Capítulo 2

No ritmo da música, caminhei na direção da barra vertical, que estava colocada no centro do palco. O público não podia perceber que estava nervosa. Mantive um sorriso sexy estampado no rosto e assim que escutei a voz de 'The Weekend', levantei a cabeça e fiz contato visual com alguns dos homens presentes. Tenho que admitir que alguns deles eram agradáveis aos olhos humanos. Aqueles olhares luxuriosos que estava recebendo estavam me empurrando um pouco para fazer o meu trabalho da melhor maneira possível. Quando a música realmente começou, passei uma perna em volta da barra vertical e movi o meu corpo ao seu redor, desacelerando os movimentos, para que fossem mais sensuais. Sexual.

"Droga", ouvi alguém suspirar bem na minha frente. Me afastei da barra vertical e fiquei de quatro no palco. Fui me arrastando até o homem que estava sentado na primeira fila. Sorri para ele, quando o vi devorando com os olhos as minhas pernas e a minha bunda. Seus olhos eram de um azul bem claro e seu cabelo era loiro. Ele parecia um pouco com o Ken da Barbie. Bem, desculpe Barbie, mas estou prestes a fazer uma dança erótica para o seu homem. Lentamente saí do palco e fui até ele. Um sorriso malicioso surgiu no meu rosto quando o vi engolir em seco.

"Olá", sussurrei com um tom de voz sedutor, enquanto começava a mover meu corpo novamente no ritmo da música. Abaixei-me e abri as pernas dele. E então, me sentei no seu colo no meio das suas pernas, dando para ele um show que ele nunca mais iria esquecer. Quando me sentei no colo dele, pude sentir seu pênis crescendo debaixo do meu corpo. Tentei não fazer nada que indicasse que estava com nojo. Logo, felizmente, a minha música acabou e aproximei a minha boca do ouvido dele. "Espero vê-lo de novo", disse, mas é claro que isso é uma mentira. Isso é uma merda que toda stripper tinha que dizer para o homem que ela estava dançando, para incentivá-lo a voltar.

As luzes se apagaram e voltei para os bastidores sob os aplausos dos homens presentes. Dois seguranças me acompanharam até o camarim, porque algumas vezes, um maluco ou outro, nos seguia. Sim. Vocês não podem imaginar quantos loucos estão soltos por aí.

"Você arrasou!" Jerry gritou de empolgação. Sorri e balancei a cabeça. "Vamos para o seu camarim e lá conversamos", ele disse, enquanto olhava para os dois seguranças que estavam atrás de mim. Ele gesticulou para que eles fossem embora, enquanto nós seguimos juntos para o camarim. Assim que entrei, Rose levantou da cadeira e abriu um grande sorriso para mim.

"Fiquei com tesão só de observar você", ela disse, enquanto me abraçava.

"Se você tem pênis, você está demitida", Jerry brincou revirando os olhos para Rose. Na verdade, eu era boa para despertar o tesão nas pessoas. "Agora vá, é a sua vez", ele disse para Rose, a empurrando para fora do camarim. Rose olhou para ele, e foi saindo para fazer a sua apresentação.

"Estou cansada", disse, enquanto encostava a cabeça na parede.

"Então, vá para casa", Jerry disse, enquanto me entregava algum dinheiro. Quinhentos dólares. Agora você entende por que trabalho aqui?

"Vou esperar a Rose, para que possamos ir juntas", respondi. Ele acenou com a cabeça e bateu palmas de uma forma firme antes de mover as sobrancelhas.

"Vou ver Rose se apresentando", ele disse com um sorriso, antes de sair do camarim.

"Por que você não a convida para sair?" Ele piscou e abriu um sorriso malicioso no rosto.

"Talvez sim", ele respondeu, e enquanto isso me sentei em uma das cadeiras e olhei para a televisão que estava na minha frente. A televisão transmitia o que estava acontecendo no palco e assim podíamos ver a atuação das outras strippers. Escutei a música de Rose, assim que ela pisou no palco, brincando com o seu cabelo. Ela definitivamente sabia o que estava fazendo. A observava com admiração em todas as suas apresentações.

