Uma semana depois Jade estava em uma cafeteria no centro, bebendo café e terminando um trabalho da faculdade quando Luis entrou, afoito, os cabelos bagunçados, sentando em frente a amiga.
- Eu reprovei na merda da matéria. - Taehyung disse, pegando o copo de Jade e dando um gole no café, logo fazendo cara feia. Não gostava de café. - Vou ter que refazer semestre que vem com a turma atrás de mim.
Jade riu - Pelo menos não vai precisar repetir o semestre.
Luis bufou, olhando o cardápio. - Não tem nada com álcool aqui? Preciso de álcool.
- São apenas 10 horas da manhã Luis. Pare com isso, uma matéria só não vai te fazer ser menos artista plástico.
- Sim eu sei. - Nicole dizia no telefone - Eu só vim até a cafeteria pegar um café. Já to saindo.. aaaaaah...
Alguém tinha trombado em Nicole, derramando todo seu café em sua roupa.
- Putz, me desculpe. - Luis dizia pegando guardanapos pra passar na blusa de Nicole.
- Tá tudo bem... - então ela levantou os olhos. Os mesmo olhos que deixaram Luís hipnotizados a uma semana atrás. - Cara, tá tudo bem, eu preciso ir. - disse saindo da cafeteria.
Jade, que antes segurava o riso, agora ria abertamente do amigo.
- Eu só faço merda. - Luís disse.
- Vamos embora - Jade disse juntando suas coisas e saindo da cafeteria.
Sentiu a brisa tocar seu rosto, assim como um arrepio involuntário e olhos felinos o fitando. Um homem estava em pé do lado de um carro, e seu olhar encontrou com o dele.
Caco.
Só podia ser ele.
A moça em que Luís derrubou o café chegou nele e o abraçou, mas Caco não tirava os olhos de Jade.
O olhar só foi cortado quando Nicole entrou no carro e Jade se virou, indo embora, e Eduardo acordou, entrando no carro também.
Só o que passava na cabeça de Jade era que Caco tinha alguém.
Então porque tinha flertado com ela tão descaradamente aquele dia? Porque a olhou daquele jeito hoje?
- Você ficou estranho do nada - Nicole disse dentro do carro.
- Eu vi uma pessoa. Eu queria ter falado com ela.
- E porque não falou?
- Não sei, na verdade não posso...
- Porque não?
- É cliente do clube.
- Ahnnn... por acaso é aquela menina que você ficou de conversa na minha apresentação ha uma semana atrás?
- Você percebeu isso?
Nicole riu - Vocês estavam quase se comendo com os olhos.
- Nicole...
- O que? Eu só falo a verdade.
- Ela disse que não ia mais voltar, achei que nunca mais a veria.
- Se ela nunca mais vai voltar significa que ela não é cliente do clube...
- O que você quer dizer com isso?
- Não é proibido - ela disse mexendo no celular.
Yoongi ficou em silêncio. Não sabia nada sobre a garota. Nem o nome verdadeiro dela. Sabia que estava ficando louco, só podia. Mas isso não fez ele desistir de ir à cafeteria todos os dias,no mesmo horário, na esperança de ve-la de novo.
Mas não foi lá que a viu. E sim num supermercado. Eduardo começou a rir do destino assim que cruzou o corredor de bebidas e avistou Jade concentrada olhando as prateleiras.
- Parece que está em dúvida. - Jade se assustou com a voz grossa ao seu ouvido. É por incrível que pareça ela reconheceu a voz. Se virou e olhou o rosto daquele que perseguia seus pensamentos há quase duas semanas - Olá Mochi. - Yoongi deu um meio sorriso.
- É Jade - ela se aproximou estendendo a mão.
- Eduardo - o mais velho apertou a mão oferecida. - Você parece perdida aí.
- Só um pouco. Vamos ter uma festa comemorando o fim do semestre e eu tenho que levar bebida. Eu sou adepta ao vinho, vodka e wiskey não sei escolher.
