Capítulo 2

Ao chegar em casa acendo as luzes e vou em direção a cozinha, abro a geladeira me lembrando que terei que ir ao mercado logo. Pego a caixa de leite quase vazia e bebo o resto do conteúdo direto da caixa, depois jogo a caixa vazia no lixo. Subo as escadas comendo uma maçã que peguei no cesto de frutas em cima da mesa, pensando bem até que foi uma boa ideia a Molly ir para casa do Phil. Entro no quarto e desabo na cama, termino de comer a maçã e deixo o resto sobre o móvel ao lado da cama. Trabalhar nessa empresa está me deixando relaxada e irresponsável, me pergunto o que Papai iria achar disso. Rapidamente afasto esses pensamentos e sinto meus olhos pesarem, em um piscar de olhos me aprofundo na escuridão do quarto e apago. Ouço o som alucinante do despertador tocar, anunciando que meu descanso acabou. Abro meus olhos e a luz do sol que entra pela janela quase me cega, fecho eles novamente e passo minha mão por meu rosto. Me espreguiço e levanto preguiçosamente, meu corpo clama para que eu me deite novamente. Mas esse é um convite que terei de recusar. Me lembro que não tomei banho pra dormir, pois estou com a roupa que cheguei e ainda pior, de sapatos. Aperto o botão do despertador e tiro meus sapatos indo em direção ao banheiro, encaro minha aparência cansada e meu cabelo bagunçada. Me dispo e entro no minúsculo box. Ao ligar a água tomo um pequeno choque pelo frio. Droga o aquecedor quebrou de novo, e acho que sei quem é a culpada. Mesmo com a água congelando me lavo e saio rapidamente me enrolando em uma toalha. começo a secar meu cabelo com o secador, percebo que ele cresceu bastante desde a última vez que cortei. Talvez eu passe no salão da Cris, para aparar um pouco as pontas. Termino de secar o mesmo e o prendo no alto da minha cabeça em um coque firme. Entro no closet e visto um conjunto de lingerie qualquer, noto que algumas roupas estão faltando. Provavelmente a Molly deve ter esquecido de lavar as roupas. Suspiro e tento achar algo adequado para usar, e o que vejo não me agrada em nada. O vestido amarelo rodado se destaca no meio das roupas, não me sinto à vontade com esse vestido. Ele realça meu quadril fazendo com que ele aparenta ser maior, o pequeno decote em formato de V realça meu busto. Ele é uma opção melhor do que o blazer cinza com uma grande mancha de ketchup. Olho para o relógio e vejo que não tenho tempo de improvisar, visto o mesmo e coloco meu relógio de pulso novamente quando tirei para tomar banho. Passo uma base de leve para tirar um pouca das pequenas olheiras. Ponho minhas sapatilhas e desço as escadas, pego minha bolsa e saiu. Ando um pouco rápido para não perder o ônibus, embarco no mesmo e sento ao lado da janela uma senhora se senta ao meu lado, comprimento a mesma com um sorriso simpático que é retribuído. Em poucos minutos desço do ônibus, mas antes de entrar na empresa paro ao lado de um carrinho de rosquinhas. Ao sentir o cheiro das mesmas minha barriga dar sinal de vida, entro na empresa comendo uma em quanto guardo a outra na bolsa. Mas por ironia do destino esbarro em algo, ou melhor em alguém. A rosquinha com cobertura de chocolate cai da minha mão melando meu vestido. Fico olhando para o estrago boquiaberta, Mil vezes Droga! Pego um lenço em minha bolsa e tento limpar uma boa parte do estrago.

— Peço perdão Senhorita, não era minha intenção.

Meu corpo paralisa em ouvir tal voz, pois aparenta ser daquele homem. Penso que talvez não seja a mesma pessoa. Mas ao olhar para ele, não tenho dúvidas. E o mesmo homem de ontem. Seu olhar sobre mim é avaliador, ele encara a grande mancha de chocolate em meu vestido e o vejo tirar um talão de cheques do seu bolso.

— Poderia me dizer seu nome, irei cobrir o prejuízo.

Sua voz soa firme e ao mesmo tempo suave, ele segura o talão de cheques na mão e na outra uma caneta dourada.

— Não se preocupe, fui eu que esbarrou em você.

Falo tentando amenizar a situação, noto que as pessoas em volta nos encaram não muito discreta. Seu olhar é como o da noite anterior, de um felino. Por mas que eu tente não consigo desviar meu olhar do seu, e acho que ele sente a mesma coisa. Pois seu olhar é intenso e predominante. Um ranger de garganta me fiz desviar o olhar, por fim noto uma figura magra e alta ao seu lado. Seu cabelo loiro se destaca no vestido justo vinho, seus lábios vermelhos se destacam com sua palidez.

— Se não existe problema, não tem por que prolongar isso. Vamos estamos atrasados.

