Capa do Romance Seu filho secreto, minha fortuna roubada

Seu filho secreto, minha fortuna roubada

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Charlotte Knox descobre um segredo devastador no cofre de seu marido, Aiden Herrera, um magnata da tecnologia que sofre de transtorno explosivo. Ao encontrar documentos ocultos, ela percebe que a fortuna da família está destinada a Leo, uma criança de cinco anos, sob a tutela de sua cunhada, Haven. Após sete anos de um casamento marcado pela instabilidade mental de Aiden, Charlotte confirma a validade do plano sucessório e vê seu mundo desmoronar diante da traição.

Seu filho secreto, minha fortuna roubada Capítulo 1

Nunca imaginei que toparia com aquele documento.

Aiden estava fora e, enquanto eu vasculhava o cofre em busca dos brincos antigos da minha mãe — que ele sempre insistia em manter ali para "garantir a segurança" — meus dedos bateram em algo inesperado: uma pasta volumosa, estranha, que claramente não me pertencia.

A curiosidade falou mais alto e a puxei para fora. Ao ler a etiqueta "Fundo da Família Herrera", meu coração disparou e a abri sem pensar.

O texto jurídico era enrolado, cheio de cláusulas, mas os nomes estavam claros demais para se confundir.

Meu próprio nome, Charlotte Knox, estava lá, mas não onde deveria.

O verdadeiro beneficiário da fortuna gigantesca de Aiden era outro: um garotinho de cinco anos chamado Leo Herrera.

E, como se não bastasse, o tutor legal listado como beneficiário secundário era ninguém menos que Haven Herrera — a cunhada que tinha ajudado a me salvar.

Minha mente girava, recusando-se a acreditar.

Liguei trêmula para o advogado da família e pedi que confirmasse.

Uma hora depois, a resposta foi a lâmina final: era legítimo, blindado contra qualquer contestação, e estava valendo havia cinco anos.

O celular escorregou da minha mão, e um frio sufocante se espalhou pelo meu corpo.

Foram sete anos, sete anos em que me vi presa na tarefa de justificar a insanidade de Aiden.

Aiden Herrera — um prodígio da tecnologia, magnata que ergueu sozinho sua própria fortuna e, ao mesmo tempo, meu marido.

Mas também era um homem cuja mente se deteriorava pouco a pouco, corroída por uma doença.

Os médicos chamavam de Transtorno Explosivo Intermitente.

TEI.

Na prática, significava que, em questão de segundos, ele podia ser um homem encantador e brilhante e, logo depois, virar uma tempestade de pura violência.

Os acessos de raiva eram aterrorizantes.

Um livro fora de lugar, uma ligação que eu não atendesse rápido o bastante, até mesmo o olhar de outro homem demorado por um segundo a mais — qualquer detalhe podia ser o estopim.

Ele nunca ousava bater no meu rosto — era inteligente demais para isso.

Mas agarrava meus braços, os dedos afundando na pele

até deixarem marcas que eu escondia por dias debaixo de mangas compridas.

Também descarregava socos nas paredes, quebrava copos e janelas, e gritava com a voz tão alta que fazia a casa estremecer.

Uma vez, atirou um cinzeiro de cristal pesado.

Ele não mirou em mim, mas o cinzeiro passou a centímetros da minha cabeça e se espatifou contra a parede.

Um estilhaço me alcançou e abriu um corte no meu braço.

A cicatriz ainda estava aqui, fina e branca, como uma lembrança.

O que vinha depois seguia sempre o mesmo roteiro: a fúria se dissipava e, no lugar dela, surgia uma culpa brutal e corrosiva.

Ao ver o medo estampado nos meus olhos e o sangue escorrendo do meu braço, seu rosto se desmoronava.

Então ele golpeava de novo a parede, mas dessa vez para se punir, e machucava os próprios punhos.

"Eu sou um monstro, Lottie. Me desculpa, me desculpa."

Como se a minha dor não importasse, era eu quem cuidava dos ferimentos dele, absorvia o sofrimento dele como se fosse meu, e repetia para mim mesma que ele não era cruel mas apenas doente, que me amava, que tudo aquilo era só uma forma distorcida de amor.

Então aprendi a me moldar e virei o refúgio dele.

Eu mantinha o mundo em silêncio, organizado e previsível — filtrava ligações, controlava a agenda e lia os sinais sutis de seu humor como um marinheiro interpreta os ventos.

Deixei minha carreira, meus amigos, minha vida inteira, apenas para erguer um abrigo seguro para ele.

Mas a doença era como a maré — sempre subia. A paranoia aumentava, as crises vinham mais constantes, e a culpa depois delas se tornava ainda mais devastadora.

Ele começou a se ferir de verdade.

Uma noite, depois de uma briga violenta porque acreditava que eu tinha aceitado um convite para jantar de propósito, ele se trancou no banheiro.

Ouvi o som abafado, arrombei a porta e viu que ele tentava se enforcar com o próprio cinto.

Eu o segurei, chorando, enquanto ele se agarrava a mim como quem se afoga. Passamos a madrugada inteira no chão frio de azulejo.

Naquele momento, me lembrei da nossa infância.

Crescemos lado a lado, em casas vizinhas.

Ele sempre foi o garoto intenso e calado que cuidava de mim — enfrentava qualquer valentão que ousasse me encostar, e ficava horas sentado na minha varanda, só para ter certeza de que eu chegaria em casa em segurança.

Sua possessividade me sufocava, mas era a única forma de amor que eu conhecia dele.

