– Minha querida, eu vou subir. Por favor Senhor Gloomy... não faça nada a ela, essa menina é especial, é um anjo. não a machuque.
Senhora Ravello diz preocupada, mas confiante em Gloomy.
Felizmente Olivia não mora sozinha, desde que seu irmão foi preso ela está com Adelaide, alugou o pequeno espaço do comércio e pôde ficar em segurança, assim deixando seu irmão tranquilo enquanto está na cadeia.
– Não se preocupe Adelaide.
Responde Gloomy. Olivia os olha sem entender nada, enquanto Adelaide sobe os degraus da escada de caracol.
– Então... quem é você?
Ela o pergunta se afastando depois de se levantar com a caixa de primeiros socorros em mãos.
Por sua vez Gloomy que fica surpreso ao ver que ela realmente não sabe quem ele é, levantando o cenho incrédulo diante dela.
– Gloomy... Meu nome é Gloomy.
Ele diz a ela ao se sentar encostando na parede ainda sem camisa, depois de pegar um cigarro no bolso de sua calça.
Não pensando duas vezes Olivia toma de seus lábios... deixando-o nervoso por sua audácia. Mas invés de confronta-la ele sorri diabolicamente... mostrando seus lábios cortados.
– Não fume aqui dentro, faz mal pra você e para meu estabelecimento.
– Ah, se não fosse por Adelaide.
Gloomy resmunga levantando a cabeça dramaticamente ao brandar sua gargalhada pelo lugar.
– Olha aqui, seja você quem for, eu não tenho medo de você. Então me respeite se quiser o mesmo.
Olivia arruma suas coisas, guardando os alimentos frescos corretamente, por sorte era apenas uma bandeja que havia feito. Ela já estava quase no horário de fechar mesmo, de qualquer maneira não trabalhará mais hoje.
– Você quer que eu chame a polícia? – Ela o pergunta.
– Você é Hilária, deveria ser comediante.
– Eu vou fingir que não ouvi. – Ela responde.
Mas de repente Gloomy se levanta e a pega com agilidade cobrindo sua boca para que não grite, no momento certo em que duas pessoas param no lado de fora protestando entrar.
– Xii... – Sussurra para ela para que possa entender.
Em silêncio esperando o perigo passar, os dois notam-se que estão tão próximos quanto uma vela a queimar pela chama. Olivia cessa sua respiração como se ele pudesse a ouvir, enquanto o coração dos dois se agitam.
Sentindo o calor do hálito de Gloomy em sua pele, Olivia se arrepia.
O contato tão repentino a pegou de surpresa, ele a segura por trás tão perto que sente seu cheiro de shampoo de melancia quando seu nariz roça os cabelos dela, enviando uma sensação que não a sentiu antes por nenhuma mulher... deixando-o viajar em sua pele macia.
Entretanto, ele é despertado por seu celular que vibra em seu bolso, com a mensagem de seus capangas dizendo que estão no lado de fora, Olivia continua parada esperando que ele a solte com as mãos ainda em sua boca, sentindo o calor do momento.
Ao vira-la, Gloomy faz algo inesperado.
Pegando seu queixo após destampar sua boca carnuda e rosa.
– Já que não vamos nós ver mais, obrigado por salvar minha vida.
Ele segura seu pescoço em uma leve pressionada trazendo seu rosto de encontro ao dela... dando-lhe um beijo digno de um Adeus, Olivia não reclama, pois sentiu o mesmo por ele.
E na cabeça dela, é apenas um beijo.
Gloomy à solta com resiliência, não entendendo o que se passa com seus sentimentos. logo ele, O impiedoso Senhor Gloomy.
Depois de conseguir manter uma distância, eles descolam seus lábios um do outro sorrindo, Gloomy cambaleia ao andar, mas partindo mesmo assim. Deixando um vazio que nunca sentiu em seu peito.
No dia seguinte...
Olivia levantou-se cedo para visitar seu irmão Felipe na cadeia. Quando chega na sala de visitas, espera por ele, no meio das outras pessoas... batendo os dedos na mesa ansiosa para vê-lo e saber se está bem.
– Eu já te disse pra não vir nesse lugar Olivia.
Ele resmunga quando senta à sua frente, com uma carranca no rosto por vê-la lá.
– Se você não estivesse preso eu não teria que vir aqui pra começo de conversa Lipe.
Pegando as mãos de seu irmão ela suspira preocupada quando nota o rosto dele ferido.