Depois de alguns minutos, Rose encerrou a apresentação e voltou para o camarim com Jerry caminhando atrás dela. Jerry não tinha outras strippers para cuidar? "Preciso da sua ajuda", disse Jerry. Não dei atenção quando ele falou, pois pensei que ele estava falando com Rose, mas então, percebi que Rose não respondeu, assim que, olhei para trás e encontrei os dois olhando para mim.

"O que foi que aconteceu?" Perguntei quando vi Rose olhando para mim com um largo sorriso no rosto, enquanto Jerry corria na minha direção e se colocava de joelhos na minha frente. "Vocês podem me explicar o que está acontecendo?" Perguntei, movendo o meu corpo para trás.

"Você não vai acreditar no que acabou de acontecer?" Rose disse, enquanto caminhava até nós e pegava Jerry pela orelha. Eles formariam um bonito casal.

"O que aconteceu?" Estava ficando muito curiosa. Cruzei os braços sobre o peito, enquanto olhava para Jerry, esperando uma resposta.

"Acabei de receber uma oferta", ele disse, enquanto esfregava a orelha que Rose tinha puxado.

"E?" Queria saber mais detalhes, obviamente.

"Uma lap dance particular", ele disse com um sorriso tímido.

"Não", respondi na mesma hora. Nunca fiz uma dança erótica privada e não está nos meus planos fazer isso. Rose bufou e olhou para mim com os olhos arregalados, como se não pudesse acreditar na minha resposta.

"O cliente vai pagar cinquenta mil dólares!" Ela exclamou, fazendo com que eu arregalasse os olhos, ao mesmo tempo que tentava não engasgar com a minha saliva. O que significa isso?

"Por quê? Que loucura é essa?" Não conseguia acreditar.

"Eu não sei! Eu só sei que é muito dinheiro", Rose respondeu. "Ele disse que queria Vixen! Caso contrário, sem dúvidas, dançaria para aquele homem", ela disse, enquanto se sentava. "Aceite, Athena!" Afinal de contas, era muito dinheiro para apenas uma dança.

Definitivamente era uma oferta muito tentadora.

"E se ele for um idiota?" Perguntei, enquanto brincava com os meus dedos. Sempre faço isso quando estou nervosa. Jerry sorriu para mim e caminhou até a porta. Ele fez sinal para alguém entrar. Meus olhos se arregalaram quando vi o cara loiro, para quem eu tinha dançado, bem na porta do camarim. Coloquei as mãos no rosto para ter certeza de que ainda estava com a máscara. Era tão delicada que nem mesmo notei quando estava com ela, por isso tinha a preocupação de conferir se estava ou não.

"Olá", ele cumprimentou e sorriu timidamente, quando percebeu o quanto eu estava surpresa.

"Por que você pagaria tanto dinheiro por uma dança particular quando acabei de dançar para você?" Perguntei diretamente, não estava com humor para joguinhos.

"Direta você", ele murmurou para si mesmo. Jerry e Rose concordaram com a cabeça para a conclusão dele sobre mim. Revirei os olhos, mas não disse nada.

"Vou precisar que você faça algo", ele disse, enquanto coçava a nuca. Ele parecia um pouco nervoso. Sabia que isso era ruim. Muito ruim.

"Isso não está soando bem." Eu disse, enquanto me sentava na minha cadeira, esperando que ele explicasse o que ele realmente queria e sua motivação.

"Não é tão ruim", ele tentou me tranquilizar. Mas, sejamos sinceros, posso confiar neste estranho?

"Fale agora", exigi, o que o fez rir um pouco.

"Bem, você terá que fazer o que faz de melhor", ele disse, ainda mantendo o sorriso no rosto.

"Comer?" Perguntei levantando a sobrancelha. Ele olhou confuso para mim.

"Dançar", ele respondeu e se sentou de frente para mim.

"Já dancei para você hoje", disse com um tom de voz que dava para perceber que estava irritada.

"Não será para mim", ele disse e eu mordi os lábios, esperando que ele continuasse falando o que realmente queria. "Meu irmão acabou de quebrar", ele esclareceu e eu zombei, como resposta.

"E ele está muito deprimido e tenho que o animar?" Completei a história, tinha certeza de que tinha adivinhado, mas ele balançou a cabeça.