Sua voz soa delicada, mas firme. Ela segura seu braço e o mesmo guarda o talão de cheques junto com a caneta.

— Tem razão, até logo senhorita.

Fala desviando seu olhar de mim e passando ao meu lado, suspiro e giro minha cabeça um pouco. vendo ambos entra em um carro e o mesmo partir. Balanço minha cabeça em negação e ando em direção aos elevadores tentando limpar a mancha. Antes de ir a minha mesa vou ao banheiro e passo um pouco de água. A mancha saiu, mas a água ficou no lugar da mancha. Pelo menos água seca. Me sento em minha mesa e começo a revisar alguns papéis.

— Oie.

Olho em direção da dona da voz alegre Marcy, sustenta um simpático sorriso nos lábios carnudos.

— Oi, Marcy.

Comprimento a mesma me espreguiçando um pouco, acho que passei tempo de mas debruçada sobre a papelada.

— Bellinda, ontem fez uma semana que trabalha aqui certo?

Pergunta a mesma, balanço a cabeça em confirmação.

— Então precisamos comemorar!

Fala sorridente batendo em minha mesa, olho para mesma não muito animada com a ideia.

— Eu não sei...

Sua expressão se torna tediosa.

— Ah qual é! você é a primeira mulher que fica aqui mais de uma semana, sabe o que isso quer dizer. Que o temível Thamur Garson se agradou de alguém.

As vezes penso que esses boatos sobre o Sr. Garson são um pouco exagerados, mas mesmo assim não quero saber se são reais ou não. Penso melhor em sua proposta, mas logo me lembro de Molly.

— E a Molly?

— Eu prometo que vamos chegar cedo.

Fala juntando as mãos e fazendo cara de piedade, depois do que aconteceu hoje. Por que não sair um pouco, fazer amigos não seria tão ruim assim. E distrair um pouco a mente do trabalho. Faço um pequeno barulho com a boca em forma de suspense, mas por fim sorrio.

— Você me convenceu.

— Isso! Você não vai ser arrepender.

Fala indo embora, espero sinceramente não me arrepender mesmo. Falo mentalmente para mim mesma.

Capítulo 3

Minha cabeça lateja como se uma festa estivesse presente nela, meu corpo está dolorido e meu sexo arde. Abro meus olhos e sinto a luz do sol me cegar, fecho meus olhos fortemente e cobro minha cabeça com o lençol macio. Macio até demais para ser meu, a cama fofa reconforta meu corpo. Após poucos minutos abro meus olhos em uma segunda tentativa, olho para os lençóis, mas atentamente e me sento na cama. Esses lençóis não são meus, assim como esse quarto. Olho em volta e vejo um quarto luxuoso que esbanja glamour. Ao lado esquerdo tenho uma vista panorâmica e maravilhosa da cidade de Seattle. Me levanto da ampla cama em um pulo e minhas pernas fraquejam, me fazendo senta na cama. Passo uma mão pelo cabelo e me levanto novamente com mais cautela. ando pelo quarto, minha cabeça gira e sinto que vou vomitar. Olho para o teto tentando afastar o mal estar, percebo que em cima da cama onde estava um grande espelho se destaca, mas o que me chama atenção é ver meu corpo nu. Sem nenhuma peça de roupa qualquer. Pego o lençol vinho da cama e cobro minha nudez. Passeio meus olhos pelo quarto na esperança de achar minhas roupas, tento me lembrar de alguma coisa da noite passada e nada me vem à mente. Ouço uma porta se aberta e ao me virar meu corpo entra em choque. Ele está parado secando os cabelos com uma pequena toalha, gotas de água percorrem o seu corpo indo até a toalha enrolada em sua cintura. Seus músculos se flexionam a cada movimento que ele faz como um verdadeiro Deus Grego.

— Que bom que acordou, eu iria fazer isso depois de tomar banho.

Fala naturalmente colocando a toalha envolta do seu pescoço, sinto um nervosismo repentino me invadir. E involuntariamente me curvo colocando o que me faz mal para fora. Coloco tudo para fora sem poder evitar, sinto algo quente em minhas costas e percebo que ele afaga meu ombro com sua mão, quente e convidativa. Ele tenta limpar minha boca com a toalha que estava envolta no seu pescoço, afasto meu corpo do seu e pego a toalha de sua mão.

— Tudo bem? Vou pegar algo pra você.

Pergunta preocupado quando me encosto na cama, ele volta para onde saiu agora sei que é o banheiro. E em poucos segundos volta com um copo de água e um comprimido. Pego o mesmo e bebo, tento limpar um pouco do meu cabelo que se sujou com meu próprio vômito. Passo a toalha pelos fios, mas o tal estranho toma a toalha de mim e limpa meu cabelo.

— Você precisa de um banho, vem eu te ajudo.

