz estava tão fria quanto a de Alana: "Alana, você pode me insultar o quanto quiser, mas deixe minha mãe fora disso."
Se Owen Evans, seu pai, não tivesse escondido sua verdadeira identidade e fingido ser solteiro, sua mãe jamais teria se envolvido com ele.
"Só estou dizendo a verdade", Alana zombou, um sorriso cínico curvando seus lábios.
Antes que Lena pudesse responder, Danna Sutton, a governanta da família Evans, interveio com um tom apreensivo: "Senhorita Evans, é melhor a senhorita ir antes que o senhor Harvey desconfie."
Alana lançou um olhar frio para Lena, como se estivesse diante de alguém que considerava inferior. "Lembre-se, enquanto obedecer, sua mãe e seu irmão permanecerão seguros. Mas, se decidir me desafiar, não serei tão gentil."
Com um movimento displicente, ela sacudiu os cabelos e subiu as escadas, deixando Lena para trás.
Observando-a partir em silêncio, Lena não pôde deixar de esconder o ódio que queimava nos seus olhos.
.......
Ao chegar ao andar superior, Alana encontrou Dylan já sentado à mesa de jantar, prestes a começar sua refeição.
O homem exalava imponência: alto, ombros largos e um físico esculpido pelo hábito disciplinado dos treinos. Seu rosto carregava traços marcantes e um charme natural que, sem esforço algum, atraía olhares por onde passava. Mas na noite anterior, foi Lena quem esteve na sua cama, uma ironia cruel para Alana.
Engolindo a irritação que lhe subia à garganta, Alana suavizou a expressão e se aproximou com um toque delicado no ombro dele. "Desculpe por te fazer esperar."
Um cheiro enjoativo preencheu o ar, fazendo Dylan torcer o nariz. "Que perfume é esse?"
O aroma sutil que a esposa usara mais cedo era infinitamente mais agradável do que essa fragrância exagerada.
Sem notar sua insatisfação, Alana sorriu brilhantemente. "É a mais nova edição limitada da Chanel. Não é maravilhosa?"
"Vá lavar isso", Dylan pediu sem rodeios.
Na noite anterior, ela parecia doce e irresistível, despertando os instintos protetores dele.
Agora, no entanto, tudo nela soava exagerado, como se tivesse atravessado a linha entre o encantador e o espalhafatoso.
Era quase impossível acreditar que se tratava da mesma pessoa.
"Bem...", Alana hesitou, surpresa com a franqueza dele.
Dylan lançou outro olhar na sua direção e, percebendo sua reação, suavizou o tom: "Esqueça. Te deixei exausta ontem à noite. Se gosta desse perfume, então tudo bem."
Alana arregalou os olhos, incapaz de disfarçar a descrença. Dylan, conhecido pela sua postura rígida e inabalável, acabara de ceder — algo que jamais fazia.
Mas não era por ela. Ele havia quebrado suas próprias regras por Lena, a mulher que estivera nos seus braços na noite passada.
Reprimindo o ciúme que latejava dentro de si, Alana forçou um sorriso e respondeu com doçura calculada: "Obrigada, querido."
O aborto espontâneo lhe custara tudo. Isso roubou a chance dela de se entregar a Dylan por completo e, no vazio que ficou, Lena surgiu, ocupando o espaço que antes poderia ter sido seu.
A lembrança de Dylan e Lena juntos, corpos mergulhados na água quente da fonte termal, invadiu sua mente como uma lâmina afiada, espalhando uma tempestade de inveja no seu peito.
Nesse momento, um único pensamento dominou Alana: ela precisava destruir Lena a qualquer custo.
Lena correu para casa assim que deixou o resort de águas termais.
Quando ela chegou, a cena era caótica: as ferramentas da barraca de comida estavam espalhadas e destruídas.
Seu irmão, Leroy Evans, não estava em lugar algum, e sua mãe, Kamila Jonson, estava sentada no chão, chorando.
"Mãe! O que aconteceu? Onde está Leroy?"
Lena se ajoelhou ao lado dela, o olhar percorrendo seu rosto pálido até parar na marca arroxeada que inchava sua bochecha.
Em meio aos soluços, Kamila disse: "A família Evans ainda está com ele. Eles me expulsaram e me avisaram para não falar com os Harveys. Avisaram que, se eu causasse qualquer problema... eles iriam..."
Sua voz fraquejou, os soluços engolindo as palavras. "Iriam prejudicar Leroy."
"Isso é um absurdo!"
Lena cerrou os punhos com força. A fúria tomou conta dela quando ela percebeu que eles estavam inteiramente à mercê da família Evans.
Kamila, ainda abalada, começou a recolher os pedaços da barraca destruída, mas suas mãos tremiam. "Leroy sempre é frágil... desde que era bebê. Se machucarem ele... pode não sobreviver."
Lena respirou fundo, engolindo o pânico e deixando que apenas a determinação tomasse conta. "Não se preocupe, mãe, eu o trarei de volta."