- Aqui - Eduardo se aproximou pegando uma garrafa de vodka e uma de wiskey - essa vodka é maravilhosa, e não é tao cara, você pode misturar com suco e o sabor fica delicioso. Já esse wiskey é um pouco salgado o preço, mas você não vai achar barato que preste. Se for tomar pela primeira vez coloque cubos de gelo junto ajuda a neutralizar o sabor mas não tira o requinte.
- Certo. - Jade disse pegando as garrafas das mãos de Eduardo. - Eu te chamaria pra ir como agradecimento, mas você tem um clube de sacanagens pra administrar.
Eduardo soltou uma risada alta, colocando a mão na barriga, fazendo Jade sorrir junto. - Você poderia aparecer por lá, em forma de agradecimento.
- Não é muito meu estilo.
- Como minha convidada. Eu insisto.
- Vou pensar no seu caso. - disse com um meio sorriso.
- Quando chegar a portaria, diga que quer falar com Eduardo, eles saberao pra onde te mandar.
- Ok.
- Nos encontramos no meu mundo, agora no seu, é a hora de voltar ao meu não acha?
Jade estava cada vez mais envolta na voz de Eduardo - Belo ponto.
- Vou te esperar então - disse dando uma piscada e saindo do corredor.
Jade sentiu um Arrepio involuntário a chacoalhar inteira até ela lembrar como funcionava suas pernas e ir até o caixa do supermercado pagar as bebidas.
Ja na festa, Jade estava sentada num canto, bebendo o tal do wiskey com gelo como foi aconselhada. E aquele olhar não saía de sua cabeça.
- Jade - Manuela se sentou ao seu lado no sofá. As duas brindaram os copos - nem parece que semestre que vem ja é o ultimo né?
- Passou muito rápido - Jade disse bebericando sua bebida.
- E como anda o projeto de defesa? Ainda vai fazer o trabalho sobre a denúncia daquele clube Sin?
Jade franziu as sobrancelhas - Claro que vou.
- E já conseguiu entrar lá dentro?
- Melhor que isso - Jade se ajeitou no sofá - conheci até o dono. Luis queria ir lá, aproveitei e dei sorte.
Manuela riu - Vadia sortuda, vai entrar pra história se conseguir denunciar aquele clube.
- Vou descobrir todos os segredos desse lugar, ou eu não me chamo Jade Vieira.
- Jade Vieira, o advogado que derrubou a Sin. Já vejo as notícias com seu nome.
Jade sorriu, bebendo seu wiskey. Não sabia quando decidiria voltar, mas agora que já tinha passe livre, iria aproveitar.
Ela ainda esperou mais uma semana se passar até decidir ir ao clube. Aproveitou que Luís voltou a Brasília nas férias para poder ir sem dar explicações.
Chegou em frente ao portão preto numa rua deserta e muito bem escondida de São Paulo, quando um segurança muito grande apareceu.
- Eu vim - pigarreou - Vim falar com Eduardo.
O homem a olhou de cima abaixo e murmurou algo apertando a orelha em uma língua que Jade não reconheceu. - Como você conseguiu esse nome? - o homem perguntou.
- Enquanto eu falava sobre o clube de sacanagens.
Ele murmurou algo outra vez e Roberto apareceu na porta. - Vamos. - Ele disse duramente. Passaram por um imenso corredor preto, diferente do da outra vez que tinha vindo, até pararem numa porta que foi aberta,revelando Eduardo encostado numa mesa, todo de preto, as tatuagens gritando em sua pele, e um leve sorriso no rosto.
- É bom te ver de novo... Cristal.
Jade sorriu e então a porta foi fechada, deixando os dois sozinhos.
- Você tá bem? - Eduardo disse observando Jade, que passava as mãos na calça, claramente nervosa.
- Estou, e voce?