"Na verdade, não. Ele está sendo um idiota frio e arrogante", ele disse, como se estivesse falando para ele mesmo. "Preciso que você tire alguma emoção dele", foi sua explicação para mim. "Qualquer tipo de emoção, exceto a raiva", ele completou. Percebi, pela maneira como ele falou, que a situação que o seu irmão se encontrava, o estava realmente incomodando.

"Por que eu?" Perguntei curiosa.

"Você tem algo especial", ele respondeu me fazendo sorrir. "Eu vi isso", ele acrescentou com um sorriso malicioso no rosto. "Eu não acho que qualquer outra stripper seja capaz de arrancar algum tipo de reação dele."

"Reação, neste caso, você quer dizer tesão, certo?" Perguntei para ficar claro.

"Você é muito franca", ele observou e assenti com a cabeça. Por que deveria discordar da verdade?

"Então, eu deveria dançar para o seu irmão idiota, arrogante e frio?" Perguntei e ele assentiu com a cabeça. "E ele está aqui?" Questionei e ele assentiu com a cabeça novamente.

"Você poderia, por favor, fazer isso?" Ele perguntou, na verdade, praticamente implorou. Suspirei e acenei com a cabeça.

"Tudo bem, posso fazer isso", dei um suspiro. "Mas você deve ser muito estúpido para gastar tanto dinheiro com algo que você nem sabe se vai funcionar", comentei.

"Não, eu não sou. Eu simplesmente sou muito rico", ele respondeu com um tom de arrogância na voz. "E tenho certeza de que vai valer a pena", ele acrescentou, enquanto se levantava. Eu fiz o mesmo e depois olhei para o espelho. Arrumei a máscara e o meu cabelo antes de olhar para ele novamente.

"Onde ele está?" Perguntei.

"Na sala privada", Jerry respondeu, enquanto todos nós saíamos do camarim.

"Se ele está tão irritado e sentindo péssimo, então como ele concordou em vir aqui com você?" Perguntei enquanto caminhávamos.

"Eu meio que o chantageei", ele respondeu. Chantagem? Quem é você? Por acaso você tem dez anos de idade? Guardei essas perguntas para mim, mas, mesmo assim, revirei os olhos.

"Como?" Disse somente para iniciar uma conversa, enquanto Jerry nos conduzia até a sala que o seu irmão estava.

"Disse para ele que contaria para minha mãe", ele respondeu. Eu o encarei por alguns segundos, esperando que ele dissesse que era uma piada. Porém, ele apenas sorriu. Sim. Ele tinha dez anos de idade.

"Qual o seu nome?" Perguntei e quando olhei para trás, vi Rose, que nos acompanhava.

"Dean", ele respondeu. "O seu?"

"Vixen", respondi, não estava nos planos relevar o meu nome verdadeiro para ele.

"O seu nome artístico já sabia", ele comentou, quando tínhamos acabado de chegar no setor privado do clube.

"E esse é o único nome que você vai saber", respondi com um sorriso, enquanto me virava para olhar para Jerry. "Quero que as câmeras da sala sejam desligadas", disse.

"E quanto à sua segurança?" Ele questionou. Sabia que na sala haviam câmeras de segurança. Elas eram colocadas para garantir a segurança das strippers durante uma apresentação privada.

"Você pode desligá-las. Meu irmão não vai tocar nela", Dean disse, enquanto seus olhos percorriam a expressão no rosto de Jerry. Parecia que ele o estava julgando. Jerry acenou com a cabeça e foi embora.

"Espero você no camarim", Rose disse, enquanto corria para alcançar Jerry, que tinha se afastado do grupo.

"Me deseje boa sorte", sussurrei para Dean, enquanto olhava para a porta. Odiava ter que fingir. Agora imagine como estava nervosa tendo que me apresentar novamente. Duas vezes na mesma noite.

"Boa sorte", Dean respondeu. "Vou sair daqui agora", ele riu, percebendo que eu estava nervosa. "Você não vai encontrar nenhum monstro dentro da sala", ele brincou. "Calma", dizendo isso, ele se afastou com as mãos no bolso. Fiquei olhando para a porta, ajeitando o short e o sutiã, em seguida, coloquei a mão na maçaneta da porta.

Vamos fazer isso!