Lena ainda não entendia por que Alana não conseguia ter intimidade com Dylan, mas uma coisa era certa: a família Evans escondia algo.
Seu objetivo era claro — libertar Leroy das garras deles, ileso e de uma vez por todas.
Por anos, Juliet Evans, mãe de Alana, espalhou sua tirania sem pudor, reduzindo a família de Lena a uma luta diária pela sobrevivência, os levando a vender salgadinhos na rua. Lena estudou e se formou, mas cada tentativa de se firmar profissionalmente terminava da mesma forma: rejeição após rejeição.
A influência dos Evans se estendia muito além do que os olhos podiam ver, e eles nunca os deixariam em paz.
Se ela não fizesse algo agora, quando finalmente deixasse de ser útil para eles, sabia que seria esmagada sem qualquer remorso.
Depois de cuidar da mãe ferida, Lena decidiu não esperar mais. Ela saiu determinada rumo à casa dos Evans, onde Alana, despreocupada e alheia à miséria que causava, admirava uma nova coleção de bolsas e roupas na sala de estar.
Ao notar a chegada de Lena, ela ergueu o queixo e fingiu indiferença, deslizando os dedos pelos tecidos luxuosos como se nada mais importasse.
Lena respirou fundo, engolindo o nó de indignação na sua garganta. "Alana, eu imploro, por favor, pare de atormentar minha mãe."
Apesar de já terem concordado com a exigência, isso não impediu que sua mãe e seu irmão continuassem sendo humilhados e maltratados sem misericórdia.
"Atormentar?"
Alana soltou uma risada cortante, como se Lena tivesse acabado de contar a piada mais absurda do mundo. Lentamente, caminhou até ela e, num movimento brusco, agarrou seu pescoço com força.
"Lena, não se esqueça de uma coisa: sua família não significa nada para nós. Vidas insignificantes como as de vocês sequer valem o esforço de atormentar."
Apenas quando o rosto de Lena ficou vermelho, ela a soltou, pegando um lenço úmido da mesa para limpar os dedos, como se tivesse tocado em algo repulsivo. "Mas se você quer que a gente pare, há uma solução bem simples."
Sorrindo, ela pediu: "Traga um teclado de computador."
Uma empregada entrou apressada, trazendo um teclado de computador.
"Coloque no chão", Alana ordenou, um sorriso malicioso dançando nos seus lábios.
Lena sentiu o sangue se esvair do seu rosto.
Alana disse com desdém: "É simples, você só precisa se ajoelhar, dar um tapa no próprio rosto e gritar: 'Eu sou um lixo, e minha mãe também'. Faça isso, e talvez eu considere convencer minha família."
As mãos de Lena se fecharam em punhos, suas unhas se cravando na pele. Ela sabia que Alana se alimentava do poder que exercia sobre os outros, e que reagir impulsivamente só lhe daria mais satisfação.
Alana cruzou os braços, arqueando uma sobrancelha. "O que foi? Está difícil se ajoelhar? Quer que eu ajude?"
Lena abaixou o olhar e, disfarçando a fúria que lhe queimava por dentro, disse suavemente: "Se eu me ajoelhar, posso machucar meus joelhos. E se o senhor Harvey precisar da minha companhia hoje à noite, ele não vai gostar de ver isso..."
O nome de Dylan apagou instantaneamente o brilho de superioridade no rosto de Alana. Seu semblante se fechou numa sombra de ódio e, sem hesitar, ela desferiu um tapa forte contra o rosto de Lena.
"Tal mãe, tal filha! As duas só sabem se agarrar a homens!"
Com veneno transbordando da sua voz, ela acrescentou: "A noite passada não foi suficiente para você? Está esperando por mais hoje? Pois que pena... esta noite ele é meu! Agora se ajoelhe!"
Lena desviou o olhar e começou a se ajoelhar, reprimindo a humilhação.
Depois de uma semana submersa em banhos de leite, sua pele estava mais sensível do que nunca, e a dor aguda a fez prender a respiração.
Alana soltou uma risada cruel ao ver as teclas se cravando no joelho da outra. "Eu já te disse antes, não disse? Você não passa de um brinquedo aos meus pés. E, mesmo assim, pessoas como você insistem em achar que podem se conectar à minha família. Agora, comece a se estapear!"
Lena permanecia imóvel.
Vendo sua hesitação, Alana zombou: "O que é? Não consegue? Ah... talvez eu devesse fazer uma ligação para o centro de atendimento, quem sabe eles deem um pouco mais de atenção ao seu irmão."
Lágrimas quentes escorriam pelo rosto de Lena enquanto ela levantava a mão trêmula para estapear sua própria bochecha.
De repente, a voz da governanta ecoou do lado de fora: "Senhorita, os Harveys estão aqui."
A expressão presunçosa de Alana vacilou no mesmo instante.