Capítulo 2

Marina

Voltei para o meu maldito quarto, e fechei a porta, para a minha alegria, não temos empregados morando na casa, eles apenas vem pela manhã e vão embora a noite. Assim eu não preciso fingir o tempo inteiro que ainda sinto algo pelo meu quase ex-marido. 

Isso tudo é um inferno. E a pior parte, é o fato de eu estar na seca a quase um ano. Eu não aguento mais. Quando nos casamos, eu não era muito fã de sexo, minhas experiências com sexo não tinham sido nada boas, o fato era que eu não consigo me relacionar com alguém que eu não goste. 

Antes de Ricardo, eu tive dois namorados, um que não gostava de fazer sexo oral, o que me deixava chateada, quer dizer, que homem hétero não gosta de chupar buceta? E eu era virgem na época, eramos jovens e cheios de hormônios. E eu tinha tesão para dar e vender. Enquanto o cara era muito egoísta. 

O segundo namorado, era uma ótima pessoa, era legal, bonito, atraente, bom de língua, gentil, de boa família. Era o homem perfeito. O único problema, era que o bendito só tinha sete centímetros, o cara era perfeito, mas tinha um pênis tão pequeno, que não fazia nem cócegas.   

Então quando o meu pai me apresentou o Ricardo como um pretendente, as minhas expectativas eram baixas. Ele era um homem lindo, atraente, rico, de boa família, então estava tudo bem para mim, já que sexo era algo que eu não me importava tanto. Nós saímos por pouco tempo, e casamos cerca de um mês depois, eu não diria que foi um casamento arranjado, mas de fato foi um casamento por conveniência. Nossas famílias estavam felizes e nós não estávamos infelizes. 

E ai chegou a noite de núpcias, ele foi muito educado, nós conversamos, e eu contei a ele, que não gostava muito de sexo, ele ficou quase assustado, ele disse que era um absurdo: “Como uma mulher tão gostosa, nunca foi comida direito" Essas foram as suas palavras exatas. Então ele me pegou no colo e me jogou na cama, meu coração acelerou e minha respiração ficou curta, meu corpo nunca tinha reagido dessa forma ao toque de um homem. 

Quando ele tirou a camisa, foi como se eu tivesse vendo uma luz ao redor do seu corpo esculpido e um coro de anjos cantando “Aleluia”. Aquela foi a melhor noite da minha vida. 

Ricardo me fez gozar em todas as posições possíveis. Ele me chupou, me lambeu, me comeu, me fudeu, ele me tourou no meio. Eu nunca tinha chegado a ter um orgasmo antes dele. E daquele dia em diante, pelo menos durante os três primeiros anos do nosso casamento, ele estava empenhado a me fazer gozar, e eu amei cada segundo de tudo aquilo.

Mas como tudo que é bom, dura pouco. Aqui estou eu, uma mulher linda, rica, atraente, sim, eu sei que sou gostosa, que não consegue transar com ninguém além dele. 

São 23h e ainda a maldita ínsona me persegue. Eu odeio dormir sozinha, faz quase um ano que dormimos em quartos separados. Tudo isso começou porque ele começou a ir deitar muito tarde. Todas as noites era a mesma coisa, eu ia me deitar uma hora depois do jantar como já era de costume nosso. Nós conversávamos, contávamos sobre como estavam indo os dias, conversamos sobre tudo, sobre a casa, sobre a empresa, e até planejamos ter filhos. E para finalizar a noite com chave de ouro. A gente transava até estarmos exaustos. Com ele sempre foi questão de uma hora em diante, ele é insaciável. E eu era a pessoa mais feliz do universo.

Eu não sabia que um bom sexo faria tanta diferença na minha vida. Ricardo e eu nos comunicavam, nosso casamento era bom. Mas o tempo e a teimosia dele acabou com a gente. 

Finalmente tudo isso vai acabar e vamos seguir cada um para o seu lado. Apesar de tudo, estou aliviada. 

A noite continuava se arrastando, então decidi tentar uma coisa que me ajudasse a dormir. Levantei na ponta dos pés e tranquei a porta, voltei até a minha cama e na gaveta da mesa de cabeceira com todos os milhares de vibradores que eu tinha comprado para substituir a virilidade do meu marido, decidi experimentar um novo. 

Um vibrador e promete me fazer gozar em 5 minutos. Com ele eu resolvi testar um óleo lubrificante.

Me deitei na cama e lentamente tentei me colocar no clima. Acariciando o meu corpo, lembrando do meu marido,e de como tudo nele me dá tesão. 

Passei as mãos pelos meu seios, lembrando de como ele apertava e chupava eles com tanto afinco. 

Desci lentamente as mãos até chegar na linha da calcinha, apalpando lentamente a minha vulva,por cima da calcinha,me deixando cheia de tesão.

Lentamente retirei o meu short e a minha calcinha de algodão. Levei os meus dedos até a boca e umedeci. Trazendo eles de volta até a minha buceta. 

Massageie a minha vulva até começar a sentir um certo prazer, então peguei o óleo lubrificante e passei em toda a minha buceta até ficar completamente lambuzada. 

Peguei o vibrador liguei e comecei a passar pela vulva, focando principalmente no clítoris.

Meu corpo começou a responder aos estímulos, minha mente estava totalmente focada no prazer,enquanto eu acariciava meu corpo o vibrador fazia o papel dele.

Minha respiração ofegante, estava gostoso. Mas ainda não era o que eu procurava, então peguei um segundo vibrador, sem retirar o que estava concentrado no meu clitoris. 

Liguei o segundo vigrador e introduzi na minha buceta. Ele pulsava loucamente, então não precisava ficar tirando e colocando. 