Capítulo 3

Girando a maçaneta da porta, eu respirei fundo antes de estampar meu sorriso sedutor de sempre no rosto. Entrei e fechei a porta atrás de mim. Eu então levantei minha cabeça para encarar o homem que eu deveria entreter. Eu congelei.

Caramba!

O homem sentado na minha frente era muito atraente. Ele estava usando um terno preto. Seus cabelos negros bagunçados o faziam parecer um garoto mau, mas seus olhos cinzas tinham algo reconfortante neles. Ele estava olhando para mim sem demonstrar qualquer emoção. Eu tinha certeza que, se passasse meus dedos em seu maxilar, provavelmente me cortaria com o quão afiado era. Meus olhos percorreram o corpo dele. Eu pude notar tatuagens em suas mãos, que eram encobertas pelas mangas de seu terno.

"Você já acabou de me encarar dos pés à cabeça?" Ele perguntou, parecendo estar entediado. Pisquei várias vezes e depois me concentrei no rosto dele. Ele estava com os braços cruzados sobre o peito.

"Na verdade, não", eu respondi com sinceridade e andei em direção a ele. Eu podia ouvir a música suave tocando ao fundo.

"Vamos acabar logo com isso," ele falou, como se aquilo fosse uma tortura para ele. Eu estava parada em frente a ele, me sentindo inesperadamente intimidada por este homem. Ele era a própria definição da palavra atraente.

"Qualquer outro homem pularia de felicidade com a ideia de ter uma mulher dançando seminua para ele," eu observei, fazendo com que ele levantasse a cabeça para olhar para mim. Não. Ele não estava olhando para mim. Ele estava me encarando intensamente.

"Eu não vou pular de felicidade com a ideia de uma prostituta dançar em cima de mim", ele disse com um brilho maldoso no olhar. Ele estava tentando me ofender. Eu sabia disso. O ódio que eu sentia por este homem começou a crescer dentro de mim. Dei de ombros e continuei com a minha coreografia. Eu estava tentando parecer sedutora, mas aquilo era realmente complicado quando o homem parado a sua frente não ofereceu qualquer reação.

"Nem todos têm dinheiro como você", eu sussurrei, me inclinando bem perto de seu ouvido. "Eu odeio esse trabalho tanto quanto odeio você", afirmei ao me sentar em seu colo e continuar a dançar. Ele pareceu surpreso com aquelas palavras.

"Então por que continua fazendo isso?" Ele questionou, gesticulando em direção ao meu corpo sobre o dele. Levantei e abri suas pernas, antes de me posicionar entre elas.

"Eu fui paga para fazer isso." Eu fui até o chão e me levantei novamente devagar, empinando a bunda. Como se ela já não estivesse à mostra.

"É óbvio que você faria qualquer coisa por dinheiro", ele zombou, dando uma risada sem humor. Parei de dançar e o encarei.

"É claro que eu faria qualquer coisa se não tivesse opção", eu me defendi. Ele riu com escárnio, ligeiramente me afastando de cima dele. Que babaca.

"Então talvez você devesse começar a vender esse seu corpo", ele cuspiu. "Porque, obviamente, você não é boa o suficiente", ele acrescentou, apontando para a sua calça. Eu já estava de saco cheio deste idiota arrogante. Eu devo admitir: aquela última parte feriu um pouco o meu ego.

"Ou talvez você seja o problema", eu retruquei, puxando o elástico de cabelo que estava no meu pulso e prendendo meu cabelo em um rabo de cavalo. Eu estava me controlando para não dar um tapa neste rosto atraente. "Quem sabe você deveria ir a um clube de strip masculino? Talvez você se sinta mais à vontade lá." Eu o provoquei antes de me virar para ir embora. Porém, quando eu estava prestes a girar a maçaneta da porta, fui puxada para trás pelo braço. Eu me virei para encará-lo e cerrei os dentes.

"Você está insinuando que eu sou gay?" Ele perguntou, seus dentes também cerrados. Revirei os olhos e decidi não responder. Quando eu estava prestes a fazer um movimento para novamente tentar sair do local, ele me puxou em sua direção e me empurrou contra a porta. Eu podia sentir a sua respiração em meu rosto. Tentei não estremecer. Não de desgosto, mas de prazer. Não me pergunte por que ele estava fazendo eu me sentir daquele jeito. Este babaca atraente e arrogante tinha um certo efeito sobre mim.