- Surpreso. Achei que não viria. - disse se desencostando da mesa e se aproximando um passo.
- Eu também achei.
- E o que te fez mudar de ideia? - ele se aproximou mais, o corpo quase colado ao de Jade, que engoliu em seco.
- Eu te devia uma, costumo honrar minhas dívidas.
Eduardo sorriu, um sorriso doce que mostrava suas covinhas e Jade sentiu as pernas bambearem. Ela nao esperava sentir uma atração tão grande pelo dono do clube que tentava derrubar. Ela só queria fingir que estava caindo na sedução de Eduardo, mas não cair de fato. Ela tinha que se cuidar mais.
- Quer conhecer o clube?
- Não sei se quero ver o que você tem aqui...- Jade disse tentando parecer ser inocente.
- Essa outra porta pela qual veio é outra entrada, para um salão de jogos, podemos ir até lá e então jantarmos na minha sala.
- Salão de jogos? - ela disse com os olhos brilhando, isso tava melhor do que ela esperava.
- Sim, parece que essa parte te interessa hm?
Jade sorriu, levantando o celular minimamente do bolso, a camera que já gravava tudo para pegar o salão de jogos, e então seguiu Eduardo para dentro do espaço.
Seus olhos se arregalavam ao ver o tamanho e o luxo do lugar.
- Isso tudo é ilegal? - Jade perguntou observando o lugar cheio de magnatas, o barulho das conversas altas, das roletas girando.
- Essa parte não, o governo sabe da existência e sempre vem checar, minhas máquinas não são viciadas, está tudo nos conformes. Isso te alivia?
- Um pouco - ela disse sincera parando em frente a uma máquina.
- Quer jogar?
- Ah eu não vou apostar nada não...
Eduardo riu, tirando uma nota do bolso e colocando na máquina - É um convite. - disse enquanto levava Jade pelos ombros pra se sentar e frente.
- O que eu faço? - ela perguntou olhando para a máquina.
- Aqui - disse pegando a mão de Jade e levando até a alavanca do lado - Puxa - e ela puxou para baixo, ainda com a mão de Eduardo na sua, que começou a afagar levemente enquanto os números rolavam na tela.
Jade respirava pesado, e tinha certeza que era pela emoção do jogo do que pelo contato de Eduardo.
Logo a máquina apitou, dizendo que ele tinha ganhado 20 dólares, que caíram em moedas na abertura da máquina.
- Eu ganhei! - Jade disse sorrindo e Eduardo sorriu junto. - O que eu faço com isso? - Pegou as moedas que representavam a quantidade de dinheiro.
- Você pode jogar de novo em outros jogos ou trocar as moedas por dinheiro no caixa.
- Posso jogar de novo?
- Pode... Cristal. - Eduardo disse com a voz rouca.
Jade odiava esse apelido, mas na voz baixa de Eduardo parecia tão sensual, ela imaginava como seria ter ele gemendo seu nome num momento mais íntimo.... Ela chacoalhou a cabeça, tentando tirar as ideias da cabeça.
- Quero jogar.
- Só escolher qual.
Depois de Jade jogar em outras máquinas e se aventurar em umas mesas de cartas, eles foram até o caixa trocar o dinheiro que ela tinha ganhado.
- 20 dólares que viraram mil. Isso é mesmo viciante.
- Mudou sua ideia?
- Um pouco. É divertido.
- Que bom que se divertiu então, vamos jantar?
Jade concordou, seguindo Eduardo até uma porta escondida no salão, que dava até um longo corredor, chegando até um elevador.
- Esse lugar parece um labirinto...
- Essa é a intenção - ele disse enquanto se curvava em cima de Jade para apertar o botão.
Ela estava a flor da pele, cada toque do mais velho em si despertava algo dentro dela, tudo naquela noite estava saindo completamente diferente do que ela tinha planejado, desde os jogos, até a diversão que ela realmente estava tendo, e essa atração incontrolável por Eduardo.