Fala estendendo seus braços músculos em minha direção, me afasto do mesmo. Não quero que ele me toque e muito menos que me veja nua. Sei que aconteceu algo entre nós ontem à noite, mas não me lembro de absolutamente nada. Aperto, mas firme o lençol em volta do meu corpo.

— Você sabe que não tem nada em baixo desse lençol melado de vômito que eu já não tenha visto.

Fala de forma neutra, sua expressão é séria e autoritária. Mas não vou mudar de ideia.

—Eu não sei quem você é, e nem quero saber. Só preciso das minhas roupas e minha casa.

Falo de forma firme o mesmo que está abaixado ao meu lado, ele olha meu rosto atentamente antes de levantar e se afastar. O fito ir até a escrivaninha e pegar seu celular, o mesma disca algum número em poucos segundos ele fala.

— Preciso que compre roupas femininas, Obrigado.

Após tais palavras desliga o celular e me olha mais uma vez, seu olhar é diferente de quando vi pela primeira vez, seu olhar agora é vazio e distante.

— Daqui a pouco vão trazer suas roupas. — Fala o mesmo colocando o celular no mesmo lugar de antes.

— Não preciso de roupas novas.

— Acredite, precisa sim. Tome um banho quando acabar as roupas já estarão aqui.

Fala indo em direção a uma outra porta, solto um pequeno suspiro de alívio e me levanto me sentindo um tanto quanto melhor. Olho para o lençol e vejo o tanho do estrago que fiz, é inevitável não sentir minhas bochechas esquentarem. Ando em direção ao banheiro passando pela porta que ele entrou e entro no mesmo. Me deslumbro com o lugar, esse banheiro é maior do que o meu quarto. Solto o lençol que desliza pelo meu corpo e entro no box, quero evitar ao máximo prolongar isso. A água quente reconforta meu corpo, uso o shampoo que está na pedra de mármore, com sabote e outros usos masculinos. Lavo meu cabelo e meu corpo atentamente, percebo alguns chupões pelo meu corpo. Me pergunto como pude me envolver em uma situação como essa, isso não faz parte do meu fértil. Termino de me lavar e saio do box me enrolando em uma toalha, abro a porta do banheiro e olho em volta do quarto. Em cima da cama uma sacola me chama atenção, mas não a sacola em si. Mas sim a marca. Em nenhum milhão de anos pensaria em comparar ou ganhar alguma coisa dessa loja, Molly e eu já passamos algumas vezes na frente dessa loja. Mas o que queríamos só ficava em nossas imaginações. Abro a sacola e vejo um elegante vestido preto no estilo "tubinho", dentro do mesmo também tem uma lingerie de renda cor preta. Olho o local onde o tal homem estava me certificando de que estou sozinha, rapidamente visto o conjunto de peças. Me incomoda um pouco o fato de o vestido ficar justo em meu quadril, termino de me vestir e faço um coque no topo da cabeça, mesmo meu cabelo estando molhado. calço uma rasteirinha de cor bege que estava dentro de outra sacola e saiu do quarto. Agradeço mentalmente por hoje ser meu dia de folga, ando até o final do corredor e me vejo no topo de uma escada. Mas abaixo uma sala luxuosa brilha expondo o quanto deve ser caro viver ali, desço as escadas não me importando com o barulho que meus passos fazem.

— Onde pensa que vai?

A voz firme do tal homem soa no ambiente, me dando um leve susto. Giro meus calcanhares em sua direção, ele está parado vestido em uma blusa social branca, juntamente com sua calça de tom escuro. Suas mãos repousam em seus bolsos da calça. Ele dá alguns passos em minha direção, seus sapatos caros soam a cada passo que ele dá.

— Estou indo para minha casa.

— Não quer tomar café primeiro?

Pergunta ficando próximo a mim, sua colônia invade minhas narinas causando leves arrepios.

— Eu nem sei quem você é, eu agradeço pelo vestido. Mas eu quero ir pra casa agora.

Falo firme impondo meu desejo, ele assente com a cabeça.

— Tudo bem, meu motorista leva você.

— Obrigado.

Não recuso, pois não tenho dinheiro para o taxi e sei que estou longe da minha casa. por quê aqui é um lugar luxuoso, e onde eu moro não tem nada disso. Me viro em direção a porta, um homem vestido em um palito azul marinho me cumprimenta com um aceno de cabeça.

— Deixe a Senhorita Foggs, na casa dela.

Fala neutro para o homem de palito azul, Olhopara o tal homem uma última voz antes de virar as costas e ir embora. Opercurso para minha casa foi mais longo do que pensei, em todo caminho nãoparei de pensar nesse homem. Mas tenho que esquecer isso, afinal foi caso deuma noite. Tenho uma vida para cuidar e alguém para sustentar, pelo bem de ambas as partes espero que não nos vejamos nunca mais.

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