"Saia", eu exigi de olhos fechados, não querendo deixar claro o quanto ele estava me deixando excitada. Ele segurou meu queixo e me forçou a olhar para ele.

"Abra os olhos", ele exigiu. Eu os abri e dei de cara com seus olhos cinzentos determinados. "Eu não sou gay, querida", ele disse devagar, sua voz ficando mais rouca enquanto falava.

"Eu preciso ir embora", eu gaguejei, tentando me libertar dele. Ele prendeu minhas mãos acima da cabeça e me deu um sorriso malicioso. Não. Aquilo não era um sorriso brincalhão, e sim um sorriso perigoso. De repente, ele enfiou o rosto no meu cangote e respirou fundo. Eu estremeci, sentindo minha pele se arrepiar.

"Por que essa máscara?" Ele perguntou. Fiquei quieta enquanto ele movia sua mão até o meu cabelo. Ele desmanchou o rabo de cavalo e deixou o elástico de cabelo cair no chão.

"Por que você está me tocando? Eu sou apenas uma prostituta, não sou?" Eu perguntei enquanto olhava no fundo de seus olhos. Ele me encarou e não me respondeu. Ele não tinha acabado de me chamar de prostituta? Ele voltou a enterrar o rosto em meu pescoço e soprou levemente meu rosto. Aquilo foi bom. Bom demais. Quando seus lábios fizeram contato com a minha pele, eu mordi meus lábios para segurar um gemido. Eu pude sentir suas mãos soltando os meus pulsos. Minhas mãos pousaram em seus ombros. Meus olhos estavam fechados enquanto eu tentava me concentrar na forma como ele estava me fazendo sentir. O que diabos ele estava fazendo comigo?

Senti uma onda de prazer percorrer meu corpo quando ele abriu a boca e deu um chupão na minha pele. O gemido que eu estava tentando segurar acabou escapando. Assim que ele me ouviu gemer, ele grunhiu e se afastou. Eu pensei que ele estava se afastando de mim, mas em vez disso, eu senti seus lábios nos meus. Ele colocou as mãos em volta da minha cintura e me carregou. Minhas pernas o envolveram e uma de suas mãos segurou meu pescoço, enquanto a outra apoiava meu peso. Minhas mãos estavam ao redor de seu pescoço, querendo mais dele. Ele gentilmente beliscou minha pele, me fazendo ofegar. Ele se aproveitou daquilo e deslizou a língua em minha boca. Eu podia sentir o calor entre as minhas pernas. Ele grunhiu quando eu mordi seus lábios, o que me fez sorrir enquanto o beijava. Eu podia sentir algo me cutucando próximo às minhas pernas e, ao perceber do que se tratava, um sorriso malicioso apareceu no meu rosto. Eu me afastei dele e desci de volta ao chão.

"Eu não sou gay", ele afirmou. Ah, então ele estava querendo provar isso para mim? Eu sorri e apontei para a sua calça.

"Não, você não é", eu concordei. "Parece que eu fiz meu trabalho direitinho", eu disse, notando o volume em sua calça. Com isso, eu peguei meu elástico de cabelo e rapidamente saí do local. Fechei a porta e me encostei na parede.

Que diabos tinha acabado de acontecer?

Minhas mãos logo foram até meus lábios, percebendo o quanto estavam inchados. Droga. Tinha sido um beijo incrível. Aquele homem era insuportável, irritante e impossível de entender. Mesmo assim, algo nele havia me intrigado. Voltei para o camarim tentando tirar aquele beijo de minha mente. Assim que entrei, notei Jerry, Dean e Rose sentados no sofá. Dean levantou-se rapidamente ao me ver entrar.

"E então?" Ele perguntou, me encarando cheio de expectativa. Eu abri um sorriso para ele e dei de ombros. "Ele reagiu?" Ele perguntou, me fazendo revirar os olhos. "Continue revirando os olhos, talvez você encontre um cérebro aí atrás," ele murmurou, me fazendo engasgar. Eu dei um tapa em seu braço de brincadeira, o que lhe fez rir.

"Por que os seus lábios estão inchados?" Rose perguntou e Dean se sobressaltou na mesma hora

"Puta merda! Ele beijou você?" Ele perguntou sem conseguir acreditar. Eu concordei com a cabeça. "O quê?! Como? Por quê?!" Ele fez uma pergunta atrás da outra, o choque estampado em seu rosto.