– Não é possível... o que é isso? Tem somente uma semana que você está aqui e já se meteu em briga?
– Não viaja Olivia, eu não fiz nada, eles que me atacaram.
– "Eles"? Eu te conheço, pode parar. Seja sincero comigo pelo menos uma vez Felipe. Não procure por briga aqui.
Exclama Olivia brava com seu irmão por ver que ele já está metido em confusão outra vez. Felipe sempre foi assim desde pequeno... uma criança briguenta e desafiadora, na adolescência começaram os crimes pesados, mas nada que o fizesse vir parar aqui onde está, que por sinal... Olivia não sabe o motivo até hoje da sua prisão... que quanto a isso ele é bem reservado. Ela teme que ele piore ao tentar falar sobre, e por isso decide não tocar no assunto pra não o irritar.
Da última vez que brigaram ela não o viu por um bom tempo, ele tem a tendência de agir assim diante do peso das consequências, fugir sempre foi sua saída, como se seus problemas desaparecem também.
– E o que você quer que eu faça? Continuar aceitando as ameaças dos caras lá dentro? Se você realmente me conhece, sabe que isso é uma coisa improvável de acontecer. caia na real Olivia, eu não duro nem um mês aqui.
Felipe olha para o lado com o olhar perdido. transmitindo medo na sua voz em seguida ao falar quase sussurrando.
– Olivia, você sabe que eu te amo, mas não quero vê-la aqui novamente.
Da próxima vez... você pode nem me encontrar vivo. Eu não quero que veja isso, então por favor, não venha mais.
Ele se levanta da cadeira deixando o lugar onde estava... sem olhar para trás, sem olhar para sua irmã, que chora em seguida entristecida.
Olivia se levanta limpando suas bochechas enquanto caminha pelo corredor vasto da prisão... seu coração está em um turbilhão de emoções, ela está tão aflita que acaba se perdendo.
– Droga! Onde estou?
Ela para ao notar que se desviou do caminho de onde veio, diferente dos outros lugares da cadeia... esse lhe causa calafrios pela pouca luz que entra no cômodo, parecendo uma espécie de porão.
– Aqui é uma prisão, não deve ser difícil encontrar um guarda.
Falando pra si mesma ela procura por vozes..., mas nada. Tendo que andar mais e mais para achar alguma coisa.
De repente Olivia ouve alguém falando atrás de uma porta, e agindo por nervosismo ela a abre não gostando do que vê em seguida. Dois homens encapuzados batem no rosto de um outro, exigindo respostas.
– Diga... Onde Gloomy esconde as mercadorias repassadas pela alfândega?
Um dos caras soca seu estômago o fazendo cuspir sangue pela força do golpe.
– Vocês não vão conseguir isso de mim, eu deveria ter contado para Máxsuel quem era o traidor quando tive a chance... que ironia, logo você... A-
Quando o homem está prestes a dizer quem é, o encapuzado o mata com uma arma de fogo, usando um silenciador... revelando seu rosto ao tirar o capuz em seguida... que por medo, Olivia não o olha, se virando para trás.
Entretanto ao se virar ela acaba batendo a porta forte demais ao sair... tendo que correr o mais rápido que pode pelo barulho que fez.
– Vá atrás dela, não a deixe viva! Ela me viu!
O homem alto grita para que o outro corra atrás dela imediatamente, cerrando os punhos ao lado do seu corpo. Olivia faz o que pode para desviar do perigo incessante, mas acaba ficando presa em beco sem saída.
"Como uma prisão tão vigiada pode acontecer tantas coisas por baixo do nariz dos guardas?" Ela se pergunta em pensamentos procurando um lugar para se esconder.
Vendo uma pequena brecha no canto escuro da parede Olivia vai até lá, se escondendo e torcendo para que o seu perseguidor não a ache, ela sabe que ele a seguiu e que sua vida corre perigo.
Depois de alguns minutos ali, Olivia sai do esconderijo achando estar em fim segura, quando se surpreende.
– O que?
– Te peguei princesa.
Agarrada pelo braço ela se debate ao aperto do homem, lutando com toda a sua força ao gritar sem parar pelo corredor.
– Me solta! SOCORRO! SOCORRO!
– Ninguém vai te ouvir aqui, Só os sujos, mas eles não se preocupam com bisbilhoteiros como você.
Segurando-a pela garganta ele começa a estrangula-la, seu rosto fica roxo ao começar a ficar sem ar, enquanto luta pela vida desesperadamente.