Ele pulsava fazendo meus olhos reviraram. Eu estava suada, nua e completamente concentrada em gozar. 

Continuei, elevando ainda mais a intensidade e a velocidade. Até que quando estava quase lá….

Algo aconteceu, não sei exatamente o quê. Mas na hora de gozar, eu não gozei. Meu corpo reiniciou, e não era mais gostoso quanto eu achei que seria.

Capítulo 3

Marina

Acordei com o humor de um urso saindo da hibernação, mal-humorada, cansada e com um relógio biológico mais perdido que cego em tiroteio. A noite anterior foi mais um fracasso, e, para ser sincera, eu não aguentava mais essa rotina de vibradores sem graça e orgasmos que nunca chegavam.

Depois de arrastar meu corpo até a cozinha e tomar um café forte o suficiente para acordar um defunto, percebi que precisava fazer algo a respeito. Não dava mais para continuar fingindo que estava tudo bem quando, na verdade, eu estava mais tensa que corda de violão. Então, marquei uma consulta com minha ginecologista, na esperança de que, por algum milagre, ela pudesse me ajudar a resolver essa seca pior que o sertão nordestino.

No consultório, enquanto esperava minha vez, me senti como uma figurante em uma novela mexicana, aguardando o momento de revelar um segredo escandaloso. As revistas antigas empilhadas na mesa de centro não ajudavam a aliviar a ansiedade, então acabei me perdendo em pensamentos sobre Ricardo. Cada maldito detalhe dele voltava como um filme que eu não conseguia pausar: seu sorriso, suas mãos, e, principalmente, o jeito como ele me fazia gozar. Aquilo era tortura psicológica, eu juro.

Finalmente, a doutora me chamou.

— Como você está, Marina? — ela perguntou, com aquele sorriso profissional que não revela nada.

— Ah, doutora, tirando o fato de que meu clitóris virou um bicho preguiça, estou ótima — respondi, tentando não soar tão amarga.

Ela riu, mas no fundo acho que não entendeu a gravidade do problema. Fez aquelas perguntas de praxe, e eu respondi tudo no piloto automático. No final, saí do consultório com uma lista de exames para fazer, como se algum raio-x fosse capaz de revelar o problema real: um ex-marido que fez o favor de estragar todos os outros homens para mim.

Mas eu não estava pronta para desistir. Na verdade, estava pronta para beber. Só que, como uma boa moça da alta sociedade, não ia me afogar no álcool em qualquer boteco por aí. Assim que cheguei em casa, abri uma garrafa do melhor vinho que encontrei na adega. Nada como um bom vinho para acompanhar uma crise existencial.

Subi para o meu quarto, o santuário onde eu podia ficar longe dos olhos julgadores dos empregados, e me tranquei. Desabei na cama, com a taça de vinho em mãos, e comecei a beber, tentando encontrar consolo no líquido rubi que escorria pela minha garganta. Mas nem o vinho conseguia adormecer as memórias.

Entre um gole e outro, as lembranças começaram a me atormentar. Não que eu quisesse esquecer, mas lembrar era quase um castigo. O toque do Ricardo, firme e seguro, era capaz de me fazer derreter na hora. Seus beijos... ah, seus beijos! Eram quentes, urgentes, o tipo de beijo que te faz esquecer até o próprio nome. E ele sabia exatamente como me tocar, como se o meu corpo tivesse sido feito só para ele. Droga, por que tinha que ser tão bom?

Comecei a rir de mim mesma, aquele riso triste e irônico, porque o que mais eu poderia fazer? Meu corpo estava preso numa armadilha que eu mesma criei, e o pior de tudo é que só o Ricardo tinha a chave. Eu estava me corroendo de desejo, mas esse desejo era como uma fome que só ele podia saciar.

— Claro, Marina — pensei em voz alta, enquanto enchia mais uma taça —, você está aqui, lamentando o pau de ouro do seu ex-marido, enquanto ele provavelmente está transando por aí como se o mundo fosse acabar amanhã.

Já um pouco zonza do vinho, comecei a imaginar o que faria para ter o Ricardo novamente, pelo menos por uma noite. Qualquer coisa. Sério, eu seria capaz de lavar, passar, cozinhar e até fazer cafuné, só para ter uma última vez com ele. E é claro que, no meio dessas fantasias, meus pensamentos foram direto para o que ele fazia de melhor. Como ele me chupava, com aquela dedicação toda, como se fosse o trabalho mais importante do mundo. Deus, ele era tão bom nisso que eu começava a me questionar se ele não tinha um curso superior na arte de fazer uma mulher gozar.

Com mais um gole, e já sentindo o vinho subir à cabeça, percebi o quão ridículo tudo isso era. Eu, uma mulher independente, de família rica, desesperada porque não conseguia gozar sem um homem específico. Mas era a verdade, e não havia vinho suficiente para mudar isso.

Entre suspiros e risadas solitárias, comecei a chorar. As lágrimas vieram do nada, misturadas com o riso, como se meu corpo não soubesse como reagir à montanha-russa de emoções. Chorei porque sentia falta dele, chorei porque o odiava por ter sido o único capaz de me satisfazer, e chorei porque, apesar de tudo, ainda queria desesperadamente ter aquele maldito pau delicioso dentro de mim, só mais uma vez.

No fundo, eu sabia que isso era insano, mas quem disse que o amor – ou o sexo, nesse caso – segue qualquer lógica? Eu estava presa em um ciclo que só terminaria quando eu decidisse. Mas, por enquanto, preferi me afundar mais um pouco no vinho, nas memórias e na frustração. Afinal, quem nunca, né?

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