"Ele me beijou apenas para me provar que ele não era gay", eu expliquei para eles, ao me sentar ao lado de Rose, que ainda estava encarando meus lábios.

"Quê?" Dean perguntou confuso.

"Talvez eu tenha chamado ele de gay?" Eu disse com um sorrisinho tímido. Os olhos de Dean se arregalaram e logo depois ele começou a gargalhar.

"Eu queria estar lá para ver!" Ele disse, com a mão na barriga. "Ele não foi rude?" Ele então perguntou enquanto enxugava as lágrimas. O que havia de tão engraçado naquilo?

"Ele é um completo babaca", eu fui sincera. Ele concordou com a cabeça e deu de ombros. "Ele me chamou de prostituta e disse que eu não era boa o suficiente", eu continuei.

"Ele ficou de pau duro?" Rose perguntou do meu lado. Eu acenei positivamente com a cabeça, e havia um sorriso orgulhoso em meu rosto enquanto eu pegava a minha mochila.

"Eu sabia que eu estava certo sobre você", Dean declarou com orgulho. Eu ri e gesticulei para que ele e Jerry saíssem do local.

"Eu preciso me trocar", eu informei. Dean acenou com a cabeça enquanto Jerry apenas foi embora.

"Você pode me dar o seu número? Caso eu precise dos seus serviços novamente?" Dean perguntou, fazendo com que eu encarasse seu rosto de boneco Ken. Eu tinha acabado de perceber que Dean e seu irmão eram realmente o oposto um do outro.

"Não vou te dar o meu número. Essa foi a primeira e última dança privada que dei", eu lhe informei, cruzando meus braços contra o peito. "Sendo assim, você já pode ir embora", eu disse. Dean seria um amigo incrível de se conviver no dia a dia, mas eu não podia arriscar dizer a ele meu nome verdadeiro.

"Ah, por favor", ele choramingou. "Você é muito engraçada e eu gostaria de te encontrar fora daqui! Só como amigos!" Ele disse, me olhando com sinceridade. "A Rose já me deu o número dela", ele acrescentou, apontando para ela.

"Bem, eu moro com ela. Então se você precisar de mim, ligue para ela", eu disse. Eu não precisava de ninguém me seguindo ou dando conta da minha vida. Acho que minha vida já era complicada o suficiente sem isso.

"Eu juro, apenas como amigos. Eu já sou comprometido", ele me informou com orgulho. Meus olhos se arregalaram e eu o encarei.

"Então o que você está fazendo aqui?" Eu perguntei em descrença.

"Eu vou me casar em duas semanas. Meus amigos me trouxeram aqui para a minha despedida de solteiro", ele contou, revirando os olhos. Eu balancei a cabeça, entendendo a situação, mas ainda assim me recusei a dar a ele meu número. Quero dizer, será que a noiva dele não iria se sentir mal ao ver o número de strippers no telefone dele?

"Agora saia", eu praticamente implorei, "Eu estou cansada e só quero me trocar e voltar para casa", disse. Dean suspirou e acenou com a cabeça enquanto fechava a porta.

"Ele é muito engraçado", Rose apontou enquanto eu comecei trocar de roupa, colocando as minhas leggings e meu moletom.

"Sim, ele é mesmo", eu concordei. "Ele parecia ser muito imaturo para um cara que vai se casar..." Eu dei uma risadinha. Rose riu e concordou com a cabeça.

"Falando em casamento... Você vai ao casamento da sua irmã?" Rose perguntou. O ambiente ficou completamente silencioso enquanto eu refletia sobre aquilo.

"Eu amo a minha irmã, mas sinceramente não quero ver meus pais." Eu lhe disse, enquanto guardava minhas coisas na bolsa. Peguei as chaves do carro e Rose se levantou do sofá e me seguiu para fora da boate, pela porta dos fundos para que ninguém pudesse me reconhecer quando eu tirasse a máscara.

"Alena vai ficar magoada se você não for", Rose comentou.

"Eu sei disso. É por isso que ainda estou pensando no que vou fazer." Eu murmurei enquanto chegávamos ao meu carro.

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