Uma vez, Aiden perseguiu um garoto que me convidou para o baile, e a ameaça foi tão forte que o menino acabou mudando de escola.

Na época, eu fiquei assustada, mas também senti algo sombrio e estranho: a sensação de ser tão importante para alguém.

Ele faria qualquer coisa por mim e compraria qualquer coisa, contanto que eu nunca saísse da sua órbita.

A atenção de Aiden era como um sol — às vezes me aquecia, às vezes me queimava. Mas eu acreditava de verdade que, por trás da doença, seu amor era real. Esse era o alicerce de tudo que vivíamos.

A dor era imensa, mas a ideia de deixá-lo sozinho parecia ainda pior. Eu não conseguia abandoná-lo, e não conseguia desistir de nós.

Foi então que propus um pacto.

Dois anos atrás, depois da sua tentativa de suicídio, estabeleci regras — ele poderia ter seus acessos, mas longe de mim, e precisava fazer terapia.

E havia a regra mais importante, aquela que o fiz jurar pela própria vida: não importava a raiva ou a paranoia, ele nunca poderia se envolver com outra mulher. Infidelidade era a única linha que ele não poderia cruzar.

No começo, Aiden resistiu, gritou e implorou, tentando manipular.

Mas eu permaneci firme. E, por fim, ele cedeu.

Durante um tempo, tudo parecia dar certo e as explosões aconteciam quando eu não estava em casa. Ele frequentava o terapeuta, e cheguei a acreditar que havíamos encontrado um meio de sobreviver.

Pensei que, à sua maneira quebrada, seu amor por mim era absoluto. Acreditei que sua obsessão e sua possessividade eram provas de que jamais desejaria outra mulher.

Mas agora eu sabia. Ele tinha rompido a única promessa que sustentava nosso frágil mundo. Ele tinha um filho, com Haven...

Haven, a menina doce e frágil que ele havia insistido para a família adotar anos atrás.

Haven, quem doou um rim quando o meu falhou, salvando minha vida.

A ironia era um veneno descendo pela minha garganta.

O enjoo tomou conta de mim de repente. Cambaleei para fora do escritório, atravessando a mansão gelada e silenciosa sem sequer pensar.

Meus pés me levaram sozinhos até a ala leste, até o quarto de Haven.

Foi então que ouvi risadas, vindas do jardim de inverno.

Me aproximei em silêncio e, através das portas de vidro, eu os vi.

Era uma pequena festa de aniversário para Leo, e Aiden estava lá, com o menino no colo, balançando-o.

Haven estava ao seu lado, a cabeça encostada no seu ombro.

E junto deles, rindo e brincando com a criança, estavam os pais de Aiden — meus sogros.

Uma família perfeita...

Encostei o ouvido na porta, prendendo a respiração.

"Aiden, a transferência final dos bens da família Knox para o fundo do Leo foi concluída", disse o pai de Aiden, erguendo a taça. "Agora está tudo blindado."

"Ótimo", respondeu Aiden, calmo. "O dinheiro da família da Charlotte sempre deveria ter pertencido a um verdadeiro herdeiro Herrera."

Minha herança, o legado da minha família, estava entregue ao filho secreto dele.

O meu próprio dinheiro, usado para garantir o futuro da traição dele...

Todos eles sabiam e todos conspiraram.

Nesse instante, Leo, rindo, sujou a camisa branca impecável de Aiden de chocolate.

Eu estremeci, esperando a explosão. Esse tipo de bagunça inesperada sempre foi um gatilho.

Já o vi destruir cômodos inteiros por menos.

Mas Aiden não se alterou, não gritou, nem perdeu o controle, apenas rindo baixo, com suavidade.

Depois, pegou um guardanapo e limpou com ternura o chocolate da roupa e depois do rosto do filho.

"Você é um monstrinho bagunceiro, não é?", ele murmurou, beijando a cabeça de Leo.

A delicadeza do gesto me destruiu mais do que qualquer violência poderia. A fúria, a paranoia, a doença dele — tudo aquilo parecia reservado só para mim.

A mãe dele observava com os olhos cheios de orgulho. "Ele é seu filho por inteiro. Graças a Deus, Haven teve a sensatez de esconder isso de Charlotte até Leo crescer."

Aiden assentiu, fixando os olhos na criança. "O fundo está estabelecido. Ele é meu herdeiro agora, e nada, nem ninguém, pode mudar isso."

Ali, diante de mim, estava um homem completamente diferente — um estranho.

O homem que eu tentei salvar durante anos, aquele que pensei conhecer, simplesmente não existia — nunca existiu.

Me afastei da porta, e a cada passo senti o frio percorrer meu corpo como se fosse gelo.

Então corri até o quarto que dividi com ele por sete anos e, assim que entrei, tranquei a porta.

Segui direto para o banheiro da suíte e parei na frente do espelho. A mulher do reflexo não se parecia comigo — a pele dela estava pálida, e os olhos, ocos e sem vida.

Abri a torneira e comecei a esfregar as mãos, como se a água pudesse arrancar a sensação do toque dele, como se pudesse limpar a memória envenenada pelas mentiras.

Continuei esfregando até a pele arder e se tornar vermelha, quase em carne viva.

Tudo tinha chegado ao fim.

Ergui os olhos para o reflexo, encarando apenas a sombra da mulher que eu já tinha sido. Nesse instante, uma promessa tomou forma nos meus lábios — silenciosa, mas firme como ferro.

"Aiden Herrera", murmurei para o banheiro vazio. "Nunca mais vou olhar para você."

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